Vanessa S.T.
Se um dia pudesses ser
aquilo que um dia imaginei,
ainda assim não serias tu,
serias apenas o sonho
que antes de ti inventei.
Porque o que imaginei
cabia inteiro nos meus pensamentos,
mas tu chegaste sem caber
em nenhuma medida,
em nenhum desejo,
em nenhum dos meus intentos.
Se fosses exatamente
aquilo que um dia sonhei,
talvez eu te admirasse,
talvez até te amasse,
mas jamais te reconheceria
como única e especial.
Pois foi justamente o inesperado,
o que não previ,
o que não desenhei,
que fez de ti alguém
que nenhum sonho meu
jamais conseguiria ser.
E talvez seja essa a beleza:
não seres aquilo que imaginei,
mas aquilo que jamais soube imaginar e, ainda assim,
a única pessoa
que meu coração escolheu reconhecer.
Por que mudei?
Ahhh…
me perguntam por que mudei.
E eu simplesmente digo:
mudei porque já não cabia
dentro das minhas antigas versões.
A pele que um dia me serviu
começou a apertar,
os caminhos que antes me encantavam
já não levavam para onde eu queria chegar.
Então, precisei me despir
de algumas certezas,
de velhos medos,
de quem eu achava que deveria ser.
Não foi de repente.
Foi aos poucos,
como quem aprende a respirar
depois de passar muito tempo
tentando caber em espaços pequenos demais.
Mudei porque cresci.
Porque me ouvi.
Porque descobri que permanecer a mesma
só para não incomodar os outros
também é uma forma de se abandonar.
Hoje, não sou quem fui.
E ainda bem.
Carrego minhas antigas versões comigo,
não como arrependimento,
mas como raízes.
Afinal,
foi preciso ser todas elas
para chegar até aqui.
Não mudei para ser outra pessoa.
Mudei para, finalmente,
caber inteira dentro de mim.
