Poemas sobre Frio
E fez-se a primeira noite
E desde a primeira noite, o frio
E fez-se o arrepio e nascem os sonhos
Em algum momento perdido, o calor
Inventando um novo invento
E veio o rio das horas
E veio a demora
Com o tempo que passa depressa a flutuar
E a folha que cai e que vai-se à toa
Ao arrepio da hora boa
E nasceu assim a lembrança
E o medo do fim
Como receio da noite vindoura
E da dor a lição
Assim fez-se a pressa, a que cessa num momento
Que é coisa a aprender-se depressa
A vida que escoa entre os vãos
Mãos vazias que acenam
O sempre olhar pra trás antes da curva
Até o dia de não nunca mais se ver esse olhar
Assim fez-se a madrugada, a alvorada
O outono que chega
A bruxa do tempo que ri só pra si
E assim fez-se a noite e a escuridão
Tão negra quanto o coração que era
Esperar no portão pelos passos que não mais escuto
E assim se fez a última noite
O longo tempo, que afinal
No final se fez tão curto.
Edson Ricardo Paiva.
O inverno vem
E o frio trouxe uma versão profunda
das coisas invisíveis que essa vida tem
Pois, quando a estrada foi florida
Cada qual tinha as mãos dadas
Numa ilusão acompanhada
O inverno vem
E frio traz uma versão vazia em nossas casas
Os velhos bancos de madeira
Há muito se tornaram cinzas
No calor da fogo há companhia
Verdadeira e quase que tão passageira
Quanto as mãos que seguraram velhas mãos
Não tem mais quadros na parede
Não há porque encher os cântaros
O inverno carregou também a sede
Ainda resta alguma coisa
E ela só presta pra queimar
Dentro em bem pouco
Quando anoitecer no quarto morno
Do forno triste desse inverno interminável
Que existe sim, pra todos nós
Dentro de cada um
Esperando apenas pelo escurecer.
Edson Ricardo Paiva.
Sentado ao frio, de madrugada
observava extasiado, o Céu noturno
visão celeste em versão celestial
inacreditável panorama Leste-Oeste
flutuando muito além
da linha imaginária
que limita meu quintal
o imaginário, de repente
transportou-me a um lugar
totalmente inesperado
talvez fosse a imaginação
sempre latente
um sonho, uma esperança
ou pesadelo
ou quem sabe
apenas desprendimento
que me torna não fixo
a lugares ou momentos
contemplei os poderes da Lua
que molhava as mãos nos mares
distante de olhares mais atentos
e a dança ilusionista das estrelas
o tempo, deus atrapalhado
que não sabe e nem consegue
passar sem causar atropelos
sem precisar de ajuda, tudo muda
desde a vida da gente
até a cor dos meus cabelos
o vento que sopra suave
se alia ao seu amigo tempo
e juntos, montanhas esculpem
o limite de linguagem
não permite explicar a imagem
se eu fracassar, me desculpem
de repente
eles percebem que eu olhava
e o tempo fecha a cortina
então a Luz do Sol meus olhos lava
a noite assim termina
quando muda a paisagem celeste
tudo isso acontecendo
e você, com quem queria dividir
tudo isto
dormindo
sem lembrar
que
eu
existo
Hoje
Meu coração amanheceu
Tão frio quanto este dia
E não sei
Quanto tempo eu vou viver
Sem saber se novamente
Haverá nele calor
Eu pensava que o amor
A gente levasse com a gente
Não percebi que ele morria
Pois nele eu vivia absorto
Não via que estava morto
E vivia em mim somente
Nem sei se existiu de fato
Ou foi coisa da minha mente
Amor, algo assim, abstrato
Verdadeira mentira
Pura ilusão
Concreta agora
É somente a ira
Que me congela o coração.
Leve na sua memória aquilo que lhe dá esperança
O que passou já era
Resista ao frio
Refresque no calor
Viva com prazer de viver
Viva com amor
Pois como diz Bob Marley
O Coração humano pode destruir o sentimento de uma flor, mas jamais vai destruir a beleza de uma primavera.
Rai Mota
Faz frio em Amsterdam, aqui saudade.
É de uma intensidade tão grande que a gente acaba gritando, implorando Papai do Céu o seu abraço de volta.
Sobre a saudade a gente nunca vai saber tudo.
Há coisas que ela precisa omitir.
Tem coisas sobre a saudade que a gente só pode sentir.
Nós por exemplo estamos sob custódia da saudade, até quando eu não sei.
Apesar de gigante a saudade não é o bastante para desatar as mãos que a distância atou.
Uma mistura de saudade, orgulho e amor.
Tudo isso aqui. Tudo isso em mim.
E quando me perguntarem do que mais eu tenho saudade é de você que eu vou lembrar.
Mas só posso dizer: "Saudades de uns tempos aí".
*Josielly Rarunny*
Minha chama
O mundo fica mais frio sem você
O sono vem sem descanso e as horas se negam a passar
Não quero um dia mais nesse mundo sem você
Nem viver... se você não estiver aqui ao meu lado
Quero ser livre
Preso em teu corpo
Quero falar aquilo que digo no silêncio quando te olho
Falar do prazer que é caminhar ao seu lado
Ou fazer como das mundanas para que você fique feliz
Não consigo tirar meus olhos de você
Seu toque é o paraíso neste mundo
Talvez não entenda,
Mas você é perfeita demais para ser verdade
Sã demais
Louca demais ...
Santa e pecadora
Quero te abraçar demais
Agradecer a Deus por você estar aqui
Você é minha chama
Acredite quando digo que te amo
E que não teria vida sem você
“No calor ou no frio,
Na montanha ou no vale,
No litoral ou no interior,
TURISMO é a MUDANÇA perfeita”
Tempestade
Vento frio que me traz a solidão,
Sofrimento que habitou meu coração,
Ferimento lavado com a chuva,
Nem me sobraram os sonhos, foram estragados pelas mágoas,
Se hoje meu Rosto tem lágrimas,
Saiba que a culpa é sua.
Vento frio que me trouxe a solidão,
Coração magoado desde então,
Ferimento cicatrizado com o tempo,
Só me sobraram as mágoas,
Naquele dia enxugaram minhas lágrimas, e aquelas mãos não eram as suas.
SEGUINDO SEUS PÓLOS
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Estou pronto a nevar, se tiver de ser frio;
sendo assim tudo bem, me preparo pra isto;
posso ter pela frente o pior desafio,
mas a sua vontade já tem o meu visto...
Se trouxer uma cruz, aceitarei ser Cristo;
sou exposto ao seu choque; desencape o fio;
seja tudo e também me tornarei um misto
que no fundo é produto natural do brio...
Aprendi a lidar com seus pólos contrários,
com seu rosto e su´alma de muitos sudários
no mistério afetivo do meu sentimento...
Mas me deixe saber das mudanças de fase;
saberei ser espelho se tiver a base
ou noção sustentável do temperamento...
SANGUE FRIO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
De repente o vazio que me toma;
uma grande lacuna sobre o nada
que já teve uma essência, uma coluna,
mas não foi de fumaça; foi de amores...
Quero ter meus sentidos novamente;
coração que não caiba no meu peito;
minha mente repleta em fantasias
e um leito pra mais do que dormir...
Sem amar e também sem ser amado,
sou leão acuado; nau sem mar;
ter pra dar, e pra ter, faz tanta falta...
De repente o repente que me acorda
com a corda no pulso que nem pulsa,
pois o tempo esfriou meu sangue quente...
ESTAVA FRIO
Ele surgiu
Com cigarros e cervejas
Usando a mesma jaqueta preta
Ás 5 da manhã
Digitando: Typing, Typing , tek, tek
Com seus dedos de cutículas finas
Escrevendo seus artigos meiaboca
Foi embora pra sempre.
Não experimentei nada
Nem cigarros
Nem cervejas
Nem meia boca
Criança...
A arte de amar, sem no amanhã pensar;
o banho frio no verão, após uma tarde inteira a recrear;
a inocência que pode ganhar o mundo, num simples sonho a realizar.
Uma noite de luar com o som do marulhar;
um aperto de mão que não é preciso falar;
o frio na barriga que faz arrepiar;
um bom vinho e alguém para amar.
"Você é meu Sol, mas ainda tô na escuridão.
És meu calor, mas o frio da sua ausência, assola meu coração.
Você é abandono e indiferença e eu continuo sendo amor e paixão.
Sou sua companhia, você é minha solidão.
Seu belo brilho, ao longe, infelizmente não sou capaz de alcançar com minhas mãos.
Não posso te amar por toque, então fiz de ti minha religião.
É você que toda manhã eu admiro, seu brilho ao longe, se tornou meu templo de adoração.
Só restou-me loucura, onde era razão.
Dá manhã, já vejo os primeiros raios, a anunciação.
Vejo meu Sol, mas sei que infelizmente, vou ficar na escuridão...
"O vento frio da noite me extasiava.
Em meio a multidão, desesperado, eu te procurava.
Então naquele momento, eu te encontrei e o ar me faltava.
O meu sonho em vermelho, minha felicidade ao longe, eu avistava.
O coração gritava, minh'alma abalroada.
Tornava-se realidade o que eu tanto sonhara.
Minha alegria, nos meus braços, eu vislumbrava.
A cada beijo, a cada toque, a cada palavra, me desmontava.
E tudo só me dava a certeza que ela eu amava.
Eu daria mil vidas para que aquela noite fosse eternizada.
E as estrelas foram testemunhas de quê, naquela noite, eu amara..."
"Eu realmente não me recordo, se estava quente ou frio.
Só me recordo daquela praça, nosso encontro, suspiro.
Lembro-me meu amor, de esquecer até o meu nome, quando vislumbrei a arcaica igreja e imaginei você saindo dali, de véu, comigo.
O pouco que me recordo, as vezes acho que é delírio.
Lembro-me do aconchego do abraço e da paz que me trazia, aquele seu sorriso.
Eu já me esqueci de viver, amada minha, e o fiz, pois, é só por você, que eu vivo.
Meu Sol, meu ar, meu girassol, meu lírio.
Quando a madruga vem, e me recordo de ti, percebo que, as nossas lembranças, poderiam ser tema de poemas, canções, mil livros.
Rogo, imploro, ao Logos, ao Cristo.
Um dia, um segundo, mil anos, você, comigo.
Lembro-me de tudo, dos nossos momentos, a ternura, os abraços pareciam-me abrigo.
As memórias são prisões, e os sentimentos, castigo.
Levou-me o calor da alma, e sua ausência só me deixou, o frio..."
"Fez frio essa noite, e a fantasia de ter você me aquecendo o corpo, me inflamando a alma, roubou-me o sono.
Eu quero o seu aconchego, clamo por seu amor, mas me pergunto: O seu coração tem dono?
Caso tiver; o que farei com o meu? Que já depus sobre os seus pés: Terei seu abandono?
Mal entrei no seu ringue de desilusão, um olhar foi nocaute, já estou na lona e ainda nem soou o gongo.
Tentar esquecer-lhe é tolice, pra que o whisky, se é o seu beijo, que me deixa tonto.
O perfume me inebria a mente e fico zonzo.
Fazer que não é paixão, é finjir-me de sonso.
És princesa, da beleza rainha, fazei de meu coração, vosso trono.
Acordo na madruga fria, ao léu, atônito.
Tento dormir novamente e não consigo, pois a fantasia de ter você me aquecendo o corpo, me inflamando a alma, roubou-me o sono..."
O inverno do mundo e a primavera da alma
Enquanto o inverno veste o mundo de silêncio e frio, a alma escolhe seu próprio caminho. Nem todas as estações seguem o calendário da natureza, pois dentro de nós, o florescer é eterno.
Lá fora, a neve cobre o chão, gelando passos, silenciando vozes, mas aqui dentro, um jardim desperta, tecendo cores em meio à escuridão.
Quando nos libertamos das amarras da matéria e tocamos a essência mais pura do nosso ser, uma primavera eclode, delicada e infinita, nutrida pela luz da consciência que nunca se apaga.
A primavera não espera calendários, nem pede permissão ao tempo cruel, nasce onde há esperança guardada, sob o véu do inverno, floresce fiel.
O inverno se instala, mas o que sussurra o coração sobre suas próprias estações?
