Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
É colorida como
a constelação mais distante,
é como a tarde mais alaranjada,
já colecionara tantas cores
que hoje vê-la
é como entrar numa floricultura.
Fora criada para ser
a personificação da liberdade,
de olhos acinzentados
como boas manhãs
nubladas de domingo.
E se tivéssemos a certeza
de que tudo fosse dar certo,
o que você faria
com a sua indecisão de hoje?
Sempre acreditei
na relatividade do tempo,
e quando me abraçou
e me sorriu com os olhos,
o tempo parou,
e lá ainda estou.
De todos os segundos
que pereceram naquele dia,
eu só lembrava que
te vi distraída,
ajeitando o cabelo
e a roupa
em teu corpo
o tempo todo.
É interessante como a vida
parece uma rotina para todos,
quando enxergamos por fora,
mas também não seriam todos
que iriam se apaixonar
se pudesse enxergar todo caos
erodindo como vulcano,
dentro de cada um.
Pequenos atos de autocuidado,
são como um GPS para felicidade
para quem um dia se perdeu no meio
de tantos pensamentos distorcidos.
Sempre seremos carentes
de um universo de coisas.
Mas há fartura diversa
em nossas experiências de vida.
O quarto era pouco revelado
pela penumbra,
minha mão que escrevia
poesias em sua cintura,
nem se importava
pela roupa jogada nessa altura.
Ela que estava de olhos serrados,
prestes a entrar no teu sétimo sono.
Ainda falava comigo,
de voz abafada pelo peso do sono,
mas carregada de carinho.
Me pedia cafuné,
no meio de todo
aquele cabelo de pé.
E que, nesse monólogo,
possamos ter ainda,
no final do dia,
o interesse de
flertar com a vida,
mesmo nos dias
mais difíceis.
Devemos apreciar essa vida,
esse corpo, a voz que temos,
as coisas que já vimos,
e as que vemos todos os dias.
Devemos apreciar a comida
a bebida aos lazeres.
Admirar as pessoas
e todo potencial que
elas conseguem ser.
Devemos existir na vida
e esquecer do tempo,
porque os momentos
eles nunca voltam,
mas eles sempre
acontecem.
Quando somos crianças
nosso psicológico
nos protege do mundo.
Quando crescemos,
protegemos nosso psicológico
do mundo.
Me manda
áudio sorrindo,
me fala do seu dia,
manda sua música favorita.
De você, eu só quero
coisas que não se guarda
numa galeria de fotos.
Saudade do nosso silêncio
enquanto existe o som
do nosso corpo,
somando um ao outro,
criando caminhos
para se explorarem.
Na escola da vida,
era uma boa aluna,
levava como podia,
ajudava como podia,
sofria só pelo que deveria,
não prolongava
o que não deveria
mas o mais importante,
sorria, sempre que podia.
Vamos fingir
que somos mesmo
criaturas eternas,
e entregar
o melhor de nós,
mesmo que seja
trivial.
Aprendeu a ter calma,
a sentir cada passo,
dos físicos aos metafóficos.
Já teve sonhos engavetados,
sonhos em rascunhos,
sonhos falidos e sonhos realizados.
Mas a vida não assustara,
não tinha medo da única coisa
que a vida tem a oferecer
é viver e assim seguia seus dias.
Moça sorridente,
com quem fosse sorridente
tinha passos leves
pelo feriado da sua quinta-feira.
Colocava música para ouvir,
andava pela casa,
em sua distração
entre canções e tarefas diárias,
cantava e esquecia
que o tempo passava
esquecia a vida lá fora
lembrava apenas dela,
rodopiava entre cômodos
enquanto dançava.
Cantava melhor
a cada taça de vinho
que tomava.
A escrita é
verbo silencioso,
que vem do âmago —
é a voz alta
de uma alma barulhenta.
a escrita
é socorro
e resgate
ocupando a
mesma matéria.
