Poesia Felicidade Fernando Pesso
Infelicidade humana
Projeção astral de um ser onipotente, tal filosofia grega, jas nos dizia; Nós mesmos seres distintos, egoístas a ponto de criar deuses a nossas imagens para o sentido de nossa vida buscar a está terra enferma que nos enlouque-ra, faça-nos delirar, Delírios que nos faz matar..
Guerras e guerras a criar, distúrbios e sangue ao chão. O Sangue em nossas mãos, o choro, as lágrimas derramados aos antepassados.
Por isto há, existência de deuses, somos cegos a ponto de nós mesmos nos cegar-mos, embusca de diminuir nossa solidão.
O vazio que corrói é aflita o coração.
A cura de enfermos, doenças jas então onde esta?
Nossa maior dor está a espreita em nossa solidão. Desesperados seja a morte que nos ampara, crescemos, vivemos, parecemos, a terra voltaremos a consciência extinta, marcas de nos aqui, na qual iremos deixar.
A varios de mim, sobre esta mesa na qual estou, o tolo, o velho, o sabio, a criança, os delírios, não sabemos o tempo que ficaremos com cada um de nós mesmos, nesta vida que iremos trilhar, nesta mesa não se sabe o tempo que me restará.
Orgulho gaúcho
No sul quando nasce o dia
Nasce também à magia,
Esta estranha alegria,
Que se tem ao respirar.
Cevo um mate amargo
Do lado do meu amado,
Em silêncio uma oração
Agradece meu coração.
Agradeço minha terra
Meu pampa sul-rio-grandense,
O Patrão velho lá no céu
Por certo está contente.
Por ver tanto orgulho
Pela sua criação,
Que traz cada gaúcho
Dentro do seu coração.
Sou gaúcha, e isso é certo!
Trago a chama da emoção,
O amor por esta terra
Honrando sua tradição.
Reconheço a beleza
Da nossa amada querência,
Ressaltando na consciência
A minha essência gaúcha.
Fiel as suas tradições
E disso, não abro mão!
Churrasco campeiro...
Fogo de chão...
E um gostoso chimarrão
Nos braços do meu peão.
Sinto que hoje novamente embarco
Para as grandes aventuras,
Passam no ar palavras obscuras
E o meu desejo canta --- por isso marco
Nos meus sentidos a imagem desta hora.
Sonoro e profundo
Aquele mundo
Que eu sonhara e perdera
Espera
O peso dos meus gestos.
E dormem mil gestos nos meus dedos.
Desligadas dos círculos funestos
Das mentiras alheias,
Finalmente solitárias,
As minhas mãos estão cheias
De expectativa e de segredos
Como os negros arvoredos
Que baloiçam na noite murmurando.
Ao longe por mim oiço chamando
A voz das coisas que eu sei amar.
E de novo caminho para o mar.
O tempo
O tempo é assassino
Traz o homem e mata o menino
Depois disto vira Serial Killer
Mata o homem jovem
E traz a velhice
Mas o tempo com todos seus defeitos
Também é altruísta
Generosamente dá tempo
Pra gente viver a vida.
"" Me dê somente o tempo que te restar
e te provarei que o amor vale a pena
todos os meus dias serão para te amar
e nada será mais sincero e belo, que o nosso amor
reserve-me todos os teus beijos
e minha boca não se cansará de dizer te amo
assim anoiteceremos como amantes
e amanheceremos em plenitude
me dê autoridade sobre a minha vontade
e ela será tua, somente tua
me dê a ansiedade dos teus sonhos
e não precisarei de mais nada...
Desculpe o transtorno
Estou em reforma
Aqui dentro
está uma bagunça
Joguei fora
Tudo o que faz mal
Entre incerteza
Decepções e medos
Fiz uma limpeza
E no meio de tudo isso
Encontrei a paz
Que é essencial
Em breve, voltarei.
E será para MELHOR!
Desculpe o transtorno.
Diz homem, diz criança, diz estrela.
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora.
Volta a dizer: homem, mulher, criança.
Onde a beleza é mais nova.
Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa.
Faço de conta que não é nada comigo.
Distraído percorro o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro.
Devagar te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no amor como em casa.
MINAS
Eu sou de lá das bandas das Minas Gerais
Das boas estórias, nossas, vou confessar
Terra do povo mineiro, bão, pra se admirar
Leite tirado na hora, roça, e seus arraiais
De volta à estrada das pedras, a retornar
Se daqui parti, voltar é bão, bão demais
Apreciar os planaltos e as estradas Reais
Pão de queijo, broas de milho pra assar
Tem, também, pamonhas e os milharais
Lavorando o cerrado, o caboclo a lavrar
É do Triângulo, donde são meus currais
Imenso céu, as lembranças, põe a sonhar
Araguari, cidade natal, e os velhos locais
É saudade passo a passo disputando olhar
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Espírito natalino
Se todas as crianças
Tivessem ao menos um lar,
Elas seriam felizes?
Se todas as crianças
Tivessem brinquedos,
Elas seriam felizes?
Se todas as crianças
Tivessem escolas?
Se todas as crianças
Pudessem se sujar,
Jogar bola, pular,
Dançar, rir, e sonhar…
Se todas as crianças fossem
Apenas crianças,
E são!
Se o Natal, fosse
Todos os dias,
E todas as crianças
Vivessem felizes?
Sem guerra, sem briga,
Sem tristeza…
Poder é perigo
e hoje acordei
rindo
Dom é tom
e hoje acordei
rindo
Querer é criatura
e hoje acordei
rindo
Na cara a boca
na pia o prato
sujos de feijão.
Despreparada para a honra de viver,
mal posso manter o ritmo que a peça impõe.
Improviso embora me repugne a improvisação.
Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas.
Meu jeito de ser cheira a província.
Meus instintos são amadorismo.
O pavor do palco, me explicando, é tanto mais humihante.
As circunstâncias atenuantes me parecem cruéis.
Tenho fome da sua boca, da sua voz, do seu cabelo,
e ando pelas ruas sem comer, calado,
não me sustenta o pão, a aurora me desconcerta,
busco no dia o som líquido dos seus pés.
Estou faminto do seu riso saltitante,
das suas mãos cor de furioso celeiro,
tenho fome da pálida pedra das suas unhas,
quero comer a sua pele como uma intacta amêndoa.
Quero comer o raio queimado na sua formosura,
o nariz soberano do rosto altivo,
quero comer a sombra fugaz das suas pestanas
e faminto venho e vou farejando o crepúsculo
te procurando, procurando o seu coração ardente
como um puma na solidão de Quitratue.
Sou apreciador das histórias tristes,
as que nos trazem a dor do aprender.
Já com as felizes nada se aprende,
a não ser, a dor de nada saber.
Solitário
Não sei se toda a minha falta
faz você sentir a minha falta,
Por entre a distância das ondas do mar,
Que vaga as areias
De nosso coração.
Toda a noite solitário,
Com meus pensamentos em você,
Milhares de constelações a circularem em minha volta
Como se fosse reflexos
De um dia de náuseas.
O mundo me distancia do mundo
Por entre, a vida virtual,
Novas paixões, de fantasias,
Que se tornam em arte,
Que não dar pra tocar.
Todo um livro,
Que não dá para sentir as folhas,
Tatear na melhor forma possível,
Todo o meu delírio, no vezo de degustar
Os meus sentimento
Por entre as lembranças fecundas
De um amor
Não correspondido,
Por entre a nostalgia da vida.
Weforever, queremos viver.
Todo o meu ser no lado de fora, no sereno,
Pensando com minha visão
A quarenta graus de distância,
Por entre as lentes de meu olhar transparente
Em um único foco.
CRUCIFICADO
O teu sorriso meigo e delicado,
Com que me brindaste naquele dia,
Foi toda causa do meu triste estado,
Desta minha torturante agonia.
Chibata
Da lua se vê o brilho pratear,
a sua beleza divulgar,
pele negra brilhando ao luar.
Sob a água que prateada
brilhava, morada de Olucun,
Inaê, Janaína e Yemanja,
Da força de Kisanga, de seu
encanto Kianda, sereia do mar.
Pele negra de prata, que passou
por chibata, de sinhô que
açoitava, a negra escrava.
De cara caçava, nem motivo inventava,
a sonata cantava, o grito em pranto escutava.
O sangue corria, ela era
violada e lágrima caia, com
seu brilho prata!
Pele negra marcada,
mente negra sem cor, esquecendo a dor,
lembrava com fé de Olocun sim, seu sinhô.
Apanhar não matava, morrer não era medo, era fuga era desejo!
A'Kawaza
Sua ausência passou por mim
Como a linha através de uma agulha
Tudo o que faço é costurado com a sua cor
Nunca choraremos bastante
termos querido ser belas
à viva força
eu quis ser bela
e julguei que para ser bela
bastava usar canudos
pedi para me fazerem canudos
com um ferro de frisar e papelotes
puxaram-me muito pelos cabelos
eu gritei
disseram-me para ser bela
é preciso sofrer
depois o cabelo queimou-se
não voltou a crescer
tive de passar a andar com uma peruca
para ser bela é preciso sofrer
mas sofrer não nos faz forçosamente belas
um sofrimento não implica como consequência
uma recompensa
