Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
O TECO-TECO
Cuidado com teco-teco
ele dispara e eu não breco
decida abaixo esta perto
para, pare! Vou dar um treco.
Olhe a lagoa, veja o marreco
bregueço, breco ou não breco
desenvolvido pelo progresso
hoje outro voar eu ate peço.
Não eu não quero passar perto
desse troço treco de teco-teco
ultima, estava com meu caneco
passando baixinho muito perto
matou assim o meu marreco.
Eu quero mesmo é um burrinho
para sair logo cedo bem cedinho
ainda assim sem vê no escurinho
descer muito bem devagarzinho
aquele estreito caminhinho.
Antonio Montes
FAZER LÁGRIMAS
Não vou mais chorar...
Mas se por ventura
eu vier fazer lagrimas!
Farei baixinho
para que ninguém ouça
e nem venha me ver.
Não...
Eu não vou mais chorar!
Mas se eu chorar...
Tenha há certeza
que será por você.
Antonio Montes
FIM NA ESTRADA
O morto na beira da estrada
não tinha riso
não tinha nada.
A alma estava triste...
Com o olhar seco e profundo
como se tivesse perdido tudo.
Não importava mais o mundo
seus olhos, prostravam-se indiferentes...
Desprovido de lagrimas...
Não mais chorava.
N’àquele instante, ali...
o ar se fazia frio
o vento, não ventava
pássaros não cantavam
Uma sombra de mal goro
pairava sob o ar.
N’àquele momento nada se ouvia
Exceto... cri, cri de grilos...
Revoar de morcegos
E o gorjear de corujas.
De repente!... Visitas
expressões de fim
mimica de perca
O mundo estava perdido ali.
E nesse ínterim...
Brota uma mistura de choro
cochichos de bramuras
a falta de esperança
o desprezo de uma cura.
Os sentimentos estavam
pendurados nas margens do abismo
a cisma prostrava se inquieta
Uma interrogação no ar...
Porque que o mundo é aqui?!
Antonio Montes
Só quero agradecer aos meus pelo incentivo
sem o vosso apoio não teria conseguido.
Obrigado, família, pela vossa simpatia,
por acreditarem em mim e na minha filosofia.
SONETO ENCARNADO
Cerrado, pinta o céu de encarnado
por não poder pintar a noite estrelada
assim, vesti a sombra da esplanada
de prata, do luar em tom apaixonado
Pra extinguir o rubro desta tal cilada
e aprisiona-la até o arrebol no prado
o sol se demole num gesto nacarado
tão cansado, retirando-se em toada
No breu, a cor, escarlate enevoado
permanece, então, na noite trancada
pra de novo no dia surgir encantado
Então, no empalecer da luz arrozada
dorme desmaiada, do dia acalorado
no ciclo do cerrado, em sua jornada...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Novembro, 2016
Cerrado goiano
-NICOTINA
Desde que cê foi, eu perdi a seleção. Aceito tudo que vem, escancaro o coração. Não passou de ilusão. Alimento a fantasia. Não te esqueço noite e dia, mesmo entendendo a condição.
Esquecer-te, sempre foi preciso. Ainda mais, depois de agora. Que de fato, foi embora. Sem ao menos dar aviso. Queria que fosse comigo, te fazer a mais feliz. Perturbador é saber que por um triz, essa missão não foi a minha. E hoje, você caminha feliz com outro sorriso.
Admito! Sempre foi difícil olhar pra frente e seguir. Pior é saber que ele vai viver aquilo que eu não vivi. Vixe! Dói partir. Porém, não existem opções. O que resta? Recordações. E a saudade daquilo que não escrevemos. A esperança grita, dizendo: AINDA PODEMOS! Mas a maturidade me manda ir.
Às vezes, queria que você não tivesse existido... Mesmo sabendo que foi bom pra mim.
O para sempre não é eternidade, e sim, aquele segundo, que na alma é profundo, e fecundo na recordação...
Luciano Spagnol
poeta do cerrado
ROGO
Quando eu estiver acabrunhado
De não ter jeito, de dor no peito
Tudo no espírito for atormentado
E o perfeito coberto de imperfeito
Me tragas a linguagem das flores
Traze-me um sorriso de proveito
No mortiço, por favor mais cores
Na inspiração a poesia e o canto
Que muito já ensaiou os amores
Traze-me a tal ternura, que tanto
Nos faz acalanto, e nos embalou
Só não me deixes, aqui, só pranto!
E no espanto de que tudo acabou
Nem que seja de mentira, entretanto
Meu velho amor, siga, assim eu vou!
Luciano Spagnol
2016, novembro
Cerrado goiano
PALESTRA AMOROSA (soneto)
Aguardo-te, silente, pois não te tarda
Fez promessa, há de vir. Não te aflitas
Incertezas, na inconstância me agitas
Mas, o coração não falha, te aguarda!
No tempo algoz, às horas são infinitas
Na velocidade, nada há o que a retarda
Mas, a esperança é imortal e galharda
E a recompensa vem com flores e fitas
Pronto! Vens a mim! Aos meus braços!
À espera é longa e, firme são os laços
Do sonhado é desejado especial amor
Olhe nos meus olhos, quero teus beijos
Minha vontade está marcada de desejos
De joelhos: - é pra te estás rosas em flor!
Luciano Spagnol
2016, 17 de novembro
Cerrado goiano
Aguardo-te, silente, pois não te tarda
Fez promessa, há de vir. Não te aflitas
Incertezas, na inconstância me agitas
Mas, o coração não falha, te aguarda!
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
PEDIDO AO MAGICO
Seu magico...
Eu não quero pombos
nem coelhos da cartola,
Eu quero magica sim!
Magica de compreensão...
O mundo todo dando as mãos
sem pobreza, sem esmola.
Seu magico...
em vez de sumir cartas e espadas
Suma as horas
sim, sim... Desapareça com as horas
para que ninguém mais se escravize
em nada, muito menos ao tempo,
quem sabe se assim...
pensamos no momento de nosso existir
e deixamos de nos envelhecer.
Suma também com rostos simples
banhado em lagrimas
pela dor, pelo sofrer
Que tal sumir com essa velha ganancia!
Que nos impregna até na hora de morrer.
E essa tal moldada mentira
você podia fazer desaparecer!
Faça viver a verdade
um sol sem divisão
coração sem fechaduras
e me dê o meu quinhão
Antonio Montes
LIBERDADE (cerrado)
O que mais me fascina no cerrado
não é o torto se fazendo admirado
e as melancolias nas tuas cabeiras
nem as tuas singelas flores rasteiras
e teus mistérios - pleno de arrepios
tampouco teu horizonte nos vazios
encarnados e cheios de diversidade
O que mais me encanta, maravilha
é a tua imensidão tão cheia de ilha
de oásis, banhadas na pluralidade
e a vida na vida pulsando liberdade!
Luciano Spagnol
Novembro, 2016
Cerrado goiano
-mas Iva, cotovia não é pássaro da nossa região!
-eu sei, eu sei, mas cotovia é pássaro que canta a esperança de forma tão melodiosa, e no meu coração tem cotovia desde menina.
ROSA DE LATA
Sem cheiro sem suavidade
a rosa de lata...Empaca
e em sua cor opaca não emplaca...
Uma placa com sentimento
um nascimento mecânico
rosa triste sem planto
farfalhar de guizos
e agregação de desencanto.
A menina segue com seus olhos
ao mesmo tempo em que...
Desaba no chão frio o seu terror
e suas pétalas ao chilrear
farfalham mecanicamente seu tilintar.
Rosa de lata, oh rosa de lata!
Visualizam-te com desdém
a sua tímida rigidez
pétalas organizadamente contadas...
Uma, duas, três, e outra vez
todas moldadas a pancadas.
Muitos olhos olham e não vê nada
rosa de lata sem polens
sem fruto sem fada.
Seus orvalhos, sãos óleos
nem vida contem!
Desprovida de alegria...
Não tem ventos, nem partida
nem saudade na despedida.
Antonio Montes
SEM TELHADO
Não tem teto
nem telhado
não tem muro
nem passado.
Passa tudo todo dia
e com pesar desconfiado
vai levando agonia.
Não tem honras em seu convivo
nem é feliz com que acontece
tem vergonha de seu partido
e do roubo que encarece.
Gigantes assim pra que!
Pra surrupiar tudo do nada?
Aonde que esta você...
Que deu aval a essa estrada.
Sem teto sem tempo
de viver uma vida digna
vive a vergonha de um país
que seca a sua barriga.
Pra não morrer cata resto
ludibriando assim a fome
ainda vota na misera
que alega ser nessa terra
Politica de grandes homens.
Antonio Montes
TE DISSE
Eu te avisei, avisei para você,
não nadar nas nuvens!
Pois as nuvens...
São apenas partículas
o como tal, não dá para nadar.
Pois bem... As nuvens se
transformou em chuvas
despencou, e formou um alto mar.
Agora... Peixe você não é;
para ficar a nadar por ai
pra lá e pra cá.
Veja?! O mar com suas ondas,
se transformou em espuma
e as espumas, um dia nas areias
irão se acabar.
Antonio Montes
EMBARGO
Tiraram a tampo do meu gargalo
sem força não jorrei ao contrario...
Do desvio partido por inteiro
do bilhete comprado para janeiro
... Para que passagens para o exterior
se tudo por lá, esta, pela hora do horror!
Vamos no voou, voaremos a...
Milhas e milhas de passarinho.
Estamos em nossa casa doutor
.... Para que pagar imposto
se eu não tenho nem um gosto
de ser aqui o seu vizinho...
Tiraram a tampa do meu gargalo
fiquei pasmo, nada de ralo
engasguei com meu entalo
nada d muito reto,
mas no engasgo com seu decreto
... Contratei um advogado.
Antonio Montes
VIZINHO AO LADO
O meu vizinho que mora ao lado
Não é tão meu assim
Não conheço o teu viver
e o teu olhar, não pertence a mim.
Teu chorar
comer e sofrer
pesadelos dos seus sonhos,
eu nada sei dizer.
Ouço o disparo do despertador
e como o senhor...
Ele se ausenta na hora matinal
até aos raios do entardecer.
Seu salario, seu trabalho...
Eu nada sei dizer
suas dividas e divisas
seu ganho, mal da para sobreviver.
O vizinho que mora ao lado
Não é menos que eu
nem mais que você.
Antonio Montes
AFIADA
A sua conversa fiada,
não fura
e com esse enredo
cheio de cantos...
Não esta tão afiada assim.
Por tanto, não corta nada,
em vez de lamina...
Poderia ser uma espada.
Espada com encanto,
que talha, farfalha
e que faz pedaços,
causa pranto, espanto
como navalha.
Antonio Montes
VICISSITUDE
O canto parou no ponto
tanto encanto, não encantou!
Lagrimas cairão em planto
pelos canto de tanto amor.
Uma fada ao onipresente
nas redes de tantas telhas
chamas, inflamam inocentes
crepitando suas centelhas.
Carreira estacionou na talha
um curto prescrevendo o tempo
escrevendo mais uma falha
surpreendendo os sentimentos.
O choro rascunhou a marca
registrando o cruel momento
deitando os sonhos nas macas
de um terrível descarrilamento.
Antonio Montes
