Poesia de Filha Querida
No Caminho da Graça
No processo, o chão some dos pés,
O coração se aperta, a alma desfaz.
Tem noite escura, tem vento contrário,
Tem medo calado e pranto diário.
Há dias que o cansaço grita alto,
E o “não aguento mais” parece salto
Que leva à beira do fim da estrada,
Onde a esperança jaz quase calada.
Mas ali, no limiar do desespero,
Surge um toque invisível, verdadeiro.
É Deus que sussurra em tom de paz:
“Eu te sustento, filho, vai um pouco mais.”
Não faltará graça, nem luz na escuridão,
Seu amparo vem na forma de oração.
E mesmo sem ver, teu espírito sente
Que o céu trabalha — suave e presente.
Então, se vier a vontade de parar,
Lembre-se: Deus é força pra te levantar.
Chora, luta, mas não solta a fé,
Pois quem caminha com Deus, nunca é de vez.
Silêncio que Vê
Veja tudo. Não diga nada.
Há poder na alma calada.
Nem todo eco precisa soar,
Nem todo olhar quer julgar.
Observe o mundo com doçura,
Com olhos cheios de ternura.
Há milagres em cada esquina,
Mas só enxerga quem se inclina.
O sábio vê sem apontar,
Escuta sem se apressar.
Há força em quem silencia
E fala só com empatia.
Veja a dor, sem espalhar.
Veja o erro, sem condenar.
Veja a luta, sem zombaria.
Veja a fé, mesmo em agonia.
O silêncio não é omissão,
É lapidar do coração.
É preparar o gesto exato,
O abraço firme, o bom ato.
Veja tudo. Guarde o olhar.
O mundo precisa de quem sabe escutar.
Pois quem muito vê e pouco diz
Planta paz onde ninguém é feliz.
Às vezes, não é sobre a resposta à oração, mas sobre o que você aprende enquanto espera.
Na vida, somos ensinados a buscar respostas imediatas — soluções rápidas, curas instantâneas, portas que se abrem no momento em que batemos. Mas com Deus, o tempo tem outro ritmo. Ele não se limita ao nosso relógio, porque mais importante do que a resposta que pedimos é o que Ele está fazendo em nós enquanto esperamos por ela.
A espera é um campo fértil onde a fé é cultivada. É nela que aprendemos a confiar sem ver, a descansar mesmo sem entender, a louvar mesmo sem ter recebido. Deus, muitas vezes, nos leva ao deserto não para nos punir, mas para nos ensinar a ouvir Sua voz, a depender mais dEle, a crescer em maturidade e sensibilidade espiritual.
Há orações que demoram porque precisam preparar não apenas o caminho, mas também o nosso coração. Às vezes, a bênção está pronta, mas nós ainda não estamos. Outras vezes, a resposta vem de um jeito diferente, porque Ele conhece o que é melhor para nós muito além do que conseguimos enxergar.
Portanto, se você está esperando, não pense que Deus está em silêncio. Ele está trabalhando — talvez não nas circunstâncias ainda, mas com certeza em você. E isso, por si só, já é um milagre em andamento.
O Peso do Porquê”
Quanto mais porquês,
mais porquês aparecem,
como ecos da mente
que nunca adormecem.
Vivemos tentando
explicar a dor,
o tempo, a perda,
a falta de cor.
Mas há coisas fundas
que não se traduzem,
mistérios da vida
que apenas nos usam.
O saber tem limites,
o sentir, não tem,
e às vezes, silenciar
é também um bem.
Pois nem todo porquê
pede uma resposta
às vezes só quer
que a gente se encoste.
Coração partido dói… mas não é o fim.
É só a estação do inverno — e, ainda assim, mesmo no frio, a raiz continua viva.
O amor que você deu era sincero, era puro e isso nunca foi perda. Quem ama com verdade, deixa perfume por onde passa, mesmo que o outro não saiba valorizar.
Não se feche. Não endureça. Continue flor.
Há alguém, em algum canto da vida, orando para encontrar exatamente um coração como o seu.
E quando chegar a hora, será leve. Será paz. Será reciprocidade.
Até lá… cuide de si com carinho. Regue sua alma com poesia. E acredite: o amor o verdadeiro sempre volta.
Ei… você não está sozinha.
Eu sei que dói. Sei que tudo dentro parece bagunçado. Quando a gente acredita, se entrega, sonha… e no fim se decepciona, o que sobra é esse vazio difícil de explicar.
Mas olha… você é muito maior do que esse momento.
Você tem um coração lindo, cheio de verdade e, mesmo que agora pareça injusto, não deixe que essa dor te faça duvidar do seu valor.
Quem perde alguém como você, perde muito. E quem não sabe cuidar, um dia sente a falta que fez.
Chore se precisar. Grite, escreva, se recolha… mas depois se olhe com carinho. Você vai se reconstruir. Vai se reencontrar.
E um dia, quando menos esperar, vai agradecer por esse recomeço que hoje parece tão doloroso.
Você merece mais. Você merece paz. E vai encontrar. ❤️
HONRA
Nesses versos eu vou falar
De honra, honor, honradez
Um principio de valor
Cuja conduta é proba
Para gente corajosa
E bastante virtuosa.
A honra é um sentimento
Que trás a dignidade
Para quem de verdade
Tem boa reputação
Integridade, honestidade
E uma vida de retidão.
Esse tema secular
A bíblia não deixou de tratar
Em carta aos Romanos
Paulo ensinou a importância
Do que é devido pagar.
Não misture as ideias
E nem se deixe enganar
“Pagai a todos o que lhe é devido:
A quem tributo, tributo;
A quem imposto, imposto;
A quem respeito, respeito;
A quem honra, com honra”.
Para finalizar essa rima
Com bastante honradez
Vou pedir de uma vez
Nunca deixe de fazer
Aquilo que Jesus Fez.
COMPREENSÃO
A rua onde nasci era larga e extensa de vozes.
Nela havia uma velha casa de espera e de descobertas.
Minha mãe me ensinava a brincar de ver.
Ficava ao meu lado e com suas mãos me entregava seus olhos.
Dizia-me: O que vens?
Eu menino, com zeloso brio elaborava narrativas não aparentes.
As vezes via um pássaro falando com o vento.
Ora, era um arco-íris despontando no anoitecer.
E até eu voava, buscando palavras com asas.
Lembro-me quando lhe disse:
- Estou vendo uma dança no céu.
E ela pediu-me para tomar cuidado com os instrumentos, marcar os passos, ouvir a sinfonia.
E asseverou: Veras na vida aparências e essências.
Mas não tenha receio de vislumbrar.
No fim o que fica é o que se olha para dentro.
Antes de saber ler e escrever compreendi a ver poesia.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
Se ela pudesse te falar o que pensa
E o quanto ela quer te provocar de volta
Se ela pudesse dizer o que sentiu ao ouvir tua voz
E o quanto isso foi inquietante
Se ela pudesse sair dessa prisão
Ela faria tudo de novo, loucura por loucura, desejo por desejo
Ela te devoraria sem esperas
Roubaria teu ar sem receio
Contemplaria cada parte da sua geografia
Se perderia nas suas ondas
Em uma cadência arrebatadora
Até que o corpo e o tempo não soubessem mais
os limites do início ou do fim.
De forma poética
Passo uma idéia patética
Pro papel, busco inspiração, olho pro céu.
Um tonel de solidão
Em todos os cantos
Cada qual na sua função
Escondendo os prantos.
Letras tortas, papel reciclado
Falo de poesia sem sentir
Faltam sentimentos em todos os lados
Ódio ou frieza, não sei distinguir.
Respeito ao Sentir Dela:
Porque onde eu queria estar… eu não tô,
E o mais difícil é nem saber se vou.
Te carrego em mim como um nó apertado,
Mas teu silêncio me deixa sem lado.
Grito por dentro, calo por respeito,
Te amo em silêncio, sem pedir direito.
Será que tu sente esse vazio também?
Ou sou só eu… me perdendo em alguém?
Planto presença sem garantia,
Te espero sem culpa, sem cobrança vazia.
E mesmo sem ter onde me ancorar,
Eu fico ... inteira ...no mesmo lugar.
🌒 "Te penso, te espero"
Eu era vento livre, riso sem medida,
hoje sou silêncio preso, alma consumida.
Te penso no escuro, te espero no dia,
e mesmo sem toque, tu és minha guia.
Não fui feita de espera, mas aqui estou,
a cada mensagem que não vem, me refaço e vou.
Teu nome ecoa onde o mundo cala,
e a falta que tu faz... meu peito embala.
Tua ausência dança no meu travesseiro,
e eu me perco em sonhos, de janeiro a janeiro.
Se a dor é poesia, eu rimo o que sangra,
e com cada palavra, meu coração desanda.
A cabeça que me guia
é a mesma que sufoca na ignorância do homem.
As mulheres que me criaram
se envergonham das irmãs que as traem.
Os lugares por onde passo
se elevam pelo brilho que carrego.
São fotografias de um passado de dor:
retratos de sorrisos mortos,
marcas de dias tristes,
buracos de dentes tortos.
Cicatrizes da alma,
defeitos de cor,
a beleza da pele
e o desejo de amor.
É a vida negra que luta pra brilhar,
pra sair na foto,
onde o contraste da pele
é um alvo na mira.
Minhas fotografias não são preto e branco.
São preto escuro
Ambos os Lados
Há que uma voz ecoe de longe.
Nem palavras, nem sentimentos.
Gritos sem força.
Os braços estão longe, o coração distante.
Nem voz, nem vigor.
Sobra eco, da distancia, num túnel longo e escuro.
Brigas tolas, representações momentâneas.
Barulho em vão e cicatrizes que não curam.
Ficam abertas num traço ferido, de inimizade.
Cavalheiros lutam energicamente pra juntar suas ideias.
Marionetes apenas representam.
Na bagunça de fúria e confusão.
De vários lados, ambos lados, muitos lados.
Que nada realmente representa coisa alguma.
Começos sem fins.
Lutas sem ideais.
Brigas sem intenções.
Idas e vindas sem sentidos.
Gritos que perdem, e pedem a potencia.
Muitos ecos, esparsando-se na distancia.
De inteiros, aos cacos espalhados.
Talvez haja uma cola no meio do eco,
Esquecida no meio do barulho.
Perdida diante o tumulto.
Não enxergada perante a cegues.
Porém essencial para o juízo.
Para o sentido.
Para a união.
O amor.
O cancioneiro
Toca o som do cancioneiro de fortes ventos, de rota sem fim, o cancioneiro das folhas que rodam nos dias, molham em chuvas de lágrimas pra depois secar no brilho de sol, o cancioneiro da rota que não termina, que toca ininterrupto todos os acordes, todas as notas, com sua potencia, levanta folhas, poeira, apaga e acende o sol em dias e noites, o cancioneiro sublime e autodidata,os elementos, todos são desenhados nos papeis, em acordes, ritmados pela busca e fúria de sonhos, tocados, pelo instrumento, chamado vida.
Caminho das flores
Sua semente é a que
floreia o seu redor.
Alguns preferem regar
com lágrimas, outros com suor.
Desde que tenha amor.
A beleza define a primavera,
regada com o choro de Deus.
Podemos fazer da nossa
vida um belo jardim.
Desde que haja o cuidado e o manuseio
com lágrimas e suor do coração.
A se transformar num
jardim belo e florido.
No caminho vou, onde haja amor.
No caminho eu vou onde haja cor.
As flores do jardim estão
esparsas como estrelas.
Simulam o infinito e eu andando
aqui embaixo no caminho das flores.
As estrelas estão formando um imenso colar de pérolas suspenso.
Caminhando vagarosamente
aprendi a observar a beleza.
O dia é um clarão,
diante a imensa escuridão.
Mas as estrelas sempre
dançam no universo.
O planeta é um enorme
emaranhado de terra.
Mas as flores sempre
embelezam os jardins.
No caminho vou, onde haja amor.
No caminho eu vou onde haja cor.
A vida pode ser um sonho
A vida pode ser um sonho, e se for,
prefiro fazê-la de um grande sonho,
Antes do despertar,
Antes das folhas da primavera desabrochar,
Quero ter certeza que no tempo do sonho,
Deixei boas sementes,
Que nos dias de estupidez,
Soube plantar risos,
Que nos dias de seca,
Soube entender a aridez temperamental,
E nos dias de frio,
Da vulnerabilidade das sementes,
Que nos dias da primavera,
Tudo fica mais colorido,
E pode ser a soma do que conseguiram plantar,
A vida pode ser um sonho,
E quando acordar quero ter certeza,
Que deixei o melhor que pude plantar,
Diante o frio de inverno,
O calor de verão,
O silencio do outono,
E a beleza da primavera.
Tuaregue (versão 2)
Vem que a vida não para,
vem que as estrelas não se apagam,
e os sonhos não morrem.
A vida pode parecer uma miragem desértica,
cheia de dunas que se movem.
Nem as tempestades furiosas de areia do Saara nos sacodem.
Rainha do deserto com seu véu flamejante,
vem até mim sobrevivendo as correntes giratórias.
Eu o Tuaregue, vou abrindo caminho de passagem nas águas do Nilo.
Até nossos corpos celestes se desmancharem na poeira.
Quando o amor se encontra pode tudo,
nos aquece com seu ardente calor.
Tudo ou nada, somos chamas entrelaçadas,
talvez o imbróglio, talvez a paz.
Amor pode ser como o deserto,
quente e quieto, porém intenso.
Rainha do deserto (versão 2)
Pedras a rodeiam,
desenhando suas asas,
jogada num cinturão de poeira,
o sol drena a água das raízes,
sobre sua cabeça emulando uma coroa.
Calibres de areia se moldam,
sobre as curvas do corpo emulando um vestido.
A encapada flutua nas areias quentes do Saara,
o véu distorce ao vento,
até ladeira abaixo ornamentada.
Guiada por calangos e dromedários,
abutres e carcaças,
levando fé, paixão e garra,
ela é a rainha do deserto,
a cigana flamejante das terras
áridas e quentes,
escultura de areia que resiste as dunas,
a seca, as tempestades e a poeira,
na imensa vastidão desértica.
A cortina que se abre
A nebulosidade é uma cortina,
como o acordar de um novo dia,
a desobstruir seus mistérios,
sendo esses de complexidade,
sendo esses de beleza,
suas emocionantes paisagens,
e seus vulcões de avareza,
é a cortina que se abre,
para os aventurantes do aqui e acolá,
carregando suas malas de futura experiência,
colecionando suas malas de momentos de passado,
o presente é a cortina de névoa,
que se abre e revela,
com seus mistérios e surpresas,
e a bagagem,
são experiências de vivências,
quando a gente abre a cortina,
a luz aflora,
quando a gente abre o coração,
o amor aflora,
quando a gente abre a mente,
a natureza aflora,
tudo no seu tempo,
cada um no seu momento.
