Coleção pessoal de Mayke_Williks

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UM HOMEM PRECISA VIAJAR

Pior que não terminar uma viagem é nunca partir.
Um homem precisa viajar.
Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou tv.
Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu.
Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor.
Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto.
Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto.
Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser.
Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”
O mar não é um obstáculo: é um caminho.
Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir"
Passados dois meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão.
Um estado interior que não depende da distância...Nem do isolamento; um vazio que invade as pessoas...
E que a simples companhia ou presença humana não pode preencher.
Solidão foi a única coisa que eu não senti, depois que parti...Nunca...Em momento algum.
Estava, sim, atacado de uma voraz saudade.
De tudo e de todos, de coisas e de pessoas que há muito tempo não via.
Mas a saudade às vezes faz bem ao coração.
Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias.
Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudade...Mas não estará só!
Um homem precisa viajar, por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros e tevês, precisa viajar, por si, com os olhos e pés, para entender o que é seu …
Descobri como é bom chegar quando se tem paciência.
E para se chegar, onde quer que seja, aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão.
É preciso, antes de mais nada, querer.

Dias inteiros de calmaria, noites de ardentia,
dedos no leme e olhos no horizonte,
descobri a alegria de transformar distâncias em tempo.

Um tempo em que aprendi
a entender as coisas do mar,
a conversar com as grandes ondas
e não discutir com o mau tempo.

A transformar o medo em respeito,
o respeito em confiança.
Descobri como é bom chegar quando se tem paciência.
E para se chegar onde quer que seja,
aprendi que não é preciso dominar a força, mas a razão.
preciso antes de mais nada querer.

As oportunidades são únicas
Já ancorado na Antártica, ouvi ruídos que pareciam de fritura. Pensei: Será que até aqui existem chineses fritando pastéis?
Eram cristais de água doce congelada que faziam aquele som quando entravam em contato com a água salgada. O efeito visual era belíssimo. Pensei em fotografar, mas falei pra mim mesmo - Calma, voce terá muito tempo para isso... Nos 637 dias que seguiram o fenômeno nao se repetiu. As oportunidades são únicas.

" Passados dois meses de tantas histórias, comecei a pensar no sentido da solidão. Um estado interior que não depende da distância...nem do isolamento; um vazio que invade as pessoas... E que a simples companhia ou presença humana não pode preencher. Solidão foi a única coisa que eu não senti, depois que parti...nunca...em momento algum. Estava, sim, atacado de uma voraz saudade. De tudo e de todos, de coisas e de pessoas que há muito tempo não via. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias. Quem tem um amigo, mesmo que um só, não importa onde se encontre, jamais sofrerá de solidão; poderá morrer de saudade...mas não estará só!"

Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver.

Travessia


Nem todo fim
é uma perda.


Alguns
são portas
que aprenderam
a se abrir
para dentro.


Há despedidas
que não levam.
Devolvem.


Devolvem
o nome esquecido,
a face verdadeira,
a coragem
de habitar
a própria vida.


O fim
não apaga.


Transfigura.


Como a semente
que desaparece
para que exista
a árvore.


Como o inverno
que não anuncia
a morte,
mas a paciência
das flores.


É preciso
deixar de ser
para continuar
existindo.


Porque a vida
não nos salva
do fim.


Ela faz dele
uma ponte.


E toda ponte
é feita
para ser atravessada.
No outro lado,
não espera
alguém diferente.


Espera
alguém
que finalmente
teve coragem
de nascer
outra vez.

A Geografia dos Que Não Sabem Viver


Nunca aprendi a viver.


Talvez ninguém tenha aprendido.


Talvez chamemos de existência
a longa repetição de gestos
que fazemos antes de descobrir
que não levam a lugar algum.


Nasci tarde demais para a esperança
e cedo demais para o esquecimento.


Desde então,
habito uma espécie de intervalo.


Não pertenço às ruas,
mas também não pertenço ao silêncio.


Sou hóspede de lugares
que desaparecem quando alguém acende a luz.


É ali que resido:


entre o eco de uma voz
e a voz que já não existe,
entre a sombra de um corpo
e o corpo que partiu,
entre aquilo que desejei
e aquilo que tive medo de desejar.


Há uma crueldade particular
em continuar vivo
quando já não se espera nada da vida.


A esperança, quando envelhece,
não se transforma necessariamente em desespero.


Às vezes transforma-se em hábito.


E há hábitos mais difíceis de matar
do que qualquer esperança.


Carrego dentro de mim
uma cidade construída sobre ruínas.


Cada rua conduz a uma ausência.


Cada janela dá para alguém
que não voltou.


Cada quarto conserva o cheiro
de uma coisa que terminou
sem jamais ter começado.


É estranho perceber
que podemos sentir saudade
daquilo que nunca tivemos.


Talvez seja essa
a forma mais pura da melancolia:


sentir falta
de uma vida que nunca nos pertenceu.


Meus desejos também envelheceram.


Já não gritam.


Já não imploram.


Permanecem no fundo de mim
como moedas enferrujadas
no bolso de um homem morto.


Ainda posso tocá-los.


Ainda posso senti-los.


Mas já não consigo gastá-los.


Desejo o amor
como um condenado deseja a liberdade:


não porque saiba o que faria com ela,
mas porque precisa acreditar
que existe uma porta.


E talvez não exista.


Talvez todas as portas sejam apenas
formas arquitetónicas da nossa ilusão.


Talvez a liberdade seja
o nome elegante que damos
ao intervalo entre duas prisões.


Por isso permaneço.


Não por coragem.


Não por fé.


Permaneço porque até o abandono
exige uma certa perseverança.


A noite me conhece pelo nome.


As sombras já não me assustam.


Elas aprenderam a conviver comigo.


Às vezes sentam-se ao meu lado
e não dizem absolutamente nada.


É a conversa mais honesta
que já tive.


Então penso:


e se a vida nunca tivesse sido feita
para ser compreendida?


E se compreender fosse apenas
mais uma maneira de destruir
o pouco mistério que nos mantém respirando?


Talvez eu não esteja perdido.


Talvez não exista lugar algum
para onde voltar.


Talvez esta sensação de estar ausente
seja a única forma de presença
que me foi concedida.


A madrugada chega.


O mundo começa novamente
a fingir que amanhã importa.


Eu permaneço diante da janela.


Lá fora, alguém ri.


Um carro desaparece na esquina.


Uma mulher fecha as cortinas.


Um homem acende um cigarro.


E por alguns segundos
tudo parece absurdamente vivo.


Então percebo uma sombra atrás de mim.


Ela não estava ali antes.


Não me viro.


Porque existe uma pergunta
que passei a vida inteira evitando:


se tudo aquilo que perdi
continua vivendo dentro de mim...


então quem, exatamente,
é que está vivendo
quando eu já não estou?

Eu Escolho Amar


Viver é decidir o tempo todo. Até mesmo o simples fato de cruzarmos os braços e escolhermos não fazer nada já é uma decisão que molda o nosso destino. Afinal, o amanhã nunca é uma surpresa do acaso; ele será sempre a consequência exata daquilo que escolhemos fazer no dia de hoje. Diante de todas as dores, das colheitas difíceis e dos caminhos do mundo, a nossa alma precisa tomar uma posição. E, para o meu caminho, a decisão já está tomada. Diante da pressa do tempo e da semente que preciso plantar, eu não hesito: eu escolho amar. Escolho o amor universal que acolhe, o carinho que perdoa e a paciência que espera o tempo certo de Deus. Que o meu amanhã seja o reflexo dessa luz que decido acender agora, pois sei que o amor é a única escolha que nunca nos traz arrependimentos.

As virtudes são brasas acesas que aquecem os corações antes de incendiarem o olhar.

Quando você sentir vontade de chorar, não chore
Pode me chamar que eu choro por você.

Quando você sentir vontade de sorrir, me avise
Que venho para nós dois sorrirmos juntos.

Quando você sentir vontade de amar, me chame,
Que eu venho amar você.

Quando você sentir que tudo está acabado, me chame,
Que eu venho lhe ajudar a reconstruir.

Quando você achar que o mundo é pequeno demais para suas tristezas,
Me chame, que eu faço ele pequeno para sua felicidade.

Quando você precisar de uma mão, me chame,
Que a minha é sempre sua.

Quando você precisar de companhia, naqueles dias nublados e tristes,
Ou nos dias ensolarados, eu venho, venho sim.

Quando você estiver precisando ouvir alguém dizer: EU TE AMO!
Me CHAME que eu digo a você a todo hora.

Pois o meu amor é imenso.
E quando você não precisar mais de mim, me avise,
Que simplesmente irei embora, pensando em você.

A vida sem luta é um mar morto no centro do organismo universal.

Os homens são miseráveis porque não sabem ver nem entender os bens que estão ao seu alcance.

Purifica o teu coração antes de permitires que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda num recipiente sujo.

Com organização e tempo, acha-se o segredo de fazer tudo e bem feito.

A minha vontade é forte, porém minha disposição de obedecer-lhe é fraca.

Escrever é esquecer. A literatura é a maneira mais agradável de ignorar a vida. A música embala, as artes visuais animam, as artes vivas (como a dança e a arte de representar) entretêm. A primeira, porém, afasta-se da vida por fazer dela um sono; as segundas, contudo, não se afastam da vida - umas porque usam de fórmulas visíveis e portanto vitais, outras porque vivem da mesma vida humana.
Não é o caso da literatura. Essa simula a vida. Um romance é uma história do que nunca foi e um drama é um romance dado sem narrativa. Um poema é a expressão de ideias ou de sentimentos em linguagem que ninguém emprega, pois que ninguém fala em verso.

O bem, quando amadurece, se mostra cada vez mais diferente, não só do mal, mas de qualquer outro bem.
O mal pode ser desfeito, mas não pode "transformar-se" em bem.

O problema real da vida cristã aparece onde as pessoas normalmente não o procuram. Ele aparece no instante em que você acorda cada manhã. Todos os desejos e esperanças para o dia correm para você como animais selvagens. E a primeira tarefa de cada manhã consiste simplesmente em empurra-los todos para traz; em dar ouvidos a outra voz, tomando aquele outro ponto de vista, deixando aquela outra vida mais ampla, mais forte e mais calma entrar como uma brisa. E assim por diante, todos os dias. Mantendo distância de todas as inquietações e de todos os aborrecimentos naturais, protegendo-se do vento.
No começo, somos capazes de faze-lo somente por alguns momentos. Mas então o novo tipo de vida estará se propagando por todo o nosso ser, porque então estamos deixando Cristo trabalhar em nós no lugar certo. Trata-se da diferença entre a tinta, que está simplesmente deitada sobre a superfície, e uma mancha que penetra naquela superfície.

Quando Cristo disse “sede perfeitos”, quis dizer isso mesmo. Ele quis dizer que temos que entrar no tratamento completo. Pode ser duro para um ovo se transformar em um pássaro; seria uma visão deveras divertida, e muito mais difícil, tentar voar enquanto ainda se é um ovo. Hoje nós somos como ovos. Mas você não pode se contentar em ser um ovo comum, ainda que decente. Ou sua casca se rompe ou você apodrecerá.

Cristianismo Puros e Simples

Não afaste as pessoas legais por falta de silêncio, por que quando elas pararem de lhe contar com entusiasmo as novidades do dia-dia, ouvindo você o silêncio, tenha saudades de quem você gostaria de escutar.

O Evangelho não se anuncia com crachá, se revela no olhar, no abraço e na vida partilhada.