Poesia
Todas as manhãs eu acordo em sete bilhões de corpos
saúdo-me com contos de folias e calamidades
Se você soubesse o que eu vi
Se você soubesse o que eu fiz
Oh tão inocente
Quando chamado, respondo a todos os nomes - infalivelmente -
ainda muitas vezes me sinto sem resposta
Espalho-me por mundos e continentes, despojo-me da minha imensidão
No entanto, cada rosto é meu e tudo o que é visto sou eu
Todo o tempo eu falo comigo mesmo e muitas vezes não me sinto ouvido
ainda cada voz é minha e tudo o que eu ouvi sou eu
Estou sempre me envolvendo,
ainda me considero solitário
Persigo-me na forma de coisas aparentes, embora nunca me encontre
Eu me recrio por nenhum outro motivo senão eu mesmo,
ainda permanecem imensuravelmente os mesmos
diferenças de postura, mas permanecem as mesmas
me divido, mas continuo o mesmo
nunca desconhecido, eu me empresto de minha própria identidade
ninguém nunca me alcança exceto eu mesmo,
escondido dentro do meu conhecimento, revelado apenas para o meu ser
Eu preparo veneno e o derramo sobre meu corpo,
babar pela beleza e procurá-la como se não fosse minha
Eu durmo bem acordado e morro de fome enquanto como
Eu ataco e defendo, então danço triunfalmente no túmulo de cada derrota
perturbado pela minha imperturbabilidade,
impaciente no tempo criado,
que inútil, digo a mim mesmo,
quão mesquinho
nunca ter conhecido a totalidade
Os ossos da minha avó o mantiveram unido por mais tempo do que a eternidade
mãe
frequente meu berço
pai
reconciliar minhas partes
criança, vai ficar tudo bem
sou a favor e contra mim
enfraquecido pela minha força,
fortalecido pela minha fragilidade
eu sou o amante de todos
intensamente macio
extremamente difícil
ocupado o tão ocupado recusando o que já é
O meramente desperto não pode descobrir tal vulnerabilidade
Muitas vezes na caminhada
já em passos bem cansados
segue o viajante que divaga
sobre o que lá atrás há deixado
Seu coração pede aconchego
está quase desistindo de lutar
mas a vida manda- lhe um adrego
encontra sempre um jeito de se adaptar
Adapta-se à lágrima e à dor
consegue até dar algum sorriso
sem saber que foi Deus, o Criador,
que lhe mandou tudo que foi preciso
Segue então de novo seu caminho
muitas vezes sem ter mais a solidão
pois encontrou quem lhe dê carinho
seja um amor ou um abraço de irmão
***Adrego : acaso ou casualidade
Nota-se facilmente
a que tem o faro
nas redes sociais se gosta
de figurinhas, é claro!
Quem não faz isso
e apenas põe suas letras
pode nem ser visto,
e muito menos os poetas
Apenas algum amigo
desses que tem respeito
podem mostrar um sorriso
e curtir à seu jeito
A maioria do povo
quer de fofocas saber
- será que tem algo novo?
quero ver, quero ver...
Ah ..se a tal fofoca
virasse um dia dinheiro
muitos teriam grande quotas
de mil cofres inteiros
Tenho pena dessa gente
em busca só do trivial
saber da vida somente
e nem conhece o pessoal
.
Fecha-se o suave crepúsculo
rende-se à noite que vai chegar
tudo se junta numa só canção
o ritmo do universo não pode pausar
Aos poucos todos se recolhem
para o descanso de sua lida
e mais feliz é quem pode
estar junto às pessoas queridas
Ao longe as estrelas se mostram
bordadas no manto anil do céu
as notas da canção se elevam
e ecoam abençoadas por Deus
Podemos só versos tristes fazer
sem no entanto ter tristeza
e também apenas sorrir
em versos que escondem asperezas
Gosto do tempo, do dia e da noite,
canto para a lua, aceno ao sol,
mesmo que sinta do vento um açoite
e na alma um tom pintado em arrebol
Outonando
Pássaros cantam em pleno outono
canções quase silenciosas
respeitando a época da dormência
da natureza, do jardim e suas rosas
Cantar como eles é o que precisamos
sem alardes, apenas canto d'alma,
aconchegando no coração o que amamos
germinando sempre em muita calma
A natureza é um quadro
pintado pelo Criador
que sabe mesclar nuances
de uma beleza infinda,
vejo-as enquanto a mente vagueia
e na poesia simples
minh'alma livre passeia...
Quem és ? Vens das estrelas ou das areias do deserto?
Não sei, mas tens a aura dos exilados
em teu rosto não há o esboço de um sorriso,
apenas os lábios, levemente abertos,
só um murmúrio se percebe neles,
mas ali, palavras se escondem, sutis
não quer demonstrar o que se agita n'alma
que escorre suave num olhar perdido,
parece que uma tristeza profunda
o fez mergulhar em outros mundos
tua alma se dilui em eflúvios lilases
e tua boca faz cânticos suaves à lua,
enquanto teu coração prende os toques,
temendo desafinar do sentimento, a melodia
um jeito de ser um tanto misterioso,
quem és tu, que apareces em meu sonho,
junto às nesgas de luar que dançam
no teto de uma noite sem fronteiras?
Mãe é o plural e o singular,
um tesouro do maior valor,
em nosso coração sempre irá ficar,
Mãe, meu primeiro amor !
Desejo Feliz Dia das Mães à todas, biológicas ou não.
Bendito seja o alvor de cada manhã, onde borboletas voam rasantes, sob o som de harpas mistrais das brisas que vem de longe.
Eleve seu espírito, respire fundo e agradeça pela vida - como as borboletas - e siga por mais um dia de seu tempo.
Olhos que veem as estrelas na amplidão e delas ficam cativos, esses sim, leem no universo os versos que ele escreveu sobre a noite e desde sempre .
Dia internacional do Abraço
Um simples gesto de amizade ou amor
que transmite um ao outro a união
num laço que enlaça com muito fervor
prendendo os dois num só coração
Neusa Marilda Mucci
O tempo mudou para valer
o vento bramindo até grita
o ouvido chega a doer
e o friozinho nos visita
Para não congelar
e para o dia acontecer
algo quentinho vamos tomar
precisamos nos aquecer!
Venho então vos oferecer
um chocolate quente ou café
está bom, sim, botem fé!
e aceite quem quiser
Da natureza procuro ser guardiã,
até à uma folhinha seca dou valor,
a natureza é nossa mãe, nosso amanhã,
precisa ser preservada com amor
O mês de junho chegou,
puxa, estamos no meio do ano
que muito rápido passou,
o tempo está voando
Mês de junho tem tradições
de santos que são festejados
festas juninas e diversões
que ocorrem por todo lado
São festas para toda a família,
doces típicos, pipoca, salgados,
pular fogueiras e dançar quadrilha
todo mundo de braço dado
Ah..com essa tal de pandemia
mais um junho sem cumprir
a festança que é só alegria
vamos ter que restringir
Quando o dia estiver cinza outono, peguemos essa cor e transformemos em adubo para a alma, deixando germinar nela uma semente de esperança.
Se houver apenas um pequeno raio de sol que tenha escapado por entre nuvens, façamos dele uma fogueira para aquecer o coração.
Se houver chuva, ah...que maravilha então! Que em cada gotinha venha um banho para a alma e o coração, deixando tudo mais leve para seguirmos a missão. Logo veremos um arco-íris no horizonte a nos encantar, é linda obra da natureza que Deus mandou pintar.
Vamos agradecer essas coisas simples e poderosas que são de graça? Cada um perceba sua parte e receba como bênção dentre outras que poderá observar e não citei. Tudo que nos rodeia é um quadro e fazemos parte dele, isso chama-se : poesia.
_____Neusa Marilda Mucci
Noite que se aprofunda em escuridão,
ferida pela lua que a abandonou,
traz nas vísceras, escondidos gritos de aflição
que ecoam sombras na paisagem que pintou
Aquieta a alma, cumpre seu destino,
acarinha o coração do que ama ou amou,
vozes serenas em noturno canto,
espantam saudades de algo que ficou
Noite que se perfuma com a brisa
e que eternamente por ela é amada,
é um cofre que no âmago traz segredos
de almas insones - perdidas na madrugada
Pode haver algo estranho no reino
isso foi há muito percebido
nem se precisou de algum treino
bastou ouvir o zum - zum do zumbido
Zumbido de vozes desafinadas
ásperas e em palavras mentirosas
sobre a vida de quem não sabe nada
e espalhou fatos com língua saburrosa
Prejudicou de alguém a imagem
e nem se sabe qual foi a razão
talvez confundiu a camaradagem
pensando ter conquistado um coração
Que gente feia e mal amada
vive à cata de fofocas, de enganos
e por detrás de história mal contada
inventa outras por debaixo dos panos
