Poesia eu sou Asim sim Serei
legado
os poemas sempre ficam
são guardamos na emoção
quem escreve os ratificam
na imaginação da inspiração
quem os lê se transformam
e viram parte da narração...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
Sob os pés dos vândalos
as pedras arrasam-se.
Do chão limpo os pacíficos
erguem torres bíblicas.
Os rebeldes, de árbitros,
destroem os ídolos.
Os dóceis, na dúvida,
valorizam as órbitas.
A fibra dos bárbaros,
a astúcia dos tímidos.
A menina selvagem veio da aurora
acompanhada de pássaros,
estrelas-marinhas
e seixos.
Traz uma tinta de magnólia escorrida
nas faces.
Seus cabelos, molhados de orvalho e
tocados de musgo,
cascateiam brincando
com o vento.
A menina selvagem carrega punhados
de renda,
sacode soltas espumas.
Alimenta peixes ariscos e renitentes papagaios.
E há de relance, no seu riso,
gume de aço e polpa de amora.
Reis Magos, é tempo!
Oferecei bosques, várzeas e campos
à menina selvagem:
ela veio atrás das libélulas.
Meu pensamento em febre
é uma lâmpada acesa
a incendiar a noite.
Meus desejos irrequietos,
à hora em que não há socorro,
dançam livres como libélulas
em redor do fogo.
Passarinho livre
Um passarinho precisa de liberdade
Precisa sentir saudade
Precisa escolher seu destino
Precisa conhecer o desatino
A solidão, a frustração, a decepção
Só não espere a mesma gaiola à disposição.
CÉU DO GOIÁS (soneto)
Agiganta as nuvens no alvo encarnado
Do céu do Goiás, da vontade de gritar
O horizonte longínquo tal qual o do mar
Se estende em rede por todo o cerrado
O sol no amanhecer rubra de encantado
Mantém-se altivo após o confidente luar
Desfolhando em quimera pro nosso olhar
Tingindo o entardecer dum avermelhado
No breu da noite a céu se veste estrelado
Cintilando na escuridão e nele a poetizar
Poemas tão singelos num silêncio calado
Então, a alma ao testemunhar, põe a chorar
Um choro portento dum puro e só agrado
Onde o poeta das Gerais aprendeu a amar...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Agosto de 2018
Cerrado goiano
Dia do Poeta
Um dia foi escolhido
20 de outubro
Uma data para lembrar
Daqueles que escrevem
O que o coração não sabe falar
Frases
Pensamentos
Reflexões
Rimas
Estrofes
Imaginação
Sentimento
Personagens
Vida
Numa poesia, cabe o que quiser
O que coração desejar
Poetas
No silêncio do quarto
Com um bloco de notas ou um caderno, tanto faz
O importante é levar a palavra
A quem o coração tocar
Poeta é o amante das palavras
Daquilo que escreve de verdade
Em cada linha escrita
Em cada rima feita
A poesia em forma de canção
Forma vai tomando
Poetas
Que nunca lhe falte
O coração puro
O amor sincero e mais profundo
As palavras que inspira
Para que em rimas
Transformem sentimento em poesia
Parabéns, poetas,
Que seu dia seja lembrado!
Seja comemorado!
Seja poesia
Em forma de vida!
O amor persiste, tudo passa
O ciclo lunar
A saudade a apertar
O medo do obscuro
O pensamento descuro
A solidão a atormentar
A ofensa a machucar
A tempestade que amedronta
A ignorância que afronta
A felicidade em gomos
A diversidade que opomos
A ingenuidade que acredita
O xingamento que irrita
O ato que envergonha
A moral sem vergonha
O desamor que insiste
Tudo passa! O amor persiste…
Então, aos que desconfiaram
Revelo: amei e me amaram!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
03/03/2009
Rio de Janeiro
A SOLIDÃO QUE INQUIETA (soneto)
A solidão que inquieta, pesar repicado
Da distância, que a lamentar me vejo
Não basta o choro por estar separado
São infortúnios do fado que lacrimejo
Tão pouco é saber que sou amado
Nem só querer o teu olhar: o quero
Muito. Este sentimento tão delicado
Onde os versos rimam no teu beijo
São saudades que no peito, consomem
Que não me acanham, e é tal pobreza
Do vazio, por eu não ao teu lado estar
Mas eleva o afeto dum piegas homem
Ser de erros sempre e, na maior pureza
Existir no amador e humanamente amar...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2018, agosto
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
LONGE DE TI (soneto)
Longe de ti, se lembro, porventura
Do teu olhar, que outrora me fitava
O teu afago na sede é de só tortura
E ter-te agora da saudade é escrava
Tal aquele, que, escuta e murmura
O teu cheiro, que a poesia escava
Já uma sorte maviosa e tão pura
Tristemente, a expectativa forjava
Porque a inspiração tem seu nome
Nos versos com a parva alma calada
Cuja a recordação só me consome
E como o desejo assim não quisera
O destino riscou uma penosa cilada
E aqui, ainda, o meu amor te espera!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Amargas
.
As pessoas estão amargas
Não feito o café, que forte e amargo nos mantém acordados
Amargas
Chatas
Sim,
Amargas
Qualquer comentário ou frase
Várias pedras sem defesa são atiradas.
O bom senso anda em falta.
As pessoas estão amargas.
Lhe faltam o amor
A empatia
A amizade
A cordialidade
O respeito
.
Estão amargas
Desejo que seja somente uma fase
Que logo passe
E que talvez com uma ou duas colheradas de açúcar
A deixem mais doces
E se for pra ser amargo
Que seja como o chocolate
Pois até é o mais amargo dos chocolates
É capaz de oferecer o prazer
.
As pessoas estão amargas
Faça então diferente
Entregue o sorriso
O doce
A alegria da vida
E quem sabe assim
Tu seja o açúcar
Que aquela pessoa amarga precise
.
Seja diferente
Seja doce
Seja alegria
.
~ Henrique Ferreira - @dullcesilencio
Geração de homem
.
Geração de homem mimado
Que quer chegar
E encontrar
Casa
Roupa
Comida
Tudo pronto
Tudo lavado
.
Geração de homem
Que não enxerga
A mulher
A parceira que tem
Que exige
E nada em troca faz
.
Que fala
Que manda
Que quer
E pronto
É assim
E será assim
.
Geração de homem
Que merece
Ficar sozinho
Sem ninguém
.
Que a mulher enxergue
O quão grandiosa ela é
E não aceite
Não se sujeite
Não permita
Que homem nenhum
Mande
Ordene
Diga o que ela deva fazer
Levante a voz
Ou a mão
Não permita
Tenha vez
Tenha voz
.
Fale o que pense
Se expresse
Seja mulher
.
Geração de homem mimado
Que olha
Assobia
Busca a marca a calcinha
Falta com respeito
Para inflar o ego
Machista
.
Mulher
Que você
Tenha o respeito
A admiração
A valorização
Seja cuidada
Não por precisar
Mas por reciprocidade
.
Mulher
Não permita
Que a geração de homem mimado
A impeça
De sorrir
De viver
De fazer
O seu melhor!
.
Levante
E vá longe!
.
~ Henrique Ferreira - @dullcesilencio
OCASIÃO (soneto)
A coerência lá se foi tão espantada
por um tropel de vândalos da rudeza
E mesmo o depois de tanta clareza
quedam robóticos, sem mais nada...
No escarcéu disperso, contos de fada
O veras, sem exatidão, e sem defesa
expõe toda a burrice e a estranheza
do revelado na dada outra jornada...
Sobra “Inania verba”, nenhum intento
ao mourejar hercúleo do lhano cidadão.
Indiferentes, só importa o seu contento!
Mas não é meu. Se afasta da tal meta
de parceiro, de irmão, fazer a ocasião
Cria-se curvas, e não a essencial reta...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Vivendo numa ilusão
Oh senhor meu Deus
Por que issso aconteceu
Por que ela amei
Sendo que nunca a terei
Pois por ela me apaixonei
Mais ela ja está a amar
Um outro alguém
O que me resta e a amargura
Pois sei que nunca a terei
Por isso peço tirei essa dor
Se não eu mesmo acabarei
Morrendo por causa desde amor
Não sou poeta e nem romancista
Muito menos escritor
Sou apenas um humilde
Que reconhece essa dor
Que me faz refletir
De no mundo em que vivo
Possa existir
Um verdadeiro amor
OLHO-TE: (soneto)
Olho-te - o espanto de meus olhos salta
- Da tua boca o beijo num delicado cheiro
De tuas mãos aquele cuidado prazenteiro
Tudo de tua poesia sinto uma grande falta
Toda a nossa estória: - aqui nesta pauta
Do meu primeiro: - olá, o nosso primeiro
Encontro; - me completando por inteiro
Tudo neste poema é som de doce flauta
Sinto o palpitar no peito não mais calado
Quanto mais escrevo, mais de te anseio
Mas olho-te, em ti o meu destino amado
Ouço nas lembranças cada tal passeio
Cada sorriso, sempre aqui ao meu lado
Incitando comigo cada desejo que freio
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Fevereiro de 2019
cerrado goiano, 05'20"
Olavobilaquiando
Tive medo de escrever.
Medo de não o saber;
Medo de não querer;
Medo do poeta não nascer;
Medo de que ele viesse a morrer.
Mas agora eu entendo, e ele não precisou nascer. Sempre esteve aqui, sempre a escrever.
A sensação de não pertencer;
A sensação de não querer;
A sensação de não poder;
A sensação de não te ter;
A sensação de não ser;
A sensação de morrer;
Disso tudo quero correr;
Só não de você.
O tempo me cura e me prende,
Passa e enrola,
Me bate e me acolhe.
O tempo mostra a verdade,
Mas demora…
Exilado
A lua me exilou na noite solitária
Me jogando em um isolamento
Onde a alma se sente precária
No ter e não ter o sentimento
O que alegra, fascina, motiva
Que traz sentido e movimento
Sem que se tenha expectativa
Pois o amor não é sofrimento
Nem exílio, é afeto, iniciativa
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
Como quem, vindo de países distantes fora de
si,chega finalmente aonde sempre esteve
e encontra tudo no seu lugar,
o passado no passado, o presente no presente,
assim chega o viajante à tardia idade
em que se confundem ele e o caminho.
Entra então pela primeira vez na sua casa
e deita-se pela primeira vez na sua cama.
Para trás ficaram portos, ilhas, lembranças,
cidades, estações do ano.
E come agora por fim um pão primeiro
sem o sabor de palavras estrangeiras na boca
