Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
É NOITE,OS GATOS SÃO PARDOS
É noite, e tudo é mentira
As poças d'água na rua
enganam os pés incautos,
o assobio engana o medo
dos fantasmas e dos fatos.
É noite,os gatos são pardos...
Os muros todos escondem
ladrões e policiais,
as amizades escondem
os "dedos-duros" fatais.
A noite já foi suave,
já foi ternura,seresta,
namoro,luar e festa,
conversa,banco;quintal,
mas,nesta noite de medo,
a gente nunca distingue
qual é o amigo sincero,
qual é o amor verdadeiro,
e qual a flor cujo cheiro
não é tóxico ou mortal.
As palavras são sussurros,
- as paredes têm ouvidos -
as verdades são traiçoeiras,
os amigos são temidos.
Quem fala palavras boas
pode ser falso ou vendido,
quem grita está insuflando,
quem cala está consentindo..
TMJ
De quatro, de zinco,
De teto, de teta,
De trêta, de grêta,
De méta, de mêta,
De meia, sem meia
Com nove, com nova,
Com muita vontade...
Queria olhar, olhei
Queria tocar, toquei
Queria uma flor, peguei
Queria sonhar, sonhei.
Queria cantar, cantei
Queria dançar, dancei
Queria abraçar, abracei
Queria beijar, beijei.
Queria amar, amei
Queria chorar, chorei
Queria gritar, gritei
Ao desabafar, desabei.
Queria alegria, alegrei
Queria esquecer, não sei
Queria ficar, mas fui
Queria me perder, me achei.
AS LENTES DO OLHAR.
(Soneto)
Duas vezes que aprende-se a olhar:
A primeira é quando se fala e o mundo
Vai criando forma bem devagar
E Deus diz "haja luz" e vemos tudo.
Na segunda vez é que se define:
Vê-se o contraste entre o real e o mito.
Esperamos que o caos se desatine...
Não ficamos só a espreitar o Espírito
Que sobre a face do mistério adeja
- A abismada face da inocência -
Num assalto mergulhamos mais fundo.
Aprimorando as lentes do olhar, veja
O Espírito que agora adorna o mundo
Amalgama o novo na consciência
Do tempo que me foi dado, um relógio foi posto em meu peito. Este, era um coração em constantes ticks e tacks, tirando assim minha força, vigor e desconsoladamente minha juventude.
Por diversas vezes pensava que teria parado de contar os segundos, pois não o sentia bater. Mas precisava acerta-lo, tendo em mente que não poderia pôr ou tirar um segundo sequer que fosse de meu tempo.
A bomba relógio que em meu peito batia, já havia de ter a sua hora de explodir. Não sabendo eu quando meu tempo terminaria. Me via em euforia de saber que não o tinha como prever.
Poderia algo fazer com que o tempo dele chegasse antes do que o destinado? Talvez aquilo que o fazia bater haveria também de cessar seus batimentos ?
Seria por amor ou pela falta dele? Será então pela arte que já não fora mais nada alèm de uma expressão vazia de sentimentos extravagantes e conturbados. E caso tais eventos o fizessem de fato parar de bater antes do tempo.
Quem poderia deduzir ou mesmo afirmar que fora antes do tempo determinado?
Oque eu poderia dizer sobre a indigência social deste mundo?;o individualismo a causou e dês de que foi inventada nunca mais sessou.
Passarei despercebida por essa terra;mesmo meu que meu nome estivesse escrito na história dos homen;quem homem restará para lembrar da história?
Mesmo quem me amou me esquecerá;pois o tempo e a morte irão garantir que isso aconteça.
Terei pouco tempo antes que tudo aconteça; para ser lembrado antes de tornar ao pó e tudo desapareça.
Muridae sapiens sapiens sapiens
Coitado do rato que nasce pelado no meio do mato
Coitado do homem que nasce de terno no meio do inferno, repleto de servos
O rato nasce correndo, se esquiva do perigo, um caçador nato
O homem que nasce aos prantos só não fica sozinho por conta de um trato.
Você é um homem ou você é um rato? Tem mais medo do bicho que o seu gato
O rato come o veneno enganado, você compra o veneno enlatado
Clame seu pai ou algum ser amável, pois a armadilha que caiu não tem nada saudável
Procure uma vassoura ou algo tacável, só não jogue seu cigarro, dispare algo mais viável.
Não importa o mal passado, não engula verdades cruas
Não importa o remédio, sempre leia a bula
Não importa se restam trapos, não deixe sua alma nua.
Coitado do homem que não se importa com nada, que acha segregação motivo de piada
Coitado do homem que com o veneno se engasga, que adora a mão que afoga ao invés da que afaga
Coitado do homem que nunca foi pra Europa, mas vive em Praga.
Lista indecifrável e são pichados os muros,
são vastos ao oriundo desprezado.
Colher da mão, chuva,
dor e aplausos,
o teatro do desordeiro;
pálpebras inchadas e o berreiro,
arco-íris, céu azul,
no horizonte a nuvem vacila à cilada do poste,
a luz, a reunião,
pé descalço; canção.
Só mais essa,
"somente uma frase a mais que caiba bem.".
Sol e Lua
Ele é como o sol
resplandece bem cedo
e sorri e batalha e corre
e se cansa, mas a coragem não lhe falta;
mesmo, às vezes, com tristeza em seu coração
procura não transparecer sua emoção;
é comedido e concentrado,
mas ocasiões o fizeram assim
e todas foram aprendizados.
Ela é como a lua o sol a ilumina
e ela se torna mulher-menina.
Sonhadora e apaixonada,
às vezes se depara olhando para o nada
e sorri um sorriso que faz seu coração disparar
e até mesmo lhe falta o ar.
Quando Sol e Lua se encontram
acontece algo como um encanto...
Suas almas juntam-se
como num eclipse
e não há nada que os paralise
além do êxtase de dois corpos em união.
O Sol consegue repousar
para que no outro dia
possa esplêndido estar...
A Lua não para de brilhar,
pois o Sol a amou de uma tal maneira
que ela tem medo de dormir, acordar
e pensar que sonhou
e que tudo vai acabar.
Quando o Sol fica longe
a Lua sente frio
ela o quer, sempre, por perto
e isso lhe causa arrepio...
O Sol acha a Lua meio desligada,
mas na verdade ela quer
ser feliz e mais nada.
Leandra Lêhh
A brevidade dos dias são como os orvalhos em folhas ao resplandecer da aurora, se formam e logo evaporam.
Os ponteiros são alados e mesmo que calados voam alto de forma tal que não podemos alcançar.
Ele não para, não volta e não pula fases, só existe agora. Não se preocupe com o que não pode controlar.
Deixe-me ir até a páprica dos teus lábios e confessar meus desejos lascivos por ti...
Texto extraído do meu livro: Dom Amaro.
MUDANÇAS
Fechei as portas da vida
Para as chatices do cotidiano
E joguei as chaves fora.
Tenho agora na cabeça
Apenas sentimentos leves
E um chapéu de palha.
No ermo da praia,
A sonoridade das ondas
Purifica meus ouvidos,
E a brisa litorânea
Enche meu peito
De cheiro de mar.
Sem os sapatos oprimentes
Caminho descalço na areia,
Sentindo os pés beijados
Pela escuma salgada
Que apaga meus rastros...
COMPROMISSO
Eu sei, Senhor,
Que minha vida
Será curta ou longa
De acordo com a tua vontade.
Mas como deixei de realizar
Uma porção de coisas,
Eu te peço que me segures
Um pouco mais por aqui.
Quando eu subir,
Pagarei com juros e correção
O tempo excedente
Que me concederes.
UM QUADRO DA INFÂNCIA
Sem mostrar resistência a essa vontade
de visitar os tempos de criança,
ponho na mão meu livro de saudade
e folheio lembrança por lembrança.
O olhar de minha mente assim me invade
a infância por inteiro, e logo alcança
uma linda menina da cidade,
loura, de olhos azuis e fala mansa.
Foi ela, certo dia, sol já posto,
que, após eu mal pisar sua calçada,
parou-me, com as mãos prendeu-me o rosto,
esfregou sua boca em minha boca,
e em seguida, saiu em disparada
para dentro de casa, como louca...
O vento leva a nuvem e a desmancha
e muitas vezes a chuva cai,
a vida leva a gente e deslancha,
mesmo sem querer a gente vai...
Vento, vento, de onde vens?
estás sempre ao meu redor,
que segredos trazes em teus lamentos,
seriam saudade de algum amor,
ou canseira de viver tanto ao relento,
arrastando folhas e mágoas
de quem te percebe e dá valor?
Trilhando nosso caminho,
cada um de nós seguimos
em passos firmes sobre pedras
ou em suaves tapetes de ilusões,
sem nunca esquecermos que junto
vão realidades, algumas difíceis de transpor,
mas que essa trilha seja
desenhada em sentimentos bons,
sob a luz do amor
Que tal se chegar nesse espaço,
vem, aqui estou a esperar,
quero apenas te dar um abraço
e todo meu carinho te passar !
Tenha um canto só seu
Dentro d'alma ou numa estrela
Escolhida para ser um refúgio
Quando a vida ofendê-la
Nesse silencioso e belo canto
Encontre seu eu para se renovar
Deixe rolar todo riso, esqueça o pranto
Fique leve, tudo passa ou irá passar
Regresso
a gente nasce
sendo semente,
gera e cria
até vir pesticida
digo, sociedade
afogando a alma
pra voltar a ser semente,
dessas de barriga grande
que engravidam
e alastram criação
pela beira da estrada
e rompem asfalto,
é preciso volver
água
chão
vento, ardência
até
virar semente
de
novo,
até
virar semente,
ovo.
(do livro 'Zíngara' de Bianca Rufino)
