Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Quem dera
colher na fonte a mais pura liberdade
frutificar sem medo,
e combater sempre mais
outras terras gritarão seus heróis
tantos, quanto um exercito
incalculável verdade
prometida profecia
fronteiras das injustiças
entre o mar e o calabouço
omissos desejos
não havendo um muro
a guerra será inevitável
o anseio por ela
esse,
sempre existiu...
Por que quereis prender as nuvens?
se delas é todo o algodão
e por elas o céu chora
e jorra perdão
.por que quereis mais do que tendes
se o tanto é espanto para muitos
e para outros sobram apenas vinténs
percebeis a fúria do destino?
então o verbo ensina a orar
e abençoa as mãos calejadas no campo
bênçãos do pai para nós
colheitas fartas de amor
então por que quereis mais
se a colheita é farta e já não é justa a divisão...
Sinto muito
por você sentir quase nada
e isso acaba
com o pouco que por pouco quase existiu
melhor assim
vai que esse quase nada
era...
vida engraçada
a gente leva tanta porrada
e ainda sorri feito criança
quando a lembrança
traz os ventos da felicidade
não tem idade
todos têm um pouco de loucura
uns tanto que não levam a vida muito a sério
outros demais, chatos pra caramba
mas o que vale é a ousadia de viver
querer
tanto que morrer
é a primeira coisa que não queremos
envelhecemos
para partirmos quando não der mais
para sorrir
ai sim...
Hoje o dia amanheceu mais ou menos
entretanto os ventos da liberdade sopram
algo vai melhorar
as nuvens, antes densas e carregadas, agora esvaem
os feudos, toscos e aparvoados subestimam a grandeza
e todos numa fila de esperança
depositam suas vontades
o que vencer, não poderá ignorar
o novo tempo, que está para nascer...
Quem quer, precisa conhecê-lo à noite
porque durante o dia, ele esconde preciosidades
e fica azul, tingindo o mar
entretanto à noite, se despe
e na nudez da verdade, mostra a sutileza e a grandiosidade
sem imitar ninguém, rouba a cena
faz do espetáculo, poesia à parte
e encanta quem sabe
que nele, nem tudo é escuridão
Há de o riso resistir
zombando de todas as tristezas
rolando nos gramados feito louco, em tardes de verão
sem medo, ser feliz
acordar
nos fragmentos de uma tela
despertar o dom
há de ter amor, de sobra, de tanto
pelos cantos, pelas frestas, nas colinas
permanecer esparramado na esteira do tempo
e num riso de felicidade, dizer:
vida, valeu...
da janela observo
a borboleta amarela
voar singela no entorno da flor.
a vida, às vezes, pode ser suave e bela
como um simples olhar da janela.
O sono foi por aí
Vagar pelo mundo
Sem dono
Em completo abandono
De nada mais sou dono
Nem de meu sono.
O universo inteiro
Cabe em apenas um verso
Mas é por demais diverso
Para caber nos cânones
De uma ideologia
Ou religião.
Por falta de tempo
Perdemos o mais precioso
De todos os tempos
O de perder tempo
Proseando com os amigos
É o tempo perdido
Mais útil que podemos ter
É tempo ganho
Tempo feliz.
Vivemos tempos soturnos.
Tempos tristes...
Tempos rudes!
Tempos de louvação à morte.
Teremos tempo de ver mais humanos tempos?
Roubava...
Sem remorso
Todas que podia
Depois as amava
E as soltava pelo mundo
Em forma de poesia
As palavras roubadas
O poeta.
O canto triste e melancólico
da sabiá-laranjeira
que reside aqui em frente,
invade minha solidão.
Formamos um belo par de solitários,
ambos fora de tom:
ela, com seu canto,
lamenta o amor que se foi,
eu, em meu canto,
lamento o amor que não veio.
Escrevo. Ponto.
Porque necessito.
Porque sou esquisito.
Porque sou à toa!
Ou será por ser ateu, eu?
Escrevo...
Apenas por necessidade.
Sim, um pouco por vaidade.
Ah, escrevo. Ponto. E conto.
As letras misturam-se em minha mente demente.
Escrevo para organizá-las em pensamentos inteligíveis.
Ao expeli-las, as letras, desenlouqueço. Um pouco menos, ao menos.
Escrevo... É o que mal sei fazer. E que mal pode-me fazer?
Escrevo. Vírgula, acento e ponto. Pronto.
Verso inverso
Reverso verso
Com verso
Converso
Sem nexo
Verso adverso
Universo
Unir verso
Verso a verso
Verso versus verso
Versos para um fascista
Calma, seu fascista!
Apenas me defendo de ti.
Mas, ao contrário de tu,
não sou perverso.
Apenas cometo
uns mal traçados versos.
Ás vezes, feios como tua alma podre.
Mas livres como a esperança...
A sensação que eu tenho é que a maioria das pessoas está aqui a passeio.
E a maioria das pessoas vive uma vida inteira completamente superficial.
Se você teve um dia ruim, ainda, sim,seja educado com as pessoas.
Você jamais vai saber como foi o dia dessa pessoa, e ela jamais terá culpa de como foi o seu dia, independente de ter conquistas ou derrotas.
Os outros não têm culpa ou sorte a serem refletidas de como foi seu dia
