Poesia Morena Flor de Morais
O corpo inerte sem movimento.
Soterrada pelos cobertores.
A noite está fria, escura e silenciosa.
Pelo vidro da janela vejo a neblina.
As sombras agitam a minha alma.
Ouço os gritos desconexos do pensamento.
Onde dormita a minha poesia.
Os versos calam, as letras congelam.
A saudade das tuas flores do canto, muda das minhas preces!
Perdi-me no tempo sem volta.
Sem volta perdi-me no tempo.
Páginas em branco desta dor.
Sentida sem perfil, sem aroma.
Crepúsculo de lírios perfumados.
Lágrimas pálidas, gotas sem destino.
Sem caminho na penumbra de uma sombra.
Plagiam os sonhos, com um pacto de morte.
Cicatrizes de uma página em branco costurada!
Meu amor é duro quando acordo.
Quando acordo e tu não estás.
Perco-me nas linhas.
Nas linhas dos nossos lenções.
Onde tento escrever com o pensamento.
Desenho o teu rosto.
As tuas mãos.
O teu sorriso.
Sinto...
O perfume que deixaste tatuado.
Tatuado no meu corpo.
Todas as manhãs quando acordo e tu não estás.
Sinto-me presa em sonhos.
Sonhos onde as lágrimas secam no rosto.
Junto à cama com os nossos corpos saciados.
Eu podia jurar que em cada brisa que passa.
Oiço o teu nome.
Com imensos sentidos, tão perto de mim!
Somos anjos de asa caída....
Podemos voar sempre......
Mas às vezes perdemos o dom de voar...
O amor foi-se embora.....
Deixou-me sem asas...
Já não podemos voar juntos...
Ficou muita dor....
Na ferida da asa perdida...
Do anjo....
Fiz um pacto com a Lua......
Engravido-me com as palavras....
Onde formadas....
Redondas.....
Uterinas.....
Saem os poemas para a minha salvação....
Onde guardo de noite.....
O odor da terra molhada...
Perdida como eu estava....
Sem saber o que iluminar
A lua apareceu na madrugada......
Veio fazer-me companhia na minha jornada.....
O silêncio perdido de nós os dois....
Amanhece na minha janela
Onde outrora sonhei com quimeras....
Sopros antigos.....
Motivos de nostalgia........
Entre becos sem saídas...
Espantando a dor dessa ferida ...
Onde tu és a poesia....
Somos anjos de asas caídas....
Onde podemos voar...voar sempre...!!!
Palha que arde
Na fogueira da vaidade
Olhares que gritam
Em silêncios abafados.
Pausas ruidosas feitas
Em palavras que incomodam.
Pedras no caminho
Mudas de sentimentos
Um minuto sobre o ventre.
Dou voltas no vazio
Tenho frio nos meus sonhos.
Frio na minha cama
A saudade deixa pedacinhos.
Pedaços de nós
Os ladrões do sono.
Saquearam a minha noite.
Ocuparam um espaço vazio.
Na minha alma sonâmbula.
Um deles teve pena de mim.
Do meu silencio
Do meu coração irrequieto.
Afinal amamos tanto
Tanto o nosso tempo.
Que ficamos sem tempo.
Para amar e viver
Palha continua arder
Na fogueira do orgulho e da vaidade!
Amo-te meu amor....
Como uma brisa mansa e suave.....
Vento apaixonado onde acaricia....
As ondas do mar....
Chuva caída do céu...
Feitas em gotas de orvalho....
Entardecer sereno.....nostálgico....
Carente como uma ave solitária procura do ninho..
Aurora que resplandece de beleza...
Com estas emoções antigas e esperanças
Afagos da alma apaixonada......
Quero-te.....
Anseio-te na paixão... dos meus poemas.!!!
Melodia dita da alma ao vento.
Escrita no jardim de um pensamento.
Rego as folhas secas do caminho.
Da minha vida
Da minha luta
Dos meus valores
Refazendo as forças sem culpas.
Veneno em forma de vinho.
Servido no cálice do azevinho.
Onde o meu sorriso é um antídoto.
Que as portas e as janelas da mente.
Abram-se para a luz.
Escrevendo as cartas de uma estrada
Curta
Estreita
A melodia nasce de uma nota de afeto.
De carinho.
Essência de um sentimento mágico.
De uma sensibilidade.
Amo a melodia...
Quando descalço as minhas tristezas.
E quando não digo...
A melodia ama-me mais.
Mais meu amor.
As palavras não ditas.
Por não serem ditas, são esquecidas.!
Amor..
Tu és como um raio.
Que clareia a escuridão.
Tu és como o sol.
Que espanta o meu coração.
Tu és a chuva.
Que sustenta a minha emoção.
És como as gotas de orvalho.
Que abranda a minha solidão.
Nos teu braços viajo.
Viajo em pensamento.
Neste mar imenso.
Mar intenso.
No teu corpo onde...
O sangue corre nas veias.
Faz-me bater forte o meu coração.
O teu perfume é como um aroma de uma rosa!!
Porto de felicidade.....
Pintaste no meu corpo, o teu nome...
Com ele senti-me segura e protegida....
Como a chuva que aparece com saudade...
Leve.....miudinha.....mansa....que ensopa...
Todos os meus sonhos...deste dia....
Descreves o meu nome no meu corpo....
Com palavras na minha memória.....
Pelo som.....cheiro e sabor...
Palavras que correm....escritas.....
Com a tinta de uma pena suave....pelo meu corpo
Sangue quente que corre nas minhas veias
Como uma .....doce fragrância de amor...
Ecos das palavras que escrevo....
Onde sinto-me invadida com sentidos....
voz silenciosa...
Que pintas o meu corpo de belas cores...
Selamo-nos com a pintura com beijos...molhados....
Molhadas de um olhar sereno......porto de felicidade..!!!
Nascemos um para o outro...
Um palácio de um reino de quimeras...
Como o outono ri da primavera...
Feitos de barro... ou argila...
Corpos pagãos na carne...
E talvez na alma...
Eu sou teu... e tu és meu...
O nosso amor é um mundo...
De castelos... de quimeras...
Onde não deixamos crescer as heras...
Beijamos as pedras do nosso pranto...
Florimos... o nosso jardim...
E no meu ventre nasceriam deuses...
Onde a vida é um contínuo...
Encantamento de sonhos que tombam...
Destroem de uma louca derrocada!
Folhas secas de telas vazias.
Pintadas de várias cores.
Peças intocadas de argila.
De barro, de mar.
Foram postas diante de mim.
Como o nosso corpo um dia esteve.
Onde todos os cinco continentes e os horizontes....
Giraram ao redor da tua alma.
Como a terra ao redor do sol, da lua.
Agora o ar que provei e respirei mudou de rumo.
Todas as imagens foram banhadas de preto.
Onde tatuei tudo e o amor transformou o meu mundo em escuridão.
Como podes amar alguém, que foge dos teus carinhos.
Dos teus braços.
Que te ignora em muitos momentos.
Como podes amar alguém, como eu meu amor.
Onde as minhas mãos estão amargas e secas.
Esfolam-se demais para alcançar as nuvens.
Os pensamentos estão entrelaçados ao redor da minha cabeça.
Onde embalam todos os cacos de vidro!
O tempo vai devagar, talvez depressa demais,
e eu com saudades de te beijar.
O tempo passa a voar,
e não há quem descubra a fórmula mágica.
de o fazer parar.
Deixa-me tocar os teus lábios,
para juntares com os meus meu amor
Sinto a falta de um beijo teu,
com o sabor das romãs onde a nostalgia do outono.
Percorre a minha alma como as folhas secas
no chão de todas as cores.
Preciso da doçura dos teus lábios,
das palavras ditas com carinho, muito tuas.
O tempo passa a voar e não há quem descubra,
a fórmula mágica de o fazer parar.
O tempo vai devagar, talvez depressa demais,
e eu com saudades de te beijar!
Calçada fria
Piso as pedras da calçada
De uma vida
Já sem vida
Procuro um caminho
Sem mágoas
Talvez sem direção
Sinto que não tenho nada
Mas talvez tenha
Tenho tudo na minha mão
Um inferno
Um céu
Com uma cruz
Numa amarga sinfonia
Que ninguém tocou
Que nunca ninguém escreveu
Amarrada de mim mesma
Dentro e amargurada
Piso as pedras da calçada
De uma vida sentida
Já sem vida
Que comigo vai morrer
Na suja e fria calçada.!
Dou asas ao pensamento
Onde corto a minha dor.
Adormecendo ao relento
Com o orvalho da manhã.
Onde salpico o corpo
Tirando da minha alma a dor.
Vagueio na noite escura
Na tortura do viver.
Sentir o poeta cortar
As amarras do querer !
Livro em branco
Leio em silêncio esta página
Pagina em branco vazia
Sem palavras
Onde as letras vivem no silêncio
No papel reciclado
Perfumado
Falo soprando os versos dos poemas
Transparentes escritos
Onde as palavras derramam risos
Dores
Mágoas
Saudades
Que passam nas nossas veias
Veias cheias de sangue
Onde
Onde gritam bem alto
As palavras de amor
Num livro
Sem silêncios
Onde quer ser lido
Não esquecido
Numa estante de pó
Sem vexame e sem dó!
Derramei as lágrimas do meu coração.
E chorei num dia de chuva....
para não ver as lágrimas cair.
Onde a minha alma, secou-as simplesmente!
Mañana
Hoje, tudo me mandou ir embora. Seguir, conquistar, chegar lá, nem que lá não seja o meu lugar, nem que eu tenha que voltar, mas tudo me ordenou que eu fosse, só fosse.
Quem sabe um dia eu beba dessa coragem. Quem sabe um dia, mais na frente, como hoje, eu encontre polegares na estrada. Mas esse dia pode ser só um como-hoje, mais do que eu espero, e tornar a não beber.
Mañana, melhor dizendo. Si, mañana!
A liberdade passa por mim como um vento, basta que eu aprenda a soprar na mesma direção.
Sinto que só o fato de ir, já me coloca no meu lugar.
Kósmos
Existe algo muito além da matéria, e que o homem não duvide disso. Há uma energia que nos envolve, que equilibra o universo. Indestrutível, porém sujeita a transformações.
Me deixe apertar e beijar a sua mão, espontaneamente no meio da rua, num dia qualquer e com um sorriso no rosto, e veja, o arrepio não é anatômico. Os seres vivos tem a capacidade de se conectar, com um mínimo olhar ou lembrança que seja. O encontro das auras. Tudo isso é energia, é o amor que o mundo precisa.
Hoje, logo hoje, fui grandiosamente abençoado. O dia passou a ser não só um como-hoje, é mañana e eu bebi. Então estou indo.
Tu.........sim tu porque plagias as minhas dores...
As minhas mágoas e sofrimentos.
Tu sabes que o meu sofrimento não é igual ao teu
Porque eu não sou tu.
Tu.......sim tu porque plagias o meu amor.
Ele é só meu......e não é igual ao teu.
Tu.......sim tu porque plagias a dor da minha alma.
Se a tua não é igual à minha, cada alma é única.
Tu.......sim tu porque plagias as minhas palavras escritas.
Em poemas, versos ou desabafos.
Se tu não sentes da mesma maneira que eu sinto.
Quando escrevo os meus sentimentos.
Tu......sim tu, porque plagias a minha vida...
Os meus pensamentos, as minhas dúvidas.
As minhas noites mal dormidas....
De solidão de tudo que escrevo.
Tu.......sim tu porque plagias tudo o sinto.....!
Quando tu és diferente de mim!
Partilha os meus poemas, versos ou pensamentos.
Respeita o nome de qualquer poeta e de quem escreve.!
Eles merecem todo o nosso respeito e carinho.
Afinal não há duas pessoas iguais....
Somos todos diferentes, com sentimentos diferentes.!
Não sei porque choras.
Choras ou chove.
De um tempo tão distante.
Passado errante.
Tristeza por definir.
Recordação que me faz sentir.
Lembro
Recordo
De tantas, tantas coisas
Que foram, ou não foram
Chuva ou choro
Porque
Porque tive tanto medo.
Resta o infortúnio
Infortúnio do que não foi.
Talvez seja
Por medo do que podia ser.
Será tudo tempo
Tempo
Como cada chuva tem o seu momento.
Momento
Gotas soltas, caídas no chão.
Será chuva ou choro.
Será
Do tempo distante
Passado
Presente
Por medo do tempo!
