Poesia Felicidade Fernando Pesso
"Oi crápula do anti-amor! Será que dá pra me ver? Pois eu preciso apenas de uma tentativa de ajuste comigo mesmo.
Oi carrasca da não compreensão! Será que dá pra me ouvir? Pois eu preciso apenas de algumas palavras de certeza e conforto.
Não percebe que estou aqui inflamado com sua indiferença?
Não vê que te desejei com tanto fogo que queimei até a mim mesmo?
Será que não consegue acender o pavio que colocou em mim?
Não vê que estou tão cheio de urgência que você apenas mude ritmo do meu coração e infle o meu sorriso de novo?
Eu preciso de você todo os dias, mesmo sabendo que tenho só o seu "vez em quando." Eu preciso de você com um coração..." (...)
Ela indagou: — Quem és tu?
Respondeu: — Sou o demônio,
Nem me espanto com milagre,
Nem com reza a Santo Antônio!
Pretendo entrar no teu couro!
E nisto ouviu-se um estouro!
Gritou a velha: — Jesus!
Ligeira se ajoelhou
E, depois, se persignou
E rezou o Credo em cruz!
Nisto, o diabo fugiu.
E, quando a velha se ergueu,
Ele chegou de mansinho,
Dizendo logo: — Sou eu!
Agora sou teu amigo
Quero andar junto contigo,
Mostrar-te que sou fiel.
Minha carta, queres ver?
A velha pediu pra ler
E apossou-se do papel.
— Dê-me isto! grita o diabo,
Em tom de quem sofre agravo.
Diz a velha: — Não dou mais!
Tu, agora, és o meu escravo!
O poeta e o povo
E os poetas, os poetas
Necessitam falar,
Tirar tudo o que esta preso por dentro,
Sem medo, tem de falar
Para o povo, muito mais
Do que sente.
O poeta não pode calar,
Diante ao sistema,
Diante a tudo o que se passa,
Diante a opressão,
Diante ao massacre social.
O poeta tem de falar
O poeta tem de escrever,
Nada pode calar a boca do poeta,
O poeta tem de ser livre,
Tem de romper barreiras.
O poeta tem de respirar
E se o ar esta poluído
Buscar uma forma de falar
Se a água está poluída
Buscar uma forma de falar,
Se estão matando a natureza
Buscar uma forma de falar,
A sociedade precisa saber,
Que estão destruíndo
O que há de mais precioso,
A natureza.
Se querem cortar os direitos
Trabalhistas, o poeta tem de falar
Se o povo não tem como
Se sustentar, o preço
Dos alimentos estão auto
O poeta tem de falar,
Levantar o povo
E juntos protestar,
O poeta não pode morrer,
O poeta tem de sobreviver
O poeta tem de buscar,
O poeta, o poeta tem que
Ir além da poesia,
O poeta tem que ter ousadia
O poeta pertence ao povo.
Regresso devagar ao teu sorriso como quem volta a casa.
Faço de conta que não é nada comigo.
Distraído percorro o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro.
Devagar te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no amor como em casa.
Diz homem, diz criança, diz estrela.
Repete as sílabas
onde a luz é feliz e se demora.
Volta a dizer: homem, mulher, criança.
Onde a beleza é mais nova.
O tempo
O tempo é assassino
Traz o homem e mata o menino
Depois disto vira Serial Killer
Mata o homem jovem
E traz a velhice
Mas o tempo com todos seus defeitos
Também é altruísta
Generosamente dá tempo
Pra gente viver a vida.
"" Me dê somente o tempo que te restar
e te provarei que o amor vale a pena
todos os meus dias serão para te amar
e nada será mais sincero e belo, que o nosso amor
reserve-me todos os teus beijos
e minha boca não se cansará de dizer te amo
assim anoiteceremos como amantes
e amanheceremos em plenitude
me dê autoridade sobre a minha vontade
e ela será tua, somente tua
me dê a ansiedade dos teus sonhos
e não precisarei de mais nada...
Hoje o silêncio gritou dentro de mim
senti meu peito explodir
sem fazer um único barulho
a sensação de impotência e a vontade de chorar
se transformando em um grande nada,
sendo mais difícil de suportar.
Tem dias que a gente não cabe dentro de nós, e não há nada que possamos fazer.
Sempre tem um verso que não se encaixa
Um objeto da mudança que não cabe na caixa
O bicho de estimação perdido na mudança
Uma música improvável que toca e a gente dança
Tem aquele sol que não brilha tanto
O tanto que parece pouco
E o pouco que parece nada
Tem dia parecendo madrugada
Dá saudade, chora, chora, e não tem consolo
Eis o pão de cada de dia
Que infelizmente não foi me dado hoje
Não tive no café poesia
Nem um versinho na hora do almoço
Declarar minha fome ou me acostumar?
Desse tipo de fome eu não devo morrer
Mas se é pra viver do jeito que está
Uma passagem pro inferno
Cansei de viver!
Lixo de vida.
Lixo de humanos.
Lixo de sol.
Lixo de luz.
Lixo de ar.
Lixo de dia.
E assim acaba minha poesia.
Que é um lixo, todavia.
Pensei
que a liberdade vinha com a idade
depois pensei
que a liberdade vinha com o tempo
depois pensei
que a liberdade vinha com o dinheiro
depois pensei
que a liberdade vinha com o poder
depois percebi
que a liberdade não vem
não é coisa que lhe aconteça
terei sempre de ir eu.
Minhas mãos fervem a procura do teu corpo...
Elas querem sentir a textura da tua pele, saber se o teu beijo é doce iguais tuas palavras.
Eu te imagino aqui, sob as minhas mãos, me dando a direção de por onde eu devo ir.
Quero sentir meus dedos em tua carne, como quem toca tecla por tecla de um piano, sentindo cada sensação, vibrando junto contigo.
Quero saber como é estar dentro de ti, em que nota soa os teus gemidos, que cheiro tens no cabelo, o gosto da tua boca e a cor real dos teus olhos que às vezes muda de cor.
Farei do teu colo o meu abrigo e dos teus poemas o meu cobertor.
Eu serei o gênio que realizará teus desejos, te farei mar e, dessa vez, eu que mergulharei em ti.
Nos faremos íntimas, nos pertenceremos e apesar de toda profundidade, o céu será o limite.
Eu Lírico
Ó Grande Pensador
O Que me deste
Além de dor
O que eu deveria relevaste?
O que posso considerar Impostor?
Além da vida que me Traste
O que eu posso falar sobre tal lírico
Se nem de verdade sei quem sou
O mundo tão hipnótico
Pois a realidade não lhe aconchegou
Talvez se eu fosse lírico, seria mais real?
Pois o mundo está cheio de pessoas
Que são tão líricas quanto Superficial
O grande pensador
E além de tanta dor
O tanto que pensou
A realidade virou lírica como o Impostor.
Dia de hoje
No outro rumo,
No amor, a separação
Te torna uma mentira
Ingênua, convencional
Que te consome e absorve
Até tu te integrar
Por inteiro
Por um ser
Que te enlouquece,
Te aquece,
Te adora
Dos dedos dos pés
Deslizando até o pescoço
Te alimenta
E cresce contigo o fogo,
Faz dos brancos das nuvens
Inesquecível rascunho
Desse esplêndido
Dia de hoje!
Livro Lírico
Peguei nosso livro, e abri,
Bem naquele dia que te conheci,
Feliz, assim me senti,
Foi tão bonito quando escrevi.
Parecia uma criança com esse doce,
Que eu não queria largar,
O sabor no momento fez eu parar,
Meu coração bater, e meu mundo girar.
É fabuloso, eu reconheço,
Qualidades, defeitos,
O jeito que descrevo para mim.
É incrível como o começo,
Se perde nos meios,
E é difícil enxergar um fim.
O Eco
O menino pergunta ao eco
Onde é que ele se esconde.
Mas o eco só responde: Onde? Onde?
O menino também lhe pede:
Eco, vem passear comigo!
Mas não sabe se o eco é amigo
ou inimigo.
Pois só lhe ouve dizer: Migo!
Agressão
Um sofrimento
Que surge nos olhos
E não quer sumir,
Tantas opressões,
E em cada opressão
Uma morte na alma,
Um mundo em gelo.
não tenho medo
dos monstros
escondidos debaixo
da minha cama.
tenho medo
dos garotos
com cabelos castanhos despenteados,
olhos apertados,
& bocas
que só sabem
como dizer
meias verdades.
Quero dizer-te para sempre que te amo
E amar-te por toda minha vida
Sem medo de possível despedida
Ou de qualquer incômoda adversidade
Ser-te-ão para ti esses versos
Nada mais que os mesmos de sempre
Os que louvando-te fiz em verdade
E os que nunca fiz permanecerão para sempre
Pois para fazê-los terei toda a eternidade.
O Amor é Como a Água, E a Vida Como o Cacto, Às Vezes Você Procura Pelo Deserto Inteiro, Quando Na Verdade
Estava a Distância de Um Passo de Você, O Amor Não é Lindo, Ele Possui Espinhos, É Como o Cacto, Por Fora é Horrendo, Mas é Tão Lindo Por Dentro
