Poesia eu sou Asim sim Serei
UM POEMINHA ASSIM...
Quero um poema levinho...
Daqueles que perambulam por aí.
Pousando ora lá...ora aqui...
Pena solta ao vento.
Bater de asas de canarinho.
Poema pequenino e cheiroso
como a flor branca da murta_!
Silencioso e gostoso, como um entardecer
de outono...sim, um poema leve, livre assim...
como filho sem dono!
Quero um poeminha para acalentar.
Pousa-lo em meus dedos,
e de versos em versos
com calma e sem constrangimentos,
revelar-lhe todos os meus segredos...
Um poeminha assim...
Pequenino assim...
Simples, simples assim!
AH, ESTES DOMINGOS!
Nesse entardecer de domingo,
não peço muito à Deus.
Talvez um pouco mais de leveza
Um pouco menos de melancolia
Um riso que não fosse só o meu,
nesse pequeno cômodo onde brinco
de escrever poesia...
Talvez um amor amigo
Ou quem sabe, um amigo amor
Ou só um amigo, que assim fosse!
Mas, uma companhia para encher meu dia
de conversas fiadas...Na tarde cinza:
Um pouco de cor!
Mas acho que de nada vale pedir!
Suplicar, lamentar...Chorar!
Todo domingo é o mesmo tédio
Uma nostalgia que não tem remédio
Saudades de dias passados, distantes...
( Nada é como era antes)
Pedante...!
O tempo passa, sem graça!
Passo eu.
Passamos nós...
Cata-vento tão veloz, que não dá pra descrever!
Deixa a vida como está, porque se reclamar, piora
Vou pegar minha vitrola, ouvir Chico ou Noel
Assim a tarde se torna ainda mais vintage
para inspirar esse tal poema, num pedaço de papel!
E o que era só um pedido, virou história.
Reclamação, murmurinho...
Estou ficando velha e enjoada
Não aguento mais estes domingos!
Amor Solitário
Meu amor é tão sozinho...
Descontente, mas tão imenso
que poderia afoguear os corações
Enchendo de poesia todo o universo!
No entanto, meu amor tão intenso foi
feito por ti esquecimento...
Sem dó nem piedade por mim
pobre menina, que só vive por ti...!
E meu amor, tão sozinho
sobrevive de passados momentos, saudades
de um tempo perdido nos redemoinhos
e descaminhos do velho vento...
Sob o lampião...
Como está escuro meu Deus!
Nas ruas vagam gentes sem nomes
Espectros na imensidão do mundo
Caminham... Não sei para onde.
Da minha janela os espreito!
A tênue luz do lampião me permite
A mulher cabisbaixa
O homem encurvado, no terno azul...
Seguem quietos, calados
Alheios à tudo
Alheios à mim que os observo!
O que será que pensam?
Será que sonham? Fantasiam?
Anseiam...?
Será que seus sofrimentos são maiores que os meus?
Eu, que fico aqui, a ludibriar a minha dor,
pensando nas dores deles...!
Ou será que somos todos fantoches
nas mãos impiedosas de um destino incerto,
sob o brilho de um lampião pendurado sobre nossas cabeças?
Solidão
A solidão é o espelho
Da minha alma
Com ela fico desnudo do ego
E assim me revelo
Nos versos que sou
Minha companheira
Fiel escudeira
Senhora da reflexão
Solidão
Fico tão bem contigo
És meu abrigo
E confio na tua inspiração
Retiro de nossas conversas
O extrato da sabedoria
Extraio de mim
Forças que nem sabia que tinha
Renovo as energias
No contato com meus guias
E me jogo solto
Sou guerreiro solitário
Que não tem medo
De remar no sentido contrário
Do mar da multidão
Antes só do que
Mal acompanhado
Carrego comigo esse ditado
Assim como os guias
Que caminham ao meu lado
Amiga solidão
Não se afaste não
Pois é você que me aponta
O caminho da evolução
Entre as pernas geramos e sobre isso
se falará até o fim sem que muitos entendam:
erótico é a alma.
Constatação
Onde estão, meu bem...
Onde estão os nossos momentos?
Aqueles tempos tão cheios de sonhos
Carregados de uma eternidade tão latente
Tão potente,que poderia mudar nossos mundos
apenas com o toque dos nossos dedos...?
Nossos desígnios, meu amor, onde estão?
A realidade deles era tão tangível...!
Perderam-se em meio às brumas do tempo?
No esfacelar das horas...Dos anos
Da nossa juventude
Perdida, ainda que não esquecida.
Mas o amor se perde?
Quando o amor se perde?
Desde quando o amor se perde?!!
Talvez o amor não se perca
Apenas desista
...Ou ainda nem desista
Deixa de acontecer
Simplesmente...
Veementemente
Como o cessar do bater das asas da crisálida
Inevitável.
...Então que cessem meus devaneios
Meus questionamentos
As " coisas" são como tem que ser
E o amor...Ah, meu amor...
O amor tem lá os seus mistérios
Tão insondáveis quanto a própria vida...
Espiritualidade
Das alturas Celestes
Ao ser expresso em cada verso
Como toda gratidão
Ao Universo.
Através de uma íntima intenção
De uma sutil energia
Que propicie uma atmosfera
De encanto e magia.
Ao contemplar a Natureza
Assim como a beleza de uma Flor
Que tão delicadamente
Expressa silenciosamente o amor.
Tal como a espiritualidade
Em sua delicadeza
De modo único
E com infundível Nobreza.
Numa clara demonstação
De sempre estar reservada uma terna inspiração
E que espontaneamente possa ser refletida
Pelo próprio coração.
Igualmente a uma grande missão
Que seja conduzida por um belo talento
De um modo incondicional
Através de um Admirável Sentimento.
Tem gente que só quer te curtir mesmo,
te seguir, te comentar e pior; te compartilhar.
Andam levando muito ao pé da letra.
DIA DO BEIJO
Beijo bom é dado com os olhos,
desejado, tocando a alma,
acelerando os sentidos.
Beijo de boca é tudo igual.
DIA DA MENTIRA
Caso me declare
por favor não sorria, é verdade.
apenas me asseguro ao que se trata o dia.
Para quem fala mal do meu trabalho,
só vos digo inde pro caralh*.
Ei otário não adianta criticar,
sou Real Poeta e vim para ficar.
Bem me quer, mal me quer
Bem me quer, tenho aqui o meu cantinho
Mal me quer, ao dormir preciso de carinho
Bem me quer, de amizades não tenho fome
Mal me quer, não sei escrever teu nome
Bem me quer, paternidade é com meu cachorro
Mal me quer, na solidão eu peço socorro
Bem me quer, divido a opinião comigo mesmo
Mal me quer, a partilha permanece a esmo
Bem me quer, amo, a tudo e todos, sou feliz
Mal me quer, tudo é tão rápido, por um triz
Bem me quer, como é bom apreciar o amanhecer
Mal me quer, a cada dia veloz é o envelhecer
Bem me quer, sei mastigar a vida de solitário
Mal me quer, não tenho ninguém no itinerário...
Bem me quer...
Luciano Spagnol
singular
no caminho singular
fui plural
tentando me encontrar
entre o bem e o mal
na variante
do acaso
calmaria e vendaval
ao longo prazo
nunca fui total
no lusco fusco
sou igual
o afeto que busco
fui silêncio e barulho
probabilidade
e neste embrulho
deserto e diversidade
de prosa e verso
realidade
de um comum universo
plural ou singular
existiu amizade
e pude saber o que é amar
só o amor nos faz eternidade!
Luciano Spagnol
dorido
a lágrima exibi
o silêncio, é palavra, ato
o revés, bisturi
que corta de fato
teu sentido, teu tato
a emoção contamina
perfura a razão
nos olhos neblina
sofreguidão
na despedida
no gemido
na partida
no laço corrompido
na magoa proferida
no desejo proibido
na luta vencida
o não no pedido
sem amor
é dorido
nunca acolhedor...
do perdão devedor
Luciano Spagnol
Fogão de lenha
Ah! O velho fogão de lenha
O fogo estalando o graveto
Panelas empretejada e prenha
Exalando seu tempero secreto
Só saudade, razão quem o tenha
Na fornada os biscoitos de goma
D. Celina. Quem duvidar, que venha
Provar, do pão de queijo, puro aroma
Velho fogão, assim, faz sua resenha
Envolta os causos e mexericos soma
Ao café no bule, que na alma embrenha
Só tu pode e guarda em seu fogo lento
O poetar que meus versos ordenha
Lembranças de um tempo de contento
És tu velho e bravo fogão de lenha!
Luciano Spagnol
noite
a sinfonia da noite
cai sobre o cerrado
a alma neste açoite
é retiro amordaçado
é silêncio em seresta
a solidão num gorjeado
e a quimera numa fresta
a noite cerrando o cerrado
Luciano Spagnol
a fragilidade da paixão
ela é como bolha de sabão
que não se pode dominar
é o vento a soprar
é o verão no coração
vício na respiração
ar
doce remédio a envenenar
cura e turbilhão
substância pro tédio:
emoção, pré amor, assédio...
Luciano Spagnol
Passa
o tempo por nós passa
passa o ser sem tempo
num delírio e arruaça
o fado sem passatempo
o futuro
longe ou perto
fácil ou duro
sempre incerto
e tudo passa
mágoas passam
a perda a caça
pessoas passam
é ventura é pura graça
a existência é oblação
a vida passa...
Luciano Spagnol
