Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
ANJO IRRECONHECÍVEL
(23.09.2018)
A noite vem chegando...
E meu ser abre o seu templo,
Querendo de maneira viva
Contemplar o próprio coração.
Como se esperasse por um rosto,
Cuja a luz não deixa reconhecer,
O anjo que foi deveras escolhido
Para na mente permanecer.
PRIMAVERA IMPRESSA
(24.09.2018)
Ah, Primavera que entrastes
Pela porta principal do coração,
E em mim deixaste o aroma
Das puras flores do campo.
Em cada encontro com meus versos,
Vens mostrando o colorido impresso
No meu rosto desde o amanhecer
De um profundo momento do despertar.
GRILHÃO
Por que hei, desta solidão, o memorial
Por que hei, do silêncio, o chamamento
Se o caminho tem o seu início e o final
E o fado nunca é só descontentamento
Fosse possível ser apenas um ato fatal
Depois de tanto e tanto aborrecimento
A vida seria apenas passagem acidental
E no acaso não teríamos o sentimento...
Vária lembrança no tempo, nunca lento
De vias que nos parecia uma eternidade
E que nos foi reservado no esquecimento
Por que? Me encadeias sem piedade
No grilhão do vil ignoto e do tormento
No cárcere dum martírio da saudade?
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
25 de setembro, 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
A MÍSTICA DA LUA
(26.09.2018)
O teu mistério me faz sentir
O quanto ser poeta traz
Ao meu pensamento uma mística
De toda a natureza viva e inocente.
E os passos vão levar
Até a sua presença inebriante,
Oh lua a qual não te escondes!
Mas transpassas meus olhos com a luz.
Como no outono,
Folhas caídas no chão,
Cores mortas,
Sempre em estação,
Primavera veio pra agitar,
E cores vivas para alegrar.
Sambando na neve,
Sem mesmo notar,
Á aventura sempre breve,
Em olhos profanar,
Livros em contos sem entender,
Vivendo dias de heróis sem saber.
Um vilão sem falar,
E as histórias sem contar.
Metalinguagem
Pressinto poema, a rima me invade
Me cerca por cima, abafa a prosa
Martela na alma, me urge e arde.
Escrevo com calma a rima teimosa.
Na cama, pijama, controle, marido
É quando a rima aparece perfeita
Prometo jamais esquecer e repito
Mas é poesia e precisa ser feita
A prosa me ronda tão chique e nobre
A rima invade, covarde, " chinfrim"
Em prosa sou ouro. Rimando sou cobre Rima é poesia que exala de mim
Ml
Não quero a rima
Nem rica nem pobre .
A prosa é ouro, rimando é cobre.
Eu tento a prosa: medrosa, padeço.
Em rima, sou asa.
Se prosa, sou gesso.
C
TEMPORAL DE LUMINOSIDADE
(26.09.2018)
Quero viver um temporal de luminosidade
Na inteireza de quem realmente sou.
Despertar para um novo dia,
Ouvindo o que a alma tem para dizer.
Um constante silêncio no resinto
Pelo qual se encontra meu poema!
A ideia nascendo de maneira
Transparente em sua verdade.
O silêncio é aliado da solidão.
Ambos traçam caminhos de mãos dadas.
A solidão nos trás calma,
O silêncio nos trás os pensamentos,
Pensamentos de solidão.
Muitas vezes no vazio da escuridão.
ENCONTRO COM MINHA PESSOA
(27.09.2918)
Perfeito silêncio que traz a noite,
Um sussurro vibrante aos ouvidos
Dos quais escutam o vento
Em toda a sua inocência.
Então, o encontro com minha pessoa,
Revela o equilíbrio de se estar ligado
A mente, ao corpo e a alma, pois
O misterioso encanto está em tudo...
A LIBERDADE DO POEMA
(28.09.2018)
Permaneço em ti
Com a certeza
De que meu coração
Sempre estará vivo.
Eu sou um rio
Que nunca fica parado,
E que em sua essência,
Estar a liberdade do poema.
Fuja de língua afiada
ela nunca dá desconto
gosta de ser exagerada
conta um conto
aumenta um ponto
prejudica as pessoas
se alimenta de fofoca
não tem índole boa
quer ver os outros em derrota
Que tua noite seja de paz
como de paz é o silêncio das estrelas,
que Deus te conceda bom sono
e nos sonhos possas colhê-las
MISTÉRIO DO TEMPO
(29.09.2018)
O tempo é um mistério
Que se revela inteiramente
Sendo um verdadeiro encanto
No caminho da existência.
Compreende-la é deixar impressa,
Na carne as marcas de sua passagem,
E sentar a beira mar para apenas sentir,
A sutileza de seu toque incomparável.
O QUE RESTA DE MIM
(29.09.2018)
O que resta de mim
É um coração cheio
De ilusões poéticas,
No qual me consome.
Isso traz um pouco
Da esperança de uma criança
Que anseia em construir
Um mundo só dela.
GRÃO DE AREIA
(30.09.2018)
Sou apenas um grão de areia
Na imensidão deste mundo.
Que busca ser melhor
Com um pequeno sorriso.
Não sou perfeito em mim mesmo,
E isso está o encanto do meu interior
Pois no caminho tortuoso da vida,
Enxergo no final o campo com flores.
TÉDIO
Sobre o meu poetar, como uma sina
Tal ave de rapina, pesa a monotonia
Despovoando os versos, na surdina
Ilustrando a poesia de turva predaria
Oh! Escrever no silêncio, e inquilina
A solidão, sem sonho e sem alegria
Sem uma idéia e sensação cristalina
Faz o tédio ao poeta sua companhia
Ah! Deixar de fantasiar este ensejo
O pensamento no vão, a alma fria
Se a luz está escura e assim velada
Como posso avivar o meu desejo?
Se dorme numa catedral tão vazia
E lá fora a vida está abandonada!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
30 de setembro, 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
AS PORTAS DE QUEM SOU
(01.10.2018)
Abro as portas de quem sou,
Na transparência da minha alma.
E a vida que tenho é um livro,
Contendo palavras da história.
O tempo se faz presente...
Sem destruir as pequenas sílabas.
Quem desejar me conhecer por inteiro,
Então vejam o interior das poesias.
O sol, farol do mundo,
o ilumina sem cessar,
forte, imponente e distante,
mas basta uma pequena nuvem
para ocultá-lo...
É noite plena, misteriosa, envolvida em sombras,
a lua sem dono, vaga lentamente, distante,
imponente, nos leva a ter alguns sonhos,
Já é a hora do descanso do corpo
e da mente que precisa um certo abandono
entre lençóis, envolvendo-se docemente
Lá na amplidão tudo é silêncio profundo,
há um vazio e promessas de infinito,
ao dormir nada somos, apenas pausa da vida
numa canção que nem percebemos, tocamos...
em notas de amor afinado ou de saudade, um grito...
