Poesia de Cora Coralina aos Mocos
Verdade absoluta
Eu nem sei o que dizer
Estou sendo estreada de novo com você
Já te falei né? Então... Também to descobrindo coisas em mim junto contigo. Você é tão mais do que você imagina pra mim, que não tem idéia. Ahm
Eu acredito e vivo isso como se fosse uma verdade absoluta. De verdade.
Pode até ser que você desista ali na frente por milhões de motivos, mas uma coisa é certa, eu vou viver isso, viver você, viver nós até a última gota. Mergulhei.
Tu me convenceste a mergulhar.
Você é tão foda, tão importante.
Putz... Fora o amor.
Ainda tem o amor.
Você sabe disso.
Não morra agora, pode demorar mais uns 60 anos pelo ao menos... Será pouco, mas será um bom começo.
MARIA, O AMOR SEMPRE VENCE
(Livro: Amar Até Dizer Chega)
AMIGO OCULTO
Eu ainda tenho medo
As vezes me pego tendo medo de ser feliz
As vezes meu medo é que seja verdade, outras que tudo não passe de uma enorme mentira
Ahn...Eu queria...
Não. Eu quero. Quero tanto que me perco nos rios de sentimentos que brotam das nascentes do meu coração encharcado de sentimentos e de amor. Você nunca mais me escreveu. Você também já não me parece com tanta empolgação. Sim. Eu sei o quanto é terrível algumas coisas, mas o mais terrível é amor não correspondido. E vá por mim, disso eu entendo.
As vezes eu pego pensando se de novo vão desistir de mim, porque o amor é menos importante que as outras coisas. Não Tô dizendo que eu quero que fique por obrigação. Ninguém é obrigado a nada, muito menos aqui nessas bandas. TO DIZENDO EM LETRAS GARRAFAIS que O AMOR DEVERIA SEMPRE SER O MAIS IMPORTANTE, mas as vezes parece que não é, esse é o meu medo.
Já vi tanta gente desistindo do amor...só não gostaria de passar isso novamente. Entende?
Eu não pedi nada não. Eu parei de pedir ha muito tempo. Foi apresentado a mim, jogado na minha cara, eu só aceitei o presente, eu achei ser presente, eu espero ser presente. Se não o meu presente, ao menos o seu presente. Se não der pra duas pessoas saíram felizes desse amigo oculto, que pelo ao menos uma saia.
(Livro: Amar Até Dizer Chega)
raiz quadrada submersa
pela terra incandescente
a visão ardendo branca
pela multiplicação de raízes
em voo e luminescência
asas que alcançam
as minhas asas negras
incorpóreas, vítreas
engolidas, trituradas,
crisálida abortada
mariposa cega
sem voo
respiração
sussurro
cessação.
(Pedro Rodrigues de Menezes, “mariposa cega”)
cascalhos da manhã
Uma criança
brilha em meus olhos
e me sacode sempre
Inda tenho sangue quente
queimando tecidos em meu corpo
Inda sinto as dores da vida
sobre os cascalhos da manhã
Inda sou moço e tenho planos
E sinto amor ao olhar a lua
(do livro "Licença Para a Vida")
Texto inspirado na música Sozinho de Caetano Veloso
"Às vezes no silêncio da noite", a gente chora, a gente ri, agradece, ora, pensa, repensa…
"Às vezes no silêncio da noite", a gente pensa em desistir. Mas depois de tanta luta, não dá pra largar tudo e dá adeus aos sonhos.
"Às vezes no silêncio da noite…", a gente se decepciona. Lembra das amizades antigas, das novas amizades, das que deram certo, das que nem chegaram a ser amizade… das que pensamos ser amizade.
"Às vezes no silêncio da noite", a gente reconhece os erros. Relembra os acertos e rir de si mesmo pelas mancadas, dos micos que pagou…
"Às vezes no silêncio da noite", conversamos sozinhos: "tá vendo? Eu te falei… Você já disse isso para si mesmo? Eu já.
Ah! Às vezes o silêncio da noite é solitário, frio, melancólico, triste.
Todos temos o nosso momento de silêncio. Basta parar um pouco.
Quer saber? Parece triste. Mas no decorrer de um dia cansado, entre o deitar e o momento em que o sono chega, fique em silêncio. Fale com você mesmo. Fale com Deus. Ore. Agradeça. Peça. Seja forte. Faça o simples, mas o faça com vontade. E quando acordar, bem, aí é com você. Seja feliz. Boa noite.
As vezes
parece que nada sobrou
e
o que sou hoje
é apenas um sopro de
traumas, aflições
Me pergunto
como antes
me reconhecia,
como antes
tinha meu corpo junto da alma
como antes sabia
o que era no mesmo instante em que me via
Agora
me pergunto
“qual é essa tua nova versão de hoje?”
pois ao colocar meu olhar rente ao espelho
demoro para reconhecer as feições
de quem e̶s̶t̶e̶v̶e̶ está ali
Será que é
a mulher forte que tantos admiram?
a filha que sempre quis ser o sinônimo do orgulho?
a amiga gentil e companheira?
a irmã caçula que súplica por afeto?
a ex que deixou saudades?
simplesmente a mulher quebrada?
a romancista?
a força imbatível?
a intensidade?
apenas a casca do que um dia já fui?
Queria saber
qual a receita de me reconhecer
cara a cara
crua
nua
frente ao espelho
Talvez apenas procura
da cura
em meio a tanto desespero
mas permanecendo em frente
ao espelho
- o que vejo agora
Sorriso da madrugada
Eu olho para as paredes
E seus sorrisos perduram sem parar
A se eu pudesse, a seu eu quisesse
Me deixa mais uma vez, ver teu sorriso
Aquele da madrugada
Os lapsos de memória não param
E eles falam, dão meia volta
Se eu pudesse ver teus olhos de novo
Como naquela noite
Estava tudo tão lindo, tão agradável
Teu cheiro me confortava como uma canção
O luar brilhava
E a luz das estrelas fervilhavam,
Ao seu sorriso, teu sorriso da madrugada
Aquele tão puro que até eu caí em tua graça
Então por favor antes de ir embora
Me deixa mais uma vez, eu ver teu sorriso
Aquele da madrugada
"Bruxas são divas que se perfumam
Com essência de terra e canela
Que cantam e cozinham
Dançam e fazem poesia
Poucas vezes elas praguejam
Mas, quase sempre,
São incompreendidas..."
Exílio Nublado
O lençol me afaga a pele
Suave, mas é traiçoeiro
Ele me cura a angústia
Mas é na cura que ele me fere
E eu me levanto ao avesso
Triste, mas com esperança
De evitar o pedregulho
Que já me causou o tropeço
E eu insisto nas erratas
Ingênuo, mas já sabendo
Que o caminho que percorro
Já tem minhas pegadas
E eu não estou sozinho
Isto é, fora eu mesmo
E eu tento me abraçar
Mas eu sou só espinhos
O outono chegou!
E com ele, minha alegria...
Desculpe-me primavera,
mas é no outono:
Que meu jardim é poesia.
Não tem cor, aquele que já teve todas as cores;
Não tem sexo, aquele que já teve todos os sexos;
Não tem religião, aquele que já teve todas as religiões...
Não tem nome aquele que já teve todos os nomes!
As batidas do meu coração
pedem paixão
pedem desejo
querem emoção
ele não gosta do chato
e odeiam o parado
A beleza é o bem estar de se vestir
Aliada a naturalidade de ser
E a harmonia de se ver
E sentir gosto em se reconhercer
Existe uma fé em mim
que dá leveza aos dias.
Ainda me encanto com a lua,
Com a sutileza da flor,
Mesmo triste sorrir,
Com a empatia e com o favor.
Quando a maldade do mundo me parecer normal, então perdi tudo serei mais um igual.
@milenafernandesde
Os poetas vieram à terra com a missão de, através de suas poesias, sensibilizar o homem inibindo o total embrutecimento.
EU-JORGAL
Ó trovador que abre seu lábio antigo,
Diga a musa que ouve doce as cantigas de amigo:
Assim como tu sabes que mente para si,
És tola e eu tolo, mesmo sem a tua harpa,
Minha harpa é tua harpa, pois é para ti.
Chego até querer ir a tua corte com lira de maldizer,
Porem tua íris céu, cabelo ouro e branca rosada,
Expulsa de mim a sátira grosseira a cavalgada
Feito Segrel e seu cavalo perdido em toada .
Desde as melodias da antiguidade
Os trovadores sopravam realidades.
E tu dama a mim desfere lira de escarnio
Enquanto minha harpa compõe amor em grande ensaio.
não enterrarei as minhas mãos
não enterrarei
as minhas mãos
por não caberem
na terra dos outros.
(Pedro Rodrigues de Menezes, "não enterrarei as minhas mãos")
malmequer negro
percorro pulsante o corredor
de pés mudos como muros
ergo o intransponível crânio
nascendo e dormindo prescrito
adio a translúcida sibilância
malmequer fulgente e negro
que levo ao peito como um sabre
recito pelo adejar rítmico dos lábios
salmos rituais ossos barro pó
fulgurante translação das veias
arde-me o míope sangue vertical
escorrendo pelo lantânio e lutécio
hei-de criar pedra sobre pedra
farei da luz dois vítreos ciclopes
pousarei nos pilares de hércules
a incorpórea maldição dos deuses
e levitando andarão as testas
dos homens e deuses
dos deuses homens
sit tibi terra levis[1]
requievit in pace.[2]
[1] que a terra te seja leve
[2] descansa em paz
(Pedro Rodrigues de Menezes, "malmequer negro")
Requiem for Adílio Lopes
Adília e Adílio, ambos Lopes
oferecer-te um poema
em forma de livro
de receitas
cozer-te pão
para o coração
há tanta falta de pão
para o coração.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes XV)
Adília
e
Adílio
comem
pão
de ló
pelos pés
Lopes.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes, XVI)
imagino-te
como vieste
ao mundo
de pano do pó
na mão
e sem mais nada
por cima
por baixo
mas cheia
de coração.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes, XVII)
Herberto Helder
convida
Adília Lopes
para jantar
duas solidões
uma doméstica
não domesticada
outro uma artéria
sem pressão arterial
ponto de interrupção.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes, XVIII)
o teu cabelo
Adília
o teu cabelo
Adília
é uma rosa
de ventos
ventania
poesia.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes XIX)
os capítulos
capitulam
esta história
no fim triste
cumpriu o destino
de Adílio Lopes
morreu nos braços
de Adília Lopes
no dia em que se conheceram
consta que morreram
Adílio Lopes
os gatos
e só sobreviveu
Adília Lopes
e as suas baratas
mas sobre os gatos
assassinos
que esgatanharam
(não confundir com esgadanhar)
o corpo de Adílio Lopes
ninguém escreveu.
(Pedro Rodrigues de Menezes, Adílio Lopes, XX)
Nota: termina a história de Adília e Adílio, ambos Lopes.
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