Poemas sobre quem Realmente eu sou
Outro dia me perguntaram o que era o bem-viver.
E eu pensei que talvez fosse isso:
um instante em que a alma desaperta,
o momento em que o mundo já não tem tanta força
e o amanhã já não grita tão alto.
Ambiguidade
Não confunda alhos com bugalhos!
Ontem eu encontrei você.
Estava linda,
pronta pra sorrir.
E lembrei da carta
que lhe escrevi.
Eram só palavras,
sem qualquer significado especial.
Mas você nem leu.
Nem sorriu pra mim.
Era só um sonho.
Às vezes, existe em mim uma sensação que não sei nomear — como se eu tivesse me afastado de mim mesma sem perceber. Continuo vivendo, sorrindo, conversando, seguindo os dias, mas há momentos em que tudo parece acontecer diante dos meus olhos, e não exatamente comigo.
É como assistir à própria existência sentada na última fileira, reconhecendo o rosto no palco, mas sem sentir que aquela pessoa sou eu por inteiro. Conheço minha voz, meus gestos, minhas histórias, mas ainda assim existe algo profundamente estranho em habitá-los.Como se eu estivesse presente apenas pela metade, observando de longe uma vida que deveria sentir como minha.
E o mais inquietante é não saber de onde vem esse vazio, nem por que, mesmo estando dentro de mim, às vezes me sinto tão distante de quem sou.
Depois que eu descobri que o sentido da vida, além da morte, é viver compartilhando, compartilho tudo o que sou.
Compartilho o ar que respiro, o sentimento que transmito, a ideia deste pensamento, tudo aquilo que invento... Compartilho minhas reflexões, percepções, emoções, minhas ações... Compartilho tudo o que falo, digo, expresso, demonstro, mostro... Compartilho meus movimentos, por onde passo, o que faço, o que traço, desfaço, satisfaço... Compartilho tudo o que vivo, seja positivo ou negativo, pois tudo o que experimento faz parte de mim.
Evito guardar, prefiro compartilhar, pois, de qualquer forma, a morte levará tudo. Então, escolho deixar no mundo tudo aquilo que sou...
Quero espaço.
Espaço para mim.
Espaço onde há liberdade
para eu existir.
Quero escrever o que minha alma grita,
sem me preocupar com métrica
ou rima.
As estrelas se alinham
e formam constelações,
mas há um universo de distância entre elas, para que tenham espaço
e brilhem.
Quero espaço para brilhar.
Espaço para respirar.
Espaço para me amar.
Mas sou brinquedo
das suas carências.
Há um mundo fora do meu quarto,
mas não minto quando digo
que há outro dentro dele.
Me dê espaço.
Permita que eu escolha
o filme que vou assistir.
Deixe minha liberdade
existir.
Me dê espaço.
Era eu o sol da minha própria existência.
Era minha dor tão profunda quanto o oceano,
e minha insegurança tão vasta quanto o céu.
Mas tornaste tudo isso pequeno.
Chamam de corajoso o poeta que despiu
sua alma e conseguiu expor algo formoso.
Eu o chamo de louco!
Se sou uma carta, prefiro
que minhas linhas permaneçam em anonimato;
afinal, conheço meus pecados.
Fui, no entanto, até em entrelinhas, lido pelo Senhor; versos que nem mesmo em um ímpeto de coragem haveria escrito, em seu coração se fizeram conhecidos.
Nem de tudo que leste te agradaste.
Encontraste falsidade, mentira, preguiça e ironia; ainda assim, destes garranchos que sou,
fez poesia.
Tenho medo...De que o que eu pensei que era verdade, seja apenas uma alucinação passageira...
Oh céus! Me dê seu amor, mesmo que só por um instante...
Como posso estar tão ciente de que isso não ocorrerá?
De que nunca terei sua atenção?
Óh, céus! Me quebro em pedaços,
Sinto algo que não pode ser correspondido,
Uma carta enviada de volta...sem resposta...
Me desespero e procuro me acalmar de baixo dos alámos, que tentam me consolar...
Mas suas ações não colaboram...
Me vejo em um campo de Jacintos amarelos...
Com o céu estendendo seu véu nebulosoe se desperando junto de mim...
Posso estar exagerando,
Atordoada com a esperança de estar realmente alucinando.
Enquanto isso, vago pelo campo de rosas amarelas, procurando resposta em minhas próprias lembranças e reflexões, mas aparentemente essa neblina em meu caminho não vai sair tão cedo e irei me perder nele, me juntando ao vazio de não saber
Olhos castanhos
Por céus como eu queria que seus olhos encontrassem os meus,
Olhos doces e castanhos...
Mas seus olhos não possuem mais o mesmo brilho por mim,
Quem dera você quisesse ser meu sol,
Para cessar esses dias de escuridão,
Isso foi em vão,
Estaria mentindo se dissesse que
te quero como sempre quis,
Sinto cada vez mais que estou te esquecendo,
Como se a névoa estivesse se espalhando em minhas memórias.
Quem dera você pudesse provar seu amor,
Até mesmo lutando contra tropas inimigas por mim,
Viajar até a China para me presentear com a mais bela Jade...
Isso foi em vão,
Estaria mentindo se dissesse que
te quero como sempre quis,
Que aceitaria esses presentes e a sua vitória sobre as tropas inimigas...
Me arrependo da primeira troca de olhares que tive com seus olhos...
Doces olhos castanhos
Meu bem
eu tava indo embora
Agora estou olhando a lua com voce do meu lado
Me sinto realizada de ter voce comigo
As vezes nao me dou tao bem assim com as palavras
É por que realmente
Nao da pra explicar a sensação de te olhar
Pois vejo outras constelações
É como se saisse por alguns minutos ou segundos
Do meu próprio corpo
E fosse teletransportada para outra dimensão
Ao te beijar
Desejo nunca mais sair do momento
E quando me abraca
Me sinto tão única
Que sinto a necessidade de de novo te falar o quao apaixonada sou por voce
Pelo seu jeito iluminado
Pela sua fe
Sua fe move montanhas
Moveu a minha
Voce e LUZ
amo quando deixa eu te cuidar
E te acarinhar
Me sinto rica.
Te quero todos os dias
Te quero em paz
Me quero em paz
Quero a gente em paz
Voce apagou na massagem
Amo essa sensação.
Que estou fazendo parte do seu descanso
E contribuindo para que ele aconteça
Meu bem
Te amo tanto
E te quero tanto
Estou com voce para o que der e vier.
Sou sua fortaleza
Sua âncora
Sua gata
Sua paixão eterna
Sua
Só sua
E de mais ninguém.
2026
Gênese Moral
As escolhas e mudanças almejadas
devem ser todas engendradas
ante o eu primordial
e no silêncio total
de nossa vasta escuridão.
Eu que pensei:
" hoje não é dia de poesia"
bastou lembrar de ti
musa de apolo
amarga inspiração
medula óssea
costela mitológica de Deus
mulher inconformada
por ser feita de carne
e não de barro
como é feita
a poesia de Adão.
UMA CANÇÃO DE AMOR JAZZ
Eu sei,
Que não é fácil viver,
Sozinho sem um alguém,
Por isso eu amo você.
Pedi ao sol
Pedi à lua
Para encontrar um amor
Um anjo me responder.
No lindo sonho acordei
ouvindo a voz do alguém
a me dizer sorridente
Sou eu,
Que estou aqui com você
Também estava sozinha
E agora tenho o céu...
Ela amava o mar,
assim como eu amava o rio
mas a estrada do destino
não cruzou nossos caminhos,
assim o mar ainda a espera,
o rio que era meu sonho,
virou um deserto de quimera.
ELA FINGIA
Ela fingia entender tudo o que eu dizia.
Ela fingia saber o que não sabia,
enquanto eu tentava explicar,
enquanto eu tentava explicar
o caos deste mundo,
a falta de amor,
a busca da paz,
o inferno e a dor.
Ela nada sabia de filosofia,
nem de poesia, de Pessoa ou Drummond.
Ela tampouco sabia de democracia,
ou de anarquia de Foucault a Proudhon.
Mas ela sempre aceitou minha fantasia.
Ela sequer perguntou sobre a minha ironia:
de me achar tão sabido
e o sentido da vida não ter entendido,
que, segundo ela, era viver
bem distraído,
que, segundo ela, era esquecer
o mal sofrido.
Se eu fosse falar a verdade
Talvez você se comovesse.
Perdi meu pai aos onze anos — e com ele, o lar.
A casa deixou de ser abrigo, tornou-se lembrança.
O conforto e a segurança que uma infância promete
se desmancharam na poeira do tempo.
A vida se desenrolou como um fio invisível
que eu apenas seguia, sem saber aonde levava.
Mas não escrevo para comover ninguém.
Sou um homem realizado no pouco que premeditei:
ser poeta — não por escolha, mas por destino.
Desde menino, tive uma clarividência silenciosa
sobre o que viria a ser.
Uma voz interior me dizia
que havia um mandato das alturas:
cantar, mesmo que o canto fosse triste;
dar forma ao invisível;
soprar o fio de Ariadne
que me conduziria pelo labirinto da vida.
Entre fragmentos e quedas,
fui forjado por dores que não escolhi.
E nelas, descobri a necessidade inevitável
de escrever — sempre com lágrimas,
sempre com o sangue secreto da alma.
Não havia mapa, só o instinto e a necessidade.
E foi nas escolhas, muitas vezes cegas,
que aprendi a me reconhecer.
Hoje compreendo que minha existência,
apesar de comum, sempre esteve repleta de sentido:
era o ensaio do homem que eu me tornaria —
um ser moldado pela perda,
mas iluminado pela busca.
Segundo Shakespeare, nascemos chorando nesse teatro de loucos.
Eu nasci negando.
Nego tudo, nego a origem.
Nego o passado, nego o presente, nego o futuro.
Nego a ideia de túmulo eterno,
a ideia do pó que volta ao pó.
A intensidade do pensamento é tão grande, tão imensa,
mas a gente pensa que isso, essa energia etérea,
aprendeu a migrar para outros mundos,
outros fundos, outros abismos.
E aí, mesmo essa ideia que seria sublime, confortante, eu nego,
porque não há plenitude na mente que estaciona
e aceita qualquer coisa como verdade absoluta.
eu tenho medo. muito medo.
medo de tudo, medo de respirar, medo de sair de casa, medo de ficar sozinha, medo de estar com muita gente, medo de ser amada, medo de ser odiada.
mas o meu maior medo eh que ele me deixe, que ele me olhe da mesma forma que eu me olho e perceba que não vale a pena. que não vale o esforço.
eu sou quebrada, sou traumatizada, sou louca, paranoica, imatura, descontrolada, desequilibrada e mesmo assim ele segue comigo, mas ate quando? ate a que ponto esse amor vai?
um dia, ele vai acordar, vai olhar pra mim e pensar "o que eu to fazendo aqui?" porque eh a mesma pergunta que eu me faço todos os dias.
Acaso
Talvez tenha sido acaso...
Você cruzar meu caminho,
justamente quando eu não procurava ninguém.
Talvez tenha sido apenas coincidência
o instante, o lugar, o momento...
Mas algumas coincidências
são difíceis demais de chamar de acaso.
Porque, depois de você,
alguma coisa mudou em mim.
Como se a vida, por um breve instante,
tivesse colocado tudo no lugar
só para que nossos caminhos se encontrassem.
E desde então,
quando penso em destino,
não imagino caminhos, estrelas
ou lugares distantes.
Imagino você.
Talvez tenha sido acaso...
Mas, se foi,
foi o acaso mais bonito
que a vida poderia ter me dado.
Por que mudei?
Ahhh…
me perguntam por que mudei.
E eu simplesmente digo:
mudei porque já não cabia
dentro das minhas antigas versões.
A pele que um dia me serviu
começou a apertar,
os caminhos que antes me encantavam
já não levavam para onde eu queria chegar.
Então, precisei me despir
de algumas certezas,
de velhos medos,
de quem eu achava que deveria ser.
Não foi de repente.
Foi aos poucos,
como quem aprende a respirar
depois de passar muito tempo
tentando caber em espaços pequenos demais.
Mudei porque cresci.
Porque me ouvi.
Porque descobri que permanecer a mesma
só para não incomodar os outros
também é uma forma de se abandonar.
Hoje, não sou quem fui.
E ainda bem.
Carrego minhas antigas versões comigo,
não como arrependimento,
mas como raízes.
Afinal,
foi preciso ser todas elas
para chegar até aqui.
Não mudei para ser outra pessoa.
Mudei para, finalmente,
caber inteira dentro de mim.
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