Poesia Ei de te Amar Vinicios de Morais
SOMBRA
Sombra que alberga os mortos
Que sozinhos se encontram
Nas páginas escritas do velho livro
Nos sonhos que enfeitam os vivos
Pedras geladas de tantos tormentos
Delirios do mar por se encontrar em terra
Nos cravos perfumados de rosas
A minha alma é um cadáver
Onde pesa-me a dor que sinto no peito
Na lama onde me deito nu
Com as saudades de quem quer estar vivo
Pedras, lama, barro, sombra perfumada
Num belo sonho dos mortos
Sombra perdida deste mundo
Porque dos vivos nada sei nem quero saber.
Quando eu partir colhe-me em flor
Pois sou uma pétala na tua janela
Que mesmo morta perfuma a tua alma.
VIAJO
Viajo por os versos que faço de ti
Nas letras coloridas de amor
Folhas soltas de paixão
Dançadas pelo tango
Que ouvimos lá fora
Mas será que tu ainda moras aqui
Releio de novo todos os versos
E vejo que ainda moras no meu peito
Nas folhas escritas de tantas palavras
Escondidas na gaveta misturadas de amor
De loucos abraços, abrasadores desejos teus
Deste amor que sentimos ainda
Na viagem feita num tango de versos teus.
DISPO
Dispo a alma do corpo
Visto-me num sonho
Mergulho na solidão
Entre as gotas de felicidade
Das lágrimas caídas
Sentimentos das emoções
Que nasceram vazias
Morrem de tantas sensações
Nas palavras escritas
De tantos amores
Esquecidos, perdidos
Nos sonhos inventados
Por caminhos desconhecidos
Que nos levam a viajar
Pelos caminhos do amor.
Todos os dias
O inferno cobiça a minha alma
Há dias que a luta é feroz
Mas tenho muita fé
E força para vencer esta batalha
QUERO ESPICAÇAR
Quero espicaçar os teus sentidos
Levar-te ao limite
Fazer-te estremecer de desejo
Por ti rasgo as dores do corpo
A tua pele é a minha pele
Assim te desnudas diante de mim
A luz da janela escurece o quarto
Como se essa luz fosse o luar
A tua língua ruge como se tivesse asas
Sem te ter tocado abraço-te
Respira, geme baixinho como me desejas
Ama-me, deixa-me observar-te como gosto
Ama cada milimetro do meu corpo
Até encontrares o que te mata a sede
E a fome que tanto desejaste
Para nos perdemos nos braços um do outro.
Gosto quando me enches
O corpo de desejos
Amo, quando me enches
A alma de sorrisos
Adoro, quando me enches
O coração de felicidade
CAMINHO
Caminho pelas ruas do esquecimento
No chão onde me deixaste perdida
No sabor orvalhado de estrelas
Para beijar-te com a poesia na boca
Para contar os sonhos que por ti criei
No tempo em que o tédio fugia de nós
E os teus olhos cobriam-me da noite
Neste caminho de pedras que submissamente
O teu corpo me tapava com flores
Para caminhar pelas pedras onde deixei
A minha alma, pois o coração contigo ficou
Para amar-te se me deixares.
ESCREVO
Do alto do monte
De mim escrevo
Num vago sentimento
Pelo beijo dado
Sem consentimento
Na fresca manhã
De um verso amor
Num tempo em poesia
Entre as folhas secas
Das flores que balançam
No vento do nosso verão.
Amo-te tanto
Que me leva ao inferno
E no céu me coloca
Que me dá esperança
E me tira do chão
Que me leva à loucura
E me torna sã
Amo-te tanto mas tu já sabes.
AMA-ME
Ama-me com o desejo
Que sintas na tua alma
Arrasta-me pelo poema
Que escrevo de mim em ti
Vaza-me o sangue que escorre
De tanta ilusão cativa
Nesta fome sentida
Por nós os dois
Leva-me ao céu
Ama-me despe-me
Deixa o pudor deste
Meu querer sedento por ti
ANDO
Ando enquanto durmo
Nos recantos escondidos de mim
Onde a neve nunca esteve
Para não derreter entre os dedos
No silêncio agreste da minha alma
Esquecendo o sal que dá a vida
Numa poesia levada pelo vento
Num tempo que o sangue não se sentia
Entre o beijo de fogo num sonho
Nas palavras que se soltavam
Como uma flor que nascia dentro de mim
Onde tu regavas com tanta ternura em silêncio.
NÃO
Não desistas de mim
Para que eu possa enterrar
As sombras, os medos
Que tanto me atormentam
Não desistas de mim
Para que tente agarrar todos os sonhos
Que há tanto deixei de sonhar
Não desistas de mim, por favor
Preciso de retomar o vôo
Que deixei a meio
Porque sozinho
Tenho medo de não conseguir
Não desistas de mim
Tu sabes porque eu te amo.
O TEU OLHAR
O teu olhar é uma flor
Num deserto de dunas
Onde o teu corpo
Ficou ancorado
Nas lembranças
Por florir
Das saudades
Dos teus beijos
Do teu despertar
Dos teus afagos
Que eram o perfume
Que alimenta o meu jardim
Para florir de felicidade.
CASTIGO O CORPO
Castigo o corpo deste meu desalento
Não há quem saiba do que me consome
Dores que me castigam a alma já ferida
Sofro deste mal que ao desespero me leva
Neste vazio em que me encontro tantas vezes
Sem saber porquê, que me reduz a nada
Que me emerge nesta solidão, que me seduz
Como um louco para me ofuscar nesta luz
Que me tolha a visao, faz-me andar na escuridão
Onde bebo deste maldito veneno que a vida dá
Num desespero que me conduz a tentar morrer
Para voltar a nascer, florindo como uma flor
Nas saudades de ti, sim de ti amor.
BEIJA-ME
Beija-me com a doçura
Como se fosse a primeira vez
Beija-me com a paixão
Como se fosse a última vez
Beija-me como quiseres
Sem medo de me perderes
Mas beija-me com desejo
Nem que seja em pensamento
Beija-me a cada segundo
A cada hora da tua vida
Beija-me com os teus lábios
Desejosos de tanto prazer
Beija-me no silêncio desta noite
Mas beija-me com corpo e alma
BEBO DESTE MAR
Bebo deste mar salgada água
Para não me afogar deste veneno
Que a vida me dá, trazendo-me a poesia
Na alma dilacerada no peito pelos desígnios
Inventados pelas almas que gritam
Na indistinta e confusa mente de cada um
Onde engole o sal na penumbra, consciência
Do que somos ou seremos neste mundo
De veneno, de desassossego, de inquietação
Dói-me qualquer sentimento que desconheço
Escrevo estas linhas, dou-me por insatisfeito
Pelo cansaço de todas as minhas ilusões vividas
Pois perco a razão, o pensamento desta minha
Doente mente sem vergonha de não ser intelectual
No corpo como uma forte náusea no estômago
SINTO FALTA
Sinto falta de me perder
No calor do teu beijo
Que seja capaz de incendiar
Todo o meu desejo
Sinto falta de sentir
O toque da tua mão
No meu corpo
Sinto falta dos teus olhos
Que me olhes com paixão
Que me faças sentir
Como ainda sou desejada
Sinto falta de um abraço
Que me console
Que me faça sentir
Que sou a única
Sinto falta de ti
De tudo que é teu em mim.
O VERSO
O verso fechado entre as pernas
De mil chaves, de mil portas
No inferno em labaredas quem sabe
Ou nas mulheres da rua que sofrem
Com os clientes mal amados
Entre os nervos dos poetas em verso
Mulheres mal faladas da torre de babel
Pela poesia desgovernada de esferas
A poesia é uma casa de formada gente
Talvez seja quem sou eu para desmentir
Nos sonhos fatídicos de todos os poetas.
Estou cansada
De me zangar com a vida
Vou ter boas vibrações
E pensamentos positivos
Sempre tenho positividade
Nos meus pensamentos
É um dia lindo de sol
E uma maravilhosa noite estrelada.
