Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Ela é indecisa, é teimosa. Às vezes demonstra ser louca por você, outrora finge não suprir nenhum sentimento.
Ela é uma montanha russa, um dia esta sorrindo à toa, no outro está emburrada por ciúme de sua conversa com sua outra amiga.
Ela flerta com você, troca olhares, dar um sorrisinho maroto do outro lado do salão da festa, mas esquiva-se quando você a abraça.
Ela faz sua mente viajar, é especialista em te deixar louco. É toda confiante, mas torna-se tímida quando dar aquele olhar penetrante no dela.
Ela caminha modelando em sua frente, dar aquela olhada de canto de olho para ver se você está olhando, se tiver, faz questão de enrolar as mechas dos cabelos com os dedos, não porque ela quer... E sim, porque ela sente orgulhosa por prender sua atenção.
E claro, é impossível não admirá-la, principalmente quando está com aquele vestido provocante e o cabelo solto sobre o ombro. Você até tenta disfarçar, olha para outra direção, desvia o olhar, mas não dá... Eu te entendo, especialmente quando se trata dela e daquele sorriso contagiante, sinto muito em dizer que está doente e o nome desta doença se chama paixão.
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Olhe bem, não é porque a sociedade impôs a ditadura da beleza que você terá que segui-la.
Nem mesmo, porque o cara a qual estava afim disse que não fazia o tipo dele, que você terá que mudar seu estilo, sua personalidade, só para conquistá-lo.
Não, não aceite que ninguém mude sua essência, ou então, que estrague seu dia com palavras inadequadas e grosseiras.
Você sempre foi essa pessoa, seja extrovertida ou tímida, séria ou carismática, meiga ou bagunceira, é isso que te torna especial e única.
Sempre terá os admiradores secretos, aqueles que babarão e se apaixonarão pela sua personalidade magnifica.
Não precisa entrar em depressão e chorar pela falta de atenção de meia dúzia de babacas, enquanto tem outros, que acha que você é muita areia para o caminhão deles.
Se quiser mudar, mude porque você quis, sem influência de ninguém.
Se estiver desconfortável com seu peso, malhe com determinação. Ou então, se quiser mudar seu visual, vai em frente, pinte seus cabelos, corte... Da maneira que se sinta bem.
O que importa é que você seja feliz, e não ficar se lamentando diariamente e perguntando: “porque nasci assim?”. Quando conseguir desprender das opiniões alheias, verá como é fácil ser você.
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Ela não precisa de alguém para aumentar a autoestima.
Não é necessário alguém a ficar bajulando para ela se sentir especial.
Não, não é necessário, ela é auto independente.
Essa é sua mulher...ela é a pessoa mais confiante que você já conheceu, é só se deparar em frente de algum espelho que o sorriso de satisfação aparece.
Mas ouça-me, isso não significa dizer que não deseja ouvir sua boca dizendo: Você é linda, te amo!
Ela é independente, porém anseia mais do que tudo se sentir protegida ao seu lado e contar contigo em qualquer situação.
Ela não precisa de ninguém para ser feliz, contudo é em tua companhia que pretende dividir todos os momentos de felicidades.
Ela é tudo que você sempre sonhou, jamais esqueça de dizer isso pra ela.
Mesmo ela sendo a pessoa mais confiante, haverá momentos em que ela irá entrar no quarto e chorar sem motivo “nenhum”, terá dia em que ela olhará para o espelho e desejará que ele nunca tivesse existido, irá te colocar contra a parede e perguntar: você me ama de verdade?
E será nesse momento, meu brother, você a abraçará com todo carinho, olhará nos fundo dos olhos dela e dirá: você é incrivelmente a mulher mais linda que conheci, seria impossivel não te amar.
No outro dia irá acordar novamente com a confiança nas alturas, pois ela é assim, um roda gigante.
Ela não quer receber elogios na rua, cantada de outros caras, desejada por desconhecidos, só anela ser a primeira opção em sua vida, ouvir elogios somente de sua boca, fora isso não quer mais nada.
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Conta-me sobre você.
Quero saber tudo por detalhe, não deixe passar despercebido nenhum verso desse lindo poema que é você.
Anseio mergulhar em sua mente, conhecer todos os mistérios por trás do seu afetuoso olhar.
A ansiedade é grande de descobrir como consegue manter esse sorriso contagiante quando seu coração está inundado de lágrimas.
Por favor, fala-me dos seus medos, de suas fobias.
Quero compreender o máximo para te proteger quando esses temores chegarem, fazer você se sentir segura e protegida nos meus braços.
Prometo que não rirei dos momentos embaraçosos e engraçados de sua vida, nem tampouco dos seus maiores micos... (me perdoa se quebrar essa promessa, tenho certeza que será impossível não rir em algumas situações). Faça-me viajar no tempo ao contar suas lembranças de infância, diga a sensação que deu quando aprendeu andar de bicicleta, o que te fez berrar no primeiro dia de aula, o quão dolorido foi sua primeira decepção amorosa.
E quais são seus sonhos? Almejo saber o que te motiva diariamente, as suas inspirações.
Conta-me sobre você, e direi tudo o que você deseja saber de mim.
Quem sabe, talvez nossa história sempre estiveram entrelaçadas, como se um livro fosse rasgado e as páginas voado para longe uma das outras, só aguardando o momento em que essas partes se juntariam e a história se completaria formando um titulo exclusivo, uma história de mim e você.
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sentimos o luto
em todas as coisas não ditas
que uma boa mulher não deveria confessar,
talvez divididas apenas
com quem é possível compartilhar
meio século, a nostalgia, as verdades
cruéis e duras de se articular
as jovens irão descobrir,
e torcer que não venha o dia em que verão
o mundo desconfigurado pela perda
os pais irmãos o genro
desaparecerem, a possibilidade de futuro
mais curta, as ausências acumuladas,
e um outro silêncio
não o do entendimento
a dispensar palavras
quando se tem uma boa amiga
cariocas não gostam de dias nublados
veja essa maravilha de cenário, o asfalto como passarela
a piscina na laje, o turista na comunidade
o carioca é cordial, bora marcar
só que não
tá brabo o trânsito, duas horas pra ir duas pra voltar
o preço do litrão, você sabe como é
mas vem chegando o verão, promessa de vida
vamos fugir, diga que irá, irajá
para qualquer lugar comum
desejo um mundo em que
seja fácil
ser só
em que os porteiros
não deem bom-dia
boa-tarde
não me olhem
boa-noite
um mundo em que
a farmácia
seja um de cada vez
sem os toques
dos corredores
sem o deseja a revista
apoiar as crianças
o câncer
moedinhas aqui
já tem cadastro
fidelidade senhora
sem tempo para
sorrir sem
graça
não
obrigada
desejo um mundo vazio
de amenidades
feito de explosões
terremotos
tufos de cabelo
terra nos olhos
um mundo
desmesurado
todo mato
algumas cabras
latas vazias
um mundo sem frutas
sem matérias
reportagens
sobre colesterol
glicose
taquicardia
desejo um mundo
sem filosofia
animalesco
cheio de pelos
as garras afiadas
visão noturna
instinto
de fuga
desejo um mundo
do qual eu possa
fugir
Alguém moveu as pedras do jardim você não vê?
gosto de rir por dento
de você
enquanto as sombras passeiam
pela casa
de manhã coamos
um café
“tão bom”
o que você diz sempre
faz rodar de novo
a colherinha
Obstinado
Bukowski disse que se não vem de dentro nao adianta
Se não explodir do meio peito em forma de caos
Vc não é o que acha que deve ser
Se as palavras não te atormentarem e o sentimentos fizeram sentido
Não é pra você
Se a noite não lhe parecer dialética e o dia não lhe for didático
Algo no cosmos deu errado e as diretrizes do tempo te guiaram erronêamente
Se a sua mente continuar sã enquanto enquanto a ideia dá saltos em direção ao futuro
Se tudo isso de início nao parecer obscuro e se o medo não tentar
De todas as formas te frustar
Você não está onde deve estar.
Saudades de te ter
Não ta fácil viver,
Não ta difícil sobreviver,
É estranho não te ter.
É horrível, é doloroso não lhe sentir.
Não sentir sua doce alma e meu coração repleto de escuridão.
no começo só tinha medo de morrer
mas foi ficando bom nesse negócio.
hoje, só quer existir.
não faz ideia de como.
ainda.
eu não sou ninguém.
vazio.
um bando de moléculas e células
e sentimentos.
um bando de palavras e silêncios
e sentimentos.
um bando de inseguranças e desejos
e sentimentos.
eu não sou ninguém,
quem deras fosse
ou melhor
antes fosse.
caducidade do cão
caduco opaco
parado
e turvo.
solta-lhe as amarras.
o cão que não é nada,
ou um bando de coisas,
que só sente.
tem dias que o clarão da aurora não brilha.
dias que a chuva não molha,
que o sol não ilumina,
tampouco a lua.
tem dias que o milho não estoura,
que a padaria não abre,
que o porteiro não sorri.
dias que o ponteiro do relógio não sobe,
nem mesmo desce.
que os carros não engatam,
ou não param.
que os galos não cantam
e a as galinhas não dormem.
dias que as portas não abrem,
dias que o coração não bate.
tem dias que nem são só dia
ou,
são só dias que nem dia tem.
o que seria de mim se eu não soubesse de mim?
o que seria?
perguntaria aos porcos
e eles me dariam sua lama
perguntaria aos burros
e eles me cuspiriam todo seu capim.
inepto,
ainda não sei muito desta matéria
e receio não saber tão cedo...
mas de lama e capim
fico com a aventura de viver na incógnita.
o que seria de mim se eu não soubesse de mim?
parafraseio,
me traduzo livremente.
oh meu bem
não espere nada de mim
previsibilidade aguda
afiada me perfura
lateja na minha alma
como um dente que aperta
e sangra.
vistes a última notícia
que não de uma vida alheia?
a vida clama
grita
suplica compaixão e empatia
mas dos eruditos nada se pode esperar.
deles não,
que nem sei quem são.
era domingo
quando um cara chorou na minha frente.
dizia se arrepender de algo que fez.
não vinha ao caso o que era.
me dizia que sua mãe jogara praga na sua história
quando com 15 anos resolveu fugir de casa.
dizia a mim que gostava de elis regina.
estava tocando em algum lugar no momento dessa conversa.
me comunicava com ele pelo meu olhar.
não me faltavam palavras,
mas era tão somente o olhar
que ele buscava.
não esperava de mim uma saída pra sua situação,
o homem na minha frente só queria o meu olhar.
estremecido por dentro eu estava.
voltei pra casa sabendo que aquele homem se arrependera
do que havia feito.
era tarde demais, ou não.
mas aquele homem, magro, de cabelos pretos, olhos baixos
que chorou na minha frente
havia se arrependido.
continuei o meu caminho pensando nisso,
atravessado por uma estranha sensação de que poderia ser eu.
não quero dizer mais nada.
nada.
controverso cabal.
tenho visto tanto,
vivido tanto,
imergindo em tanto
que já me sinto nada.
o Rio pendura mas não cai.
a mãe grita, com força
“Ô menino venha cá
deixa eu passar o protetor”
o menino volta de lá, do infinito
em pleno regozijo, gritando:
“eu sou livre mamãe, eu sou livre”
Rio de Janeiro, agosto de 2018
dos dias que não se quer ser
era mais uma madrugada
dessas tempestuosas.
noite estranha era aquela.
não sentia o cheiro da chuva.
diferente de outras,
não existia relação ali,
entre mim, a água que ruíra na minha janela e a madrugada.
noite atípica.
o frio se acomodava latentemente aos arrepios da estranheza.
quando dei-me por conta,
estava lá, fitando uma poesia,
que temerosamente me desaparecia.
quando nossos olhares se cruzaram,
lembro-me de querer vorazmente devorá-la.
era estranho,
a madrugada que não escolhi,
a poesia que parecia ser eu.
nem me lembro mais quando esqueci de lembrar que era uma madrugada atípica,
dessas que só se dorme.
num átimo, estava completamente seduzido pela poesia.
imerso,
já nem sabia o que era noite, o que era poesia,
o que era eu.
minha respiração ofegava,
lembro-me de apavorar por isso,
mas era certo,
quanto mais apavorava mais escrevia.
e foi assim que eu danei-me a escrever.
escrevi, escrevi, escrevi
escrevi, escrevi, escrevi,
escrevi, escrevi, escrevi
escrevi, escrevi.
lembro-me de escrever tanto, mas tanto, que a poesia já não tinha mais nada,
nem uma palavra sequer.
em exaustão me apaguei
sem ver a cor das três madrugadas seguidas.
depois dessa, vieram muitas outras madrugadas,
outras poesias.
mas nada como aquelas.
nunca fui de saber o que fazer com o que sinto,
não aprendi a não sentir.
paradoxo esse que é
de ser grato
e detestar esse fato.
