Poesia de Boca
Você
Hoje acordei com teu nome pousado na boca,
como quem sussurra um segredo ao amanhecer.
Abri a janela e o vento perguntou por ti,
e eu respondi com silêncio… mas pensando em você.
Pensei em dançar na chuva sem medo do frio,
em rir alto só porque o dia nasceu bonito,
em procurar no mundo um cheiro que me lembrasse
o abraço que só encontro quando te imagino comigo.
Por um instante doeu lembrar tua ausência,
esse espaço vazio na cadeira ao lado.
Mas até a saudade tem teu jeito manso —
ela me visita e diz que você nunca foi passado.
Porque mesmo distante dos meus braços,
você mora onde ninguém pode arrancar:
na parte mais viva do meu peito,
onde cada batida aprende a te amar.
Profundidade
Tua pele, tua boca,
quero beijar-te,
quero tocar-te,
entrelaçar-me contigo.
Quero um encontro contigo,
mergulhar na tua essência,
descobrir cada profundidade
onde teu ser se revela.
Que o tempo se faça lento
quando estivermos juntos,
e cada suspiro seja mapa
dos mistérios que habitam
teu corpo e alma.
Tua presença,
desejo e calma,
num só instante,
faz do teu abraço
o universo inteiro.
Não importa quem eu sou —
o nome dorme na boca do mundo.
Importa o gesto silencioso,
a escolha que não pede aplauso,
o passo firme quando ninguém olha.
É no escuro que o caráter acende.
Na mão que não rouba,
na palavra que não fere,
no “não” dito ao atalho fácil,
no “sim” dado ao que é justo.
Quando ninguém vê, eu me revelo.
Ali mora minha verdade inteira:
não o que digo ser,
mas o que faço em segredo
quando só a consciência assiste.
O céu da sua boca
Quando lembramos de passagens felizes que preencheram a nossa alma, elas permanecem em nossa mente, guardadas como relíquias escondidas em um baú lá no fundo, na gaveta chamada mente.
E assim, um belo dia, a gente dorme, e o senhor Sonho — não sei explicar —, mas sem autorização, abre esse baú.
Confesso que me sinto muitíssimo feliz, até porque sentir o céu da sua boca em nossos beijos tira o foco de outros combustíveis.
Grandioso é esse sonho.
Gracioso é você.
A cor e o sabor da palavras
têm a verdade da Chanana.
Da minha boca e da caneta
só sai o que jamais engana.
O louco coração o amor
não nega jamais e proclama.
Te venero como quem espia
a Via Láctea e aurora cigana.
Pecado Gostoso
Helaine Machado
Se beijo na boca fosse pecado…
oh Deus…
que pecado tão gostoso seria.
Pecado é sentir teu gosto
e não querer mais parar,
é perder o rumo do mundo
só por te tocar.
Tua boca na minha
não pede perdão,
não conhece limites,
não escuta razão.
É fogo calado,
é desejo aceso,
é o corpo inteiro
rendendo-se ao mesmo desejo.
Se for pecado, eu confesso…
eu peco sem medo,
peco de novo,
peco em segredo.
Porque tem beijos
que não se explicam,
se sentem…
se entregam…
e nunca se esquecem.
E se amar assim for errado,
então deixa ser…
porque entre o céu e o teu beijo,
eu ainda escolheria você.
Helaine Macha
De que serve a minha poesia
se a sua boca não me diz,
se o silêncio faz sangria
no que eu quiz fazer feliz
de que serve o verso escrito
com o peso da intenção
se o meu grito mais bonito
não alcança o seu perdão .
pois a rima se esvazia
e o papel vira desterro
de que serve minha poesia
se seu beijo é o meu erro.
De que serve a minha poesia
se a sua boca não me dá
o destino , atravessia,
o destino de eu estar
guardo versos na lapela
metáforas ao relento
mais a rima mais singela
morre aondabor do vento
pois , se o lábio não confirma
o que a alma já escreveu
toda estrofes se desmancha
entre o seu mundo e o meu .
Os antigos poetas e pensadores diziam que os olhos são os espelhos da alma
e as palavras da boca são flautas
A MINHA MENTE
FUNCIONA TÃO RÁPIDO, QUE A BOCA FAZ A MAIOR CONFUSÃO EM TENTAR EXPLICAR, COISAS QUE NEM UM DENTE ENTENDE®
Ela sempre foi movimento.
Casa girando em torno dela.
Mão que fazia, boca que orientava, olho que via tudo.
Era dessas mulheres que acordam antes do sol
e dormem depois da vida.
Sabia onde estava cada coisa.
Cada conta.
Cada remédio.
Cada problema.
Ela era memória viva da família.
Era calendário, era agenda, era conselho.
E agora…
O tempo resolveu brincar ao contrário.
O nome das coisas escapa.
Os rostos às vezes embaralham.
As histórias ficam pela metade.
Mas tem uma coisa que não foi embora:
a essência.
O jeito de segurar a mão.
O olhar que ainda procura cuidado.
A doçura que aparece em lampejos.
O Alzheimer não apaga quem ela foi.
Ele embaralha caminhos,
mas não destrói o que foi construído em décadas de força.
Existe uma inversão silenciosa:
quem foi porto vira mar aberto.
Quem guiava agora precisa ser guiada.
E dói.
Dói porque a gente lembra de tudo.
E ela… às vezes não.
Mas amar alguém com Alzheimer é aprender outra língua.
É repetir sem irritação.
É contar a mesma história como se fosse a primeira vez.
É segurar firme quando o mundo dela fica confuso.
Ela continua sendo a minha mãe.
Mesmo quando não sabe dizer seu nome.
E talvez agora o papel seja meu:
ser memória por duas,
ser paciência por duas,
ser colo por duas.
O corpo pode esquecer.
Mas o amor não desaprende.
E isso, ninguém tira dela. Nem de mim.
VENENO
Tem uma gota de veneno
em minha boca
que lhe rouba
os sentidos
quando está comigo...
Me faço de santa
e sem a culpa que me condena
traço meu plano
bandido!
Desavisado
se entrega a satisfazer
os meus desejos...
E entre
o torpor que lhe percorre o corpo
se embriaga
na malícia de meus beijos!
Ele veio com aquela malandragem que vem os homens quando quer algo mais do que um beijo na boca.
O que eu não contava, era que a minha malandragem estivesse acordada, e achasse que o samba dele dava rock e que só um beijinho era coisa pouca!
o amor esquece de recomeçar
Calei-te a boca com meu olhar
Entreguei a ti o que sou ,
nada adiantou
Te dou dois segundos para ir embora e nunca mais voltar
Meu sentimento é a sua pacatez
Sei bem o que venho sentido , e isso me assusta
Estou sendo obrigada a viver nesta ressaca, nesta opressão que me apaixona
descobri o que você tem feito comigo,
entenda que de tudo eu fui capaz de fazer
mas o ápice absoluto do seu eu
me fez desmoronar
Me criei, assim, baldoso.
Meu pêlo, nunca viu tôso.
Meu lombo, não prova de arreio...
Na boca, sem gosto de freio;
Trago por recordação:
Relinchos do meu rincão
Que quase parto no meio!
Ecoados pelo vento...
Andarengo e pacholento
Que mistura o cabelo da china
E faz chorar a retina
Empoeirado e cinzento
Não me enganas com teu pranto!
O vento, nunca foi santo
Sempre espalhou pelos canto
Agouros e maldições
Histórias velhas e canções
Que eram parte de segredo
E me fez desde cedo
Valorizar um estouro;
Endurecer bem o couro
E da vida não ter medo.
Andei recorrendo a pampa
Sem rumo e sem parador
Como abelha sem achar flor
Como sarna que não tem cusco
E de tanto pialo e susto
Hoje, já falquejado das voltas
Anseio um pago repouso
Não há de faltar... a mim, um poso
Mas que fique salientado
Que mesmo cansado e maduro
Sou o mesmo queixo duro!
Sou o mesmo APORREADO!!!...
Compraria suas coxas
Roubaria seus seios
Tomaria sua boca
Arrancaria seu olhar
Lamberia sua nuca
Pegaria suas ancas
E me levaria embora.
Aquele que resmunga e murmura atrai para si próprio o mal,
pois nossa boca tem poder,tanto para o bem, como para o mal.
Ao sentir sua presença, fechei os olhos e a minha boca calei,
Para não te ver e também a verdade não dizer...
E dos meus olhos fechados veio à imaginação,
E da minha boca nasceram sussurros
E palavras quase mudas que a ti dediquei...
Quero te ter, para não precisar fantasiar e fingir que não vi.
Olhar em seus olhos, descrever-lhe em palavras,
E com carinhos o infinito de prazer descobrir.
Se for com você, não quero sonhar,
Quero materializar meus sonhos em você,
E principalmente, com você.
"Quando as palavras lhe faltam, a melhor coisa a fazer é calar a boca.
Quanto mais você tem a dizer, menos palavras ocorrem. Quanto menos você fala, mais você pensa.
Quanto mais você pensa, mais coisas você tem a dizer. É um paradoxo perfeito para levar você contra você mesmo."
