Poesia eu sou Asim sim Serei
Gratidão por Quem Fica
Sou feita de traços tortos, de risos fora de hora,
de silêncios que pesam e palavras que às vezes demoram.
Tenho dias nublados por dentro, e tempestades que vêm sem avisar.
Não sou sempre fácil de ler, nem simples de decifrar.
Mas aí estão vocês: teimosos, ternos, presentes.
Com olhos que enxergam além, com abraços persistentes.
Vocês me escolhem, ainda assim,com minhas falhas e medos, com meus excessos e vazios, com os cantos escuros do enredo.
Que coragem bonita é essa, de gostar de alguém assim,
sem precisar que eu mude, sem pedir que eu finja ser "fim".
Obrigada por ficarem. Por me verem inteira na bagunça, por fazerem da minha esquisitice um lar onde mora a confiança.
Amar alguém é ousadia, e vocês ousam todo dia.
Por isso, hoje, minha alma canta:
gratidão, por sua amizade que encanta.
Entre o Riso e o Silêncio
Dizem que sou feito de risos soltos,de palavras que dançam sem medo,de uma leveza que não se aprende, de uma luz ímpar.
"Você tem um brilho no olhar", repetem, sem notar, o quanto arde, às vezes, esse brilho.
Eu me identifico com o Chapeleiro maluco, louco aos olhos do mundo, mas lúcido demais por dentro.
Veem loucura no meu sorriso,mas não enxergam a tristeza nos meus olhos.
E talvez nem queiram ver.
Carrego o riso como escudo,a piada como armadura, o exagero como alívio.
Porque mostrar a dor assusta, e calar é mais fácil do que explicar esse nó que a alma não desata.
Dentro de mim mora um vendaval, mas por fora... só o vento suave.
Sou tempestade em corpo de primavera torta.
E mesmo assim sigo,entre gargalhadas e silêncios, dançando com minhas sombras, abraçando minhas fendas, sendo loucura e lucidez, tudo ao mesmo tempo.
Tento me compreender
Vou tentar até o fim
Mas tenho que entender
Sou um mistério pra mim.
Santo Antônio do Salto da Onça RN Terra dos Cordelistas
19 Janeiro 2025
Não sou santo como tantos são.
Sigo a vida simplesmente.
Através do meu dia a dia tento fazer o melhor que posso e nada mais.
Não adianta inventar.
A vida é irmã do tempo e conhece a verdade de cada um
O resto será entre mim, meu último suspiro e o legado que deixei ou deixarei.
Caso exista algo mais, acho que vai depender do que fiz aqui enquanto vida
O resto será entre mim e Deus.
Sou
Como filho que um pai perdeu;
Como irmão sem irmão;
Como amigo que já viu outro partir;
Como cônjuge abandonado por seu par;
E o coração assim do peito se desprendeu,
E ficou o gosto amargo da desilusão,
De não poder ver nenhum de seus rostos mais sorrir.
E o que mais doeu,
O que mais dói,
É esse sentimento que corrói,
Chamado saudade,
Que é o misto de carinho e amizade,
Ternura e cumplicidade.
E o que é essa tal de saudade que me causa dor,
Na resposta de uma criança descobri,
E assim veio a esperança e ternamente sorri,
E deixo a dica:
Saudade é o amor que fica.
"Cansei literalmente cansado, agora sou apto ao silencio, mas cuidado meu silêncio e a forma de continuar com o mesmo tratamento a todos não quer dizer que estou bem com a situação, posso sentar do seu lado, tratar com respeito e educação por que isso é sobre mim
Então avalie meu silêncio ele pode ser a forma mais obscura que terás de mim"
"Se sou apaixonado por ela? Cê louco! Sou arriado os 4 pneus nela, sou fascinado por ela, penso nela 24 horas por dia sonho com ela sem tá dormindo, apaixonado é pouco, sou louco a ponto de não imaginar mais minha vida sem ela".
Sobre minha prometida
Recuso-me a passar minha vida tentando provar o que sou
E suponhamos que alguns falassem em meu nome
O final não seria o mesmo?
- Presumption of Guilt
Sou pecador
Lavado e remindo pelo meu Senhor
Sou transgressor
Mas fui perdoado pelo Salvador
- Pecador
Se o delírio me cegou
E menosprezado foi meu clamor
Por ironia, devo crer
Sou a cria e o criador
- Valsa dos Exumados
Linha... linha...
Um encanto encantado.
Pelo vento às vezes sou levado...
Linha... linha... linha...
Tudo desalinha, tudo curva.
Uma vida que deixou de ser só minha.
Jogado pra lá e pra cá.
Tento me equilibrar.
O vento a soprar...
Eu a rodar, a rodar.
Percurso sinuoso.
Sinto-o um tanto tortuoso...
Há dias em que tudo se embola...
Num vai e vem que tudo enrola.
Paz...
linha... linha... linha...
Uma reta que parece não ter fim...
A vida enfim... deu uma trégua pra mim 😉
Sou uma pessoa de pontos finais. Não me incomodava com isso. E ponto....
Até que li "O vendedor de sonhos", de A. Cury.
No livro, que me deixou meio zonza, o narrador diz ter sido um homem de pontos finais... até alguém lhe mostrar que a vida precisa mesmo...que a vida é feita mesmo de vírgulas. Algo mais ou menos assim... vírgulas...
Vírgulas significam uma pausa... uma breve pausa. Você sabe que existem os ponto e vírgula, né? Uma pausa um pouco maior que a vírgula e menor do que o ponto.
Fiquei me sentindo errada por ser uma pessoa de pontos finais... e comecei a treinar vírgulas. Até me saí bem, sou rápida em me adaptar...
Mas... ontem fiquei a pensar: há coisas na vida que a melhor coisa é quando acontece um ponto final. Ou não?
Pense: uma procura por um emprego... preparatório para concurso... uma doença... um aparelho nos dentes... uma monografia, dissertação ou tese que se tem de defender... uma gravidez de risco... uma amizade que só sabe sugar... um vício... um casamento descasado... um amor desamado... uma paixão sem razão...
Vai dizer que não é bom um ponto final... ah! se é...
Um amor desesperançado... acabado. Põe bom nisso...
Voltei aos meus pontos finais.... afinal tem coisa que só tem que durar enquanto é bom... tem que ser eterno enquanto durar... e tem que acabar pra você conseguir recomeçar...
em outro tempo... em outro lugar... onde é amar + amar = amado e amado enquanto durar.
Punto e basta!
No teu Porto
Por que me olhas assim?
Não vês? Sou um barco à deriva...
Qual é a tua satisfação
se eu for engolida pela imensidão?
Imensidão do mar...
imensidão das trevas
imensidão da dor
é para tais caminhos que tu me levas...
A quem queres mentir?
Não vês nos meus olhos a agonia
de ir afundando pouco a pouco
um pouco a cada dia?
Por que me roubas dos bolsos o meu pouco de alegria?
Ajude-me a desatar os nós…
todos os nós...
Seja meu Porto seguro
e asseguro... o resultado será bom.
Deixaremos o vento soprar,
a maré nos levar,
a onda balançar,
tudo o que é ruim que está por perto pra bem longe arrastar.
Identidade
Amanhece
em mim um corpo insone
sou uma ave sem nome
nem sobrenome…
voa na branca manhã aclareada
bate as asas devagar em meio à bruma fria
sozinha
rasgando o céu
sem destino certo
voa por ares incertos…
sente-se rainha.
Distância
Sou antítese do não ser…
Sou e não quero ser.
Procuro-me sem querer me achar…
Encontro-me sem me procurar.
Sou fluxo até transbordar.
Ando pelo caminho sem nenhum passo dar.
Dou passos pelo caminho sem em frente continuar.
Sou finitude trajada de ser.
E há vezes em que nem consigo me descrever.
Adormeço
Na escuridão do quarto me sinto bem.
Consigo me ver como realmente sou.
Percebo nuances... percebo quando triste estou.
A escuridão do quarto deixa-me antever com clareza minha razão e coração.
A luz do dia
oculta minha dor e minha alegria.
A luz do dia, da vida, tira toda a magia.
A escuridão deixa visível a discussão entre minha razão e meu coração.
Debatem os dois: razão e coração
Numa guerra feroz.
Nada fica oculto.
Nada fica na escuridão.
E o bate-boca sempre termina sem solução.
Continuo sempre sem saber quem realmente sou.
Acalmam-se os dois vencidos pelo sono...
Adormeço... que buscava saber quem sou esqueço.
A dor do outro
Sei, sou parte disso tudo.
Mas quantas vezes não me encaixo...
Procuro-me, procuro-me e não me acho.
Sou parte disso tudo.
Tenho de estar sempre em alguma parte.
É estranho essa capacidade de desamor que vejo por aí.
O outro caiu e se machucou.
‘Bem feito!”... foi o que ouvi.
Acho que amo demasiado.
Acho que amo além da conta.
Por isso me espanta essa gente demente... que com a dor do outro fica contente.
Privada de emoção
Às vezes sou mais forte que a tristeza...
Vejo no mundo todo a sua beleza.
Os sons musicais me fazem flutuar...
Me banho alegremente no luar.
O meu grito é de paz, amor e ternura
Sonho os mais belos sonhos que se pode sonhar...
Me encanto com as estrelas que iluminam minha noite escura...
Jogo pelo caminho sementes de magia...
Sigo escrevendo poesia.
Às vezes...
Pois em outras... sou a dor, o sofrimento, a agonia.
Sou os pés feridos... coração machucado.
Sou a escuridão das trevas que nunca se dissipam...
Sou uma vida privada de emoção.
Não me encontro viva, o aparento é vistoso.
Sou entrada para o caminho;
Permuto entre verdades, mas esqueço-me de mim.
Sou estrada reluzente de alegria;
Mas esqueço-me de mim, de mim!
De mim sou tão estranha,
Faço-me poema de beleza.
Sou visão para saídas;
Mas esqueço-me de mim, de mim!
