Poesias sobre os Cinco Sentidos
Enfim, pegando a PA. melhor começar por aqui do que por LA. apesar dos mil sentidos e subjetivos, ela é escrava. Sim, a palavra é escrava do coração atormentado, solitário, ferido e sem perdão. Algumas bocas deveriam omitirem certas palavras, quando viessem como gilete, ferirem o ar e o lugar onde são proferidas. Todos temos feridas, mas algumas delas em algumas pessoas, permanecem abertas por medo, covardia ou nostalgia ao longo da vida como se fosse uma casquinha que não fecha da única verdadeira patente não ilusória do justificado sofrimento. Vidas amargas.
A obra de arte de um maduro artista e o dialogo com os diversos sentidos do espectador é inerente, constitutivo e essencial a alma da própria criação. O artista sensível fala muito mais pela construção de indefinidas perguntas e reflexões atemporais e não dimensionais do que por respostas tolas que ele mesmo não reconhece ou tão pouco acredita.
No delírio intenso de nossos sentidos, Não há pecado, Por amor tudo é remido, Abraçados seremos bem mais do que amigos...
No delírio intenso dos nossos sentidos, A tua presença atiça tal qual palha na fogueira, No fundo nós sabemos que somos bem mais do que amigos.
A tua força é de dobrar os meus sentidos, Respiro a tua respiração, Até as estrelas acham graça dos nossos gemidos...
O ouvir é um dos mais poderosos sentidos e pode ser energizador. Atualmente faz-se questão de ouvir Almas que doam, cuidam, plantam, torcem positivo, alimentam-se organicamente, desfrutam de boas músicas, consciência e disciplina, resumem e silenciam sem querer ver o que pode ser, o que pode se dar, mas sim, fazem ser e se dão.
Toda essa minha liberdade de expressão, sentidos e fazeres, sinto muito enraizada nas limitações de conhecimento, matéria prima e inclusive este corpo que tenho por empréstimo. Por isso vejo como única opção para sair destas prisões a ficção, o imaginário mundo intangível, aguçado apenas ao contemplar as belezas, as artes e tudo que é mais do que aquilo que meus olhos e entendimento possam ver.
Se os sentidos mantêm suas posições naturais, não há razão para temer. É somente quando eles começam a entrar em contato com os objetos ao redor que as distrações gêmeas de alegria e tristeza são produzidas. Quando você ouve alguém difamá-lo, você experimenta raiva e tristeza; mas não há tal agitação se as palavras não chegam a seus ouvidos. A atração dos sentidos pelos objetos é a causa da dor e de seu gêmeo, alegria. Enquanto o mundo existir, não se pode evitar o sentido de contato aos objetos; do mesmo modo, enquanto se tem o ônus de nascimentos anteriores, não se pode escapar do complexo alegria-tristeza. Mas, de que serve esperar até as ondas silenciarem-se antes de se lançar a um banho de mar? O sábio aprende o truque de evitar os golpes das águas e do arrastar das ondas. Use a armadura de fortaleza (thithiksha) e supere os golpes de boa e má sorte. Thithiksha significa equanimidade diante dos opostos, ou seja, suportar corajosamente a dualidade.
