Poesia Morena Flor de Morais
AMOR 💘
Enlaça-me 💘 Confunde-me
Ama-me 💘 Sussurra-me
Envolve-me 💘 Sente-me
Encanta-me 💘 Beija-me
Seduz-me 💘 Hipnotiza-me
Deseja-me 💘 Colhe-me
Alimenta-me 💘 Devora-me
Completa-me 💘 Aquece-me
Percorre-me 💘 Olha-me
Abraça-me 🌹
Mas sempre em mim 💘
Quando eu chegar
Ao fim da minha vida 💘
Eu só quero ser um pequeno
Grão de areia agarrado
A sandália nos pés de ti Senhor.
PAUSA DE VERBOS
I
Não nego que me entrego sempre
Que cheguei ao ponto do insano
Procuro refúgio nas ondas do mar
E é na loucura que no mar navego
Se o tempo insiste em levar-me
Perdi-me intoxicado na dura vida
Mergulho no vento, pó sem horas
Cada dia é estranho, já sinto na pele
II
Os meus medos costumam voar
Só queria ser, um poeta irreverente
Eu entrego-me, mas nunca me nego
Num sensível sorriso já permanente
Já que algumas vezes ele quis ficar
Mas o amor morre nos meus versos
Sem tecer uma única palavra minha
Sento-me descalça na calma varanda
III
De uma outra linguagem da nostalgia
Em vez de ir, quero ver tudo a passar
Ocorre-me, então, com alguma certeza
Não é uma questão de palavras soltas
Antes de fechar as noites vazias no mar
Desfaço no meu peito, fragmenta tarde
Onde tropeço com minhas asas violeta
A passear, meia-noite numa pausa verbos.
Amo-te.....e ....gosto....
Quando me adoças com mel
E quando me acordas com café
Gosto....porque.... me fazes gostar.
BRINCAR PORQUÊ
Porquê brincar com as palavras
De um texto em ordem na melancolia
Porquê brincar com as letras
De um texto que se estende ao infinito
Porquê brincar com as vírgulas
De um texto mergulhado deste abismo
Porquê brincar com os pontos
De um texto de sublime cor da ternura
Porquê brincar com as páginas
De um livro inacabado por escrever
Porquê brincar e não ler, porquê.
CORAGEM
A minha alma está partida, dividida
Despedaçada já sem forças, eu só peço
Que minha coragem vença o meu medo
Que o meu corpo não se quebre de pranto
Que a minha alma não se perca em agonia
Que a minha mente permaneça sempre erguida
Que os meus joelhos se dobrem à esperança
Que o meu coração não seja devorado pelos lobos
Que os meus inimigos me respeitem e não me temam.
Nenhum sentimento
Está livre da saudade
Nenhuma paixão
Está livre da dor
Quando coração
Conhece o amor.
COZINHO NO FOGO
Cozinho no fogo do teu olhar
Desejos de pensamentos carnais
Piso a neve fria branca descalça
Vomito palavras ardentes na alma
Que me queima o sangue do corpo
Letras tuas que saem da minha boca
Na parede do nevoeiro de pura neve
Entre a chuva silenciosa de um silêncio
As mãos invisíveis acariciam os quadris
Que se escondem quando a memória
Do corpo é a luz do próprio pensamento
Sente um beijo suave sobre o coração
Eterna noite nos teus quentes braços
Entre todas as carícias de beijos sem parar
Cobrindo todo o teu corpo frio, no meu
Flores da minha agonia, do meu desejo
Outono, primavera, verão, inverno em ti
Cozinho no fogo da tua carne de tantos desejos
Desejos do meu corpo ao encontro do teu.
"AME E SEJA AMADO"
Ame o próximo momento
Ame o sorriso que lhe for dado
Ame a atitude demonstrada
Ame o abraço oferecido
Ame o tempo, o presente que lhe é dado
Apenas ame, ame para amar e ser amado
Afinal como é maravilhoso começar e chegar ao fim do dia
Agradecendo a Deus, pela vida
Que ele tão generosamente nos concedeu
Tenham todos um bom dia
Um final de tarde e um anoitecer maravilhoso.
Fiquem com Deus meus amigos.
"UM SÓ CAMINHO"
Um só caminho de uma alma doente
Dum receio tantas vezes prematuro
Caminhante sereno, rosto marcado
Pelo sofrimento da vida, tão vivida
Madrugada orvalhada de sonhos cruéis
Embebido nas arestas do futuro
Com medo das saudades do presente
Desta dor que em vão procura
Onde cobre o coração dum escuro véu
Alma de luz desgrenhada
Caminho de uma jornada
Amiga aurora da manhã, eu te saúdo
Neste caminho de fragas, giestas, estevas
Desçamos o monte, a serra juntos
Bebamos juntos o vinho doce de morangueiro
Com um travo suave a alecrim
Espinho encontrado de escombros
Onde encontro-te no caminho, tão só, tão sozinho
Repartamos os dois o mesmo vinho
Amargo da nossa jornada
Taberna escura cheia de amargura
Secura na alma, no corpo doente
Prematuras sombras, frias e cruéis
Calvário onde choramos o mesmo pranto
Das saudades, já esquecidas, perdidas
Caminhante sereno, rosto marcado
Pelo sofrimento da vida, num só caminho
Embebecido nas arestas do presente sem futuro.
"LINHAS DE FLORES"
Lendo, relendo as linhas que escrevi
Das palavras que foram traduzidas
Em sentimentos tão intensos
Que transformaram-se em amor
Na leitura das linhas retratadas
Em sinceridade, lágrimas que descem
Nas linhas escritas, lidas, desprezadas
Cicatrizes de felicidade nos meus olhos
Lapidei os meus caminhos em belas paisagens
Onde sobrevivi as minhas próprias dores
Podei com paixão as flores no meu jardim
Para colher nele o mais belo perfume
Lendo, relendo as linhas que escrevi
Onde as palavras transformaram-se em amor.
MENDIGO
Dorme agasalhado
Um vulto numa saca de sal
Alegria ao espelho, lerdo pano
Salgada doce, carne velha
Aperto a mão ao mar dando-lhe o bom dia
Ele manda as suas ondas de maresia
Palavras que brilham
Adormecem na mentira
De quem tem ou tinha pernas curtas
O silêncio do barracão perturba os ouvidos
Sons adaptados calmos da rua.
Estranha escuridão que permanecia calada.
Caminha entre os passos baralhados
Tenta silenciar os pensamentos que gritam congelados.
"SEARA DOCE"
Sonhos desfeitos feitos prisioneiros
Amarguradas mágoas que ceifam vidas
Mergulhos na escuridão que o vento levou
Em grãos de areia que repousam no silêncio
Vida coberta de esplendor da anunciada morte
Onde a alma renascia de humilde transparência
Vidas feitas de esperança, que correm de águas cristalinas
Num mundo que se transforma num novo amanhecer.
Seara verde pela planície, montanhas da nossa vida
Sementes caídas em terra fértil, regadas de amor!
"MEU MENINO JESUS"
Dá-me meu menino Jesus
Paciência com o meu semelhante
Dá-me meu menino Jesus
Um abraço que tire toda a dor
Dá-me meu menino Jesus
Ser a mão estendida para tirar a fome
Dá-me meu menino Jesus
Que possa ser o sorriso da tristeza
Dá-me meu menino Jesus
A fé de tantos que não a têm e querem
Dá-me meu menino Jesus
Ficar muda sobre as atitudes pré concebidas
Dá-me meu menino Jesus
O silêncio para sentir e escutar o que me falta
Dá-me meu menino Jesus
A paciência que me falta a mim mesma
Dá-me meu menino Jesus
Residir perto do teu coração inocente
Dá-me meu menino Jesus
A sensibilidade de acreditar nas pessoas
Dá-me meu menino Jesus
Aprendizagem para reacreditar neste mundo materialista.
"ESCRITOS DESENCONTRADOS"
O nosso limite ultrapassou
A fronteira do visível ao invisível
Perder o tempo, perder a paz
Fugir para trás, sem pensamento
Num contratempo, sem ser capaz
Enfurecendo-me assim a minha própria alma
Perder a vida, já que nada me satisfaz
Até de joelhos, supliquei a Deus, aos anjos
Esvaziei-me por dentro, dum só lamento
Foge-me o momento, já nada me apraz
Perdida ferida, sem um caminho a percorrer
Envenenada, amordaçada por tão grande amor
Onde os versos escritos paridos, são lágrimas de dor
Sem palavras para escrever, linhas para corrigir
Um ar amargo de desilusão, talvez seja só decepção
Tornei-me um cativeiro de um amor impossível
Como uma flor perdida no quente deserto do Saara
Entre secas, tempestades irei sobreviver às palavras
Destino meu, onde a minha dor envenenou os versos
Escritos paridos que estou a perder, sem letras para escrever.
APRENDER
A vida é bela
- Ela não é um inferno.
Mas o que nós todos fazemos dela sim.
Muitas vezes os passos que damos
- São maiores que as nossas pernas
E têm sempre consequências lastimáveis
- Temos muitas vezes inveja e não devíamos ter.
Nossa vida é feita de escolhas e de atitudes.
- Sofremos e sofremos mesmo
Porque acreditamos no que queremos ver.
- Sente vontade de chorar ?!
Chorar não vai mudar nada...
Afinal vimos um rio, onde só existe uma gota.
- As vezes quando a vida não corre bem
Pode ser que aconteça coisas maravilhosas
- Se não tentar não culpe a vida
Por tudo que não sair como quer.
Sejas bem vindo amado
- Outono das nossas vidas
Onde desenham os nossos caminhos
- Nas cores das folhas caídas no chão.
ABRASAS
- Tu és o meu porto seguro (...)
Onde eu quero ancorar o meu amor
- Depois de uma tempestade
Encontro os teus braços à minha espera
- Para encher o meu corpo com carícias
Na tua boca cada letra que deixo deixa-te vivo
- Tu és um rio de neve em fogo convertido
Em mim és um peito abrasas escondido.
Afinal os teus doces lábios, fascinam-me
(...) E convidam-me ao pecado.
NA PELE
- Sulcos na tua pele perfumada
De uma lágrima caída que nos afoga
- Onde supomo-nos sós e ignorados
Nas memórias das palavras já apagadas
- Adormecidas estão já as noites
Quando tu dizes que me amas
- E eu acredito no teu amor
Morreria se não tu acordasses
- Dentro do meu coração, da minha alma
Onde percorres-me o corpo com sede
- E morres nas palavras dos meus passos
Onde seremos uma promessa
- Talvez antes e depois de nós
Nos sulcos da pele de uma lágrima caída de felicidade.
BEBO-TE MASTIGO-TE
Bebo-te em luxúria por momentos
Mastigo-te com astúcia em prazer
Mordendo as sílabas do teu corpo
Deixando fluir na mente a poesia
Aquecendo o teu corpo em fantasias
Segredando-te no cálice do pecado
Transformando amoras doces em amor
Repuxo-te, envolvo-te, deito-me
Deleito-me no teu corpo com fulgor
De uma vida passada ao teu lado
Nas açucenas em flor, na tua pele
No prazer em chorar de alegria
Nos teus braços e nos teus lábios
Me dispo, bebendo-te, mastigando-te
Com o amor doce da paixão.
