Poesia os Dedos da minha Mao
Minha Alcatraz
Vê-se liberto da vida que se esvai
Fútil é a mentira que vos emana
Do berço da morte aquele que cai
Agora vives, tu não me enganas
Poesia de fogo fátuo que ressalva
Recesso infernal dilacera-te alma
Linha tênue que ninguém o salva
Do sofrer incabível que não acaba
Vinda ingrata da vida que te foges
A mercer de tribunas impiedosas
No surgir do turíbulo teus algozes
Caridade da esperança formosa
Observa em prantos teu sofrer
Apenas sinuosa, a vontade de morrer.
VIGÉSIMO QUARTO HEXÁSTICO
desejando minha passagem
para todo universal único
tento entender toda mensagem
não sou diverso do universo
tampouco o universo do eu
natureza do mesmo verso
O Rio
nasce na minha porta
- preenchendo toda aorta -
um rio
de água negra
e fervente
que corre alheio
corta ao meio
e quebra
a paz e jaz
o silêncio
enquanto segue selvagem
o veio pulsante
e febril
transborda a margem
a forte corrente
transpassa a mata
e mata
de repente
deságua em guerra
em um mar calmo
esse rio
- lágrimas da alma -
inundando cada palmo
invadindo a terra
a sala
o peito, a mala
me afogo dia a dia
no rio de minh’alma
A Minha Oração
Me guarde e me proteja, meu Senhor
Me faça um exemplo de fé e amor
E me dê o destino que eu for merecedor
A Minha Alma I
A minha alma tenta se encaixar,
mas não reconhece o seu lugar.
A meu ver, não pretende ficar.
É que ela se fere ao flertar
com a vida
em uma conversa despretensiosa
ou assistindo a bela mulher que passa ansiosa
ou em qualquer despedida.
A minha alma não se acalma!
Minha alma é assim:
ela voa como um abutre
em círculos sobre mim,
olhos atentos espreitando a morte
e desejando a sorte
de ser livre, enfim.
O meu corpo não tem alma,
é minha alma que tem um corpo.
E, não fosse por ele,
estaria por aí, agora calma,
sentada em um galho torto
de uma grande árvore, sob um céu dormente.
Quem sabe?
Talvez tivesse se tornado outra lua
ou aberto uma rua
entre nós, entre todos. Em um segundo
ela teria achado um corpo que lhe cabe,
do tamanho do mundo.
É que minha alma não se acalma,
anseia o combate,
quer se lavar na lama
de Marte.
Minha alma é como um soneto
pulsante.
Intriga como um lugar incerto
e distante.
Instiga como o suave gemido
da amante.
A Minha Alma II
Minha alma não quer sossegar:
vive alheia e sem lugar.
É como se tivesse acordado
em um hotel medonho;
é como se tivesse vivido
no limbo ou escuro sonho.
A minha alma não se acalma!
Ela deveria ter baixado em um distante planeta
ou em um cometa,
mas a este corpo ficou presa.
E este corpo virou presa!
Minha alma não é um castelo
ou um forte, é o oposto:
é a bala do canhão que destrói a muralha,
a torre e mata.
Minha alma sangra em cascata
e nenhuma paz cultiva, insensata.
Grita como a tempestade
que a proa do navio invade
e que só não o afunda por piedade.
Vagueia a céu aberto
como um nômade no deserto
fugindo da verdade.
Minha alma carrega a dor de uma infantaria.
E a mim cabe sufocá-la no ser
e ser,
com angustiosa calma,
o carcereiro de minh’alma.
Hoje vi um beija flor assentado no batente de minha janela.
Ele riu para mim com suas asas a mil.
Pensei nas palavras de minha avó:
“Beija-flor é bicho que liga o mundo de cá com o mundo de lá.
É mensageiro das notícias dos céus.
Aquele-que-tudo-pode fez deles seres ligeiros para que pudessem levar
notícias para seus escolhidos.
Quando a gente dorme pra sempre, acorda beija-flor.”
Sou mulher que ainda chora
Por tão grande escuridão
Minha essência está aqui
Dentro do meu coração
De um Brasil ensanguentado
Onde ninguém é culpado
Mulher da mesma nação!
Não falo na língua mãe
Pois ninguém vai entender
Falo com minha essência
De um povo que quer viver
Respeitado culturalmente
Ter nossa terra somente
Pra ela não mais sofrer.
Sou essência de um criador
De onde nasce inspiração
Curar com ervas da terra
Ou imposição de mãos
Para ouvir e aceitar
É preciso acreditar
Ser forte é nossa missão.
Não foi fácil guardar
No silêncio as tradições
Mantendo dentro de nós
Principalmente ancioes
Ancestralidade pura
Em prol da nossa cultura
Tabajara são campeões.
Choramos com a natureza
Nossa mãe foi destruída
Nossos irmãos acabados
Nossas águas poluída
Nosso ar ficou impuro
Respirar tanto munturo
Terra viver tão sofrida.
É meio-dia em minha vida.
Um mensageiro inesperado
Vem prevenir que apresse a lida,
Como se fosse anoitecer.
Vento da noite, ainda é cedo!
... e nem lavrei a terra agreste.
Eu disse à árvore:
me abençoa, árvore,
sê minha avó
minha mãe
minha filha.
sê tu, árvore,
minha ilha de pássaros
e verdes
meu eterno retorno
pulmão e coração
meu berço minha rede.
ela, a árvore,
nada nem disse
e ficou ali naquela existência
sua de árvore
minha avó
minha mãe
minha filha
como todas as coisas são
sem precisão de bússolas
ou outras confirmações.
Sinto que minha alma volta a ter vida
Sentindo os sabores dos dias
É o outono que me fascina
Me ajuda a lembrar
Que posso ser mais que poesia
Pois as palavras libertam
Mas a vida é que me guia
MINHA PÁTRIA
(06.08.2018)
Anseio por uma Pátria
Cuja raiz nunca se perca
Pelo caminho da sua existência.
Também busco na alma
Um doce acalanto das
Memórias de minhas escritas!
Preservar-me na inteireza,
Só abre as portas a luminosidade.
A VOZ DA ALMA
(11.09.2018)
Desfruto da calma
Que só o silêncio traz,
E minha mente viaja
Para um lindo mundo
Cuja a mata me leva
A sentir a voz da alma.
A cachoeira revela
A tranquilidade do ser.
Lágrimas em Cada Verso
Queria eu, deglutir da cor amarelada,
Para que minha tristura me deixe.
Queria eu, comer da vida apodixe
E apagar minha melancólica libitina.
Queria eu, me salvar da mofina e
Viver e reviver momentos de euforia.
Queria eu, não oscilar para disforia
E entrar em prantos e esperar a morte.
Estou farto de viver uma ilusão de vida e
Me glorificar por auferir banalidade,
Tomar efêmeras pílulas de infelicidade
E júbilo para alimentar expectatividade.
Fingir que minha ledice é constante,
Mesmo em catástrofes como morte.
Queria eu, ser como Van Gogh e
Me iludir de que o amarelo é alegre
E perpetuar minhas lágrimas em cores
E esperar que deus me brilhe,
Mesmo depois da morte.
Os meus olhos são a foz
Minha face seus afluentes.
Se pudesse gritar o meu sentimento,
Com tanta intensidade ficaria sem voz.
O coração é a nascente do rio
Que agora se encontra vazio.
Suas margens transbordam de água...
Esta água é mágoa.
SACRALIDADE DO AMOR
(22.09.2018)
Transmito minha inspiração
A alma que tanto busca
Pela luz o encontro vivo
Com o tempo presente.
E ela escreve um pouco
De sua conexão real
Através da sacralidade do amor,
Enquanto se observa o mar...
PROCURO MINHA ALMA
(23.09.2018)
Não sei onde andas
Alma minha que
Sempre está de mudança
Para qualquer lugar...
Tem dias de minha vida
A qual quero te sentir
E nada de ouvir a tua voz!
Então, permaneço em silêncio.
ENCONTRO COM MINHA PESSOA
(27.09.2918)
Perfeito silêncio que traz a noite,
Um sussurro vibrante aos ouvidos
Dos quais escutam o vento
Em toda a sua inocência.
Então, o encontro com minha pessoa,
Revela o equilíbrio de se estar ligado
A mente, ao corpo e a alma, pois
O misterioso encanto está em tudo...
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