Poesias de Dor

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Linha Tênue

Escrevo esse poema
entre a dor e um dilema,
sabendo que muitos vão apontar
antes mesmo de tentar entender.

Pra nós…
já virou rotina sentir demais,
carregar um peso antigo
de quem, muitas vezes,
nem pediu pra nascer.

A vida… a morte…
quem é que diferencia?
Existe uma linha tão tênue
que meus passos caminham sobre ela
todos os dias,
sem garantia.

Já tive vontade de ir embora,
não por fraqueza,
mas por não achar lugar
onde eu pudesse caber.

Desajeitado, quebrado, perdido…
como só entende
quem já perdeu tudo
e ainda tenta sobreviver.

Mas a recuperação tem algo estranho,
quase um enigma que intriga:
a mesma dor que antes nos empurrava
pro fim,
hoje nos faz implorar
por mais um dia de vida.

E chega a ser irônico…
porque antes, sem perceber,
a gente se destruía aos poucos,
roubando os próprios dias
de uma contagem silenciosa,
de uma doença incurável,
progressiva
e fatal.

Hoje eu perdi um amigo.

Não foi para as garras
da adicção ativa,
e isso, de alguma forma, conforta…
mas não apaga a dor.

Porque perder…
ainda é perder.

E a vida, que antes parecia clara,
se mostra torta,
como um reflexo quebrado
de tudo que já fomos.

Mas no meio desse caos,
existe um porquê que insiste em ficar:

ele partiu limpo,
de cabeça erguida,
carregando uma vitória silenciosa
que o mundo nem sempre vê.

Meu amigo se foi…
sem saber que, no caminho,
salvou vidas.

Sem saber que foi luz
em meio à escuridão de muitos.

E talvez seja isso…
o que me mantém aqui:

entender que, mesmo na dor,
mesmo na perda,
mesmo na saudade que aperta…

eu ainda escolho viver
mais um dia.

Há dor pior do que aquela que não se pode gritar?
Há pior solidão que não encontrar compreensão?
Há pior aflição, quando não tem com quem se compartilhar?
Somos inocentes silenciados
Melhor seria vestir uma camisa de força
Dopar-se, esvanecer-se;
Adormecer!

Escolhi você meu amor
Para comigo viver
Estar ao seu lado no amor e na dor
Escolhi você para comigo envelhecer

Permita-me de ti cuidar
E você deixarei cuidar de mim
Prometo te recompensar
Sendo sua até o fim

E quando chegar a velhice
Teremos um ao outro
Serei a sua amiga e cúmplice
Você meu ombro amigo

Quando tudo terminar
Terei certeza que não foi em vão
Que valeu a pena viver e amar
Então em paz descanará meu coração.

O Tempo

O tempo é revelador
O Tempo amadurece
O tempo diminui a dor
Alguns dizem que o tempo cura.
Nada melhor do que dar Tempo ao tempo.
Portanto não perca tempo,
pois temos pouco tempo!

Nas relações não observáveis: há uma dor isenta de ódio, dor que não é lógica, dor que sentimos e na tua beleza há desejamos; até quando a dor será dor? Mesmo quando há saudade, será mesmo dor? Quanto tempo até perceber que há beleza na dor do amor? A dor que é amor, sente saudade e deseja a beleza que há na dor, mas parece, que você menti pra você, e quis esquecer, o que não se esquece; até tentou se curar dessa dor, mas não há dor, há o amor que chamou de dor;

Além de não saber como fazer para a lógica compreender e sem perceber que o amor não leva lógica; vou dizer que a dor sem ódio, não requer cura, mas aceitação e gratidão; se quiser, chore pela saudade, descreva teu amor, mas não trate tua dor, como se fosse ódio; pare o observável; perceba o não observável: deixe florescer a dor que é amor, sinta a saudade; se permita sentir, mesmo que chore, deixe sorrir: é a dor mais bela que você pode sentir; uma dor sendo o amor mais especial dê seu viver.

Eu vivi isso, senti as relações não observáveis e me fiz poeta pelo sentir; eu descrevi meu mais profundo conhecer e vi minha vulnerabilidade em relações não observáveis; onde o amor se mistura na saudade e parece dor, mas não é dor; eu não vi, como tantos tentam ver, eu pude sentir e pude na minha vulnerabilidade: apenas aceitar uma dor que me fez poeta do amor sem dor e me tem saudade que não é ódio: mas apenas amor, por quem não volta mais para mim: e me fez abraçar a gratidão de minha eterna saudade.

A dor é um idioma secreto, falado apenas dentro de nós. Não há tradução perfeita, não há ponte que permita ao outro atravessar e sentir exatamente o que sentimos. Ela é chama e sombra, é ferida e revelação. Surge como um sussurro no corpo, mas logo se torna grito na alma.
A ciência nos diz que a dor é um sinal, um circuito elétrico que percorre nervos e chega ao cérebro. Mas o que ela não explica é o silêncio que se instala depois, o vazio que se abre quando o sofrimento nos obriga a olhar para dentro. A dor não é apenas descarga neural: é memória, é emoção, é história.
E a filosofia nos lembra que a dor é inevitável, que ela nos acompanha como sombra fiel. Schopenhauer a via como essência da vida, Nietzsche como força que nos molda, Frankl como oportunidade de sentido. A dor é o peso que nos curva, mas também a pedra que afia nossa resistência.
No íntimo, a dor é paradoxal: ela nos isola, porque ninguém pode senti-la por nós, mas também nos aproxima, porque todos, em algum momento, conhecem sua presença. É universal e singular ao mesmo tempo.
E talvez seja justamente aí que reside sua intensidade: na impossibilidade de ser medida, comparada ou negada. A dor é verdade absoluta, uma chama que arde em cada ser humano de forma única. E, ao atravessá-la, descobrimos que não somos apenas frágeis — somos também capazes de transformar sofrimento em força, ausência em busca, ferida em poesia.


Tatianne Ernesto S. Passaes

A dor é ferida, mas também é portal. É silêncio, mas também é grito. É sombra, mas pode ser aurora. E talvez seja justamente por isso que ela nos humaniza: porque nos lembra que viver é atravessar, e que cada cicatriz é também uma inscrição de resistência, uma marca de que seguimos, apesar de tudo.


Tatianne Ernesto S. Passaes

⁠Uma vontade louca de viver me visitou
Eu estranhei, acostumada a engolir tanta dor
Poeira, eu me sentia pó
Menor que um grão de areia
Depois de esvaziar
Vontades e desejos
Cavar até o fundo
Pra encontrar si mesmo
E descobrir
Uma vontade louca de viver
Mais forte que eu

Folhas Secas

A vida tem quatro partes:
Pequena: como a dor
Grande: como o amor
Simples: como eu
Importante: como você
Eu sou só um você
Que você não quis
E querer é coisa tão pequena
Que só não sou você por um triz
Ela se vestia de silêncio, não
Porque desconhecia os sons, mas
A voz dos seus sentimentos ficou
Presa no imenso nó que havia em
Sua garganta.
Todas as coisas que dizes
Afinal não são verdade.
Mas, se nos fazem felizes,
Isso é a felicidade.
Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já me não dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou,
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje já outro dia.
Foi nessa idade que a poesia me veio buscar
Não sei de onde veio
Do inverno, de um rio
Não sei como nem quando
Não, não eram vozes
Não eram palavras
Nem silêncio
Mas da rua fui convocado
Dos galhos da noite
Abruptamente entre outros
Entre fogos violentos
Voltando sozinho
Lá estava eu sem rosto
E fui tocado.

Há um lugar em meio ao caus e a dor
Onde toda a tristeza, medo e solidão
Não pode entrar
Este lugar fica ali na esperança.

Nesta vida, neste mundo, velejo pelos mares de lágrimas formados pela dor e pela ternura de uma existência incerta e inquestionável. Vejo uma vida, às vezes, sem sentido, mas ainda assim enxergo grandes histórias a serem criadas, grandes sonhos a serem registrados e momentos que merecem ser eternamente guardados.
Caminhando pelas linhas tênues da vida, deixo palavras incompletas, sonhos incertos e prazeres que talvez ninguém jamais venha a descobrir. Ainda assim, deixo sentimentos e histórias que, neste pálido ponto azul, podem parecer insignificantes… mas que, para cada alma, para cada ser, valem o mundo. Valem instantes, valem memórias, valem histórias inteiras.
É neste mundo em que vivemos, neste pálido ponto azul, que deixamos nossa marca no universo. Uma marca pequena, quase imperceptível aos olhos do infinito… mas ainda assim, uma marca viva, feita de história, de presença e de tudo aquilo que, mesmo silencioso, insiste em existir.

Um dia me fiz poeta para aliviar a minha dor. As letras emaranhadas com minhas lágrimas, me fizeram notar que as sílabas juntas, seriam minha nova paixão. Há dias em que as sentenças brotam do meu coração, mas há dias em que o que mais quero é silenciar minha voz.Nessa trajetória a gente se reinventa e busca novas maneiras de viver a velha vida.No papel teço meus novos roteiros, não sou tão fraca nem tão forte, apenas sou quem me disponho a ser.


O que ama..


Aquele(a) que ama
Não teme a dor,
Simplesmente ama.
No amor, pode se descobrir
Desamores.
Amar, é um movimento só
De ida..
Estou chegando...

Por que a dor cabe aos que amam?
Por que nos amantes ela é mais sentida?
Quando na verdade, aos que amam, só deveria lhes caber a docilidade.
A doçura desse fruto chamado AMOR.

Mergulho em si.
Quando tudo fora parecia
Tristeza, dor, amarguras,
ela, como uma gaivota
Mergulhou fundo em si.
Chegou em um lugar lindo
dentro do próprio coração.
Lá, encontrou um baú repleto
de maravilhas que ela mesmo
desconhecia, ou já não
se lembrava mais, mas tudo ali
Lhe pertencia.
Ao retornar desse profundo mergulho interior,
ela se "re"descobre, enquanto mulher,
enquanto ser, que ama que é amada.
Emerge então para
Um "ser feliz" sem medidas.
E assim segue na vida, sem olhar para trás,
pois já não tem mais esse tempo.
Seu olhar agora esta firme,
na linha do horizonte que vai a sua frente.

A dor é o peso que nos curva, mas também a pedra que afia nossa resistência.


Tatianne Ernesto S. Passaes

Quando uma dor profunda emerge das profundezas da alma...


a palavra se curva em silêncio
para dar passagem honrosa às lágrimas...


e sinto o seu nome vibrar nas veias
das minhas lágrimas...
✍©️@MiriamDaCosta

É que das feridas
eu fiz canteiros férteis,
onde floresço versos
como quem transforma dor
em estação de primavera.


Reguei cicatrizes
com silêncio e insistência,
adubei perdas
com a coragem de permanecer.


E onde
antes sangrava,
hoje brotam palavras.


Porque a terra que fui
e que sou
não recusou a estiagem,
aprendeu a germinar
por si só.
✍©️@MiriamDaCosta

quanto mais amar no presente
na ausência será mais dor
menos pior que viver na dor e doente
e não ter sentido amor

Assim demoro para dormir de tão bom que é viver.


Então demoro para acordar de tão bom que é dormir...