Poesia eu sou Asim sim Serei
VIAGEM
Sempre que eu te olho,
quando está comigo,
seu corpo está aqui.
Sua mente e sua alma
me parecem distantes.
Você está aqui mesmo?
Esta tempestade turbulenta
Que iremos enfrentar me
assusta.
Nós iremos?
Ou eu irei?
Ou só você?
Depois de tanto tempo nessa
tempestade, finalmente
entendi.
O quebra cabeça se encaixou.
Sempre soube que o amor
era uma viagem, mas
nunca imaginei que
seria o seu passageiro.
Que pena.
A viagem foi boa.
A paisagem era linda.
MEU PARAÍSO
Aqui é paz.
Aqui é lindo.
Silencioso do jeito que eu sonhei.
Eles não sabem do
Porquê de eu abandonar
aquele lugar.
Mas eu sempre imaginei que,
Fora de lá, tudo seria melhor
Para mim.
Eu saí de lá do jeito que eu
quis.
Eu que decidi sair.
Não me tiraram.
Não tentaram me tirar.
Não fui expulsa.
Eu sai.
Há quem julgue minha decisão,
Mas, eu morri do jeito mais
humano que alguém poderia.
Eu escolhi o jeito que eu
Iria partir.
Eu mesmo dei o meu próprio fim.
IRRELEVANTE
Eu não me importo se você
me tratar mal...
contanto me abrace,
Me beije, e me ame.
Eu sei que você olha pra mim
E enxerga outra pessoa,
Por isso EU SEI que não
posso competir.
Então faça que nossa última
noite juntos, seja como o
Big Bang, inesquecível.
Faça essa mentira valer
a pena para mim,
Faça meu sofrimento valer
a pena.
Me dê seu amor sincero,
Por mais que não seja a pessoa
que você queria.
Minta para mim e
Principalmente, minta para
Você mesma.
Me dê seu amor irrelevante.
Me entregando?
Eu não gosto de pensar,
Mas eu penso o tempo inteiro
em você.
Eu odeio esperar,
Mas eu espero o tempo que
for preciso por você.
Oh Deus...
Estou tão apaixonada,
Tão apaixonada.
Talvez pela primeira vez,
Eu esteja me entregando a
alguém.
Oh, garoto, você tem
poder sobre mim.
Impossível isso ser normal.
Há milhares de coisas que
eu gostaria de falar sobre você,
Mas seria como citar todas
as estrelas que existem.
Saindo dessa escuridão pela
primeira vez.
Seja minha luz.
Adaga de dois gumes
Parar de ser eu, para ser o que
a sociedade quer que eu seja,
Eu prefiro a morte.
Você me disse isso, sinceramente
eu não entendia.
Mas quanto mais eu te conheço,
mais eu te entendo.
Esse teu amor que te protege,
É o mesmo que te prende.
É como uma cela cheia de
espinhos, não deixa que
ninguém se aproxime, porém,
Você também não consegue sair.
Não fazia sentido para mim
esse teu jeito rebelde,
Agora eu entendo, sua maneira de se expressar.
Você é forte, a cada dia que
se passa eu te admiro mais.
Quero mais tempo ao teu lado.
Máscaras
Eu te olho e sei que você não
é verdadeiro comigo.
Mas, tudo bem.
Todos nós escondemos nossos
verdadeiros eu, tampando
tanta fraqueza e insegurança
através de máscaras.
Seria hipocrisia lhe pedir para
tirar esta tua máscara, até
porque, eu não sei se te
mostraria a ti meu verdadeiro rosto.
Tenho medo de que você me
conheça e não goste de mim.
Na verdade, eu tenho medo
de que eu não seja essa
mentira que eu inventei.
Então continuaremos neste
baile de máscaras, pelo resto
de nossas vidas.
Dançar pra sempre.
Meu Desejo, Meu Sistema
Se eu tivesse um recurso,
não ergueria muros, nem prédios altos.
Eu compraria um pedaço de chão,
onde o céu pudesse dormir comigo.
Não sonho com domótica,
nem com a pressa das avenidas,
mas com o cheiro de terra molhada
e a conversa das folhas ao vento.
Queria um sítio não de fuga,
mas de reencontro.
Onde as frutas amadurecem com o tempo
e não com o código de barras.
Onde o galo me acordasse,
e a fome fosse saciada
com o que as minhas mãos tocassem:
milho, couve, mel silvestre.
Queria ouvir o canto das aves,
e não os alertas do celular.
Queria cochilar no embalo das árvores,
não no zumbido das máquinas.
Sonho com um lugar onde eu possa pertencer
e não apenas funcionar.
Onde viver não seja resistir,
mas florescer.
E se um dia o mundo voltar pra si,
quero estar ali
plantando, colhendo,
e sendo só...
ser.
Mas construíram torres com fios e luz,
prometeram o paraíso em telas,
a palavra virou dado,
o afeto notificação.
Chamaram de avanço,
mas esqueceram os passos de quem varria o chão,
de quem atendia com voz quente
e sorriso invisível no balcão.
As máquinas chegaram.
Tão velozes, tão eficientes,
mas frias,
jamais perguntarão como foi seu dia.
A inteligência é artificial,
mas a ausência é real.
O robô trabalha sem descanso,
mas ninguém pergunta
quem perdeu o sono e o salário.
A utopia foi vendida em pacotes de dados,
mas não coube no prato de quem sonhava
com um mundo menos duro.
E enquanto os donos do código brindam no alto,
lá embaixo,
um silêncio automático responde ao desemprego:
"Desculpe, não entendi sua solicitação."
Eu formo a luz e crio as trevas,
promovo a paz e causo a desgraça;
eu, o Senhor, faço todas essas coisas.
Ao tentar fazer alguma coisa, não diga:
* Eu Não consigo!
* Não sei fazer
* Eu Não dou conta.
* È muito dificil!
* Tudo acabou, é o fim!
* So eu que não dou conta!
* Tudo so acontece comigo! .... etc.
Troca as palavras por:
* Pode me ajudar a fazer?
* Ainda não sei, mas posso aprender!
* Quero aprender!
* Vou tentar, eu posso conseguir, mesmo sendo dificil pra mim!
* Aconteceu comigo, mas aprendi e vou me superar.
* Tudo é aprendizado, mesmo eu errando tanto.
Obs: Não Diga NÃO antes das frases, isso limita seu celebro a esforça para novos aprendizados!
INCÓGNITA
Eu brado dentro de mim
Onde encontro a solidão
Descolorindo o carmim
Do meu triste coração
A tristeza é o caminho
Que eu trilho sem noção
Traduzindo a incoerência
De minha efêmera razão
Meu sentimento indefeso, confuso
Se esquiva da paixão
Que tenta fazer morada
No meu eu sem compaixão
Após as léguas tiranas
De tristeza e solidão
Aporto minha incerteza
De que sou, o que não fui ontem
Abrandando o coração.
ESPERANÇA-PB: SAÚDO COM SAUDADE:
Esperança, eu te saúdo pelo teu aniversário de 88 anos de vida bem vividos, me regozija a alma em poder contemplar tua beleza física, teus monumentos históricos, tua economia viçosa, teu povo festivo e hospitaleiro, teu semblante ainda bucólico, num clima ameno e conquistador, que outrora atraiu dos mais longínquos torrões, novos a ti habitar, Esperança de filhos renomados no cenário politico, artístico, literário e financeiro, mil perdões te peço, por não externar seus nomes, talvez no afã de não pecar por omissão, saúdo a todos que já não habitam esse plano terreno, e beijos no coração dos que ainda degustam teu sentimento lúdico.
Não obstante, maior que a saudação, é a saudade de tua adolescência e juventude, quiçá, eu trocasse toda sua exuberância presente, por tua ingenuidade e, candura de ontem, saiba minha querida e amada Esperança, trocaria teus prédios futuristas, pelas singelas casas de tua infância, onde se dormia sem trancas, teu asfalto fervilhante, pelas ruas de sapê onde crianças no ápice de sua inocência, as riscavam em suas duradouras brincadeiras de rua, tais como – Barra bandeira, enfinca, gata magra e Etc.
Oh! Esperança dileta, sem sombra de duvidas, trocaria teus famigerados monstros financeiros, pelo saudoso SINE SÃO JOSÉ, teus restaurantes chineses, pelo inesquecível e acolhedor bar do Vicentão, tuas Lan Hauses e teus Ciber. Cafés, pelos simpáticos e saudáveis assustados no saudoso Caobe. Quanta saudade de minha antiga Banabuiê, aonde não havia polícia, e pai emprestava dinheiro ao filho sem lhe cobra juros, onde os homens se confraternizavam sem drogas, e as famílias não comiam politica e primavam por sua unidade, mesmo com todo o pragmatismo atual, morro a cada dia de saudade do teu paradigma infanto-juvenil.
Sobretudo, amada minha, pretendo ser teu causídico até que a morte nos separe.
SAUDADES DA INFÂNCIA:
Eu era pequeno de nada sabia
Brincava e corria exposto ao sereno
Naquele terreno de grande tamanho
Hoje não me acanho em exaltar ele
Pois tomei nele meu primeiro banho
Oh! Como se foi depressa janeiros
E após dezembro
E com muita saudade me lembro
Do tempo que ali passei
Não é que o encanto da vida de idoso
Eu não compreenda
Mas a vida de menino
Nunca me sai da lembrança
E como nuvem de fumaça
Nunca, nunca esquecerei.
A CRIANÇA QUE PERDI:
Esta noite eu não dormi, com meu siso,
Decidi... Viajei no passado (...).
E presente me encontrei com a criança
Que havia deixado a chorar na estrada sem tino
Do alto do consciente, a vi... E entendi.
Pra rever meus sonhos, planos, e desejos...
Eram todos fúteis!
Nasciam da fértil e quimérica imaginação
Daquela homérica criança.
Neste instante, inexoravelmente anseio
Seu resgate
Porém não me é dado êxito
Ah! Meu mundo surreal
Ofusca a aura clara
Do régio ser que um dia fui.
E dormi apenas eu...
CANSADO DE SER VIL!...
Eu estou trêmulo de agonia
Cheio de cansaço... Todo o cansaço
Que o mundo me pode ofegar,
Cansaço do labor,
Cansado de fragrâncias... E seus fregueses,
Cansaço da leitura que não se ler,
Dos mestres a mestrear a metafisica,
Cansado de pecar
Pelos crentes que não pecam à vida,
Por um deus de igualdade.
Que deus não sei...
Eu...
Pechoso? Incógnito? Divinal?
Eu...
Assim como a noite ofusca-me o brilho do olhar
Cansado sinto-me da vileza de todo eu...
Na incógnita do existir e ser.
Cansado de tudo que nada somos
Cansado de me ser vil, reles, imperfeito,
Ao que me parece, não há gente no universo!
Todos perfeitos, nobres, magníficos.
Eu sou eu,
Permaneço eu.
FILHO DA OUTRA!...
(Nicola Vital)
Eu pintei o meu Deus
E marquei para mim.
Não me deram azul,
Nem dourado!
E a cor foi carmim.
Não me deram bolas,
Não me viram à hora
Que malhei toda cola
Não pintaram, enfim.
Não brindaram-me a escola,
Onde rola a bola
E a bola rola
Só na cor de cetim.
Eu fiquei de fora,
facultaram-me a esmola
Meu padrão é morim
E o Deus de nanquim.
02Set2015.
MEU ALENTO:
Quando eu morrer,
Não me facultem alarde ou risos!
Não me chorem amargos sisos!
Eu não chorei nem sorri.
Quando eu morrer,
Se assim, o for meu querer,
Os ouvidos, guardai em potes de vidro
Pra que não possa te ouvir.
Sobre os meus olhos,
Plantai no mais alto dos outeiros
De frente pro mundo inteiro
Para eu ver, quem chora ou sorrir.
Quando eu morrer,
Só a língua deixai ao relento
Pra não calar o que sinto
E reportar o porvir.
E só quando eu morrer,
Separem do corpo o nariz
Esse aos eflúvios condiz
Guardem-no, nos florais,aos jardins.
Às vezes, eu penso que quero,
Repasso...
Bem mais, muito mais, que demais
No passado...
Nos bancos da sala de aulas.
Na igreja, ou no carro,
Se macho ou fêmea,
Se branco, negro ou mulato.
De posse, ou sem sorte.
Se mora no gueto, na praça
Ou resort.
Está em cartaz!
No fardo dos imparciais
Sob o crivo do “coitado”
Que fere, não mede,
O quinhão dos iguais.
FARSA:
Não me apraz
O ouro ou a prata
Eu nasci sob a casta
Que mata...
Meu coração?
Um misero palhaço
Não me impunha raça...
Não me faculta graça...
A construção poética, uma carcaça
Uma medonha farsa!
É flor sem perfume
Sonho que se sonha sem sonhar.
Não me apraz
O riso vulpino do poeta
Sobre a dor que tingida
De certo é dor fingida...
EU!...
Encontro mas não percebo
Tenho mas não possuo
Vejo mas não alcanço
Gosto mas não saboreio
Sonho mas não acordo
É melhor dormir sem ter...
Que acordar sem ser...
EU E EU...
Ontem, meus sonhos se fizeram auspiciosos
Você nutria minha Esperança...
O meu corpo se fez um declínio,
Entre eu e eu.
E hoje, tudo é sonho sob sonho surreal!
Sonhar-te é possuir-te!
Possuir-te é um sonho.
É sonhar mais perto de ti.
Os corpos são fantasmas sem nexo
Sobre precipício que nem margem possui...
Eu me conheço e meu pensamento é avaro
As horas passam...
E meu sonho... é meu.
