Poemas sobre Frio
Outono
As horas do dia se foram
em seu ritmo bem ensaiado
folhas e flores outonaram
em seu destino traçado
Pela janela tudo percebi
na magia do por do sol
e fiquei à espera de ti
que sempre vem junto ao arrebol
Hoje não vieste e chorei,
algo, sei, aconteceu e triste
- que outono cinza, pensei,
pois sei que me esqueceste...
A chuvinha inspira trova
assim bem pequenina
e a paisagem se renova
logo terá frio e neblina
Tudo se aquieta um instante
a ouvir o leve tamborilar
das gotinhas insistentes
no telhado a musicar
Nada é mais relaxante
do que esta fina melodia
a natureza compõe sonante
no palco de mais um dia
Solo de sax, noiteem pleno estio,
a melodia enche os ares
e o coração se aquece do frio
Nas paisagens, a lua deixa marcas
de uma luminosidade esmaecida,
invernando por todas as plagas,
e continua a vida...
O tempo é para sempre,
nós é que não somos,
por isso,
aproveitemos bem
cada segundo
que nos for dado
para permanecermos
neste belo,
e insano mundo
Já pensei em desistir
do caminho que tracei,
mudar o rumo e seguir
para Pasárgada, onde conheço o rei
Manhã de inverno
coberta por um céu muito azul,
o frio leve se faz sentir
na brisa que teima em passear
pelas paragens dos rostos,
que tocados devagar
acordam do sonho,
se agitam,
seguem,
a vida está aí,
a tudo de nósexigir
que sigamos então a realidade
da qual não podemos fugir...
Está mais frio aqui fora
do que dentro da geladeira
até o sol quer ir embora
deve estar com tremedeira...
Desta janela, eu vejo
a imagem de um céu em névoa,
chuva molhando a terra,
árvores em roupagem de flores
já é novembro,
e ainda estamos aqui,
pegadas deixadas no tempo
o vento é apenas silêncio
uma página de meditação
chegou o frio!
vi o fio acendendo as luzes
fez-se, tarde do segundo dia
é magia, brilhante,
Oh! viajante iluminado;
em versos simples,
em solo sagrado
pastos verdejantes,
mensagem de paz
Amo dias de chuvas,
por causa das árvores
alcanço repouso
na estrada de chão
.
o jardim está fora do tempo
como palavras de consolo,
uma ideia feliz
sob o olhar da janela
bom dia, flores,bom dia folhas,
bom dia campo
deixa-me passar,deixa-me, olhar
tua gota de ser
VAZIOS
—
E se eu fosse embora, agora?
Onde estariam todas essas sementes?
É tão vã essas palavras, vejo isso ao chão
todos dormem, inclusive meus sonhos
a memória é sempre resposta à saudade
a vaidade humana um frio sem cobertor
—
Nos olhos, há choros, vazios e dor
rios na tristeza do tempo,
suspensa sobre uma fé imatura
o dia é penumbra
deixei de lado o cair da noite
desencantos e solidão escreverem no verso
—
Talvez um dia eu volte, em plena lua cheia
Talvez eu traga certezas em outras palavras
talvez haja planícies em meus olhos
talvez me chamem para tomar um café
ou encontre abismos.
—
Esse papel é um pedaço de nada
sombras e silêncios empoeiradas
um toque invisível do envelhecer
a angustia do mundo em velas com chuvas
—
Apenas esquecimento em meia escuridão
chega de palavras, de frases sem sentido
o chão do real é um poema de homenagem
a quem quer pensar.
§
LUZ DAS ESTRELAS
Certa feita estive numa aldeia.
Lá me deparei com uma menina,
Sua fome me olhava atentamente.
Tinha o nome de luz das estrelas.
Seu pai não se sabia e sua mãe não vinha.
Perguntei-lhe se sonhava. Disse-me que não.
Mas que quando deixasse de ser miúda,
iria ser médica para cuidar das pessoas e dos que vão nascer.
Você sabe o que é poesia?
Não, não a conheço, interpelou-me rapidamente.
Poesia é feita pra gente?
Passei a visitá-la.
Numa manhã que chovia, nova indagação.
Do que você gosta? Prontamente me disse:
Gosto de comida, de escola e de brincar de casinha quando faz frio.
E vou lhe confessar algo.
- Também brinco de agarrar nuvens com as mãos
Carlos Daniel Dojja
Para Luz das Estrelas, em Angola.
O FAZER DE ALGUNS
Alguns dentre nós moldam o ferro,
E dele fazem surgir esculturas.
Por vezes vergam o pinho,
E talham marcados amuletos.
Outros há que se apossam,
De variadas matérias.
Edificam templários ou casebres,
Lapidam jóias ou feitiços,
Ardem no frio ou no fogo,
Sua humana semeadura.
A mim, dentre alguns,
Coube-me outra quimera:
A de esculpir o querer,
Numa árdua arquitetura:
- Não me aprendi estrada reta,
Fui-me pontes carregadas de atalhos.
Enxerguei partidas, mais cedo do que pulsar chegadas.
Vejo-me assim: Do afeto sou inteiro ou recomeço.
E só o sentir construído, como a palavra viva, me afaga.
Carlos Daniel Dojja
In Poema para Crianças Crescidas
Nem em uma quinta-feira
de ruas frias,
ônibus cheio,
as sete e dezenove,
à dezenove quilômetros de você,
conseguem me deixar longe o bastante
para que eu não pense em você.
De onde a felicidade vem…
De todo lugar, se olhar e apreciar, perceberá que a felicidade vem do olhar de alguém, do sentir o sol queimar na pele. A felicidade vem de todos os lugares e de lugar nenhum, vem do canto do corpo, vem da manhã fria e da tarde quente, do som da chuva que tamborila na janela, de gente que sorri bonito e que gargalha gostoso, vem do melhor que distribuímos, e do pior que evitamos, vem da paz que lava a alma e do caos que um dia se acalma. Vem do dia de aniversário, dos amigos que fazemos, das dores que um dia esquecemos, do cheiro de coisa nova, do frio na barriga, de finalmente ter superado um medo. Vem de ouvir uma música, de comer a sua comida favorita, de se apaixonar, de ter um coração partido e dizer que nunca se entregará assim outra vez, e se apaixonar novamente. Vem de segurar o riso em momentos inoportunos, de parar nem que seja um minuto para olhar o céu, e ser grato pela oportunidade de viver.
A felicidade ela vem de você, sempre esteve em você, a diferença é como você enxerga toda essa felicidade dentro de você, já parou para namorar sua felicidade em algum momento hoje?
"MAS BÁH! COMO EU GOSTO DOS BICHOS"
Enquanto o minuano furioso guasqueia o oitão
E esparrama sua fúria pelas frestas do galpão
Eu mateio solito à beira de um fogo de chão
E o cusco tremendo de frio me puxa um tição
E o matungo velho lá na baia dá um relincho
Então me lembro dos meus cambichos
Que se foram a lá cria por conta dos meus caprichos
Más Báh! tchê, como é bom lidar com os bichos
Depois do mate uma bóia e pros pelegos me vou
Tenho cavalo, cachorro, galinha, só uma china faltou
Mas pensando bem à última que aqui comigo morou
Era danada nem pros meus bichos ela prestou
Por isso eu cada vez mais pros bichos valor eu dou.
Derrepente me bateu uma tristeza
Uma sensação de solidão
Derrepente um vazio
Abraçou meu coração.
Parece que estou no frio
Ta tudo tão gelado aqui
Parece que a neve do Alasca
Tomou conta de mim.
Será que é em vão tudo
oque estou a passar ?
Será mesmo que tudo isso
Um dia irá se acabar?
Ou estou lutando e não vou obter solução..
Não terei como ganhar?
Preciso acreditar que tudo isso
Vai ter um fim
Não posso deixar de crer
Que Cristo está por mim..
Pois a bíblia diz que
Aquele que nele crer
Tudo será possível, sim.
- Joseanne Karla Rodrigues
Tenho frio nesta madrugada
Não encontro quem me coloque o cobertor nos pés descalços
Os gritos não ardem
Se espargem na estrada
Da riqueza que abandonei
Quando quis crer na tua lembrança
