Poesia do Carlos Drumond - Queijo com Goiabada
A escola é uma espécie de máquina de “desaprendizagem” de coisas que se compreendem, mesmo sem ela, como pensar e falar.
Sacerdotes, especialmente teólogos, repelem o livre-pensador, porque este está próximo de ser ateu – "pessoa desagradável" aos olhos de Deus.
Este deus sequioso de seguidores, entronizado nas religiões milagreiras, comercializado em templos de mármore ricamente ornados, do qual se dizem “procuradores” os agentes indutores da manipulação psicológica sobre os "sujets" em estado de necessidade, não apenas deve ser descrido como combatido.
Ao suprimir a personalidade (persona), que é a via de expressão objetiva da alma, o ser humano passa a agir como autômato – por impulsos instintivos.
Vamos tomar a alma humana no sentido primordial, em sua acepção unívoca de alma coletiva. A personalidade é a alma individualizada.
Durante o processo de alienação ocorre o momento de reificação, isto é, uma ilusão se torna realidade objetiva. Não caia nesta armadilha!
O excessivo emprego de sutilezas, por parte de educadores, dos pregadores e apologistas religiosos, é sempre uma força de argumentação pejorativa. Mas as torpezas são ditas em alto e bom som, como se construíssem uma alegoria espiritual na desaprovação aos costumes das comunidades, às tradições étnicas, ao pensamento livre e dando significação desagradável as pessoas que não pertencem às suas fileiras. Os processos gerados daí, por oposições, não se resolvem em unidades lógicas, mas em conceitos absolutos de tirania. Em todo monólogo prevalece o ilógico.
A tutorização religiosa, ou educacional, quando as regras místicas ou pedagógicas submetem as pessoas aos seus domínios, são antinaturais.
O homem não pode dispor de duas liberdades (libertate) – uma individual e outra coletiva, aquela primeira e esta última. O homem natural desfruta da liberdade do começo ao fim, dispõe dela desde o advento da consciência corporal até o seu ocaso. E como a manifestação desse tipo de consciência depende de fatores neurofisiológicos, atividades químicas e elétricas dos neurônios, com a morte física este élan se desfaz na decomposição. Portanto, não se pode alcançar o homem, em sua individualidade, depois da morte, porque lá este não mais existe.
O livre-arbítrio é uma ilusão e parte da falsa premissa de que o homem teria uma liberdade apenas relativa. Esta liberdade seria acidental e se fosse assim encarada, já não seria liberdade, mas escravização aos componentes desta relatividade: a época, o lugar, o grupo social e os indivíduos.
Deus não poderia, por sua vez, reger a liberdade do homem, ou estendendo ou limitando. Simplesmente porque o homem é da mesma natureza de Deus, quer como criatura ou como criador.
Ilógico é dizer que Deus é diferente de suas criaturas – Ele não poderia criar algo que não fosse semelhante a Si mesmo.
Sendo o homem semelhante a Deus, logo todo indivíduo é seu próprio Mestre, imanente em sua própria Lei. Dispensados estão os “procuradores” da Divindade por fraude ao crente, estelionato espiritual e falsidade teológica.
No modelo de civilização a felicidade só existe pela coação dos desejos e pelo sofrimento, o que nem sempre é absorvido, mas que invariavelmente resulta em culpa e desta necessidade de autopunição vivem as religiões.
No caso do ideal cristão, o homem é escravizado pela “culpa original” e no processo de conversão se estabelece uma falsa interpretação do mundo que dá privilégio ao sofrimento sabotando a vida saudável.
O mecanismo psicológico inconsciente da punição é a projeção do delinquente como bode expiatório. A extrojeção da agressividade e do sentimento de culpa sobre o delinquente é feita através da imagem da expiação carregada pelos sentimentos de culpa da comunidade.
Neste país de tanta pujança e riquezas naturais somos aviltados a cada instante por nossos governantes. E talvez esse seja o grande motivo de nossa força interior, que nos faz seguir com fé e determinação, na esperança de que o próximo dia será melhor.
Vim fazer uma louvação à boa leitura! Ela sempre, sempre é bem vinda, é salutar e contribui muito até para o aperfeiçoamento da oratória e da escrita. Mas é sempre bom lembrar que muita coisa não tem livro que ensine, a vida, o tempo, o mundo em volta ensinam muito mais. Como reflexo do plano mental, somos constituídos pelo fator sentimento e o conjunto de fatores decorrentes deste constroem o entendimento real acerca do que se processa no intelecto, especialmente nas áreas humanas, o que não contrapõe os bons livros de forma alguma. Mas muito além dos grandes homens que discorreram sobre sua forma de ver o mundo e influenciaram povos inteiros há a experiência latente no dia a dia, nas emoções e provas que nos conduzem à clareza quanto aos singelos segredos da vida. Quem já leu O Alquimista, por exemplo, livro escrito por um brasileiro membro da Academia Brasileira de Letras e celebrado em todos os continentes, ali encontra uma boa lição sobre isso, enquanto o estudante de alquimia se perdia confuso e aflito com símbolos e livros infindáveis, o pastor de ovelhas observava com atenção ao deserto e por ele penetrava na "Alma do Mundo", como diz o autor. Salve salve aos bons livros e bons leitores que trazem para prática boas lições e ainda assim conseguem ver no mundo um livro aberto. Gente assim, muito mais que copiar lições, gera conteúdo.
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