Poesia Sufoco no Peito
Saudade ...
Quando te encontrar
Vai sentir a falta que me fez
Na distância do nosso abraço...
A ausência da sua mão na minha
Conduzindo o meu caminhar,
Vai sentir na urgência do meu olhar...
Vai entender o que não me consola,
Do tempo que partiu e não parou
Nem curou a dor que ficou...
Vai sentir que cresci com o que deixou
Que me fez vestir de sonhos, de vida!
Mas está difícil ser inteira sem te ouvir...
Está difícil estancar toda esta dor...
Credo
Creio em Deus Pai Todo-poderoso...
– Não. Não me importa a potência divina,
aliás, creio que Deus não carece de tal afirmação.
Sigamos. Criador do céu e da terra...
– Empiricamente falando?!
E em Jesus Cristo, nosso Senhor...
– Olha, o sistema de vassalagem faliu há séculos,
esse Jesus entendo melhor como aquele menino arteiro de Alberto Caeiro.
Que foi concebido pelo Espírito Santo. Nasceu da virgem Maria...
– Será que ela... digo... hã, pra que tanta medicalização da sexualidade?
Padeceu sob Pôncio Pilatos.
Foi crucificado, morto. Sepultado.
Desceu à mansão dos mortos. Ressuscitou no terceiro dia.
Subiu aos céus. E está sentado à direita de Deus Pai...
– Arreparando bem, são jogos de linguagem bem articulados, não é verdade?!
Donde há de vir para julgar vivos e mortos...
– Cansei-me de julgamentos, cumpadre. Do inferno e do céu também.
Acho que cada um deveria cuidar da sua vida ao invés de vestir uma toga no Deus e lhe conferir as desgracenças eternas do julgamento.
Creio no Espírito Santo. Na santa Igreja católica...
– Hã? Nada não. Pensei alto...
Na comunhão dos...
Antes que todos concluíssem com o “amém”, encontrava-se ele fora do templo, sentado no sexto degrau que leva ao coreto, rezando a poesia de Caeiro.
Refração
...E quando, por ventura,
eu não me reconhecer
no mesmo espelho em que me vejo,
surpreenda-me;
olhos vedados por suas mãos.
Irei tatear a sonoridade de sua voz
até encontrar os contornos de seu rosto.
O sorriso seu, escancarado,
que me desperta uma quietude indefinida,
despertará segundos de paixão,
uma imagem refletida em meus sonhos sem nenhum pudor.
Ainda que imagem refratada na distorção do meu querer.
"Saudade"
O seu tamanho
Não sei direito
Tentei medi-la
Não teve jeito
Não coube no espaço
Mas entrou no meu peito
Ciclo sem fim
Vem primavera, vem com suas pétalas!
Traga sonhos, deixe-os voar!
Folhas q nascem, secam, caem, surgindo novamente!
Assim como a esperança!
Tens sempre que regar!
Pra cultivá-las!
Secam, caem, brotam novamente!
Transmutando-se!
Num ciclo sem fim!
Novas vidas em novas pétalas!
Novas oportunidades em novas folhas!
Nada se repete assim como cada dia q passa!
Gotas de orvalho!
Q caem na terra!
Recicla!
Num ciclo sem fim!
Sem destino...
Exalei expectativas de paz ardente
Lutei por um amor...
- Vários amores -..
Todos hoje sem rosto...
Eram ilusões... Mágicas do deserto... Miragens...
Que me acompanhavam em sonhos...
Há trevas entre mim e esses amores...
Para onde foram? Que caminhos percorreram?
Não os achei em nenhuma estrada... Perdi-me nos caminhos por onde andei...
Os céus soluçaram pingos de azul
Tempestades... Invernos tristes e solitários...
E nesta manhã tão repleta de sombras...
Sinto-me cansada... Sem fulgor... Ouvindo somente o eco
De meus passos... Sem destino!
Caminharei pelos teus reinos porque já não bastam os cumprimentos e apertos de mãos...
Quero mesmo é saber que não sei!
Não basta ser pássaro
a vida pede mais
se faz orquestra
saúda-nos num coral
diversos tons numa tela
que nos convida
a semear!
As aparências enganam sim,
o roto retalho que somos,
fica entre as nuvens dos olhos
que nos alcançam.
É preciso mais que olhos,
é preciso alma,
é preciso ir além
desse "eu" recoberto
e encrustado na pele
já tingida por tantas máscaras!
Lamentos doces...
...horas a fio sentada neste banco de praça...
O pensamento beija minha alma num anseio que a custo reprmo...
Vejo folhas dançarem ao vento...
Qual tivessem asas...suavemente...
Eu ainda consigo sentir o perfume das flores
nesta minha solidão tão presente...
Escuto canções que são trazidas pela brisa
parecem lamentos doces... E a emoção vai tomando conta
De mim... Meus olhos fitam ao longe o infinito
Que me parece matizado de cores ultravioletas... Neste fim de tarde...
E eu sinto arrepios delirantes de saudades tuas...
PEQUENAS GOTAS
O amanhecer chegou tímido
Trazendo memórias passadas...
Como gotas definindo
As nossas longas pegadas.
A vida de repente mudou;
Arremessamos os papeis amassados;
No lago de sentimentos que inundou;
Nossos olhares distantes e abreviados.
As gotas caem tão transparentes
E são transformadas em absinto...
Sentimentos são nostálgicas correntes
Que resumem o que eu sinto.
É intenso o inverno que semeia
A saudade de uma flor esquecida...
Uma pequena gota em ti permeia
Figurando uma emoção atrevida.
Guimarães Júnior
CADÊNCIA
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TIC… TAC… TIC… TAC…
O tempo desmarca-se
da cadência do relógio…
TAC… TIC… TAC… TIC…
O dia raia
nos ponteiros despontados
dos nossos braços…
TIC… TAC… TIC… TAC…
Somos sol e vento
de pura essência…
TAC… TIC… TAC… TIC…
Somos centro e cerne
doutra cadência!...
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2016
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📜© Pedro Abreu Simões ✍
(y) facebook.com/pedro.abreu.simoes
Cala-te no instante e na hora
que se faz tarde, falar...
Não se desarvore diante do vozerio
que te grita dentro;
acolha-os em real sentimento
e veja-te ali recolhida(o),
silenciada(o) e tanto, tanto, tanto...
...de você, ali!
Mesmo quando o tempo é rude,
não há vento que não mude!...
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📜© Pedro Abreu Simões ✍
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Sobre a verdade ...
Quero o aconchego desse abraço por onde sinto, firmada além desse pilar que me firma e me contorna, além desse barco que nas ondulações flutua, no aguardo e de mãos postas!
MULTIFORMIDADE
Sou pequeno,
pequenino,
grão de areia,
pó de sal…
Sou enorme
sem as normas
normativas
do normal…
Sou menino,
sendo enorme,
sem destino,
desconforme…
Natural!...
Sou disforme…
Multiforme…
Não faz mal!...
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17/05/2018
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RIOS E FONTES
Os rios correm
depressa ou devagar
em direção ao mar...
As águas que desfilam
são sonhos e cansaços
prestes a desaguar!...
Três mil rios passarão,
condenados a ser mar...
Três mil fontes nascerão,
sem sair do seu lugar!
Os rios morrem
depressa ou devagar
quando os vemos passar...
Mas as fontes,
que não saem do lugar,
inundam a sequidão
e não param de jorrar!...
Três mil rios passarão,
condenados a ser mar...
Três mil fontes nascerão,
sem sair do seu lugar!
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03/07/2015
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📜© Pedro Abreu Simões ✍
facebook.com/pedro.abreu.simoes
SENTIDOS
Todas as palavras
que, de tão sentidas,
já estão velhas e desgastadas,
podem ser frutos novos
na árvore sempre fecunda da Poesia!...
Nas entrelinhas dos versos
dum poema que ganha raízes,
revelam-se os verdadeiros sentidos!...
📜© Pedro Abreu Simões ✍
Esperei tua resposta, depois de ter desabafado as minhas magoas,
Te esperei bater em minha porta para receber o seu cálice e derramar as minhas águas!
Não quero te levar as minhas tristezas, não!
Só te peço que as arranque do meu coração...
Arranque esse monstro que me destrói!
Voraz e feroz!
Eu preciso da tua ajuda, preciso de você!
Quero-te aqui perto, não precisa me entender!
A tristeza bate, bate, bate forte...
E as lembranças que me abatem derrubaram o meu forte.
O forte que eu construí sobre a gélida neve da alma...
Alma gelada, insípida e triste, coberta pela neve branca e alva!
E como me corroem antigas lembranças,
Como me destrói não ter novas esperanças...
IGOR IMPROTTA GIGUEREDO
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