Poesia Felicidade Fernando Pesso

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Seus cabelos soltos
Por entre a ventania
Inspirava o poeta
Que sorria distante
Da realidade
Do mundo.

VOCÊ E EU...ECLÍPSE

Envolvi minhas mãos na lua de seus cabelos
Refletindo luz por entre meus dedos
Dias vividos e sentidos
Momentos marcantes de anseios

Você... lua prateada
Eu... seu sol
-Acoplada em você!

Falsário

O acaso é o abraço
Quando o perdão não é achado
Me afasto
E invoco o passado

Desfalecer só para lânguidos
Eu me despedaço
E desfaço
Mas peço que perfaça

Vai doer
Mas tenho que contradizer
Não acredito em você.

Sou um louco
Perdido no mundo
Querendo pouco
Vivendo muito
Curtindo cada minuto
Como se fosse o último
Sou um louco
Sobrevivo com pouco
Mas o pouco que tenho
Já tenho muito
Com saúde
Vou vivendo muito
Curtindo cada minuto
Como se fosse o último
Cada segundo que tenho
Vou sendo louco
E amando muito

⁠Quando você decide não ser mãe, Deus te manda um sobrinho.
Nasce com cara de joelho e as pessoas dizem: Nossa, é a sua cara!
Sorri pra você banguela sem porquê
Depois vira um toquinho de gente,
com alguns dentes anda atrás de você.
Como fugir do amor se o amor em pessoa está ali sorrindo pra você.
Então você descobre que ficar pra titia é maravilhoso!
Não sai da barriga da gente, mas carrega consigo um pedaço do nosso coração.
E cada dor daquele ser nos leva a entender o que é sofrer de amor.

Texto dedicado a minha sobrinha , que carrega por onde anda um pedaço do meu coração.

Se existe reencarnação
Na próxima eu quero te reencontrar
Que tu sejas uma pessoa bem próxima
Pra eu poder te conquistar.

Olhar poeta

Vejo cheiro de terra
Molhada.
Neste estado apaixonado,
Sinto-me presa
Dos seus braços
Suados, quentes…
Miro tudo de formas
Diferentes; vezo botões
Se transformarem
Em flores.
Veto seus beijos
Em outro

Beijo vagabundo.
Olhar poeta.

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

Acho que eu tenho tudo o que quero.
Quando quero cerveja, bebo cerveja.
Quando quero vodka, bebo vodka.
Quando quero você, bebo vodka.

Certo que nos dedicamos
a místicas peregrinações.
Exercitamos a respiração,
lutamos brigas orientais,
praticamos uma e sete vezes
a tradução do poema chileno.
Mas no fundo sabemos
que o que importa mesmo
é roçar a superfície negra
da pele do peito do anjo
que está vivo
que não dorme.

A INFÂNCIA QUE LOBATO SONHOU

Subindo na goiabeira
Tomando banho no igarapé
Disputando corrida na trilha
Empinando pipa no céu
Brincando de pira-se- esconde
Tomando banho de chuva
Ouvindo as histórias de Visconde
Ao brilho da linda lua
Eita que sonhou bonito
A infância
Seu Lobato, sim senhor!
Menino rodava pião
Menina brincava no chão
Eram tão felizes não conheciam tristeza não!
Se hoje Lobato chegasse numa casa na capital
Não iria entender,
- Cadê as crianças do quintal?
Tão dentro de casa seu Lobato
No tablet e, no computador
Assistindo TV a cabo
Brincando no celular
- Como assim? Cabo ou taco?
- Não, TV a cabo!
Desnorteado começa a falar:
O meu sonho de infância acabou...
Num pesadelo moderno se tornou.

Te amo
pelo simples fato
de te amar

Se falhamos
em algum momento
Erros cometemos
Dúvidas percorreram

Mas nunca tivemos força
para o barco abandonar

Lá no fundo
Eu e você sabíamos
O que Deus uniu
Nossas almas permitiram
Sempre nos amar

Mesmo com as tempestades
Lá no fundo sabíamos
Que o amor é maior
do que qualquer tentação

E nossa maior lição
É provar pra todo mundo
Que o verdadeiro amor
Supera tudo

Te amo
com todos os defeitos
E o respeito que temos
É a prova
de que o amor é tudo

Te amo
pelo simples fato
de te amar

Sou lúcido para os loucos, contudo, sou louco para os lúcidos.
Se eu sou louco ao meu próprio conceito, o que sou então para mim mesmo?
Se a resposta for: “lúcido”, sou louco novamente e lúcido mais uma vez.

Algum dia...
Meus versos...
Em seus ouvidos...
Serão como melodia...
Vinda de universos...
Dissolvidos...
Em poesia...

⁠Rascunhos do coração:
Aquele que tem um porquê.

Na infância, confiamos nos adultos. Faça isso, não faça aquilo, de vez em quando quebramos o roteiro.

Quando você sobe onde não deve, afaga um cachorro sem dono, abraça uma onda Grande demais.

Esses Momentos dizem algo sobre você, algo difícil de explicar porque transcende as palavras.

No imenso vazio da consciência, essas memórias são como estrelas.

Retratos do passado irradiando o significado.

Se você contemplar esse cosmos não tem erro.
Vai encontrar pistas do que faz você, você.

Aquele que tem um porquê supera qualquer como.
A vida. Não é um jogo que se ganha, é um oceano.

Se focamos só na próxima meta, corremos o risco de ficar girando à deriva.

Em algum momento, é preciso definir um norte, não pela expectativa de chegar lá, mas pela intuição de que é um caminho interessante.

Porque a real é que não existe lá. Felicidade não é um destino, é o navegar.

Um novo dia, uma nova tempestade. Para alguns de nós é assim, sempre à beira do naufrágio.

Mas se engana quem acha que não tem escolha. No porão desse navio existe um baú implorando para ser aberto.

Saudade, remorso, amores enterrados vivos, trancamos nossos fantasmas como se fossem enganos, quando, na verdade são nosso maior tesouro.

Em cada paixão impossível, cada dor indescritível, uma prova do nosso poder criativo.

Bem afortunado, aquele que mergulha em si mesmo em um ato de loucura e no ato de loucura, escancara o coração.

Permitindo que os demônios se espalhem como fogo! Consumindo a embarcação para que, das cinzas, surja um novo eu que já não teme a chuva porque já morreu.

E ao ver suas certezas afundarem, ousa até se alegrar.

Como se não resistisse nem por um instante à indiferença do mar.

Nada pode afogar o espírito de quem se permite recomeçar.

~ Ludo viajante 2024.

Quem já fez
de uma pedreira
seu beliche

Não tem medo de veneno
não tem medo de viagem
come o esqueleto da maçã

Não deu meio-dia
e cabe mais medo na cabeça
que panela em cima da mesa

E esse barulho
é chuveiro quente ou fritura?

São nem quatro da tarde
mas já dói o poente,
o modo, a morte e o mérito

E esse barulho
é ventilador de teto ou pião?

Não é meia-noite
andei a vida inteira
melhor é caminhar

E esse barulho
é chuva ou salva de palmas?

Eles precisam saber, que a mulher negra quer
Casa pra morar
Água pra beber,
Terra pra se alimentar.

Que a mulher negra é
Ancestralidade,
Djembês e atabaques
Que ressoam dos pés.

Que a mulher negra,
tem suas convicções,
Suas imperfeições
Como qualquer outra mulher.

Se eu sou diferente, bem…
Se não incomoda você; bem…
Mais saiba, que do meu jeito
“EU… TE… AMO”! … do meu jeito.

Não pense que não me incomodo Não pense que não ligo ou me importo… Eu me importo; e arde em mim não conseguir demonstrar. Perdoe minha estupidez.

Você sente
Disfarça, canta e encanta!
Esconde a tristeza
Corre da solidão,
E lamenta a falta
Da esperança.
Tenta se apaixonar
Jura não chorar,
Entrega seu coração
Mas foge da emoção.
Joga ciranda
Faz os olhos brilharem
Finge-se de forte,
Faz papel de ingênua.
Mas continua sendo
A saudade buscando
Um porto, um abrigo,
Para descansar o coração.
E poder se perder
Em largos sorrisos,
E alguns momentos
A razão.

Por favor me segura
Não aguento mais essa amargura
Diga-me que estou com minha armadura
Não me julgue por ser insegura

Diga que estou acertando o certo
E errando o errado
Saber eu sei como é
Pois eu já fui amado.