Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
SOBRE VIVER
O trabalho traz dignidade ao homem.
A gente trabalha para sobreviver.
APENAS sobreviver!
A vida fica pra depois.
Depois, vem
o cansaço,
as dores,
as dívidas
e as dúvidas.
E a vida fica pra próxima...
(Guilherme Mossini Mendel)
PASSAGEM
maldito relógio,
maldito calendário...
o homem organiza
o tempo
e calcula
a sua penitência.
***
passatempo, passatempo...
eu passarei, tu passarás
(às vezes, cedo demais).
(Guilherme Mossini Mendel)
VERBO(A)
Qual é a diferença
entre o verbo e a verba?
Nenhuma.
Pois só quem tem verba
pode usar o verbo.
***
Conjuga-se o verbo,
almejando a verba.
E o verbo,
que no princípio era “amar”,
torna-se a mais letal arma.
(Guilherme Mossini Mendel)
TRÂNSITO
As pessoas desnudam
Sua real personalidade
No trânsito.
É por isso que ele flui mal
E há tantos esbarrões.
Dois egos não ocupam
O mesmo lugar no asfalto.
(Guilherme Mossini Mendel)
BIOGRAFIA
Nasci em um lugar qualquer,
Compondo versos para velhos conhecidos.
Vendi mil livros para a Terra de Ninguém.
Fui premiado com o Troféu Abacaxi.
Fundei a Academia de Letras
Do povoado Cafundó do Além.
Fui traduzido para todas línguas mortas
E lido por fãs imaginários.
(Guilherme Mossini Mendel)
O SOL ESTÁ LÁ
O sol está lá,
Ele sempre está lá,
Mesmo que anoiteça,
Chova ou tudo nuble –
Como se fosse Deus...
(Guilherme Mossini Mendel)
LÚDICO
A cobra cobra
Pelo fim da picada
O cobre cobre
Seu símbolo despudorado
A loucura cura
Toda angústia sem volta
O vencedor vence
Toda dor de tentar
(Guilherme Mossini Mendel)
FLORICULTURA
A bromélia morreu.
E, junto com ela,
A minha paixão por Margarida.
Joguei a rosa fora,
Mas fiquei com os espinhos.
(Guilherme Mossini Mendel)
IGUARIAS
O passado tem gosto de docinho de coco.
O presente tem gosto de noz.
O futuro tem gosto de bem-casados.
A vida tem cor de morango
E cheira a perfume de baunilha –
Café e chocolate amargos,
Atiçando a doçura dos prazeres.
(Guilherme Mossini Mendel)
O JORNALEIRO E O JORNALISTA
Há uma diferença sutil
Entre o jornaleiro e o jornalista:
Os dois distribuem informações,
Mas só o segundo tem voz
Para dizer alguma coisa.
(Guilherme Mossini Mendel)
POEMINHA LÓGICO
Quem fala com a consciência
Conversa com Deus.
Logo, quem tem consciência
Tem Deus consigo.
E quem não a tem
Perde-se nos confins
Do Inferno existencial.
(Guilherme Mossini Mendel)
AINDA SOU UMA CRIANÇA
Ainda sou uma criança com medo,
Escondida em um corpo de adulto.
O tempo passou por mim
E eu não percebi.
Não me tornei um jovem,
Nem me tornei adulto.
Permaneci o mesmo –
Invariável presença do ser.
Ainda sou uma criança com medo,
Essencialmente eu.
(Guilherme Mossini Mendel)
PERSONAGEM COMPLEXO
O Eu
É um personagem complexo,
Definitivamente mascarado,
Que entra em cena
Quando se está dormindo.
Quando se está acordado,
Surge um desconhecido.
(Guilherme Mossini Mendel)
LEVADO
O que leva uma pessoa
A achar que sabe?
O que leva uma pessoa
A achar que pode?
O que leva uma pessoa?
Eu não sei...
Mas todos são levados a...
(Guilherme Mossini Mendel)
O QUE HÁ LÁ NO ALTO?
As nuvens brincam
De adivinhação
Quando as crianças
Olham para elas.
Assim, viram ovelhas,
Viram vacas,
Viram tudo aquilo
Que você imaginar.
Mas elas choram
Quando essas crianças
Não brincam com elas.
É o medo da solidão.
É o que acontece quando chove.
(Guilherme Mossini Mendel)
Onde você estava quando cai?
Quando o vazio me preencheu?
Quando ouvir a sua voz era tudo que eu precisava?
Onde você estava quando chorei?
Quando fiquei sem chão?
Quando você era a única pessoa que eu confiava?
Onde você estava quando eu
Mais precisei do seu abraço?
Quando o meu coração estava em pedaços?
Onde você estava quando eu mais precisei do seu abraço?
Ornamento de palavras vazias, desconversas ao vento,
Tentativas fúteis de esconder o que vai por dentro.
Embelezando a superfície, esquivando-se da verdade,
Desconversas, ornamentos ocos.
A Chocolatelência de Van Gogh
Só pela arte, poderia a mulher chocolate,
Posar para o mestre Van Gogh.
Imagine, um belo final de tarde à beira mar,
O sol ainda quente, derretendo o avatar.
A modelo, graciosamente, pingando sem graça, gotas de chocolate, sob o olhar de lince do pintor, pincelando cada gota, um verso, um suspiro, uma rima, abrindo a cortina, na tela molhada de leite e cacau, obra prima.
Apenas o sol espectador silencioso, de um encontro indecoroso, um milagre, onde o pintor e sua musa, sua admiradora, sua amante, é mera fantasia.
Af 233
A Maçonaria é a
parte Místicas da
burguesia
Af 22
A violência é como a rinite,
Ás vezes você está atacado e
Propício a ela, às vezes não.
Af 987
Exatamente por não saber
O que o futuro me reserva,
Escrevo sem reservas
Af 988
O pior dos gênios,
É o Gênio por maioria de votos,
E há tantos deles. Que seu
Numero chega a igualar
Com dos idiotas no mundo
O desafio da vida é ser (no) infinito, desenhar sem borracha e "poetisar" todos os silêncios.
© Ana Cachide Praça
