Poesia Morena Flor de Morais
Juqueris poéticos acenam
para nós na estrada
ensolarada da vida,
Te entrego a minha
mão e todo o coração.
Saudades da época
que eu ríamos de tudo
e de ver dormideiras
por todo o lugar,
A gente precisa resgatar
a mesma delicadeza,
o contentamento
e a leveza da infância
ao brincar com as dormideiras
e ao lidar uns com
os outros mesmo sendo
tão diferentes no pensamento.
Cercados pelo cortejo
da florada dos Maricás,
Não ocultamos o desejo
e assim nos presenteamos
com um apaixonado beijo.
Os poemas de amor
estão guardados
dentro de uma
caixa rústica feita
de Pau-de-Gaiola
e envolvidos
num pedaço
de renda de bilro
feitos por uma
senhora de Laguna,
Espero na próxima
Lua notícias suas.
No final de semana
por aqui teve a Festa
tradicional de Nossa Senhora
do Perpétuo Socorro,
Sei que você estava por ali
e ez aquele o frio danado
neste Médio Vale do Itajaí.
A festa foi embalada
por Ângelo e Chamatyva,
A meninada estava
bastante animada,
Disseram que o Pastel
e o Churrasco encheram
o paladar de alegria.
Neste frio daqui de Rodeio
fiquei mesmo é recolhida
em casa escrevendo poesia,
Tenho inspiração de sobra
para não me sentir sozinha,
Confesso que não tenho
pressa de te encontrar
porque você virá no seu tempo.
O Fumeiro florescido
na mata parece todo
estrelado brindando
o paraíso verdejante
na nossa bonita terra,
Para você te oferto
o meu carinho, o poema
e tudo aquilo que serena.
Ondula carinhosa
a Bracatinga-de-Arapoti
com a brisa matutina,
Eu estou por onde você
está levando harmonia
e você está por onde
estou com toda a minha
incalculável poesia.
A ventania desprendeu
até as sâmaras do Pau Sangue,
E por um poético instante
escrevi um verso para colar
o seu peito amoroso no meu
para você nunca mais desgarrar.
De maneira sobrenatural
prevejo o nosso encontro
debaixo de um Mulungu-do-Litoral,
Um beijo com sabor sideral
até ascendermos as estrelas
e flutuarmos em nuvens de poemas.
As flores poéticas e róseas
da Bracatinga-de-Campo-Mourão
se comportam como joias
saudando este tempo que exige
introspecção e silenciamento,
Assim teremos tempo para escrever
a história que queremos
com os louros do merecimento
coroaremos uns aos outros
e as cinzas da tristeza deixaremos
por conta do astral e dos ventos.
Nada pode morrer
em mim porque tudo
em mim é amazônico:
o meu país, a fé e o rio.
Fui buscar Jarina
para fazer colar,
pulseira, brinco
e anel para me enfeitar.
Agora, tudo é mais vivo
do que nunca porque
o amor e a poesia não
conhecem mais separação.
Tudo irá melhorar,
vamos nos encontrar
e que por mim você
a vida toda irá se encantar.
Os brincos de prata pura
parecem que até que foram
feitos de pedaços da Lua,
Balançam os seus pingentes
de Inajá que roçam na pele,
Tenho na fórmula dos grandes
poetas o porquê você se derrete,
Você tem sonhado todas
as noites comigo pele com pele.
Para fugir deste mundo
louco que fez o meu
rio secar busco me distrair
na vida um pouco
para a tristeza não dominar.
Tudo o quê vem acontecendo
mudou até cor do meu
boto que antes era rosa
e acabou ficando roxo
por não ter mais água para nadar,
resolvi escrever porque
não me permito me afogar.
Fazendo penquinhas de Inajá,
cortando discos de Côco
fatiando Jarina e bordando
com canutilhos de açaí
porque na vida tenho que acreditar.
Com o meu Artesanato Brasileiro
tenho muito o quê mostrar,
porque em mim vive um país inteiro
e da minha Terra nesta vida
ninguém vai conseguir me desgostar.
Coloquei o meu colar
com flores de Inajá
para estar pronta
caso venha passar,
E leve uma lembrança
que comigo faça
o seu coração cantar,
porque todo o dia
procuro o caminho
que te leve a se encantar
e o seu amor me entregar.
As cascas de Jacarandá
e as canoinhas estão
secando sob o Sol,
Prelúdio que o amor
paira no ar e na poesia,
Tenho certeza que
não vamos parar
porque agora é só alegria,
Pendurei a cortina feita
de Araparés para ninguém
nos distrair e da curiosidade
do mundo nos discretar,
Seja na terra, na água ou no mar,
chegou a hora da gente
se amar sem nada para atrapalhar.
A sagrada existência
de uma Sapucaia,
Fala muito sobre
o quê outros não
são capazes de fazer.
Uma Sapucaia com
a sua copa generosa
nos protege do Sol,
com a sua florada
ajuda as abelhas
e com castanhas
saborosas alimenta.
Quando uma Sapucaia
gentil encontra a outra,
o tempo cumprimenta
e assim sem precisar
estar escrito sagra-se
o verdadeiro poema.
Quem dera ser para ti
tudo o quê uma única
Sapucaia é capaz
de fazer por nós dois
sem precisar questionar.
De uma única Sapucaia
é capaz de elucidar
sem imposição o quanto
se é capaz de fazer e amar.
(Nasci para te venerar).
Na nossa bela cidade
de Rodeio beleza sublime
do Médio Vale do Itajaí,
No dia seguinte o Sol
e a ventania estão por aqui
percussionando as matas,
Sigo capturando leveza
das flores azuis do tempo,
mantendo viva a poesia
como as águas encontram
a rota do Rio Itajaí-açu
numa paz ímpar, profunda
e amorosa como busco
nesta vida ainda ser sua.
Trancei o meu cabelo,
enfeitei amavelmente
com flores de Babaçu,
para ir em busca de Murumuru,
Não existe ninguém
no coração maior do que tu.
Além da cesta de Tucumã
carrego o orgulho que
tenho de amar esta terra,
Ainda não perdi a mania
de continuar sendo poeta.
Seja sob o Sol ou sob a Lua,
sob dias com ou sem chuva
continuo sendo a mesma
a artesã das palavras que
me levarão a ser somente tua.
Resolvi separar a Piaçava
para trançar um colar
com pingente de Jatobá,
Vou fazer também
um bracelete e um
brinco para me enfeitar,
Porque quem quer um
amor tem que se preparar.
Se a Piaçava sobrar vou
fazer um enfeite de cabelo
porque ainda tenho uma
Mutamba para pendurar,
Porque com poesia artesã
gosto sempre de inventar.
Ainda hoje hoje num
Pau-pereira este poema
vou pendurar para ver
se você passa a me notar.
