Poesias Faceis do Elias Jose
Filhos, ouçam os mais velhos,
Não se iludam com as aparências,
É importante acatar conselhos,
Viver é ter em conta experiências!
O vento
Que o vento traga para mim seu precioso sorriso, eleve daqui toda essa depressão.
Clamo ao vento que traga para mim teu beijo macioe que com ele se vá toda está solidão.
Peço aos deuses para que o vento refrigere meuaflito e quebrantado coração, e que com teu simples e meigo sorriso ele venha se completar outra vez.
Sei que o vento não é Deus, mas cabe a ele trazerpara mim teu olhar penetrante.
É dever do vento levar minh'alma para perto de tisó assim terei fôlego para completar mais uma semana.
O vento trará alento em mim, pois com ele ouvirei tua voz outra vez neste imenso luar.
'Vejo um caixão
e minha caveira
vejo a cena derradeira
de um desgosto eterno,
Três, quatro, cinco pessoas...
e nada mais,
e o caixão encenando a desgraça,
A última graça,
e nada mais.'
Trago nestes versos a dor daquele que sofre, sofrepelo que vê, pelo que lê, pelo que é.
Aquele que sofre por olhar para o céu e não o ver brilhar como outrora tivesse visto.
Aquele que sofre sentindo a morte sem sequerestar entre os mortos.
TODO SEU
Sou cobertor no frio da noite calada,
Sapatos no pedregulho da estrada trilhada.
Sou remédio para sua dor,
Sou seu escudo, manto e protetor.
A beleza das estrelas me intriga,
Engraçadinhos que te olham, quero briga.
O dia me presenteou lindo e ensolarado,
Exibindo seu belo corpo, malhado e molhado.
Curvas perigosas,
Subidas prazerosas.
Posto que é rosa,
Desavisados querem prosa.
Sou todo seu no outono,
E nas outras estações do ano.
Sou todo seu, sem engano! ...
Élcio José Martins
Rasgo o meu ser
Para alguém me reconhecer
Sou aceitável agora
Sou um tolo a querer subir para uma gaiola
Onde todos se empurram para serem vistos
Alegres zombies numa tela
Onde por detrás de tristezas e infelicidades
Pela frente, é bela...
O Beijo
Creio que foi o beijo
Beijo colado na alma
Toque leve e subtil
Feito água e luz
Veio em arrepio
Carícia de azul
Eterna e infinita
Timidez ousada
Tremor de lábios
Murmúrios de calor
Clamor no afago
— creio no beijo
Beijo de sempre
Nascido de nuvem
Floco de sal e sol
Entre lábios soltos
Como cavalos
Ao vento.
Já nada guardo.
Celebro cada momento
sem apego.
Extraio de cada gota da vida
o néctar que ela me oferece
e devolvo-me ao mundo
como se fosse
o primeiro
e último dia...
2017, Aldeias em Mim
O amor não basta para o amor sobreviver. O amor é um ecossistema de sentimentos e emoções complexos e profundos de conhecimento de si e do outro. Manter uma relação de amor verdadeiro exige um partilha rica e cheia de vitalidade, uma comunicação clara, honesta e empática. O amor somente não chega para alimentar uma relação saudável e duradoura. O amor é uma leitura a dois. Saber ler cada linha de pensamento e decifrar entrelinhas sem culpabilização ou acusação. Questionar mais do que julgar. Procurar extrair os reais sentimentos que despertam as emoções mais desequilibradas para torná-las conscientes e, assim, reparar a fonte do mal-estar. E tudo isto exige um conhecimento elevado de si mesmo para que se possa compreender o outro. E o mesmo ecossistema complexo e árduo se adapta a toda a sobrevivência das relações humanas.
O amor perdura entre seres que se amam a si mesmos, em profundo respeito por si e pela vida, sobretudo. Cuidar seriamente do tom de voz, do olhar sereno e pacífico, de cada gesto doce e tranquilo, das palavras ácidas que escapam descontroladas são a melhor forma de crescermos em amor verdadeiro. Cuidemos das palavras como quem embala uma criança antes do mergulhar no mundo dos sonhos.
O amor não basta para ser Amor. O amor deve ser sonhado continuamente a dois, diariamente, com todo o zelo e confiança e força interiores. Cuida-te.
Abraça-me!
A verdadeira felicidade é pessoal e intransmissível. A nós pertence e a ela devemos todo o respeito e capacidade de proteção. A felicidade de que vos falo é um estado de espírito. Não falo de pulos, de risadas, de selfies sorridentes. Trata-se de uma profunda gratidão pela vida; de um respeito pelos erros cometidos; pela resiliência viva em nós; pela vontade férrea de aprender mais e de evoluir sabiamente; de cultivar profundamente a bondade e o entendimento sereno da existência.
É nas condições mais adversas, mais dolorosas, mais destruidoras, mais conflituosas que experimentamos a glória da felicidade permanente, inviolável e única.
Procura nos teus próprios labirintos a tua felicidade. Esse é o lugar de sonho! A paz!
2019, José Paulo Santos
*Poeta e Autor de Aldeias em Mim
A nossa mudança interior inicia quando o nosso vocabulário, as nossas frases bonitas cheias de lugares-comuns acabam. Devemos aprender novas palavras, novas respostas. Precisamos de clarificar cada sentimento e necessidade para que, dentro de nós, estejamos profundamente conscientes da nossa vida interior. O nosso vocabulário define o nosso caráter e personalidade. Palavras exatas e claras para descrever o que somos fazem de nós melhores pessoas diferentes e verdadeiras. Sem fingimentos, sem máscaras, com honestidade e clareza de espírito. Que nada do que pronunciamos se revista de violência subtil. Que a nossa empatia seja real e concreta, através da nossa capacidade de escuta e da nossa presença sincera e humana.
Fala-me das tuas necessidades e sentimentos e dir-te-ei quem és.
2019, José Paulo Santos
*Poeta e Autor de Aldeias em Mim
CNV — Comunicação Não Violenta
Alguém que te escute só para te escutar. Alguém que abra a Alma pura no respeito pela dor, pela simples existência do que és, do que foste, do que serias e do que nunca foste. Alguém tão capaz de ser todo o tempo do mundo por e para ti. Alguém que entenda que a dor, o sofrimento, os erros, as más escolhas, a má sorte, os males de que foste vítima são a essência da tua vida, tal como as alegrias, os sucessos e as vitórias, os sonhos e as suas realizações. Alguém que escute sem te aconselhar, sem te julgar, sem nada esperar. Alguém que seja tão sábia e saiba que a tua vida tem um valor único e absoluto. Alguém que te ame e ame dar a escuta como única e mais valiosa moeda de amor.
Alguém... de amor, só puro amor.
2019, José Paulo Santos
*Poeta e Autor de Aldeias em Mim
CNV — Comunicação Não Violenta
Vamos jantar um livro
Saborear palavras
Degustar melodia
Sílaba a sílaba
Canto e poesia
Erguer a amizade
Em taças de alegria
Em pratos de harmonia
Unir a nossa voz
Não estamos sós
Unir a nossa Alma
Acendemos a chama
É festa é alegria
Esta vela que ilumina
Este fogo que dá vida
Quando um homem
Acredita na força
Da poesia!
— Vamos jantar um livro!
Certo dia, cansei-me.
Cansei-me das máscaras e do fingimento
Cansei-me da incapacidade de alcançar a paz
Cansei-me de quem não cresceu ou amadureceu
Cansei-me da mentira e da falta de empatia
Cansei-me do não Ser e do não Melhor
Ah! Como me cansei do não saber!
Então, parti de mim.
Parti para me reencontrar longe de mim
Parti para saber outros caminhos
Parti para acolher um outro fim
Parti para longe, bem longe do julgar
Parti sem culpa ou vergonha
Parti para regressar ao Hoje
Este hoje que sou
E para onde vou.
2019, José Paulo Santos
*Poeta e Autor de Aldeias em Mim
CNV — Comunicação Não Violenta
"INSPIRADO EM DOSTOIÉVSKI"
Querer fazer o bem e sentir no íntimo o latejar do mal,
É dilema de toda alma humana.
Querer a paz... E, saber-se predisposto à guerra,
É atributo de alguns.
Saber-se sondado no íntimo por um Poder Supremo,
É legado de todos.
Trazer consigo no peito o ideal da sodoma
E arder pelo ideal da madona,
É algo terrível, só quem o vive sabe...
É o duelo entre Deus e o diabo,
Tendo o coração humano como campo de batalha,
E o coração...?!
O coração só quer falar daquilo que o faz sofrer".
Da Obra: NEBRO
A "falta de tempo" é sempre uma desculpa para quem tem outras prioridades. A boa notícia é que as prioridades oscilam, mudam com o tempo...
CNV — Comunicação Não Violenta
Abandonei a minha Tese de Doutoramento em Tecnologias de Informação e Comunicação em prol de uma causa de vida mais transformadora e elevada: a Comunicação Não Violenta. Escolhi o que faria mais sentido verdadeiro para a minha vida e a dos outros.
CNV — Comunicação Não Violenta
Enquanto dezenas de alpinistas fazem fila para alcançar o cume do Evereste, eu ultrapasso corajosamente as mais altas e perigosas montanhas de mim.
2019, José Paulo Santos
*Poeta e Autor de Aldeias em Mim
Por que é que uma mulher conhece outra mulher que tenha sido violada, mas nenhum homem conhece outro homem violador?
CNV — Comunicação Não Violenta
Já só me resta o tempo útil para gente humana. Gente que descobriu a efemeridade, a mortalidade e a bondade. Gente como aquele último quadradinho de chocolate de uma tablete inteira: só aquele último pedacinho tão ansiado... e o mais saboroso de todos. Gente tão preenchida, gente tão profundamente serena e sábia. Gente ainda ávida de partilhar e de aprender; de se dar em dádiva sem retorno. Gente que segue o seu rumo e não se demora na mediocridade do mundo. Já só me resta tempo para Gente com asas nas palavras e no gesto.
Já vivi mais do que me resta ainda viver e só quero gente que vive eternamente. Gente de alma, porque soube que a carne o osso são apenas restos da terra.
Já só preciso de gente que vem da primavera com girassóis na voz e a flor de lótus no olhar.
2019, José Paulo Santos
*Poeta e Autor de Aldeias em Mim
