Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Todo corpo é uma casa
cada corpo é um frasco onde se lê: frágil
onde se lê: força
onde se lê: entre sem bater
Há entre nós silêncios confortáveis
e conversas transparentes
palavras feitas de dedo e vapor
palavras que só acordam com o calor
Netuno
Crê em trilhas,
insólitos anéis,
luas diversas.
Adagas sustentam
frágeis
estalactites.
Entre o gélido
e os ventos
o corpo filtra:
o meio.
Nem grande,
nem pequeno,
Nem perto,
nem longe,
o mais pesado:
o centro.
Tracionada a ferrugem dos ferrolhos
reage ao sol
e rescende o cheiro dos carvalhos
no escorrer das ocras:
o ferro a menstruar no tempo.
Transversa
a luz revela o desenho das teias:
colcha prateada de neurônios
– esses nervos da vida.
Firmes ali sem mais estar
mãos invisíveis no ensaio do tear.
Cachimbo de domingo
Cadê o gado?
Buscar na Índia.
E o pasto?
Derrubar árvore, plantar capim.
E o capim?
Braquiária: buscar na África.
E a fome?
Come carne, toma leite.
Vila verde
fome saciada.
Escorre água,
mareja areia.
Pasto pisado de gado.
Casa de capim.
Rio doce assoreado.
Calores!
O coração como engrenagem
Uma passarinha voava
Um passarinho olhava
A gravidade do ar acabou
Passarinho ficou flutuando
Passarinha caiu de amor.
Quero porque te quero
Nas formas do bem-querer.
Querzinho de ficar junto
que é bom de fazer doer.
Eh Pagu eh!
Dói porque é bom de fazer doer.
Tapuia
As florestas ergueram braços peludos para esconder-te
A tua carne triste se desabotoa nos seios
recém-chegados do fundo das selvas.
Pararam no teu olhar as noites do Amazonas
mornas e imensas
E no teu corpo longo.
ficou dormindo a sombra das cinco estrelas do Cruzeiro.
O mato acorda no teu sangue
sonhos de tribos desaparecidas
- filha de raças anônimas
que se misturam em grandes adultérios!
E erras sem rumo assim pelas beiras do rio
que os teus antepassados te deixaram de herança
O vento desarruma os teus cabelos soltos
e modela o vestido na intimidade do teu corpo exato.
À noite o rio te chama.
Chamam-te vozes do fundo do mato.
Então entregas à água
demoradamente
como uma flor selvagem
ante a curiosidade das estrelas.
Sempre foi um sonho
Que queria realizar
Foram tantos pensamentos
Que eram impossíveis externar
De repente
Por você me apaixonei
Foi um erro que cometi
E cometeria outra vez
Só por ser inteligente
E bondoso coração
Que facilitou na conquista
Pois chamou minha atenção
Te respeitar
É o que mais quero
Por isso se eu te pedir em namoro
É um sim que espero
Você é,
Estressada meiga e as vezes impaciente,
De atitudes extraordinárias
E de beleza atraente
Se a mais bela estrela falasse,
Falaria seu nome
Pois ele é belo,
Igual o seu sobrenome
Tudo que queria alcançar
Dedicadamente alcançou
Porém em uma coisa não deu sorte,
E foi o amor
Mas a vida é breve
E você ainda pode apreciar
Pois há tantas belezas
Em homens que ainda sabem amar.
Ao falar com você,
Vem sobre mim uma boa sensação,
Sensação essa
Que me chamou a atenção
Seus olhos são como uma luz cintilante
sorriso é radiante,
Seu jeito e sua beleza
Mais que cativante,
Se a lua fosse uma pessoa
Se apaixonaria por você,
Pois só em te ver
Já queria te ter
Se eu fosse o mais belo entre os homens,
Só pensaria em te ter
Mas se eu tentasse e te tivesse,
Jamais queria perder você
Se o velho ditado não fosse considerado um dogma
Viraria algo também não questionado
E tudo de bom,
Externaria e não ficaria guardado
Mas ele existe
E nada posso fazer
Mas o bom mesmo é está aqui,
E falando com você.
( Querer não é poder "ditado popular" )
Passam passarinhos
Verdes
Azuis
Amarelos
E pretos
Enfeitam o céu
de tudo que é jeito.
Verdes falam pelos cotovelos.
Azuis pintado de céu nos seduz.
Amarelos cantam e encantam como versos.
Pretos, oh coisa mais bela.
O que seria de nós sem a escuridão
Enfeitada de estrelas!
Então vamos saudar
nossa linda natureza.
Tudo que é belo tem a sua
sutileza!
Autoria: #Andrea_Domingues ©
Todos os direitos autorais reservados 16/02/2020 às 20:00
Manter créditos de autoria original #Andrea_Domingues
Ao pé dum calvário
De uma rosa, uma pétala pendia inerte
E, incerta, murmurava então: "Será que vou?"
Súbito veio o vento, e a pétala lá voou,
Abandonada às dúvidas que o medo verte.
Dir-se-ia que, naquele terrível cenário,
Repousara ela, tímida, ao pé de um calvário.
Prestam-se a toda graça,
como a todo granizo,
sempre e em qualquer praça,
a reza, a queixa e o riso.
O melhor lugar para estar
é onde estou agora.
O lugar a que pertenço
quando saio lá de fora.
Eu falo do dentro de mim,
que é de onde não posso ir embora.
Poesias, textos, frases em bares, mares
Copo cheio, coração transbordante, instante
Sonhos, realidade planejada
Vida que segue dirigida, digerida
Vírgula, ponto, pronto
Sobre nós? Parei de escrever
Espero o agora, o momento de ver, viver
Oh era uma primavera
de folhas de peles selvagens e flores de cobalto
enquanto cadillacs caíam como chuva entre as árvores
encharcando com demência os relvados
e de cada nuvem de imitação
escorriam multidões múltiplas
de sobreviventes de nagasaki desasados
E ao longe perdidas
flutuavam xícaras
repletas com nossas cinzas
Em toda a minha vida jamais deitei com a beleza
confidenciando a mim mesmo
seus encantos exuberantes
Jamais deitei com a beleza em toda a minha vida
e tampouco menti junto a ela
confidenciando a mim mesmo
como a beleza jamais morre
mas jaz afastada
entre os aborígenes
da arte
e paira muito acima dos campos de batalha
do amor
15
Correndo risco constante
de absurdo e morte
toda vez que atua em cima
das cabeças da audiência
o poeta sobe pela rima
como um acrobata
para a corda elevada que ele inventa
e equilibrado nos olhares acesos
sobre um mar de rostos
abre em seus passos tIma via
para o outro lado do dia
fazendo além de entrechats
truques variados com os pés
e gestos teatrais da pesada
tudo sem jamais tomar uma
coisa qualquer
pelo que ela possa não ser
Pois ele é o super-realista
que tem de forçosamente notar
a verdade tensa
antes de ensaiar um passo ou postura
no seu avanço pressuposto
para o poleiro ainda mais alto
onde com gravidade a Beleza
espera para dar
seu salto mortal
E ele um pequeno
homem chapliniano
que poderá ou não pegar
aquela forma eterna e bela
projetada no ar
vazio da existência
Aquela "fosforescência sensual
na qual se deliciava minha juventude"
jaz agora quase atrás de mim
como uma região de sonhos
onde um anjo
de hálito ardente
dança como uma diva
por veias estranhas
pelas quais o desejo
perscruta e lamenta
E dança
e dança ainda
e ainda avança
O trem
Para Torquato Neto
às três da madrugada
penso que o trem se esqueceu
de mim
mão gelada
louca disparada
– seria esse o meu fim?
