Poesia Morena Flor de Morais
“SONHOS 🍁
Sonhos rotos vazios de palavras
Onde habita num subúrbio
Toda a minha tristeza
Como um pântano de borboletas
No cair das folhas de outono
Deixa que os meus silêncios te falem
Deixa que a minha dor se esconda
Deixa que a minha solidão te procure
Deixa que as palavras se tornem carícias
Deixa que a minha voz vagueie muda
Num sonho coberto de amor
Nesta noite fria onde a nossa paixão
Voou nos braços da noite, de sentidas palavras.”
OUTONO
No cair das folhas de outono🍁
Deixa que os meus silêncios te falem
Deixa que a minha dor se esconda
Deixa que a minha solidão te procure
Deixa que as palavras se tornem carícias
Deixa que a minha voz vagueie muda
Num sonho coberto de amor
ENSINA-ME 💕🌸
Ensina-me meu anjo
A voar neste mundo
Como me ensinaste a amar-te
Segura na minha mão
Como se eu quisesse voar
Ao sabor do vento nesta paixão
Sente o meu coração
Neste prazer de voar contigo
Desnuda a minha alma
Faz-me sentir que sou tua
Ensina-me a sentir
Faz-me eterna, dá-me os minutos
Os segundos, as horas
Nas estrelas que brilham lá em cima
Que eu te darei o meu amor em vida
Meu anjo, meu amor
E o meu coração habitará no teu
E a minha alma habitará na tua
Onde plantaremos flores de todas
As cores perfumadas
De amores e todos os aromas
Serão eternos para sempre
Nas nossas vidas meu anjo
Na vida as coisas mais preciosas
São aquelas que mais amamos.
SENHOR🦋
Hoje quero falar contigo no silêncio
Tu sabes que muitas vezes
Falamos muito mais em silêncio
Do que em milhares de palavras🦋
Toma café amargo
Come um chocolate
Passa o batom
Ajeita o cabelo
Calça sapatos altos
Vai mulher
Conquista o mundo
Ele é teu 🌹
O MEU SENTIMENTO 🦋
O meu sentimento é imperfeito
Amoras doces que varrem o chão
Lágrima no olho, seca na certeza
Entre o meu peito que me acena
Tristeza minha ruim na saudade
Grade de ferro que liberta a luz
Deixa ruir como uma tempestade
De ásperas flores nas profundezas
Colho o mel que em mim deixam
Entre os amores de perfeição feita
A ardósia está num corpo já ferido
Torno a tristeza num velho caminho
Lanço a fúria em redor dos meus passos
Caminho estreito na serra entre fragas
Sentimento perfeito que vira imperfeito
Nos amores perfeitos num ferido corpo
Olá Outubro sejas bem vindo
Abre-me o coração 🍁
Com a doçura da minha alma
Traz-me esperança com as cores
Da coragem e do amor
PORQUÊ 🌹💘
Porquê meu amor
Estamos separados
Neste destino cruel
Perco-me no presente
Como se estivesse
No passado
Sem entender porquê
Na procura de um caminho
Para fugir de mim
Perco as palavras
Que vou escrevendo
Encontrando nos silêncios
As letras da memória
Que me queimam os dedos
Nas lágrimas que escorrem
Do meu rosto sereno
Ficam apenas os pensamentos
Que não deixo fugir
Num passado lá longe
Para viver um presente agora
Pois este é o meu lamento
Jornada final em que me ajoelho
Diante de ti meu amor.
AS FOLHAS 🍁
As folhas secaram, agora nada resta
Só ficou a saudade nos ramos, galhos
Entre as palavras que dita a minha alma
Na música que foge nas notas dos lábios
Que humedecem na lânguida voz
Néctar que se alimenta entre os frutos
Que a árvore dá durante todo o ano
A vida cresce sem dúvida aos poucos
Alimentado-se no caminho encantado
Para se aninhar nos ramos entre as folhas
Libertando aromas num belo olhar, o teu
Cores garridas nas palavras bonitas de ti.
Os olhares encontram-se
As mãos entrelaçam-se
Os corpos amam-se
Mas o milagre da vida
Só acontece quando 💘
Duas almas completam-se
Num abraço profundo
Há memórias que ficam ☕
Para sempre no nosso coração
Como a comida feita em casa
Dos nossos pais ou avós
Como as alheiras na brasa
Com batatas e grelos cozidos
Nas panelas de ferro à lareira
Percepção tardia
Quando chegou já haviam secado o aquário do peixe, de algum modo ver aquele espaço vazio lhe doía, talvez não tivesse percebido mas havia em um mero peixe um grande amigo.
Senhor ajuda-nos
A sermos mais humildes
A escutar-te
E agradecer-te sempre
Por tudo que nos dás
Todos os dias🌹╭✿
"MORRER VELHO OU NOVO"
Meu amor(marido)Meus amores(filhos)
Escrevo de mim antes de envelhecer
Tudo o que sai de mim voa, para o papel.
Tudo vai-se, tudo esvai-se, permanece talvez só meu.
Nada em mim fica, do que vocês já não amem
Meus amores, um sorriso cultiva tantas vezes
O silêncio gentilmente disfarçado
Num poema triste de palavras minhas
Do teu silêncio ou silêncio nosso
Por isso quando o meu corpo estiver cansado
Talvez já cansado de mim, meus amores
Na minha modesta velhice
Deixa-me ser criança ainda que não aches graça
Deixa-me falar, ficar rabugenta
Zangada comigo e com a vida, tenho esse direito
Quando não quiser falar
Deixa-me com o meu silêncio, com os meus botões
Respeitem a minha vontade
Pois apesar da velhice
Talvez a minha memória esteja boa, ou não
Eu nunca me importei com o que as pessoas pensam
Não é agora que me vou importar
Não tenham vergonha de andarem comigo
Deixem-me ser criança
Apesar de ser velha devo ter uma alma irrequieta
Não me deixem sozinha
Mas gosto de observar-vos
Sempre gostei de vos ver à minha maneira, tão minha
Observar-vos era e é para mim uma bênção dos céus
Sejam amorosos comigo, quando eu começar a dar mais trabalho
Pacientes como eu fui com vocês, meus amores
Todos vamos chegar a ser velhos
Se não chegarmos é porque morreremos novos
Será melhor morrer novo ou velho?
Espero que Deus seja bom na minha escolha
Se não mais uns anos nos espera, nesta velhice já anunciada.
"AMO-TE"
Meus olhos viram-te
Minha boca beijou-te
Meu corpo amou-te
Minha alma de sonhar-te
Anda perdida
No novelo que a roca há-de fiar
Ouviu-te gritar mais uma palavra
Amo-te.
"SILÊNCIO MANSO"
Silêncio agudo da espada de ferro
Cresce, cresce, sobe e suspende-nos
Palavras que rebentam a nossa solidão
As fragas partem-se às inconformadas arestas
Recordações, esperanças do grito que se desvanece
Queremos gritar as mentiras desbocadas no silêncio
O mundo está em chamas e só vejo fogo na imensa ruína.
Aflito pranto rasga o peito com o sombrio véu, dor acerba.
Cruel, pungente suspiro que no peito encerra do celeste roubo
Cala-te, voz maldita que me grita nos dias de tempestade
Mundo soberbo, extraviei-me no tempo do pensamento
Já não ouvem nem falam, estão dispersos dos vivos ou mortos
Visões diferentes, perverso, inocente, no cálice persigo um tempo
Pés descalços na inquietude das madrugadas, que ficarei só
Escreverei a minha melancolia em versos que deixarei na tua ausência
Chegar de mansinho sem quebrar a tua solidão, que também é e será a minha.
"JANELA"
Num espaço repleto de sonhos
Ficaram apenas os espinhos
As sementes ficaram por plantar
Vistas de uma janela velha
Imagens difusas de um vidro partido
Um mundo de lembranças apagadas
Memórias escritas no silêncio presente
Tempo parado, porta fechada.
No arrependimento há descanso e paz
Já fomos líricos e talvez loucos
Nesta loucura rendo-me à lucidez
Retrato perfeito de um encontro no deserto
Onde as lembranças são como palavras esquecidas
Não basta abrir a janela, a porta
É preciso abrir o coração, a alma para vermos o sol
Lágrimas espontâneas de um sonho sem espaço.
