Poesia eu sou Asim sim Serei
DESEMPREGADOS
Meu pai, esta desempregado
minha mãe, esta desempregada
meu irmão, mais velho...
Esta desempregado.
Desempregados também estão...
Meu tio e minha tia,
o meu padrinho, esta desempregado
e o meu vizinho, todo dia sai sedo,
para caçar o tal emprego.
Minha prima formou-se na universidade
e agora descobriu que formou-se também
no rol dos desempregados...
Todos os dias, ela distribui um monte de
currículo, pela cidade, e nada de ser chamada.
O povo todo agora estão se transformando
em nômades dos contratados de trabalho...
Ficam para lá e pra cá, na busca do tal
emprego, se querem emprego, terão que
abandonar a família e ir em busca de
contratos em outro lugar de origem.
Eu! Emprego... Quem dera, mas, tenho
menos de dezoito anos e por lei...
Não posso me empregar!
Alem do mais, falta-me experiência
e para se empregar, tem que ter experiência
... Como terei experiência se não tenho
a chance de se empregar para trabalhar?
Antonio Montes
"Louca por amar (mulher, mulher, mulher)
Sempre pedem mais (mulher, mulher, mulher)
Trazendo paz de um universo cálido, transcendente, Inexplicável."
Nessa sina enganosa
De quem sofre calado
Distante da liberdade
Diante da felicidade
Que muita gente cobiça
Mas a boca não fala
Daquilo que enche o coração
PEDAL DO TEMPO
Lá vai ele...
Pela noite afora
não sabe a hora
não pensa o agora
... Descida abaixo,
não se aquieta
nem quieta!
Chulep, chulep...
Com a bicicleta
vento na venta,
frio na testa.
Passa estrelas...
Passa lua
passa calçadas
da velha rua...
Passa praça
sono e guarda
passa com asas
passa em casa...
Passa medo
das sombra sua
e os segredos
da falcatrua...
Passa vida...
Pelas carreiras
água fervendo
tampa e chaleira,
lá vai ele
com suas asneiras
passando o tempo
passa de balde
em sonho não sabe
que tudo e besteira.
Chulep, chulep...
descida abaixo
pedala, pedala
sempre por baixo
descendo avenida
as placas dos planos...
elas falam e não fala,
nem se da conta
que com sonhos vai
estão te levando...
Como nossos pais
... Seus anos e rugas
chegando, chegando
costas de tartarugas...
Lutando, lutando.
Antonio Montes
Música...
(Nilo Ribeiro)
Música que conta história,
música orquestrada,
elas não me saem da memória,
todas lembram minha amada
"Céu de Santo Amaro",
canto gregoriano,
de você me separo,
mas ainda te amo
abraçados na cama,
a mente divagando,
para mim virou um "Drama",
pois ainda te amo
como posso esquecer
a conversa sussurrada,
me dava muito prazer
te chamar de amada
poesia sobre música,
não consegui compor,
pois você foi a única
a quem dei amor
a música traz saudade,
minha alma silencia,
ainda tenho vontade
de te fazer poesia
ouvir "aquela" canção,
curtir a melodia,
isto faz meu coração
te amar a cada dia...
PERMEIO DE SAUDADE
São ruas calçadas e praças,
com seus jardins...
Com suas flores...
É gente que vai
é gente que passa,
namorados, amores...
E eu aqui, n'essa solidão
permeada de saudade
o timbre dessa verdade...
É de doer meu coração.
Antonio Montes
RODA DA COMUNICAÇÃO
Seu veículo de rodas, rodando...
Não será tão importante,
como seu meio de...
comunicação, comunicando.
Mas as rodas, irão lhes comunicar...
Que o seu tempo, comunicando
... Parou de rodar.
Antonio Montes
VERTIGENS
Em seus lábios
Me adocei...
Lambuzei-me no seu corpo...
Tive vertigens?
Não sei
O que sei é:
Que te amando...
Te amei.
Antonio Montes
REACHEI
Me perdi...
Nos caracóis dos seus cabelos.
Me achei do seu corpo,
E pela anciã da sua volúpias...
Cai em desespero.
Antonio Montes
Um poema por dia
uma história desmedida
para contar sobre o que sinto em minha vida.
Um poema por dia
assim minha alma aflita
explica cada sentimento desse coração que palpita.
Um poema por dia
nessa mente que a alma entende
inspiração existente,
a imaginação sempre cria
sobre essa vida que surpreende, poesia.
PEDAÇOS (soneto)
Em ti, ó saudade, acho parte de mim
São fragmentos craquelado e partido
Do meu eu que tenho então em ti sido
Eternizado numa dor que vive sem fim
O senso que faz em ti alarido saído
Em mim é silêncio, é solidão, enfim,
Vive da ilusão de lembranças carmim
Do comover sovado e não esquecido
Agora, o que faço para ouvir o clarim
Dos sons da quimera no porvir contido
Dando-me sonhos afora deste folhetim
Serei pouco, nada, de desejo desprovido
Se insistires em ficar tão presente assim
Aí, de pedaços o meu poetar será revestido
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, março, 05'55"
Cerrado goiano
O ESPANTO
Com as passadas pisadas na palha
o encanto desencantou,
e a rola, voou...
Voou com as asas
voou com as penas
voou com os ventos
voou de casa
voou serena.
A rola fogo - pagou
... Mas não apagou!
E não pagou...
O milho que encheu o tempo
o tempo que encheu o papo
encheu por ali os sentimentos
que o vento atirou no espaço...
Com o pisar dos passos,
a palha chiou...
a fogo - pagou, voou...
O guiso chocalhou
o cascavel de sua ródia,
processou...
Em processo deu bote
sem saber nadar
navegou no ar,
sem amor, e sem cor,
mas a morte não alcançou.
Antonio Montes
PRATOS FUNDOS
Meus pratos fundos!
Estão lá em casa...
No fundo da minha prateleira rasa,
aonde sem asas...
Arrasta quando puxada,
para outro canto da casa.
Uma casa serena,
sem diademas...
Não tem métodos nem tema
desprovida de dilemas
e de vidas tristes perenas
de uma casa pequena.
Meus pratos fundos
estão fundos
no fundo do mundo.
Antonio Montes
SEDE
Tenho sede de viver
Quero o afeto beber
Saciar a infiel odisseia
Da ganância da fé ateia
Terçando o ressecado saber
Clamo o doce prazer
Olhar que nos fala
Sem o desprezo que cala
Que rasga e maltrata
Quero gratidão sem ser ingrata
Sensação, quero amor
Paixão com valor
Dignidade sem preconceito
Irmandade com preceito
Abraço com empenho
Palavras com avenho
Respeito semelhante
E a retidão de ir avante...
Luciano spagnol
Poeta do cerrado
Cerrado goiano
VÍRGULAS
Entre um livro e outro
um recíproco silêncio,
entre um gole e outro
uma pausa de recesso,
entre um verbo e outro
apenas a palavra certa,
entre um beijo e outro
os lábios são saciados,
entre nós e os outros
a virgula é a diferença,
entre todas as histórias
não temos ponto final,
FALA DA FALA
Com essa fala, falada
que as vezes fala calada...
Todas as falas, vem com falas
vem de tudo, vem do nada
e falam de todos os castelos
e de todos contos de fadas.
Essas falas, falam com olhar
e falam também com mímica,
com gestos, com restos, sei lá
essas falas, falam de tudo
que o mundo, pode falar.
E as falas, que o silencio fala...
caladas, não falam nada!
Mas essa fala que fala, calada
... Embala o jardim da vida
expressando a fala da fala.
E fala, que antes de falar cala
que mesmo calada, fala
é mesmo a fala da fala
que todos por ai fala?
Antonio Montes
SEU FOGO
O fogo do seu corpo
me queima...
Não com o alto grau,
do crepitar da sua pureza
mas sim!
Com as curvas da sua desventura
e com o grau da sua beleza.
Antonio Montes
Aporia...
(Nilo Ribeiro)
Aporia, palavra interessante,
significa dúvida constante,
é também um verbo marcante
a poria na minha poesia,
mas explicá-la não saberia
quando nada se cria,
a escrita não tem valia,
por isso aporia...
FELICIDADE
Felicidade é um momento
no passado...
Rascunhado no presente.
Um sentimento sentido
no sopro do consciente.
Antonio Montes
SONETO IMAGINÁRIO
Imagino um soneto do imaginário
Que escorra da doce imaginação
Com o seu ilusório jamais solitário
E cheios de quimeras e de emoção
Que tenha na sua existência itinerário
Não só formas, nem aparência, ação
Onde os sonhos são seu mobiliário
Aduzidos dos cômodos do coração
Quero com que seja o meu amuleto
Guardado no peito tal qual a oração
Em mantra, não como simples objeto
E se, assim, brotar do tal poço secreto
Dos poetas, que venha com inspiração
Imaginando satisfação por completo
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
