Poesia eu sou Asim sim Serei
Relato de um sobrevivente:
Parece que o mundo está em obras. Menos eu, que também preciso de reforma, mas não agora. Gostaria de fugir daqui, mas estou sem disposição para sair. Gostaria de chegar a um lugar tranquilo, mas sem ter de ir. Estou sem coragem até mesmo para respirar.
Fincada na areia eu patinava o mar que serpenteava a areia que era fincada por mim e se abraçava entre meus dedos dos pés. Andava rumo ao norte e estendia a vista à direita enquanto um ou outro peixe pululava entre as quebras das ondas.
E cruzava eu a areia, o mar, o peixe e um ou outro pescador que lançava a rede ao mar, água até à virilha salgada, ou lançava sua vara, fincado à areia -"Boa noite" -"O que se pesca aqui?".
Olhava acima, pipas serpenteavam o céu que devorava o mar que serpenteava a areia. Não eram pipas, mas morcegos presos à linhas seguradas por crianças que corriam e riam esgoeladamente.
A lua cheia banhava a todos, impassível por ter visto tudo. Vez em quando, o farol amarelo de um avião iniciava sua procura no mar até que suas várias agulhas me encontrassem. Pescadora eu, as cravava em meus olhos e o arrastava mar afora até que pousasse em minha nuca.
Me despedia, sem querer ir, mas sem ter mais o que percorrer, fechando os olhos e erguendo queixo acima. Meia volta: -"Boa noite" -"O que se pesca aqui?".
4 de fevereiro, 2023. Praia em Vitória
Teço tu, mas não me comprometo.
Irresistível na sua singularidade. Irrestível.
Sem que eu saboreie o suor da sua mente ou do teu corpo... e a vida passa.
E outros chegam e não me compram, desgraçadamente.
Enquanto isto te teço com zelo, mas mui discretamente.
Quando um dia te ver despir-se displicentemente (as pessoas se despem o tempo todo. É o que elas fazem. Seja no motel, buteco ou banco das decadentes Universidades) é capaz que não te reconheça.
Mas, por você, desço do meu pedestalzinho de pessimismo cômodo:
E se você for melhor que meus melhores tecidos?
Será meu eternamente.
Ontem tecia para ele que sentia que o conhecia de outras vidas - sem que eu mesma acreditasse na minha própria teoria. Pilantragem misturada à romance barato. Assumo minha mediocridade, e a assumo já sem tanta vontade de esmurrar a cabeça numa porta alheia ao lado do Satélite. Fiz isso hoje por graça, e se ele riu está tudo certo.
Hoje um outro ele me disse o mesmo.
Bom, ou os peixes fora d'água convergem em teoria, ainda que não necessariamente acreditem nela (e vai lá saber o que diabos são os tais "peixes fora d'água") ou as também tais "outras vidas" são excelentes para nos livrar do tédio desta.
A pergunta que não quer calar é: vivi ontem de maneira mais tesuda que vivo hoje?
31/03/2024. Ouro Preto.
A AMIGA
Não sei se te digo ou se não,
Que contigo eu espanto a solidão.
No início, era só amiga; depois, o remédio pro meu coração.
Eu gosto do vento.
Ele traz a mensagem de que tudo passa.
Ele pode te dar aquele sopro geladinho e refrescante que te faz fechar os olhos e sentir que vc existe, mas as vezes,
ele vem com tudo e te derruba.
Eu gosto do vento.
Do jeito que ele balança meus cabelos pra trás, acaricia meu rosto e me traz paz.
Eu gosto do vento.
Eu não o vejo, mas sei que ele está ali
pronto para me fazer sentir viva.
A Compreensão é sempre o exercício mais difícil. E eu vou vos dizer o porquê.
Compreender algo significa vê-lo em sua essência (enxergar seu âmago, sua alma), conhecer sua função, sua aplicação na vida. O motivo de algo ser o que é pelo tempo em que precisar sê-lo. Compreender, no entanto, não implica aceitar. Apenas conhecer algo (um conceito, uma ideia, um assunto etc.) em sua essência.
Quando eu deixar esse corpo e, alguém pensar igual a mim, eu voltarei?
Faria eu, parte de algum sentimento? Ou ficarei indo e voltando em meus pensamentos?
Imaginei um lugar pequeno no espaço, onde só caberia a mim, estava tudo escuro; contudo, continuava escutando vozes e, pela voz eu tentava imaginar como seria essa pessoa. Não via suas expressões nem seu porte físico, apenas teria de confiar em suas palavras.
Tudo era escuro. Pessoas procurando pessoas. Todos flutuando num pedaço de terra no espaço.
Um dia me perguntaram sobre a transcendência, se eu acredito em alguma parte de sua suposta sagrada essência. Minha resposta, uma questão em contraparte, com simplicidade respondi, lançando outra pergunta no ar; Descobriste aquilo pelo qual morrerias? Se a resposta for não, ó alma inquirida, ainda não encontraste a luz que te conduzida.
Se por nada morrerias, meu amigo, significa que és teu próprio abrigo. Em ti reside o valor mais precioso, tu és o âmago, sublime e grandioso.
Porém, se há algo pelo qual ousarias tudo, então encontraste o bem que te conduz, pois aquilo que em ti suscita tal paixão, é a maior noção de sublime elevação.
Pode ser algo ou alguém; como a verdade, a justiça ou o amor. A causa pela qual te entregas com fervor. Qual causa te faz voar além do aqui? Transcender é lançar-se além do comum.
Para Sócrates, a justiça; para Giordano Bruno e Hipátia, a verdade; para Jesus, o amor.
A verdadeira transcendência reside na imanência, naquilo que em ti ousar e te guiar.
Isto é, se tua resposta é negativa, uma inquietude ainda habita em teu ser, pois a transcendência ainda tens que conhecer, porque somente quando encontras o propósito que te arrebata o coração, desvelas a verdadeira face da transcendência, a sublime conexão.
Se nada encontrar que te mova a sacrificar-te sem hesitar. Então és, em ti mesmo, o valor supremo a contemplar; aquele que não morreria por nada é o seu próprio cume, em seu ser reside a grandiosidade que transcende o costume.
A contrário sensu, aquele algo pelo qual ousarias enfrentar qualquer desafio, é vislumbrar a maior noção de transcendência que a alma traga. Na busca do que te eleva além, encontra-se a tua chama, a única conexão com um sagrado, a essência que te chama.
Eu caminho sem rumo, sem destino, sem saber o que me espera além do horizonte, além do ser. Eu busco novos ares, novas terras, novas cores. Eu fujo das prisões, das dores, dos horrores.
Eu sinto o desejo de viajar, de me aventurar, de conhecer o desconhecido, de me deslumbrar, de ver o mistério se revelar, de me surpreender, de sentir a vida pulsar, de me renascer, de sentir a vida que se move, que se renova.
Mas eu sou um cativo, um refém, de um corpo, de uma mente, de um lar, de um alguém, de um presente. De uma realidade que me oprime, que me consome, de uma humanidade que me afasta, que me abandone.
Eu sonho com a natureza, em sua beleza. Eu lembro da época em que eu era parte dela, em que eu era uma centelha. Eu anseio por voltar a ela, por me integrar a ela, por me libertar dela.
Eu quero viajar sem fim, sem limite, em busca de um caminho sem razão, parece que em parte alguma estou em paz, sempre a desejar um novo cais. Uma ânsia sem fim, pelas terras desconhecidas, o mistério, o desconhecido me atrai, enquanto minha alma se perde, se vai.
Aprisionado em tudo o que não sou. Eu sou um estrangeiro, em todo lugar, em todo tempo. Em busca do Éden perdido, vagando sem destino, pois somos todos eternos nômades, em busca do divino. Enquanto me perco nas ruas de concreto, a minha alma anseia pela simplicidade da terra, o aroma das flores, a luz do dia.
Na busca pelo amor eu me perco, em devaneios, sonhos e esperanças, sinto a alma pulsar, o coração arder, e a solidão apertar, como uma lança.
Procuro nos olhos do outro a cumplicidade, a ternura, o afeto, a felicidade, mas muitas vezes só encontro desilusão, e me pergunto se há, afinal, alguma solução. Certa vez encontrei quem abracei e senti a força das minhas emoções, mas não era eu o sonho que desejavas, nem a ilusão que procuravas.
Ah, como seria bom encontrar alguém, que me amasse como sou, sem pudores, que me aceitasse com todas as minhas dores,
O amor é uma sorte, o talvez da escassez, quem sabe um dia vai bater em minha porta e me preencher de vez.
Para mim, a vida é uma jornada sem um propósito definido. Não há um guia celestial a quem eu deva ser submisso.
Mas isso não me torna vazio, nem me deixa sem esperança, eu encontro significado na conexão humana. No abraço de um amigo, no riso de uma criança, no amor que compartilhamos, ena luta por mudança.
Não preciso de uma divindade para encontrar beleza e verdade. Minha fé está na humanidade ena capacidade de amar de verdade.
Não há pecados ou redenção, apenas a responsabilidade da ação, ese errar, eu mesmo assumo, não culpo um ser imaginário por nenhum fumo.
Eu vejo beleza na natureza, na ciência e na sua grandeza. Nãohá necessidade de um criador para admirar a complexidade do universo em flor.
E é aqui, na Terra mesmo que devemos aprender a ser. Não sou ovelha de um rebanho conduzido pela vontade de um ser que nunca foi visto. Prefiroseguir minha própria consciência, e viver minha vida com liberdade e coerência.
Não busco respostas prontas em livros sagrados, mas sim na razão, na ciência e nos fatos comprovados. Minhafé é na humanidade e na sua capacidade deevoluir e construir uma sociedade com igualdade.
Assim sou, sem medo do fim, pois sei que minha vida tem sentido em mim, eque minha existência não é em vão, pois a felicidade não depende de uma religião.
Não preciso de orações para sentir a paz interior, basta viver com empatia, eamor ao próximo, sem temor.
Ateísmo é a única escolha para aqueles quequerem viver uma vida plena, sem depender de um ser imaginário, eencontrar significado em nossas próprias vidas, aqui e agora.
Em teu caminho, muitos se perdem sem luz
Mas eu, como um guerreiro, luto contra a luz
E procuro encontrar minha verdade, minha razão
Sem medo de encarar a escuridão
Porque sei que é nela que se encontra a força
A força que move o universo, a força da vida
E eu quero viver como um verdadeiro guerreiro
Sem temor de enfrentar a dor, sem medo de sofrer
Porque é na dor que se encontra a sabedoria
E é na sabedoria que encontraremos a verdade
Então, eu sigo em frente, sem medo de cair
Porque sei que, no final, encontrarei a minha luz
E viverei como um ser livre, como um ser humano.
Prometeram dar de tudo pra mim,
Só preciso abrir mão de você.
Eu amo um drama, meu amor, mas enfim,
Acho que eu talvez prefira morrer,
Do que viver num mundo sem ti,
Só por um segundo não poder mais sentir... Sua presença.
Eu aceito o fim, só não aceito a sua ausência.
Ah! Meu amor, eu te amo acima de qualquer forma. Se um dia você me devolver o meu coração seria um homem mais feliz.
Se um dia pudéssemos nos encontrar pra eu te falar todo meu amor, seria o homem mais feliz deste mundo. Ah! Se deus me ouvisse trouxesse pra mim aquela que um dia partiu deixando a tristeza dentro de mim, como canta Chitãozinho e Xororó.
Meu amor por você ainda é tudo.
"Por mais que eu tente,
Jamais conseguirei decifrar,
Esse misterio que existe,
Dentro do seu olhar"
"Por mais que os dias passem, e as semanas cheguem ao fim. Do seu lado eu nunca irei sair,
Pro nosso Amor nao ter fim.
A sensação da Morte é muito agoniante,
Deixa todos Nós, com a mente muito frustrantes.
Queria Eu, não ter essa mente e viver em um Mundo deslumbrante.
A vida é um sopro.
E nesse sopro, eu vou vivendo.
Te levando e te guardando sempre em meus pensamentos.
