Poemas sobre arte
O Anjo Negro
Anjo negro, estrela do crepúsculo
Fala agora onde estás
Tira minha alma desse reduto
Pois somente tu me alegrarás
Estende tua mão agora
Tira de mim esse peso
Não deixa que nasça a aurora
Mata esse medo
Por sobre o chão de pedra negra
Eu logo hei de caminhar
E a luz que passa a fina seda
Com minhas mãos hei de apagar
Me envolve em teu abraço
E me dá com a adaga forte
Faz do meu passo
A casa de tua sorte.
Crepúsculo do Mundo
Onde está a espada?
Onde está a coragem?
A princesa encantada
O salvador de passagem
O tempo já levou
Ou a verdade se encarregou?
Sendo a areia ou a visão
Findaram a bela criação
Onde está a doce arte?
As linhas fortes da alma
Ou o som do sol da tarde
Sofreram dor ou trauma?
A sinfonia alta e regente
Fugiu do encontro com a aurora
A flauta que erguia a serpente
Fez dela uma sombra de outrora
Onde está o sábio
Aquele da mente hábil?
Outra vítima do humano
Que fez da coruja um pelicano
O mestre dos quatro elementos
Já fraco, menor e antigo
Fez do vácuo profundo um amigo
E sumiu como um grão aos ventos
Onde está o rei guerreiro?
O senhor da honra e da glória
Sucumbiu no ouro da vitória
E o nada virou seu inteiro
A torre dos homens caiu
E a árvore da vida secou
O leão das sombras rugiu
Quando a cova do mundo fechou.
A janela
O belo símbolo da esperança
A que traz a luz e o vento
E o doce riso da criança
O velho que olha de dentro
A moça que fica debruçada
Olhando as vidas da calçada
O pássaro nela se senta
E a beleza dali aumenta
Com seu mais puro canto
Olha para fora da janela
E faz dela a tua porta
Para um mundo de encanto
Curarás qualquer mazela
Ou árvore que cresça torta
Tu verás um outro lado
Poderás lançar o dado
Com a tua sorte a testar
E com o pássaro a cantar.
A ponte da vida
Aos passos vagos e curtos
O homem na longa travessia
Enfrenta todos os vultos
Das ideias ele se sacia
As pontes da própria mente
Que ligam o gênio presente
Em sua genialidade total
Essa tão viva e também fatal
Ele atravessa a árdua ponte
As dificuldades do caminho
Endurecerem sua fria fronte
Fazem da água o vinho
O filósofo cumpre seu destino
Eleva-se ao saber divino
À outra margem tendo chegado
Vive então do bem dourado.
''O NUNCA''
Nunca comete um erro,e volta a repetir mais uma vez.
Nunca diz milhares de mentiras,enquanto que em poucas palavras dirias a verdade.
Nunca se vangloria por aquilo que não tens.
Nunca diz que eu amo-te,enquanto você não conhece o valor e o que significado do amor.
Nunca diz que eu não consigo,enquanto que você faz coisas que muitos não conseguem.
Nunca diz que eu conheço a verdade,enquanto que você não vive està verdade.
Nunca fala mal do teu proximo,porque você não sabe o que eles pensam de ti.
Nunca diz que eu só o melhor,porque o melhor é aquele que ajuda os outro a ser muito melhor ainda.
Nunca substima o adversàrio,porque a fraqueza nem sempre é derrota.
Nunca diz que eu só fraco,porque no meio dos fracos você pode se tornar forte.
Por isso nunca diga nunca,porque o nunca sempre acontece.
Nós dois, amor.
Nós dois em uma sintonia perfeita, na noite escura iluminada pelas estrelas, você me levaria para seu restaurante favorito. Eu escolheria a mesa fora do restaurante, ao ar livre, eu prefiro assim, sabe. Então, você pediria ao garçom sua comida preferida e eu pediria um delicioso macarrão com castanhas, eu adoro, meu amor. Você não beberia, seu coração iria me acompanhar esta noite com um suco de laranja bem gelado, sabes que não suportaria te beijar e sentir o hálito alcolico. Você perguntaria sobre minha próxima obra, porque mesmo aos dezoito anos já lançaria meu primeiro livro. Eu olharia o mendigo da esquina e levaria a ele um prato especial que você mesmo escolheu, porque você já faria parte da minha caridade. Estaríamos presos um ao outro, de fato, já sabias: estávamos destinados para sempre, e eu sou a pessoa perfeita pra você, e você repetiria isso sempre que eu duvidasse de mim. Depois voltaríamos juntos e no meio da madrugada te surpreenderia com uma poesia, e você me chamaria de sua poetisa. Delicioso é o amor que nos une, e que nos deixa próximo, já vejo nosso futuro. Te amo.
Mulher linda de Fortaleza
jóia rara do Ceará
de uma Abençoada beleza
escolhida entre todas as coisas
como o lilás do céu em degradê
assim como o azul do mar
numa tarde
e a noite um luar
em que habita
toda poesia
da morena Deusa nordestina
seu olho ilumina é pura arte
na marina
um pescador termina mais um dia
agradecendo a Deus
e nossa santa ave Maria
NO PALCO
.
Há quem diga: muito feio!
Não tive intenção agradar
Fiz por onde estar assim
Pra poder representar.
É que a arte é parte de mim
No palco...em qualquer lugar.
Na obra teatral da vida, escolhemos atuar por conta própria ou a serviço de outros.
Há também os que preferem viver alheios aos espectadores e esses escolhem não enxergar na vida uma obra tão prima assim.
Há valor no trabalho, na arte, em tudo, em todos e quem rege nossas escolhas é a consciência de cada um.
A teatralidade é um ingrediente importantíssimo na vida da mulher aventureira. O verdadeiro Cristo sabe que ela não pode ser considerada uma mulher realmente justa.
______Sim__
Tudo pode te ajudar a sobreviver e por consequência fortalecer...
Recitar todos os poemas que sabe, sentar na calçada com um amigo para jogar conversa fora, pintar um quadro com tinta guache, tomar um banho de rio, passear de bicicleta, dançar mesmo sem saber.
A arte de viver está na sutileza dos mínimos detalhes, apenas aprecie e inebrie!
Ninguém perguntou como foi o teu dia
Ninguém consegue imaginar o que passou
Sociedade má faz pessoas frias
Já pensou se os apps Compartilhassem amor?
A única coisa que sei sobre Deus é o quanto Ele desenha bem.
Desenho é uma palavra que veio do amémtim "deusenho".
Que significa "meu Deus, que maravilha desenhaste".
Dos gases às águas
Dos ares às algas
Da areia à praia
Da flor à mata
Dos peixes aos primatas
Da fome à caça
Do fogo à prata
Da fala à arte
Da roda à máquina
Do amor ao ódio
Da dor ao ópio
Sou
Transbordo a expressão do ser no tempo
Sou essa interação, esse senso
Sou essa liberdade, esse contato integrado
"Revolta-me fazer o jogo dos indiferentes
Eu tenho é sangue quente
Enoja-me ver atitudes prudentes
Quando a vontade é arreganhar os dentes
Irrita-me esse controle doentio
De gente completamente imbecil
Só o que me conforma é que na arte
Tudo faz parte
Tudo é embuste
Tudo é verdade
Fala-se tudo o que se finge
E finge-se tudo o que se fala...
Estamos vivendo em tempos de profunda superficialidade, onde o espetáculo devora o sentido e nos priva da pausa necessária para existir. A sociedade do cansaço exige um desempenho extenuante, enquanto a validação momentânea alimenta ansiedades que ficam sem nomear. A violência, tanto física quanto mental, molda relações e silencia almas, fragmentando aquilo que poderia ser inteiro.
Nossas interações se transformaram em vitrines e nossos afetos, em mercadorias. Nas redes que prometem conexão, encontramos distância; na busca por relevância, nos perdemos de nós mesmos. Vivemos no teatro do vazio, onde tudo parece urgente, mas quase nada é essencial.
Resistir é um ato de coragem e cuidado. Precisamos reencontrar o silêncio que nos reconcilia, o olhar que acolhe, a arte que inquieta e a palavra que nos devolve ao real. Só assim poderemos escapar das armadilhas do espetáculo e resgatar a integridade de quem realmente somos.
Transfiguração das Cores
Sempre fui fiel às primárias,
à urgência do vermelho,
ao azul que carrega o silêncio,
ao amarelo que arde sem pedir licença.
Cor pura, sem concessão.
Cor como grito inaugural.
Fugia das misturas —
como quem foge do engano.
Preto e branco?
Nem isso.
Ausências demais.
Um, silêncio sem fundo.
Outro, claridade que cega.
Preferia o mundo onde tudo começa:
a cor em estado bruto.
Mas algo mudou.
Veio um verde que cheira a memória,
um lilás que murmura coisas que não sei.
Um rosa — que nunca convidei —
se assentou na borda da tela.
Será que estou virando romântica?
Será isso… ou será que a cor
também sabe onde ferve o inconsciente?
Não sei se é hora de confiar.
Quem pinta com tons que não conhece
não caminha, atravessa.
E o que vem por aí —
não vem calmo.
Vem pirando tudo.
Porque criar
é deixar que a ausência fale,
que o excesso se cale,
e que a cor — enfim —
nos revele
onde estamos por dentro.
Escrever é ser o mais sincero na verdade das letras.
Nas frases, a sua alma.
No conjunto delas, sua dádiva.
VERSOS E AMARGURA
.
Se de mim retirassem os enganos
Em mim apenas acertos restariam
Seria um poeta de versos levianos
Que como bolas de sabão se esvaziam
Prefiro ser alguém cujas conjecturas
Correm o risco de trazer amarguras
Do que ser um ser vivo sem opinião
Prefiro que me calem com mordaças
Do que ao me ouvirem achem graça
Por repetir os gracejos da multidão.
.
Prefiro ser chamado de subversivo
Do que receber afagos dos opressores
Porque tais afagos só são oferecidos
Aos fracos em troca de favores
Com os quais traem a sua dignidade
E ganham uma falsa felicidade
Como troféu para a covardia
Prefiro ter a honra da clausura
Nos frios porões da ditadura
Do que a desonra na democracia.
.
Se de mim retirarem os versos
Ainda me restarão os pensamentos
Que voarão na amplitude do Universo
Montados nas costas do vento
E baterão à porta de Deus
Que atendendo ao apelo meu
Mandará uma forte tempestade
Formada por poesias agudas
Que caindo regarão as mudas
Que aflorarão como liberdade.
