Poesias sobre Mãos
Hipocrisia é ter uma bíblia nas mãos.
E um chicote na língua.
Vigiai as próprias atitudes.
Deus está vendo tudo.
ENCONTRO DE CORAÇÕES
Mario Quintana dizia que temos
duas pernas para andar,
duas mãos para segurar,
dois olhos para ver,
dois ouvidos para ouvir…
mas apenas um coração.
É que o outro foi dado a alguém,
para que um dia nos encontrasse.
E então, unidos, teríamos dois corações.
O destino me apresentou você.
E agora, enfim, me sinto completo.
꧁ ❤𓊈𒆜🆅🅰🅻𒆜𓊉❤꧂
Gratidão
Gratidão é saber dizer
Um simples e sincero “obrigado”.
Pelas mãos que nos ajudam
E por quem caminha ao nosso lado.
É lembrar que cada gesto
Pode iluminar o dia.
Quem cultiva gratidão
Espalha sempre alegria.
Nós somos um pé-de-feijão! Ao menos assim me pareceu quando as mãos daquela criança seguravam o broto como se cuidassem de um bebê. Seus olhos eram estrelas brilhando. Ele me revelou que deveria regá-lo, como atividade escolar. Dessa forma, eu lhe disse:
"Esse broto que você está criando, você precisa ter fé de que ele vai crescer um dia. Também, por essa fé, cuidar dele, nutri-lo e regá-lo sempre. E saiba que, se por alguma razão este pé-de-feijão murchar, você estará sempre livre para poder plantar outro. Tenha certeza de que, no momento oportuno, vai crescer algum."
E ele, com o cenho confuso, assentiu com a cabeça. Assentiu, de fato, como todos nós, que, mesmo sem certezas, continuamos regando a vida - nós, que esperançamos.
Nada é estável.
E quando um homem coloca a própria paz nas mãos de outras pessoas, a conta sempre chega.
Quem já passou por histórias desastrosas sabe, depender dos outros é pedir para cair de novo.
É como construir no terreno errado qualquer vento derruba, qualquer ausência pesa, qualquer traição destrói o que levou tempo pra levantar.
Com o tempo, a gente aprende que estabilidade não se recebe, se constrói.
E ela não vem de ninguém lá fora.
Vem da forma como a gente reage, da força que a gente segura mesmo machucado, da disciplina de continuar mesmo cansado.
Homem que leva cicatriz no peito não volta a ser o mesmo.
Mas pode se tornar mais forte, mais consciente, mais inteiro.
Ele para de mendigar presença, de buscar validação, de aceitar migalhas emocionais.
A real é simples
Confiar nos outros é bonito, mas confiar em si mesmo é o que mantém de pé.
No fim, o maior risco não é perder alguém.
É perder a si mesmo tentando sustentar o que já estava desmoronando.
Que de nossas mãos as pessoas só recebam o bem. Que o amor seja dividido entre todos de forma simples e sincera. O maior bem que temos na vida é a nossa riqueza interior, cuide dela pois esta nada destrói e o tempo só a deixa mais bela.
____Lene Dantas.
Permitir
Permiti que você cruzasse minha porta
sem mãos que não sabiam acolher.
Permiti que tocasse minha alma
com mãos que não sabiam acolher.
O jogo frio com os seus sentimentos
Permiti que as palavras ferissem
e o silêncio machucasse mais ainda.
Permiti, porque eu permiti tudo isso.
Apenas eu.
"Você não é o que carrega nas mãos, é o que pulsa no peito.
Respirar não é rotina, é privilégio.
Ver, ouvir e sentir não são garantias, são milagres.
Não espere perder o fôlego para entender o valor de cada suspiro."
Você promete não soltar a minha mão?
Quero caminhar de mãos dadas com você pelo resto das nossas vidas.
Quero adormecer e acordar ao seu lado, dividir com você as alegrias e as dores, contar todos os meus sonhos e segredos, e conhecer os seus.
E quando estivermos velhinhos, olharmos um nos olhos do outro, e ver ali nossa juventude refletida, e sentir nosso amor mais forte que a morte. E quando chegar a nossa hora de partir, iremos leves e realizados, com aquela sensação gostosa de dever cumprido e de amor vivido.
Vem comigo, me dê sua mão, prometo não soltá-la, segura firme a minha mão.
Você promete não soltar a minha mão?
Há momentos na caminhada em que o coração está disposto — mas as mãos estão vazias.
E é justamente nesses trechos que surgem interpretações apressadas, silêncios mal compreendidos, julgamentos — alguns ditos, outros apenas percebidos — vindos de expectativas que, naquele instante, não conseguimos atender.
Não por negligência.
Não por ausência de amor.
Mas por ausência de recursos — visíveis ou invisíveis — que também nos faltavam.
Poucos percebem que, por trás de uma negativa ou de uma ausência, pode existir uma luta silenciosa. Uma travessia interna onde estamos, nós mesmos, tentando nos sustentar — enquanto a vida ainda nos pede que sejamos sustento para outros.
E assim nasce uma das dores mais sutis da existência:
ser mal interpretado quando, na verdade, se está apenas limitado.
Há uma tendência humana de confundir impossibilidade com indiferença. Mas a consciência — quando bem alinhada — nos sussurra uma verdade que acalma:
nem toda ausência é abandono — às vezes, é apenas falta de condições.
E reconhecer isso não nos diminui — nos humaniza.
Não fomos feitos para sermos resposta a todas as necessidades — nem porto seguro em todas as tempestades. Há dias em que somos abrigo — e há dias em que estamos, nós mesmos, procurando onde repousar.
A maturidade chega quando conseguimos sustentar duas verdades ao mesmo tempo:
o desejo sincero de ajudar — e a honestidade de admitir quando não podemos.
E é nesse equilíbrio que a alma encontra paz — não na aprovação alheia, mas na integridade silenciosa de quem sabe que fez o que era possível dentro do que tinha.
Porque, no fim —
não é a cobrança externa que define quem somos,
mas a verdade com que caminhamos dentro de nós.
— Paulo Tondella ✍🏻
Eu vim de histórias que eu nem vivi.
De mãos calejadas antes de mim.
De sonhos guardados em silêncio e
medos que aprenderam a existir.
Deus se revela
em mãos limpas,
em um coração puro,
em quem não guarda maldade
e vive o amor.
Fora disso, é só religião criada por homens.
Nas mãos, as marcas do passado.
Vida construída, uma paisagem recria.
Cicatrizes envoltas por letras solenes.
Alívio? Não há dor para remediar.
Tenho medo do quanto estou
Frágil em tuas mãos
Se eu nunca tive o que mais precisei...
Você é tanto...
Me tira toda a razão...
E desde que te vi, eu soube
Que havia algo de incomum
E o teu beijo não foi só mais um.
Eu soube, meu coração não estava em mim
Pois já era teu.
Mas ela está quebrada
Sem tempo pra existir.
Tudo o que mais quis
Viu de suas mãos cair.
Ela já magoou
Mas se machucou muito mais.
Queria ser feliz...
Que ilusão viver em paz...
O Vaso
Sou cercada de aplausos sempre que por ruas alheias passo,
Sou eco quente nas mãos de quem não me conhece, sou sorriso devolvido,
Por todo lado tem olhos que me vestem de encanto como se eu fosse primavera permanente.
Elogiam minha beleza como quem acende fósforos, rápidos, breves, ardem e esquecem-se do frio depois.
Dizem amar-me sem nunca terem atravessado o meu inferno.
Mas em casa, onde o silêncio devia ser abrigo,
Me torno num mero objeto pousado no centro da mesa, um vaso que não escolheu ser decoração.
Todo ele rachado em quedas repetidas, nas mãos de um artista em negação, e o mesmo insiste em colar-me como se remendar fosse amar.
Duzentas vezes quebrada, duzentas vezes inteira por obrigação.
Não por cuidado, não por ternura,
mas porque lhe convém manter-me junto dele.
Ele não me ama,
não pergunta se o mundo me pesa, não escuta o som fino das minhas fissuras.
Importa-lhe apenas que eu ainda sirva, que eu ainda ceda, que eu ainda esteja viva.
E eu,
Exaltada por estranhos, rainha de palmas vazias,
regresso sempre ao palco onde não existo.
Sou multidão fora, e ausência dentro.
Sou escolha para quem não me escolhe, certeza para quem me trata como hipótese.
E no fim de cada aplauso,
quando o som morre e o eco se dispersa, fico eu, inteira só na aparência, a aprender devagar que nenhum vaso nasceu para viver colado.
Escritora: Paula Maureth Adriano Soares
Ela aprendeu a abrir as mãos
não por fraqueza
mas por sabedoria
Já não implora permanências
nem negocia o próprio valor
com aquilo que insiste em ir
A mulher que desapega
entende que segurar demais
é uma forma silenciosa de se perder
Então ela solta
com o mesmo cuidado com que um dia acolheu
Solta memórias que já cumpriram seu papel
solta expectativas que pesavam mais que sonhos
solta pessoas que não souberam ficar
E no espaço que antes doía
ela se encontra
Inteira
presente
leve
Porque descobriu que nada do que é verdadeiro
se desfaz com a liberdade
E que partir
às vezes
é apenas a vida reorganizando o que merece ficar dentro dela
A vida que derrete nas mãos
A vida é como um pequeno e frágil cubo de gelo, segurado ao sol, que brevemente se desfaz em nossas mãos...
Tão transparente quanto nossos desejos, tão fria quanto os medos que evitamos sentir.
Tentamos moldá-la, contê-la, preservá-la, mas ela insiste em derreter; escorrer; partir.
E no fim, o que resta?
Uma lembrança úmida, uma gota, um brilho fugaz.
Nas mãos do inevitável
Aquilo que se teme,
uma hora ou outra, chega em suas mãos.
Aquilo que aos olhos tem ternura
se vai como água ao sol ardente.
Não seria, então, crueldade
com o personagem desta trama,
ver tudo aquilo que não queria, acontecer?
Seria uma prenda?
Seria uma reorganização do destino?
Seria Deus?
Será simplesmente porque não é?
Não entendo,
ou pelo menos,
não ainda...
Eu tive um mundo de possibilidades
Escorregados pelas minhas mãos
E orações que ficaram sem respostas
Que eu não puderia entender
Há uma fé que move montanhas
Mas nunca deixei me mover
Eu confiava apenas nas coisas que eu podia ver
Tanta frustração em tentar sozinho
Tive a revelação que não posso fazer sozinho
No fundo do meu coração
No fundo da minha alma
Sempre houve algo que faltava
Agora que você tem minha atenção
Te dou a minha vida
Te entrego meu controle
Eu finalmente aprendi a ouvir Tua voz
Eu Te dou tudo, sim!
