Poesia Paixão
A estrela de aquário
Lá, no infinito silencioso,
brilha uma estrela azul,
livre, etérea,
bailando a 175 anos-luz de tudo que sou.
Sua luz atravessa distâncias insondáveis,
rompe o tempo com uma paciência antiga,
e chega até aqui,
suave, mas firme,
como o amor que guardo em mim.
Somos como esse brilho:
não importa o espaço,
não importa a ausência,
há sempre um feixe de luz
que insiste em atravessar o escuro
para encontrar quem ama.
A magnitude pode parecer pequena
aos olhos apressados,
mas quem sabe olhar o céu
sabe reconhecer o milagre
de uma luz que persiste,
mesmo frágil,
mesmo longínqua.
E assim sigo,
com o coração elevado ao firmamento,
sabendo que há amores
que não se apagam,
como estrelas antigas
que continuam a iluminar
mesmo quando já partiram.
Sob a luz de Iota Aquarii,
reaprendo a beleza da espera,
o poder do silêncio,
e a certeza serena
de que o amor verdadeiro
é, sempre, uma constelação
que nunca se desfaz.
Vi os olhos mais lindos do mundo, e eles me viram.
Aqueles olhos me viram antes mesmo de eu ver eles.
E quando eu os finalmente vi, me apaixonei.
Por que o medo?
Se é tão clichê,
por que o medo de acabar em ruínas?
Porque o clichê sente.
E quando se ama inteiro,
até o final tem gosto de ferida.
O amor pode até parecer repetido,
mas o coração sabe,
nenhuma flor desabrocha igual,
nenhuma sombra é feita do mesmo sol,
nenhum mar reflete o mesmo céu,
nenhuma chama queima do mesmo jeito.
O medo não é do fim.
É de não deixar beleza
mesmo depois do adeus.
“Ela”
Não sei se são seus olhos,
um brilho tão radiante.
Ou o sorriso, que me revigora.
Lábios tão vermelhos quanto meu coração,
Acelera tantas batidas em mim, que me perco.
Um amor policromático, sempre brilhante,
Com seu jeito, nenhuma palavra consegue te descrever por completa,
Apenas apreciando você toda, com os meus olhos,
E pensando em nós juntos,
Faz meu dia perfeito.
Chuva e Querer
Lá fora, o cinza da tarde se derrama,
Em gotas que batem na vidraça e chamam.
Caxias se esconde num véu de saudade,
E eu aqui, com a alma em tempestade.
Cada pingo que escorre pela telha,
É um eco distante de uma velha centelha.
Um coração que pulsa, meio calado,
Apenas querendo ser amado.
O cheiro da terra molhada no ar,
Me faz a cada sopro mais te buscar.
Em cada lágrima que o céu despeja,
A minha esperança mais lateja.
Que essa chuva lave o que me inquieta,
E traga em seu murmúrio a resposta mais direta:
Que em meio a essa dança de água e chão,
Floresça um amor para o meu coração.
O tempo e o vendaval
O tempo vem com um vendaval, e leva-se tudo...
Tudo se destrói...
Algumas coisas se constroem.
E o tempo é amiga da perfeição
E se voltássemos ao passado,
Apenas, atravessando uma esquina.
De um lado, os nossos sonhos.
Em outro canto, uma estação...
As nossas lágrimas desgarram em nossos olhos.
É como uma paixão que não envelhece...
Mesmo que permaneça algumas semanas,
O vendaval veio para ficar...
Ficaremos bem, meu amor?
E eu não quero ficar sozinha.
E diante do espelho, não quero mais chorar...
O tempo, geralmente, é cruel conosco.
Não chora, meu amor! O mundo nos dará recompensas.
Essas lágrimas são perdidas...
O tempo é cruel conosco.
É capaz de transformar o paraíso em cidades...
E sobre a mesa de bar...
As nossas lágrimas são os goles intermináveis.
O vento é o tempo...
Que nos corrói por dentro.
E a ideia de envelhecer sem você, não me satisfaz.
Então, ser mais um no meio da multidão, também não satisfaz.
Mesmo que os nossos passos sejam diferentes,
Encontrara-me no mesmo bar...
Só o tempo seria capaz de modificar tudo...
O vendaval destruiu os nossos sonhos.
E é por isso,
Que eu estou recomeçando, como a Chuva ensinou-me.
Titânico Mello
Um Grito
Abdico-me de efêmeras paixões
Nesta vida belamente moderna!
De sorte, escrevo grandes emoções,
Aceitando a Morte, Naturalmente Eterna!
Sussurro poemas às minhas rainhas amantes
Aflorando em pequenas linhas minhas dores,
Dando aos meus mais majestosos amores,
Delírios em prantos serenos ofegantes!
Às minhas intensas e eternas paixões,
ainda que eu viva, que em mim sobreviva,
numa estrofe um Grito de Eternidade!
Aos meus intensos e eternos amores,
Antes que eu morra, que em mim socorra,
em um só verso um Grito de Liberdade!
''Te Escolhi''
Me rotule
como o homem
que ninguém nunca conheceu.
Em terras gringas,
sem um bom dia
de quem amo —
mesmo assim era seu.
Indiferença,
sua ausência
era estima minha.
Só um profundo:
"Por que?"
Será que isso é realmente o amor?
Poesias,
saudades,
solidão...
Acabou.
Londres, Paris,
Espanha, Cabo Verde,
Portugal, Angola...
Olha lá o brasileiro
morrendo de amor.
A vida ensina mais que a escola,
então entendo
por que homens com H maiúsculo
são promíscuos.
Não é cópia e cola.
Compartilhamos das mesmas ideias,
mas eles mentem e buscam,
enquanto eu falo e busco.
Talvez eu seja
a mente e os músculos,
e eles só... H maiúsculos.
Mas também sinto fome.
E mesmo te escolhendo
entre tantas opções,
nunca deixei de ser homem.
Não é pra me exaltar,
nem dizer que sou foda.
Erro é a sensação de prioridade
a quem parece
que não me escolheu.
Minha palavra é:
eu sou o homem
que ninguém nunca conheceu.
Talvez, quem sabe_
Talvez foi o jeito que ela andava. Talvez a roupa branca que ela usava.
Ou talvez o cabelo, que parecia ser desenhado por alguma calma que eu nunca tive.
Talvez foi o olhar, a forma de seus olhos. Olhos felinos e dóceis que me tiram o fôlego. O tipo de olhar que você tenta fingir que não viu porque sabe que se encarar por mais de alguns segundos, é capaz de se perder e se pôr por entregue alí mesmo.
Ela era linda. Linda de um jeito tão completo que não dava pra descrever sem parecer poesia barata. Não era só o rosto, os traços suaves, ou o cabelo que escorria como se o vento tivesse medo de bagunçar.
É difícil de explicar, pois na verdade, não se trata de algo de se esclarecer mas sim de se sentir.
Dizem que assim é o amor, é algo que não se explica mas se sente, que percorre cada parte de nós.
Que coisa. Nunca me senti assim, muito menos sonhava com isso. Talvez estar apaixonado seja isso. Amor, paixão... essas palavras sempre soaram distantes, meio enfeitadas demais pra mim. Bonitas nos livros, exageradas na vida real.
Acho que me perdi.
Nos seus olhos, nas entrelinhas, nas horas que passaram rápido demais.
Talvez estar apaixonado seja realmente isso.
Não um fogo avassalador, nem uma certeza gritante.
Mas esse silêncio bom que fica depois de te ver.
Esse riso bobo quando lembro de algo que você disse.
Esse medo besta de perder algo que nem é meu — ainda.
E sendo honesto, eu nem sei quando começou.
Só sei que agora, se for pra me perder de novo…
Que seja em você.
Simplesmente você
Quando meus olhos encontraram os seus, foi como se o mundo parasse. Por um instante, desaprendi a respirar… e de repente, você se tornou o próprio ar. Seus olhos, seu sorriso intrigante, o seu jeito de ser — você, simplesmente você.
A palavra “razão” perdeu o sentido, pois ele foi roubado por um tentador par de olhos. E o orgulho que ainda me restava, foi destruído pela soberba do seu olhar desafiador. O amor jamais foi uma opção, mas a razão me foi levada com uma única risada — aquela que me desconcertou por inteiro. E por esse grande feito… me tens, agora, em tuas mãos.
Primavera - ruhtra
As vezes no mundo real
O pensamento em algo banal
Toma manchete do jornal
Meu amor é destaque
Como nas festas de carnaval
Como eu amo meu amor
Estar junto dela me faz ter calor
Com muita cautela e valor
É meu jeito de falar do meu amor
Ela tem olhos da primavera
Como as flores mais belas
Como as nascentes nas serras
Que dessem para o mar
Como para ela vou explicar
Que meu amor nunca vai calar
fico aqui
No momento sem ela
Esperando a primavera
Que ela tem no olhar
E se um dia eu endoidar
E dela eu só decidir falar
E me julgarem de louco
Não se aborreça por pouco
É na loucura que quero ficar
O seu corpo contemplar
Sem nem um medo em olhar
As curvas temíveis de amar
ENTRE AS ESTRELAS
Eu sou o universo que paira sobre ti
Um sonho de alguém que ainda vai existir
Sou o sol que te aquece em dias de frio
E o conforto que buscas para ser feliz
Sou o céu e as estrelas que encantam os poetas
E o mar que desponta muito além do horizonte
Uma palavra amiga de alguém que lhes diz
Voltei pra você não chores por mim
Eu sou o amor que está pra chegar
No coração de alguém que vive a sonhar
E conta as estrelas ao anoitecer
Procurando entre elas um pouco de você
Sou o céu que lhe cobre em um manto azul
E um belo horizonte que vive a sorrir
Sou a paz que procuras em um olhar distante
E uma paixão que transpira em tua boca ofegante
Acreditas na chama do sol,
Acreditas que a paz vai chegar,
Aprecia as flores tão belas
E contempla a luz do luar.
Faz-me sonhar com você,
Faz-me sorrir todo dia,
E ao chegar me abraça,
Tornando mais lindo o meu dia.
Quando eu te Conheci..
Quanto tempo se passou
E eu ainda aqui estou
Pensando em você.
Até parece que foi ontem
Quando eu te conheci
E realizei os sonhos meus,
Era quase madrugada
Você surgiu em minha frente
Quando eu lhe cumprimentei,
Nossos olhares se cruzaram
E depois de algum tempo
Eu me apaixonei; E ao ser
Correspondido eu jurei
Para mim mesmo que iria para
Sempre te amar, mas o tempo
Foi passando e na distância
Nos perdemos e você não
Está mais aqui. Será que ainda
Pensa em mim, ou será que
Me esqueceu, já nem sei o que
Pensar, enfim. Espero um dia
Reencontra-la e como no primeiro
Encontro novamente te amar.
O amor é um sentimento atemporal.
A doçura do amor não azeda.
O beijo molhado não fica seco.
O abraço caloroso não esfria.
As diferenças são indiferentes.
Os possíveis conflitos tornam-se motivos para reflexões.
Se tudo isso já não existe, não foi amor, foi apenas um desejo.
ME EMBRIAGUEI DE AMOR
Autora: Profª Lourdes Duarte
Me embriaguei de amor, por te
Esse amor que meche com meu coração
Ao mesmo tempo, tormento da minha alma
Que por não ser correspondido, me traz dor.
Tormento que traz sonhos e não realidade
Pobre coração que se embriagou de amor
Essa coisa que parece boba de se imaginar,
Mexe com minha almas e meu coração.
Me embriaguei, com teu cheiro teu sorriso
O meu mundo derrepente mudou
Imaginei mil formas de te amar
Embriagado de amor e de paixão.
O AMOR NÃO SE APAGA COM O TEMPO
Autora: Profª Lourdes Duarte
Mulher! Na beleza da face
Deslizam carícias minhas
Na tua boca aveludada
Muitos beijos que delicia.
Na noite dos teus cabelos
Pretos e encaracolados
Nascem acordes do meu canto,
Que nem teu canto emudece.
No abismo do teu ser
Mistérios quero desvendar
Escalar-te corpo inteiro
Os meus dedos deslizar.
O tempo não apaga o amor
Cada dia mais fortalece
Desejos e sentimentos
Avassala meu coração.
Na profundeza desse amor
Quero ver se me encontro
Um resto qualquer de mim
Somos dois e um coração.
Perto de ti a beleza brilha
O amor avassala o coração
Sou todo emoção e sentimento
Num misto de amor e paixão.
Ladrões de almas
Roubaram meu violão, meus acordes, minha canção, minha voz, minha paixão, minha fé, meu coração, minha alegria, minha razão. Terminantemente, me deixaram somente com a tristeza e a solidão.
BENDITA SEJA!
Uma agitada inquietude, um misterioso
sentimento, como um prazeroso paladar
um íntimo e perturbador próprio lugar
bem que faz bem, e distinguir não ouso
Uma voragem, de um estoiro poderoso
que nos torna sujeito, anexo ao olhar
ao pensamento, onde só se quer estar
cheio de ardor, de afago, júbilo e gozo
Uma contradição, sensação de loucura
aperto e agrado, e na emoção ventura
que faz alucinar no tempo, doce peleja
Qualquer que seja, é toda de alegria
aos poetas sustento, poética poesia
se assim for a paixão... Bendita seja!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
10/08/2021, 14’18” – Araguari, MG
“XONADO”
Agitado, tal uma chama dum pavio
Ardume que arde n’alma do prazer
No enrabichado és um grato atavio
Que alinda a sensação e a faz valer
E, do trato aquele sedutor arrepio
Fulgor que causa impar alvorecer
Um fastígio, e um agrado gentio
De ternura, loucura e acaso viver
E, da sua falta a inquieta tortura
Suspiro que aperta o peito vazio
Quando, só se quer um bocado!
E, pra se ter o amor com doçura
Paixão, o apreço deve ser luzidio
Pois, só assim se achará “xonado”.
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
11/08/2021, 15’10” – Araguari, MG
