Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac

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⁠Manhã do Menestrel

No bairro onde a luz se derrama,
Fonte Grande desperta em flor,
O domingo acende a chama
Do silêncio vestido de amor.

Pelos muros, a brisa passeia,
Beija as folhas com doce fervor,
O menino do Mucuri anseia
Por versos que nascem da cor.

Os sinos do tempo repousam
Nos telhados dourados de paz,
E as aves nos céus entoam
Sonhos que o sol desfaz.

Oh manhã de candura infinita,
Teu perfume de vida seduz,
Tua alma tão pura palpita
Na rima sagrada da luz.

É o menestrel que contempla,
Com olhar que resgata o azul,
A manhã que em si já exempla
A poesia do céu sobre o sul.

Inserida por JBP2023

⁠" MELHOR IDADE "

Melhor idade? A que tu tens agora…
A que se vive com intensidade,
sem medos, sem receios, com vontade
sabendo que o prazer nos revigora!

Qualquer momento é de preciosidade
e, o instante, é que essa carne comemora
por todo esse querer que, dele, aflora
e que constrói, em nós, a eternidade.

Agora, é o tempo! Viva-o intensamente,
sem grilos, preconceitos, teus, da mente,
sem restrições vazias, sem pudor…

A tua melhor idade, em toda a vida,
a ser intensamente bem vivida,
é aquela em que viveres teu amor!

⁠" SEM "

Foi longo o tempo sem de um terno abraço,
sem beijos, sem carinhos, sem paixão,
sem de outro corpo a fim de uma união
que, do viver, tirasse esse cansaço.

Sem compromisso… Alguém… Só solidão…
Sem parceria alguma pra um amasso,
nem coxas se buscando num enlaço
nem toques, nem carícias de outro, então…

Foi toda a eternidade sem amor,
sem vínculo qualquer, seja o que for,
nem sonhos, nem encontros… Sem razões…

Um tempo longo, eterno e infinito,
sem preces para o coração contrito,
sem, de qualquer promessa, as ilusões!

⁠" ESCOLTA "

Permites que viaje o pensamento
(vai se saber por onde), sem receio,
sem restrições quaisquer, assim, sem freio,
sem dar-lhe prazo ou leis para o momento!

Disfarças, pelas ruas, teu anseio,
teu medo que se perca o sentimento
ou que ele se transforme num lamento
por um qualquer, insano teu, falseio.

O lapso de tempo que isso omite
só faz com que, o temor, teu peito habite
e tira-te a visão do mundo a volta…

Que o pensamento vague, então, permites,
e sem dar, à razão, reais limites
nem vês que o amor, contigo ali, te escolta!

⁠" TÁ FRIO? "

Eu sou do sol, do céu azul, calor,
da pele exposta ao bronze de verão
e ter, no corpo inteiro, a sensação
da liberdade entregue ao seu sabor!....

Sou eu por lenha seca na paixão
e combustível pronto para o ardor
que se fizer, por chama de um amor,
presente no teor da relação.

Aqueço a carne, o peito, em fiel carinho
chegando como a aurora, de mansinho,
num dia ensolarado sobre a areia…

Tá frio? Chegue mais perto e corra o risco
de se abrasar comigo em meu aprisco
e se embromar de amor na minha teia!

⁠" VIDA PLENA "

Libertação: da morte para a vida!
É Páscoa a ser, pra sempre, festejada
e, assim, se ter a história recordada
na graça eterna aqui nos concedida!

Ao anjo, a morte a todos, ordenada
traria, por juízo sem medida,
condenação cruel ali estendida
onde a corrupção fôra instalada.

Mas um cordeiro a ser, pois, abatido
teria sangue, às portas, aspergido
trazendo o livramento e a salvação…

Se sai, assim, da morte obrigatória
pra vida plena, dada por vitória
ao se acolher o Cristo ao coração!

⁠A ORQUESTRA DO INÚTIL

Às vezes, tento querer escrever o que esta sociedade pretende dizer, mas logo descobro que ela mesma já se perdeu na vontade de enunciar-se. Não há verbo que a represente, nem sujeito que se assuma. Há, sim, um murmúrio colectivo, um desejo de parecer pensamento. E escrever o que a sociedade quer dizer é como tentar traduzir o silêncio de um homem que aplaude porque os outros já o fazem. É tentar dar nome ao abismo quando o abismo, educadamente, nos pede um autógrafo. E depois só contamos. Contamos quantas horas restam até o próximo.

Há quem, por ofício ou desvario, destile notas como se o tempo coubesse inteiro numa só melodia. E fá-lo com tamanha urgência que o silêncio. E depois morre afogado na enxurrada de compassos. E assim, entre a batida e o aplauso comprado, ergue-se o trono de um Rei, não por virtude mas por volume, não por arte mas por frequência.

É nobre, sim, o timbre. E há talento disso ninguém duvida, mas até o ouro, quando em demasia, perde o espanto e vira moeda. E a sociedade de ouvidos embotados, aplaude por reflexo. Confunde constância com génio, e quantidade com legado. Ora, família, o excesso também é uma forma de desperdício.

Inserida por rosariobissueque

⁠" QUER? "

Que prenda linda: moça, dentes brancos,
sorriso aberto, intencional, sincero…
Fico a pensar e (dentro, em mim) espero
que os pensamentos dela sejam francos…

Pois, afinal, sem farsa ou lero-lero,
sorriu pra mim cercando-me nos flancos…
Aceito o risco, aos trancos e barrancos
acreditando que o amor é vero?

Sou homem das paixões, um poeta nato,
por vezes sonhador nesse aparato
de ver, onde não tem, vasto querer…

É moça linda, prenda das mais belas…
Aceito ou me reservo nas cautelas?
Difícil crer que quer, ela, me ter!!!

⁠" INJUSTAMENTE "

É vasto esse universo… A imensidão…
Nem sei se vim parar aqui, do nada,
pois sinto-me perdido nessa estrada
sem rumo, sem destino ou direção!

Pergunto-me se tenho, na parada,
alguma culpa e, até, condenação
por me incluir na imensa multidão
dos que, cá, nada sabem da jornada.

Sou réu ou vítima deste sistema
sem solução nenhuma pro problema
que foi me posto ao colo abruptamente?

É vasta a imensidão, esse universo
tão rico, tão confuso, controverso…
Aqui fui posto ao caos injustamente!

⁠" A FEITICEIRA "

Mas que mulher fantástica, guerreira,
das que se dizem ter real valor
e para quem se deve dar amor
ao se fazer, em tudo, companheira!

Se colocou, inteira, a meu dispor
mostrando-me ser fada, feiticeira,
e fez-se, na magia costumeira,
garota dada ao riso e ao bom humor.

Assim, me enfeitiçou no amor doado
e fez-me, da paixão, acostumado
prendendo-me à magia que irradia…

A chamam feiticeira, bruxa boa!...
Só sei que o seu feitiço, em mim, ressoa
e dei-lhe o coração por moradia!

⁠" MISSÃO IMPOSSÍVEL "

Amar é uma missão quase impossível,
mas fomos nós capacitados, sim,
a nos doarmos nisso posto, enfim,
de forma que o amor é factível!

Também o tenho aqui, intenso em mim,
ardente, caloroso, até sensível,
mas sempre se achegando imprevisível
quando a paixão lhe acolhe forte assim.

Como é possível alguém, como eu, amar
é mais difícil, em tudo, de explicar…
Tu podes crer! Sem provas nem razão…

Quase impossível! Uma missão nos dada
que eu abracei sem entender-lhe nada
mas que, o bem, tem me feito ao coração!

⁠Tem desvios que a gente só entende quando já foi longe demais,
e percebe que passou tanto tempo tentando voltar,
que esqueceu como era caminhar.

Inserida por V_K

⁠aqui no fundo do mar, em sombria água
busquei redenção como náufrago fantasma
para sempre vivendo nos versos esquecidos
na escuridão do fundo do mar em um livro

Riz de Ferelas

Livro de poesia Novos Ventos

Inserida por rizdeferelas

⁠tudo que me sobra, uma lembrança distante
dias que se foram, seu sorriso no horizonte
sonhos dão força para caminhar mais um dia
amor escreve cada verso que se torna poesia

Inserida por rizdeferelas

⁠se a cada batida meu coração escrever um verso
vou te alcançar mesmo do outro lado do universo

Riz de Ferelas

Inserida por rizdeferelas

⁠estrelas, me emprestem um pouco de seu brilho
para eu poder iluminar o meu caminho
existe alguém que eu quero encontrar
no fim de tudo, quando tudo acabar

Riz de Ferelas

Inserida por rizdeferelas

⁠" TALVEZ "

Talvez haja um segredo em tudo isto
que nos conduz a alma pela vida!
Talvez uma magia concedida
sei lá no quê, pois nunca fez-se visto!

Vai ver, talvez, sequer tenha medida
nem forma, já que nunca foi previsto!
E penso que, talvez, tudo que alisto
nem perto chegue à lógica exigida.

Feitiço? Vai saber… Por natural,
não há explicação conceitual
pra tudo o que, sem causa, aqui se fez…

Diria que o amor seja o segredo
que traça nossas almas nesse enredo
até que o aprendamos, pois! Talvez!

⁠" SUCESSO "

Alguns conseguem ter consagração,
sucesso, ter vitórias nessa vida
com luta, muita vez, cruel, renhida,
e destacar-se, assim, na multidão!

Há quem consiga a meta pretendida
por sorte, por destino, (sei eu, não)…
Tropeçam nela sem essa exaustão
que a maioria vive, por medida.

Jamais subi no pódio da vitória
ao escrever, discreta, a minha história
nem recebi lauréis pelo que escrito…

Mas conquistei o amor que fez-me vivo,
me deu prazer e fez-se por cativo
de forma que o sucesso me é infinito!

⁠" QUALÉ? "

Qualé? Tu tens também esse desejo
de achar, em meio a encontros e atração,
alguém que te desperte, por paixão,
e tenha, pelo amor, o mesmo ensejo!...

Por que não embarcar na noite, então,
seguindo, do querer em ti, o arpejo
chamando, para o olhar, todo cortejo
que prometer ter mais desta emoção?

Se toca! Queres, tu, do mesmo enredo
e, se não te aventuras, é por medo
de repetir histórias do passado…

Tens tal desejo em ti! Qualé? Te manca…
Vá lá! Busque o que queres! Quebre a banca
e traga o amor pra junto do teu lado!



@poetaesoneto - @s.juniorpaulo
https://poesiaemsonetos.blogspot.com
https://aquisonetos.blogspot.com

⁠" FOI-SE "

E lá se foi o tempo, a juventude,
os dias de seresta e serenata…
Perdeu-se a voz do sonho, da bravata,
o instante de fingir qualquer virtude…

A vida nos transforma, nos formata
e vão-se os dias mansos, de quietude,
ficando, para trás, força e saúde
conforme a idade chega, ainda novata.

Não há mais nada novo na velhice
se como o tempo nunca mais abrisse
as portas da curiosidade nata…

O tempo foi-se… Ficam suas marcas…
Lembranças, pouco a pouco, frágeis, parcas…
Na pele, as rugas… No cabelo, a prata!...