Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac

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Não pergunte o porquê
algumas coisas nem eu mesmo sei responder

E palavras são assim...
Imprescritíveis.

Inserida por HudsonHenrique

Ela não me acompanhou na minha jornada.
Pra ela fui só um jornal,
que se lê e joga fora

Em meus sonhos de mentira
seria tão fácil me jogar
igual um avião de papel
pelos arranha-céus.

Inserida por HudsonHenrique

Não espere grandes acontecimentos...
Cante uma canção. Sorria de novo e de novo!
Plante um jardim ou até mesmo uma flor.
Olhe nos olhos... Ria de si mesma...
Escreva uma poesia.
Seja um vento menino a revoar por todos os cantos.
Não espere grandes acontecimentos.
Somente Viva!!!

Inserida por Leilamel

Quando eu morrer, não digas a ninguém que foi por ti.
Cobre o meu corpo frio com um desses lençóis
que alagámos de beijos quando eram outras horas
nos relógios do mundo e não havia ainda quem soubesse
de nós; e leva-o depois para junto do mar, onde possa
ser apenas mais um poema - como esses que eu escrevia
assim que a madrugada se encostava aos vidros e eu
tinha medo de me deitar só com a tua sombra.

Inserida por pensador

NESPEREIRA

era uma nespereira e
eles não sabiam como
protegê-la

quanto tempo leva
gestar um poema

era uma nespereira e
espiávamos dentro dos
saquinhos feitos de jornal

pode levar uma infância curta
ou uma vida inteira

era uma nespereira e ansiávamos que
amadurecessem para enfim
comermos o poema

Inserida por pensador

ela pediu pra eu não enlouquecer
parei de tomar os remédios pra tentar ser gente
mas uma chuva forte caiu
era janeiro
e me escorreguei
perdi o senso
disseram
é temporário
os tremores noturnos
a matriz de uma ânsia descabida
os rostos na janela
todas as noites
os rostos que catequizam as janelas
nas casas sem muro
não há o que se ver que não sobrecarregue a carne
o corpo ainda sente
curva-se ao inevitável
tomba no meio da rua e conclui
não se dá as costas pra morte
há sempre um diagnóstico
preto no branco
vou morrer de tempo ou
vou fazer o quê?
re:___________________.

Inserida por pensador

Vieram os homens que eu
não queria, mas que me queriam,
e os que eu queria, e não pude ter.
Os homens que não pude ter
eram sempre enormes, ambidestros,
bonitos como o meu pai quando
meu pai não era homem,
quando meu pai era eu mesma,
perdido de amor.

Inserida por pensador

eu porém tantas vezes não estava pronta
banho tomado
penteada asseada jantada
crescida formada empregada quase morta
pra quando minha mãe chegasse
eu não estava pronta
eu resistia a todos os meus deveres
eu me insubordinava
eu teimava toda uma vida
(ainda teimo)
eu não me limpava
só pra ver se minha mãe chegaria
a despeito de mim
a despeito da sujeira do erro da noite
a despeito da espera a que
assim fingindo não esperar
eu me recusava
foi assim por muitos anos
minha mãe e eu
numa língua estranha e indecisa
embora fosse a mesma língua
a limpeza que eu deveria guardar para ela
e oferecer a ela
na volta
ainda guardo comigo
e de repente deparo com ela
(que ainda espera)
num livro
numa voz estranha
numa outra mulher
que também esperou
numa banheira vazia
o seu amor voltar

Inserida por pensador

Tu pensas que estou aqui para brincar
foca-te naquilo que eu vou-te contar.
Enquanto danças não consegues pensar
porque o teu mal é parar pa escutar.

Inserida por TiagoSuil

Nem sempre uso a vírgula
ela numa trova falta não faz
o que vale é ter conteúdo
um pouco de alegria e ser da paz

Inserida por neusamarilda

não bebo muita água durante o dia,
fumo em média sete cigarros
um deles é pela minha vontade de fumar.

Inserida por rubobrobsky

um ator em decadência.
é assim que sempre me senti.
entretanto, não duvides.
enquanto restar minha pele,
esta que habita em mim,
ou,
esta que me habita.
que tanto me ocupa,
que tanto me consome.
estarei atuando.
e quem não?
viva a decadência.

Inserida por rubobrobsky

O centro não é um ponto.
Se fosse, seria fácil acertá-lo.
Não é sequer a redução de um ponto a seu infinito.
O centro é uma ausência,
de ponto, de infinito e ainda de ausência
e somente se o acerta com ausência.
Olha-me depois que tenhas ido,
ainda que eu recém tenha partido.
Agora o centro me ensinou a não estar,
porém mais tarde o centro estará aqui.

Inserida por pensador

palavra do homem não é uma ordem:
a palavra do homem é um abismo
O abismo,
que arde como um bosque:
um bosque que ao arder se regenera.

Inserida por pensador

Estranho é o sono que não te devolve.
Como é estrangeiro o sossego
De quem não espera recado.
Essa sombra como é a alma
De quem já só por dentro se ilumina
E surpreende
E por fora é
Apenas peso de ser tarde. Como é
Amargo não poder guardar-te
Em chão mais próximo do coração.

Inserida por pensador

Explicação da Ausência

Desde que nos deixaste o tempo nunca mais se transformou
Não rodou mais para a festa não irrompeu
Em labareda ou nuvem no coração de ninguém.
A mudança fez-se vazio repetido
E o a vir a mesma afirmação da falta.
Depois o tempo nunca mais se abeirou da promessa
Nem se cumpriu
E a espera é não acontecer — fosse abertura —
E a saudade é tudo ser igual.

Inserida por pensador

hoje o dia é lindo.
mas não é sobre hoje,
nunca foi sobre hoje.
dias lindos belos e claros,
dias lindos belos e brancos.
dias lindos,
belos e claros
belos e brancos.
dias.

Inserida por rubobrobsky

Na minha bagunça só têm lembranças, elas não vão embora se você ainda continua lá; apertando o mesmo botão pra voltar.
Remoendo as cenas boas, o gosto do vento em teus lábios.

Inserida por HudsonHenrique

Quero jogar tudo isso fora, começar de volta.
Se acabou não foi verdadeiro.
Mas, e se a verdade é uma mentira criada para nos abraçar?

Inserida por HudsonHenrique

vim devolver o homem
assino onde
o peito desse cavaleiro não é de aço
sua armadura é um galão de tinta inútil
similar paraguaio
fraco abusado
soufflé falhado e palavra fútil

seu peito de cavalheiro
é porta sem campainha
telefone que não responde
só tropeça em velhos recados
positivo
câmbio
não adianta insistir
onde não há ninguém em casa

Inserida por pensador