Poesia Felicidade Fernando Pesso

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Acho que eu tenho tudo o que quero.
Quando quero cerveja, bebo cerveja.
Quando quero vodka, bebo vodka.
Quando quero você, bebo vodka.

⁠Quando você decide não ser mãe, Deus te manda um sobrinho.
Nasce com cara de joelho e as pessoas dizem: Nossa, é a sua cara!
Sorri pra você banguela sem porquê
Depois vira um toquinho de gente,
com alguns dentes anda atrás de você.
Como fugir do amor se o amor em pessoa está ali sorrindo pra você.
Então você descobre que ficar pra titia é maravilhoso!
Não sai da barriga da gente, mas carrega consigo um pedaço do nosso coração.
E cada dor daquele ser nos leva a entender o que é sofrer de amor.

Texto dedicado a minha sobrinha , que carrega por onde anda um pedaço do meu coração.

Se existe reencarnação
Na próxima eu quero te reencontrar
Que tu sejas uma pessoa bem próxima
Pra eu poder te conquistar.

Despedida

Se feriu meu coração, eu gostei de ser ferido
Rolam lágrimas inocentes de um coração partido
Que sente antes de ver; seus encantos e perigos

Sorria para o nada, faça-te feliz
Lembre-se de cada noite e
Cada verso que eu fiz

Nosso errado é tão certo, abuso da ironia
Dos meus sonhos mais loucos;
Devaneios, poesia
Tu fez da realidade minha doce fantasia

Ressignificar sempre!!!
Porque ninguém nasce flor, torna-se!
Ser o que se é é questão de escolha!
Sempre foi!

Pensei
que a liberdade vinha com a idade
depois pensei
que a liberdade vinha com o tempo
depois pensei
que a liberdade vinha com o dinheiro
depois pensei
que a liberdade vinha com o poder
depois percebi
que a liberdade não vem
não é coisa que lhe aconteça
terei sempre de ir eu.

A CERTEZA DO TEMPO

Quando a noite o silêncio ensurdece e
A solidão é apenas mais uma praga.
O relógio, infame, a negra renda tece
Sudário de ouro, cobrindo a adaga.

E do fundo da cisterna úmida e fria
A dor da existência amofina a cerne
O pêndulo nunca trouxe paz e alegria
Necrose dos ossos!_ Vigia o verme!

Julga incivil meu dialecto de vil poeta...!
Espera, então a insanidade da velhice...
Onde o tempo é morte. Lenta. Mas certa!

Quando já não há sol nem luz no nascente
Tudo é tal e qual quanto fora sempre...
Fastio penoso. Apatia. Fim decadente!

Amar é se recostar.
Se recontar em inúmeras equações matemáticas e entender que o destino nos quer ali. Juntos. Amar é essa força que aproxima a gente. Que enche nosso coração de paz ao estar perto um do outro. E ainda que a conta seja de subtrair, a gente subtrai. A tristeza. O tédio. O sossego. E bagunça de novo pra arrumar a conta. Ao se dar conta, inclusive, que no jogo do desapego, a gente perde. Porque o que a gente quer mesmo é se pegar.
Na sala, no quarto. Na cozinha, enquanto eu tento me concentrar na tua imagem ao mastigar qualquer alimento. Percebendo que até ali a tua boca me chama.
Amar é essa vida louca feliz que encontramos pra viver. Fazendo malabarismo pra matar nossa vontade de estar juntos. De perder horas ao telefone. Esticando a noite até o dia seguinte. Enquanto você estica as tuas pernas por cima das minhas. E eu coloco a minha cabeça no teu peito sem a interferência de nenhuma roupa.
As batidas do teu coração dizem “eu amo você”.
É, eu escuto.
Amar é isso.
É saber, ter certeza.
Sem que o outro diga nada.
A gente sente.

OS AMANTES DE NOVEMBRO

Ruas e ruas dos amantes
Sem um quarto para o amor
Amantes são sempre extravagantes
E ao frio também faz calor

Pobres amantes escorraçados
Dum tempo sem amor nenhum
Coitados tão engalfinhados
Que sendo dois parecem um

De pé imóveis transportados
Como uma estátua erguida num
Jardim votado ao abandono
De amor juncado e de outono.

Certo que nos dedicamos
a místicas peregrinações.
Exercitamos a respiração,
lutamos brigas orientais,
praticamos uma e sete vezes
a tradução do poema chileno.
Mas no fundo sabemos
que o que importa mesmo
é roçar a superfície negra
da pele do peito do anjo
que está vivo
que não dorme.

Olhar poeta

Vejo cheiro de terra
Molhada.
Neste estado apaixonado,
Sinto-me presa
Dos seus braços
Suados, quentes…
Miro tudo de formas
Diferentes; vezo botões
Se transformarem
Em flores.
Veto seus beijos
Em outro
…
Beijo vagabundo.
Olhar poeta.

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

minha mãe
sorria
ao me oferece
um torrão de
açúcar
na
palma da mão.

avidamente,
eu aceitava.

abria
minha boca,
e delicadamente colocava um
(apenas um)
no centro
da minha língua,
& eu o
apertava.

sal.

isso é o que chamo de abuso:
saber que você vai
receber sal,
e ainda esperar receber açúcar
durante dezenove anos.

Sei que esta cruel o esquema aqui é osso.(Brasil)
Dia após dia a corda aperta no pescoço.
Viramos estatística do consumidor,
Você é o que tem, ali esta o seu valor.

Patativa do Assaré.

Quando leio Patativa
vou direto a outro plano
não existe uma obra viva
com poder tão soberano
e eu me sinto a deriva
como um pingo de saliva
perdida no oceano.

Vaguei

Beijei tua boca...
Provei tua alma...
Vaguei no teu corpo
-Sonhei-

Despertei incompleta, inquieta...
Descuidada, não sei se perdi
Ou fui roubada,

Em algum momento
Na delícia do teu beijo
Perdi meu coração...

Beije-me, beije-me...
Mergulhe em minha alma
Devolva meu coração

Beije-me, beije-me...
Se não devolver o meu
Doe-me o teu!

Se eu sou diferente, bem…
Se não incomoda você; bem…
Mais saiba, que do meu jeito
“EU… TE… AMO”! … do meu jeito.

Não pense que não me incomodo Não pense que não ligo ou me importo… Eu me importo; e arde em mim não conseguir demonstrar. Perdoe minha estupidez.

O Amor é Como a Água, E a Vida Como o Cacto, Às Vezes Você Procura Pelo Deserto Inteiro, Quando Na Verdade
Estava a Distância de Um Passo de Você, O Amor Não é Lindo, Ele Possui Espinhos, É Como o Cacto, Por Fora é Horrendo, Mas é Tão Lindo Por Dentro

"Oi crápula do anti-amor! Será que dá pra me ver? Pois eu preciso apenas de uma tentativa de ajuste comigo mesmo.
Oi carrasca da não compreensão! Será que dá pra me ouvir? Pois eu preciso apenas de algumas palavras de certeza e conforto.
Não percebe que estou aqui inflamado com sua indiferença?
Não vê que te desejei com tanto fogo que queimei até a mim mesmo?
Será que não consegue acender o pavio que colocou em mim?
Não vê que estou tão cheio de urgência que você apenas mude ritmo do meu coração e infle o meu sorriso de novo?
Eu preciso de você todo os dias, mesmo sabendo que tenho só o seu "vez em quando." Eu preciso de você com um coração..." (...)

Azul e vermelho

Não sei se escrevo céus;
Não sei se escrevo fogos;
Não sei se sinto mares;
Não sei se escuto chamas!
Tudo é um azul e vermelho
Que no fim
Será difícil distinguir.

Valter Bitencourt Júnior
Toque de Acalanto: Poesias, 2017.

"" No dia em que perdi o juízo
você estava linda
hoje me chamam de louco
e sou mesmo
louco por você...