Poeta
(DI) VERSIFICANDO
O que dizer?
me encaixar num verso
quadrado
ser comedida, certinha
metrificar e rimar?
Aos raios que o partam!
Como disse um poeta
Poetar não é construir paredes
tijolo por tijolo
um em cima do outro
(e completo)
nem combinar cores:
verde com verde
azul com azul
emparelhadas
cruzadas, alternadas
Pra mim
verde rima com árvore
azul com o céu
e os dois juntos com o mar.
Árido
Eu estou vazio,
Todo o mundo ecoa
Dentro de mim.
O mesmo som que entra,
Sai sem tocar em uma gota de sangue.
Saem apressados,
Pelos olhos anestesiados,
Pelos ouvidos exaustos.
E são levados pelo vento.
Nada floresce,
Mas ao menos,
Não há nada para estragar.
Mas existe uma sensação
De que algo poderia mudar.
E isso entoa ameaça para minhas mazelas,
Que em raiva atiram-me ao chão.
E as enfermidades da terra árida são tantas,
Que cada golpe de enxada
Parece só fazer um novo buraco sem sentido.
Os anos são lentos como sementes,
Principalmente quando se aprende a senti-los com os dedos.
E para de vê-los passando com os olhos.
Mas realmente é difícil,
Sentir o pesar dos anos nas costas,
Mas imaginar com ternura
Que ainda são poucos!
E não senti metade do que há em mim,
Pois sou poeta.
Há quem tome tanto café, que depois de morrer, nem ao menos será cremado. Mas devidamente torrado, moído e empacotado a vácuo.
O que posso exigir de você, o que eu preciso ser,
Quem vai me entender,
A estrada nem sempre é legal, astral,
Os obstáculos a deixam desigual,
Quem é poeta entende, pois tem cicatrizes e feridas,
Que o sofrimento e nosso guia,
Pra escrever coisas bonitas algum dia.
Poderia o mundo viver sem poesia? É possível, mas haveria apenas tristeza, como estivesse a ver um palhaço que nunca ri.
É como se percebe-se a vida por completo em um olhar,
porém fosse preciso milhões de palavras para traduzir.
Morte em vida...
Ao longo dos tempos quantas definições do que é amor e o que é amar foram intensa e desesperadamente buscadas, elaboradas, racionalizadas, sem que, até hoje, felizmente, fossem encontradas.
Poetas, filósofos, cientistas, pessoas simples, gente comum, de todas as raças, cada um a seu jeito, já viveu e falou de amor e já amou em verso, prosa, mímica, gestos, olhares, tato.
Surdos e/ou cegos, como ninguém, falam e sentem amor.
Por amor, indiscutivelmente, parece haver uma certeza, não há limites.
Como é amar alguém por toda uma vida, mesmo sabendo não ser amado ou, ao contrário, nunca saber que foi, é, e sempre será amado?
Há pelo mundo tantos que, após algumas despretensiosas trocas de palavras passam a se amar à distância, conjecturando como o outro deve ser, e, inexplicavelmente, perpetuam uma forma de amar que suporta a ausência.
Amor é um sentimento que nunca terá uma dimensão definitiva.
A felicidade proporcionada por um amor verdadeiro, após períodos extensos de tempo, pode acabar em indiferença, sem razão.
Amor unilateral traz um sofrimento que nem sempre tem fim, muitos não resistem e perecem, aceitando uma morte em vida.
Por enquanto, apenas por ora...
Sobre o fim:
encontro de orgulho e arrependimento das coisas que se fez ou deixou de fazer, e, em todas as circunstâncias, a morte de algo grande e o nascimento de um ainda maior!
Caminho...
·
Sigo o caminho do vento, aquele de todos os dias, ele é quem me passa alento, sabe de mim e me extasia. Vem com força ou com brandura, recolhe meu verso, outro traz, esparge a poesia. Meu caminho é tecido em ternura, tirar-me dele só Deus será capaz.
“Tristeza não é sentir falta do que uma pessoa foi um dia. Tristeza é sentir falta da criança que deixamos de ser”.
Pra ser seu namorado? Não, eu não sirvo pra isso. Não sei lidar com amor, nunca aprendi a conviver com o ciúme. Acredite em mim quando lhe digo, eu sou o cara mais controlador do mundo, sou possessivo ao extremo. Não, me perdoe, mas eu não sirvo para ser seu namorado.
Falo a verdade quando digo que serei o pior namorado de todos, sou meloso. Você não vai me suportar, sou do tipo que não larga do pé, aquele que está sempre querendo saber de tudo: onde você está? Com quem você está? O que está fazendo?
Beijo super mal, isso verdade. Meu abraço... ninguém suporta meu abraço. Lembro-me de tantos amigos que tive, e ao abraça-los se foram horrorizados comigo. Por quê? Meu abraço é horrível.
Não se iluda, eu nunca serei um bom namorado. Se escrevo tão bem sobre o amor, é porque o vejo tão distante, assim como a Galáxia Sombrreiro que sei que existe, mas que nunca poderei tocá-la.
Vá por mim, eu não posso ser seu namorado. Nem ao menos sei o que faz um namorado, nem pra que serve.
Tive uma ideia. Poderei ser seu confidente, aí você poderá me falar de seus amores, seus namorados, suas paixões, suas decepções... Talvez em um tempo distante, assim, distante para o futuro, eu poderei ser seu namorado. Mas antes, eu preciso ser seu amigo.
Citação sobre o amor
Não julgue o amor,
Pelos relatórios de pessoas,
Que já amaram Nessa vida.
Viva seu amor...
E não tenha medo de amar.
O amor é uma semente,
Que nasce cresce e morre
Assim como as rosas.
“Sergio Macedo”
Falar sobre arte é falar de vida
A mais arteira de todas as artes.
Sentir a arte é sentir a existência
Em seus aspectos mais sublimes,
mas também em seus detalhes mais sombrios e sórdidos;
Afinal de contas, não é das alegrias e tragédias da vida
que se originam as esperanças e os sonhos,
expressos na arte em suas mais variadas
e diversificadas formas?
Sentir a arte é sentir a própria vida
- girando como uma roda do tempo sob os eixos da Eternidade!
Porque a arte é pura imaginação, sentidos e sentimentos
(Guerras, desventuras d'amor, paixões perdidas,
sonhos desencontrados, esperanças renascidas quais fênix...)...
Tudo é expresso na arte, do profano ao sagrado,
do que nos fascina ao que nos amedronta,
Do que nos encoraja ao que nos acovarda,
Do que nos ilumina ao que nos torna negros...
Eu poderia ser um estranho muito estranho,
Mas sou apenas um ser confuso e perdido.
Eu poderia ser um anjo, mas sou apenas um réu;
Poderia ser um monstro, mas sou apenas um homem
Buscando as palavras certas e a inspiração mais serena...
Mas na arte tudo isso pé tolice,
Porque a arte é espontânea e sem vãs exigências;
Porque a arte está em tudo e não exige de nós
nada mais que observação e plenitude no uso de nossos sentidos.
Ela está no paladar, no olfato, na audição, no tato, no prazer de um beijo
e até mesmo no desprezo que machuca e martiriza o coração apaixonado...
Mas é na visão que tudo se completa e seu show tem início
(Mas não tem fim, porque a arte não é apenas atemporal,
Ela é também imune ao pesadelo da morte).
Eu sinto a arte em meu pulsar, em minha respiração...
Eu sinto a arte em tudo ao meu redor.
Mas é no silêncio - quando absorto em minha solidão -
Eu posso enfim tentar entender a origem de tudo.
O artista é um ser privilegiado em seu dom de criar.
Mas é num pôr do sol, num alvorecer,
na brisa que acaricia a face do ancião em sua jornada morredoura,
Que o artista pára a refletir na arte exuberante à sua volta.
E então ele não consegue evitar o brilho de satisfação exclamando em seu perene olhar,
após um sorriso quase púbere de deslumbre diante da noção que se faz:
"Que arte poderia ser mais bela, complexa e imponente que a vida?"
Nos derretemos diante da arte e nos emocionamos diante de seu impacto.
Mas nós, seres humanos, somos a mais bela e perfeita de todas as artes,
Obras do maior de todos os artistas: Deus!
Mas nem sempre paramos para refletir sobre isso ou para contemplar
a paz do silêncio na penumbra.
Alegria Triste
Brinquei
com o tempo
Já
nada sou /
Apenas
um resíduo /
De
muitas gotas amargas /
Derramadas
em pingos de fel /
De bom:
Nada me restou /
...Apenas dor !!!
Travesseiros macios /
Lençóis
brancos de algodão e seda /
Portas fechadas /
Dê
nada valem /
Sem o amor...
Triste foi
O meu iludir /
Desenhando
um mundo /
Com
lápis de amor /
Esquecendo-me da tinta /
Para colorir...
Caminhei
pôr tempo
a passos longos /
Acreditando
em um caminho ao sol /
Mas
Duro foi a minha chegada /
Quando
descobri que me encontrava
completamente
só !!!
Jmal
em algum lugar de meu coração
24/02/2017
Sinto tanta falta de sentir algo profundo que me coloco na linha de tiro de algo seriamente tocável .
Sagração
Era uma tarde chuvosa de fevereiro,
a janela aberta revelava um céu alvacento
enquanto escutava melodias suaves de piano e flauta.
Uma poetisa apareceu-me de repente. Uma senhora nascida num final de primavera.
Conversamos. Ela declamou-me poesias e, como mágica, as palavras tinham cores e sons.
Eu disse a ela que seus versos me falavam de Deus. Confessei-lhe também que a poesia é mais redentora que os dogmas da religião.
A senhora sorriu um sorriso interrogador aguardando a minha explicação.
Respondi que os dogmas são sempre certeiros. Infalíveis. Escritos por teólogos que sabem definir o Mistério.
A poesia não. A poesia não define o Mistério, a poesia o torna sagrado. E em seguida o lança nos ares do imaginário.
Os teólogos sangram a vida com preceitos. Os poetas, ah, os poetas sagram a vida que o teólogo sangrou.
Então a senhora dos versos sagrados se lançou no desconhecido de minhas próprias palavras e desapareceu.
