Poesia Morena Flor de Morais
ILUSÃO LEVE...
Hoje estou leve
Levinha
Levíssima!
Trago no corpo cheiros de lavanda
Nos cabelos flores de laranjeira
E na alma, doçuras de um sonho de amor...
Hoje quero a tua lembrança mais bonita
Quero a saudade terna, infinita
Sonhos que não quero esquecer
Fotografias na minha memória
de uma tarde de outono...
Teus braços na minha cintura
E teus lábios doces como o mel
a tocar meu céu...
Da boca.
Quero cantar, dançar,sorrir e florir!
Hoje, apenas hoje minha poesia é borboleta.
Pois estou leve
levíssima como a brisa.
Amanhã?
Amanhã ainda é sonho
Linha no tear...
Hoje não.
Hoje estou levinha, levinha...
MARGARIDAS
Margaridas são flores delicadas
Me lembram branduras e gentilezas
que alguns amigos semeiam por aqui.
Aqui, onde tudo as vezes é tão cinzento...
Trazem beleza, perfumam a vida.
Pessoas, margaridas...Delicadezas do viver!
Por isso busco campos dessas miudezas
Simplicidades que exaltam nossa existência
Obras primas de Deus. Graça, dádivas...
Que plantemos margaridas pelo caminho
Que conquistemos amigos que são acalanto,
encanto e ternura__ Canduras queridas!
PASSARINHO...
Passarinho pousou no galho
Levinho, levinho...
Me presenteou com o seu canto
Fiquei num canto, quietinha
com medo de espantar o bichinho.
Nesse momento não houve solidão
Não houve melancolia
E até a dor do coração fugiu...!
Só não fugiu a saudades que sinto de ti
Teimou em ficar ali, insistente
Mas não sangrou o espírito
Tomou ares de sonhos distantes
De carícias nos cabelos
... Momento de transição.
Passarinho me encantou
Seu canto minha alma lavou
Depois voou
Tão mansinho
como chegou.
UM POEMINHA ASSIM...
Quero um poema levinho...
Daqueles que perambulam por aí.
Pousando ora lá...ora aqui...
Pena solta ao vento.
Bater de asas de canarinho.
Poema pequenino e cheiroso
como a flor branca da murta_!
Silencioso e gostoso, como um entardecer
de outono...sim, um poema leve, livre assim...
como filho sem dono!
Quero um poeminha para acalentar.
Pousa-lo em meus dedos,
e de versos em versos
com calma e sem constrangimentos,
revelar-lhe todos os meus segredos...
Um poeminha assim...
Pequenino assim...
Simples, simples assim!
AH, ESTES DOMINGOS!
Nesse entardecer de domingo,
não peço muito à Deus.
Talvez um pouco mais de leveza
Um pouco menos de melancolia
Um riso que não fosse só o meu,
nesse pequeno cômodo onde brinco
de escrever poesia...
Talvez um amor amigo
Ou quem sabe, um amigo amor
Ou só um amigo, que assim fosse!
Mas, uma companhia para encher meu dia
de conversas fiadas...Na tarde cinza:
Um pouco de cor!
Mas acho que de nada vale pedir!
Suplicar, lamentar...Chorar!
Todo domingo é o mesmo tédio
Uma nostalgia que não tem remédio
Saudades de dias passados, distantes...
( Nada é como era antes)
Pedante...!
O tempo passa, sem graça!
Passo eu.
Passamos nós...
Cata-vento tão veloz, que não dá pra descrever!
Deixa a vida como está, porque se reclamar, piora
Vou pegar minha vitrola, ouvir Chico ou Noel
Assim a tarde se torna ainda mais vintage
para inspirar esse tal poema, num pedaço de papel!
E o que era só um pedido, virou história.
Reclamação, murmurinho...
Estou ficando velha e enjoada
Não aguento mais estes domingos!
"EU"...
Dia imenso
Ausência de luz
e de alegria...
Dimensionar a dor?
Impossível
Vazios cheios de silêncios
Pensamentos desordenados
Sentimentos desorientados
Tristeza sem razão de ser
Sem lugar para ser
Tão intensa
Tão latente
Sem fluidez de vida
Sem garantia de guarida
Ontem? Ecos distantes...
Amanhã, dificilmente
como era antes!
Tanta escuridão...
Tantos " Nãos"
Tantas palavras
Poema sem rima
Aleatoriedade
Ambiguidade
Sensação de insanidade
Ansiedade
Sede da verdade
Mas que verdade?
Fujo da verdade
Medo de saber
Medo dos meus medos
Das minhas fóbicas fobias
Manias
Realidades que cegam
Cegueira bem recebida
Anseio pela vida
Angústia de viver
" Eu" Paradoxo
" Eu" dividido
"Eu" não concluído
" Eu " como sei ser
Como posso ser
" Eu" confusa
" Eu" poesia...
Amor Solitário
Meu amor é tão sozinho...
Descontente, mas tão imenso
que poderia afoguear os corações
Enchendo de poesia todo o universo!
No entanto, meu amor tão intenso foi
feito por ti esquecimento...
Sem dó nem piedade por mim
pobre menina, que só vive por ti...!
E meu amor, tão sozinho
sobrevive de passados momentos, saudades
de um tempo perdido nos redemoinhos
e descaminhos do velho vento...
Sob o lampião...
Como está escuro meu Deus!
Nas ruas vagam gentes sem nomes
Espectros na imensidão do mundo
Caminham... Não sei para onde.
Da minha janela os espreito!
A tênue luz do lampião me permite
A mulher cabisbaixa
O homem encurvado, no terno azul...
Seguem quietos, calados
Alheios à tudo
Alheios à mim que os observo!
O que será que pensam?
Será que sonham? Fantasiam?
Anseiam...?
Será que seus sofrimentos são maiores que os meus?
Eu, que fico aqui, a ludibriar a minha dor,
pensando nas dores deles...!
Ou será que somos todos fantoches
nas mãos impiedosas de um destino incerto,
sob o brilho de um lampião pendurado sobre nossas cabeças?
Porque hoje é domingo
E porque hoje é domingo, meu bem
Eu preciso de você...
Não precisa trazer nada
além daquele sorriso imenso
Intenso
Que me cativou a ternura...
Venha meu bem..
De mãos vazias
Mas traga o coração cheio de amizade
Daquela gentileza sóbria
Doce
Que acaricia meus sentidos
E embala minha esperança
nesse dia de domingo...
...E só porque hoje é domingo
o sol nem precisa sair
Ficamos juntinhos
Embalando sonhos para a nova semana
Nos permitindo ilusões
e borboletas azuis
no jardim.
Venha amor...
Hoje é domingo
e não quero vazios
Quero sua presença acalentante
Sem poemas sombrios
ou versos melancólicos
Hoje basta-me você
e a poesia.
...porque hoje é domingo!
Constatação
Onde estão, meu bem...
Onde estão os nossos momentos?
Aqueles tempos tão cheios de sonhos
Carregados de uma eternidade tão latente
Tão potente,que poderia mudar nossos mundos
apenas com o toque dos nossos dedos...?
Nossos desígnios, meu amor, onde estão?
A realidade deles era tão tangível...!
Perderam-se em meio às brumas do tempo?
No esfacelar das horas...Dos anos
Da nossa juventude
Perdida, ainda que não esquecida.
Mas o amor se perde?
Quando o amor se perde?
Desde quando o amor se perde?!!
Talvez o amor não se perca
Apenas desista
...Ou ainda nem desista
Deixa de acontecer
Simplesmente...
Veementemente
Como o cessar do bater das asas da crisálida
Inevitável.
...Então que cessem meus devaneios
Meus questionamentos
As " coisas" são como tem que ser
E o amor...Ah, meu amor...
O amor tem lá os seus mistérios
Tão insondáveis quanto a própria vida...
O GRITO
Não, sinto muito, mas não posso mais
O pranto me sufoca a garganta, tusso convulsivamente
Me rouba o sono, me tira a paz, me torna incapaz
Preciso gritar no poema que cala
esbravejar na poesia, essa utopia sem eira nem beira
assim mesmo...
Sem métrica, sem rima, sem metáforas ou alegorias
Qualquer coisa aqui dentro precisa de desvencilhar,
bater asas pelo céu escuro da madrugada,
desencarnar o verbo, livrar o corvo
dessas grades de prata!
Meus olhos estão cansados
Já não comportam mais as torrentes lamaçais
Crispo os dentes em desespero e rancor
Nem sei se vivo ou morro
( E eu tenho escolha?)
O diabo me ronda a alma...
A navalha ao meu alcance,
um lance
Um lance apenas
e jamais...
...Nunca mais debilidade
Basta um pequeno corte na radial
Sangria intermitente
Fim, eminente.
Eternamente...
E na insanidade
Nesta dubiedade colossal vou seguindo
Escrevendo estas linhas dementes
Que talvez ninguém chegue à ler!
Mas não faz diferença
Vou esbravejar aos quatro ventos minha dor
meu lamento cheio de apatia,
" nisso" o que chamo de
poesia.
De que outra forma perdurar a vivência,
já que sou covarde por demais para estanca-la,
e não tenho como, ou para onde fugir...!
Ei-la, Eulália
E quando Eulália sai pelas noites além,ruas frias e vazias
Todo o ar se condensa em torno dela, uma tristeza corpórea
Ela não anda. Plaina leve tal qual um fantasma desgraçado
Uma aparição que surgiu não se sabe de onde, para onde...
Eulália nem mesmo sente mais como uma mulher corpórea
Há muito perdeu a crença em qualquer sentimento alheio à dor
Vaga pela vida, branca como a neve, o seu rosto belo e medonho
Àqueles que a veem, à desejam, mas fogem dela com pavor!
Ela é a expressão de todas as " Eulálias", Marias e Anas da vida
As mulheres que se doam e nada recebem, tornam-se opacas
Não aspiram mais o amor nem carícia alguma que as embale...
Por isso, apartem-se de Eulália_ Deixem-na só com sua agonia!
Que ela perambule pelos bares ébrios e confins desta terra morta
Deixem-na só com seus sonhos mortos, com sua poesia triste...
amo com força
não depender de ti
nem para ver a beleza
nem para sentir
mas quando você vem
meu corpo dança
gostoso é ter honestidade
encarar as próprias faces
comunicar sensações
imaginar junto
avançar lado a lado
e isso também é amor
transparente como água
que o outro vê além
quando uma mulher ama, dizem
ela está estupidamente apaixonada
insensata, alucinada, louca
o amor a fez perder sua cabeça
eu quero abandonar a guerra
estou ferida
é possível lutar sem ódio?
até quando a dor me buscará insone?
tenho preferido o corte a perdoar
minhas mágoas
luto porque não decupo bem
as memórias que me decompõe viva
não dissolvo o ódio
e penso que o faço pelas minhas iguais
mas a verdade é que estou presa a dor
difícil perdoar
o que nunca me deveria ter ocorrido
hoje me concedo o perdão
por não saber perdoar
Eu te ofereço com todo meu amor, com a mesma graça, beleza e cor. De uma linda flor.
O exemplo da flor bastará para uma transformação de muito amor. Não importa, jasmim, rosa, cravo, não importa a flor, o importante é que espalhamos as pétalas de nosso amor te amo meu louco amor.
Natureza, deusa do viver
A beleza pura do nascer
Uma flor brilhando a luz do sol
Pescador entre o mar e o anzol
Pensamento tão livre quanto o céu
Imagine um barco de papel
Indo embora para não mais voltar
Indo como que Iemanjá
Quanto tempo leva pra aprender
Que uma flor tem que vida ao nascer
Essa flor brilhando à luz do sol
Pescando entre o mar e o anzol
Shimbalaiê, quando vejo o sol beijando o mar
Shimbalaiê, toda vez que ele vai repousar
Ser capitã desse mundo
Poder rodar sem fronteiras
Viver um ano em segundos
Não achar sonhos besteira
Me encantar com um livro
Que fale sobre a vaidade
Quando mentir for preciso
Poder falar a verdade.
COSTUMES ANTIGOS...
Por que não me deste pelo menos uma flor, quando me vi no caminho contigo? Se não a deixei de amá-la é porque ainda não deixei de ser feliz por elas.
As flores são necessárias ao cultivo do amor: alegra-nos e acalma-nos; acalenta e aquieta nossa alma. Quando alegramo-nos ao recebê-las, o mundo se torna melhor.
A atitude de ofertá-las, a alguém que se ama, ainda não deixou de ser um gesto de nobreza; só por ser costume antigo.
Um simples ato muda tudo à nossa volta. E o indiferente torna-se diferente: praticando mais a gentileza.
Ainda curtimos com ardor e ar de poesia, os cavalheiros à moda antiga. As belas flores, os buquês de rosas... O abrir da porta do carro...Um jantar fora.
O cavalheirismo ignorado,a nós, ainda o desejamos.
Rezemos na capela e jantemos com a nossa família, em volta da mesa, à luz de velas.
As boas maneiras e ternura é possível de ser praticada com mais frequência. E o elo da união se fortalecerá na vida que cultivarmos; ela não deixará de ser bela se a cultivarmos de maneira sábia.
Se isso não for relevante... Desculpem-me! Estou indo ali e logo volto.
(01.05.18)
