Poesia eu sou Asim sim Serei
É fácil olhar de fora e dizer o que eu deveria ter feito. Difícil é saber o peso que eu carregava quando precisei escolher.
Você viu minhas decisões, mas não viu as opções que eu tinha, as dores que carregava, as consequências que eu temia, as pessoas que eu tentava proteger, os riscos que precisava calcular, as responsabilidades que pesavam sobre mim e as batalhas que eu travava em silêncio.
É fácil julgar uma escolha quando não se conhece o peso de quem precisou fazê-la.
Se hoje eu faria diferente?
Talvez sim, talvez não.
Mas não porque você estava certa. E sim porque hoje eu sei o que, naquela época, eu ainda precisava aprender.
Então não julgue minhas escolhas de ontem com a clareza que só o tempo me deu hoje.
Meus mais sinceros agradecimentos a você.
Só depois de me quebrar
Que eu pude encontrar alguém para me completar
Eu quero navegar...
Nos seus devaneios
No seu olhar
Nos seus anseios.
Te quero por inteiro
Para fazer-te meu canteiro
Regar e não deixar ser passageiro.
Do silêncio em mim
E eu não lhe disse nada...
E, o silêncio que se fez em mim, disse-lhe tudo.
No peito ficou guardado o que não encontrou coragem na voz.
Engasguei-me com a dor e o medo do som das palavras que poderiam de mim sair.
E cá estou eu: vivendo há séculos de frases inacabadas... palavras tartamudeadas, balbuciadas, só dentro de mim...
O Resgate da Minha Fé em Mim
No fundo do meu coração, eu sempre soube: eu tinha a certeza absoluta de que nasci para vencer. Havia uma chama guardada em mim que gritava por realização. No entanto, cometi o erro de projetar essa força para fora. Eu confiava nos outros, apostava nos sonhos alheios, estendia a mão para aplaudir quem estava ao meu lado e acreditava piamente na capacidade de todos. Eu só não confiava em mim. Deixava minhas próprias vontades em segundo plano, duvidando do meu valor e do tamanho do meu poder. Foi preciso silenciar o mundo para perceber que a única validação de que eu precisava era a minha. Quando finalmente mudei a direção do meu olhar e decidi depositar em mim a mesma fé que dava aos outros, tudo mudou. Descobri que a vitória sempre esteve me esperando, apenas aguardando o dia em que eu aceitaria o meu próprio tamanho.
O Despertar da Minha Força
Por muito tempo, eu confesso, fiquei apenas à espera do milagre. Olhava para o céu e esperava pacientemente que Deus fosse me dar a vitória, ou que as circunstâncias da vida resolvessem conspirar a meu favor, entregando-me o triunfo de presente. Mas a verdade é que eu não ia à luta. Vivia na doce ilusão de que o destino bateria à minha porta com as respostas prontas. Até que o véu caiu dos meus olhos e eu compreendi que o plano divino abençoa o movimento, não a estagnação. Foi no dia em que cansei de esperar que decidi tomar as rédeas da minha própria história. Percebi que a vitória não cairia do céu para quem se recusa a plantar. Quando dei o primeiro passo com determinação, o milagre que eu tanto aguardava aconteceu dentro de mim: a coragem de fazer acontecer.
Você é um amado.
Eu faço tudo errado,
estrago tudo
e, você, mesmo mudo,
conserta num momento
manda embora todo tormento.
E num momento de lucidez,
peço desculpas,
digo é a última vez
que ajo com insensatez.
E você, tão querido,
simplesmente me diz:
- Não me peça desculpas,
você nunca deve se desculpar...
quando você acha que fez algo errado
é só pensar que está do meu lado...
sem você não sei o que é amar.
E, eu:
- Você não existe...
E, você:
- Existo sim... existo sempre que você olha pra mim.
EFÊMERO É VIVER
Quando tudo nasceu,
era contigo que eu estava.
Quero estar contigo
quando tudo acabar.
Só quero estar contigo.
Só quero estar contigo.
Que fosse eterno,
eu queria.
Como queria.
No passar da vida,
passa a vida.
Eterno, nada é.
Nem o que bem se vive,
porque passa.
Eu só quero estar contigo
quando tudo não estiver mais.
Téia Alves
Dias nublados
Eu gosto dos dias nublados.
Não sei se gosto do cinza
ou do que o cinza faz comigo.
Nesses dias eu fico mais quieta,
mais fechada,
mais dentro de mim.
Tenho vontade de ficar em casa,
de olhar pela janela do ônibus
e deixar o tempo passar.
O céu parece carregar
um pouco do que eu sinto.
Tudo fica mais lento e confuso.
Os pensamentos ficam mais altos.
E eu penso em coisas
que nos dias ensolarados
talvez eu nem lembrasse.
Tem dias que o cinza lá fora
combina demais
com o que existe aqui dentro.
E talvez seja por isso
que eu não tenha tanta pressa
para que o sol apareça.
Às vezes eu só precise
de dias assim.
Um dia sem precisar sorrir,
sem precisar explicar,
sem precisar ser forte.
Só eu,
meus pensamentos
e esse céu nublado
me fazendo companhia.
Amor delicado
Eu espero que minhas palavras lhe tragam felicidade
Sua simpatia e beldade
Na sua transcedencia
São uma harmonia que apelam companhia
Sua presença em minha vida
Dá-me sentido e um sentimento se alegria
Amo ao meu gesto
proclamo num acto
De entreligar
A esse seu outro lado
Um lado humano
Simples, modesto
Suave e belo
Ainda num pensamento
permaturo
Faça este amor este desejo
Em crescermos em conhecermos
Os nossos Universos
ser eterno
Para perdurar
No caminho do fluir da vida
Entre altos e baixos
Tristezas e alegrias
Para brindarmos com o que mais gostamos.
O AMOR entre os fluidos
dos nossos ciclos
que se ligam nos bioritmos dos vivos.
Ainda sentimos e amamos
Você partiu...
Você partiu...
e me partiu com os olhos,
e eu fiquei com o que eles deixaram:
um brilho perdido nas ocas paredes da vida,
uma saudade dormindo no sofá,
um vazio que tem o seu nome
e um silêncio que insiste em me lembrar
de tudo o que eu não deixei de falar.
Desde então, converso com a noite,
pergunto às estrelas se você também escuta
o eco dos meus passos
procurando seu caminho de volta.
Mas a madrugada só me oferece
o frio das respostas incompletas
e a sombra do que um dia fomos.
Guardo seus gestos como quem guarda cartas
que jamais terá coragem de abrir.
Cada lembrança floresce devagar,
mas traz espinhos sob as pétalas.
Se um dia você retornar,
não prometo palavras bonitas;
talvez eu apenas chore,
talvez minhas mãos tremam,
talvez todo eu estremeça
ao reconhecer seu rosto.
Porque há partidas que terminam na estrada,
mas permanecem para sempre
dentro de quem estacionou na jornada,
como uma chama silenciosa
recusando-se terminantemente a morrer.
Se eu fosse razão
Não seria emoção.
Se eu fosse regra
Não seria surpresa.
Se eu fosse eterna
Não seria saudade.
De tudo que eu queria ser
Eu não queria ser alimento,
nem resposta à fome em você.
Não queria ser o prato servido
àquilo que não sabe se conter.
Por muito tempo, talvez eu tenha pensado
que era preciso oferecer pedaços de mim,
para que o apetite dos outros, saciado,
enfim encontrasse um fim.
Mas hoje eu sei, com clareza e verdade:
não quero ser carne,
nem corpo exposto ao olhar,
nem presença invadida
por quem só sabe tomar.
Não quero ser usada,
rasgada, consumida,
só porque alguém não aprendeu
a cuidar da própria ferida.
Eu tenho limites,
tenho medo e frustração,
tenho partes que não entrego
sem antes tê-las nas mãos.
Há pedaços de mim
que ainda estou a conhecer,
e não posso oferecê-los
quando ainda não sei ser.
Também há coisas que só consigo dar
quando algo chega até mim;
só consigo abrir minhas portas
quando encontro espaço, enfim.
Só me entrego quando recebo,
só floresço em conexão,
só me abro por inteiro
onde existe acolhimento e mão.
Não me entrego ao vazio,
nem à pressa de quem quer tomar.
Minha entrega nasce do encontro,
do cuidado que sabe esperar.
Nasce do toque delicado,
da presença que sabe ficar,
de um abraço que me alcança,
de um beijo que sabe chegar.
Porque eu não nasci
para a fome dos outros saciar.
Não sou pedaço, nem promessa,
nem lugar para alguém se alimentar.
Eu nasci para o encontro,
para a troca e a comunhão;
não para ser consumida,
mas para viver reciprocidade no coração.
Hoje eu fiquei pensando nas pessoas.
Nessas pessoas que a gente chama de comuns.
Talvez porque a palavra “comum” pareça pequena demais para tanta coisa que uma pessoa pode carregar dentro de si.
Pensei que talvez o extraordinário não esteja necessariamente naquilo que alguém faz, mas naquilo que ninguém vê.
Na pessoa que acorda todos os dias e continua, mesmo quando não está bem.
Naquela que carrega seus próprios medos e, ainda assim, consegue acolher os medos de alguém.
Na que já foi ferida, mas não deixou a dor decidir completamente quem ela seria.
Na que recomeça em silêncio, sem aplausos, sem testemunhas e, muitas vezes, sem nem perceber que está sendo corajosa.
A gente olha de fora e vê uma vida comum.
Mas não sabe quantas batalhas existem por trás de um sorriso.
Quantos sonhos ainda estão guardados.
Quantas vezes aquela pessoa precisou se reconstruir para chegar até ali.
Talvez sejamos todos um pouco assim.
Comuns aos olhos de quem passa.
Extraordinários para quem consegue enxergar além da superfície.
E fiquei pensando...
Talvez o extraordinário não seja ser diferente de todo mundo.
Talvez seja conseguir continuar sendo você, com tudo o que a vida já tentou tirar de você.
Talvez existam pessoas extraordinárias por toda parte
Eu costumava dizer exatamente as mesmas coisas.
Mantive a calma e não me meti em confusão.
Achei que a luta me fortaleceu.
Como se eu tivesse sido feita para nunca desistir.
Mas eu não consegui consertar, não consegui merecer.
Não consegui me limpar de alguma forma.
Eu me libertei daquilo que estava me matando.
E eu não sou mais o mesmo homem.
"Pensando, eu consigo consertar o passado
Sonhando, eu vivo o presente angustiado
e com ela eu faço o futuro
mas longe dos meus braços."
"Dentro dos seus olhos eu vi refletir uma linda jovem de calça xadrez a sorrir.
Dentro do seu corpo eu sinto o universo em mim,
dentro do seu cheiro eu não quero partir
e ao seu lado tudo teve um fim."
"Andei pelas ruas tentando não pensar em você
Estava tudo vazio, num domingo, e eu queria tanto te ver
e os minutos nunca passavam das horas.
O tempo parou com sua face soprando na minha alma a sua memória."
"Me libertem, eu quero agora a liberdade
Não vou deixar para mais tarde
Não vou mais celebrar a ignorância da sociedade"
Ode ao Vinho Eu Ofereço
Ó vinho, sangue da terra e do sol,
líquido rubi que dança no copo,
filho da videira que o tempo moldou
e a mão do homem elevou a ouro.
Nasce no silêncio das colinas,
amadurece sob o olhar do céu,
guarda no seio o fogo das estações
e o sussurro dos ventos antigos.
Quando te abro, o mundo se dilata:
o tinto queima como paixão antiga,
o branco canta leve como brisa,
o rosé sorri entre o dia e a noite.
Tu és memória e esquecimento juntos:
trazes à mesa os amigos distantes,
apagás as feridas do dia cansado
e acendes no peito a chama da festa.
Ó vinho, companheiro dos poetas,
aliado dos amantes e dos sábios,
tu que fazes o tímido falar
e o solitário sentir-se povoado.
Levanto o cálice e te saúdo:
saúde à terra que te deu a seiva,
saúde às mãos que te cultivaram,
saúde a quem te bebe com respeito.
Que cada gole seja uma oração
à vida que passa e ao prazer que fica.
Viva o vinho,
viva quem o ama,
viva a mesa onde ele reina.
