Poemas sobre Apoiar o outro
Essa é minha, para um outro
Como passa a vida
Como passa, os nossos passos.
Em algum momento, a gente se olha
E lembra que existe um ser dentro de nós,
Que precisa de atenção e amor.
Quando a gente se sente,
Encontra a força necessária
Para não se perder.
Na cultura, na vida e em si,
E, caso isso acontecer,
E com certeza isso vai acontecer,
A gente nos dá a mão novamente.
Quando olhamos o interno,
Percebemos o quanto ele pode ser feio.
Porque tem muita coisa lá, que foi abandonada.
As emoções não digeridas,
O discurso deixado pra lá, pra evitar a "briga",
As angústias das escolhas,
O sofrimento dos rompimentos,
E sutilmente, os momentos de humanidade,
Vai perdendo sua potência.
Esse interno se torna grande, e escuro, porque deixamos.
Somos os responsáveis pelo que entra e pelo que fica.
Hoje, foi um dia de existência,
De enfrentamento e coragem.
Hoje foi um dia, que vi diante de mim, a desconstrução de uma narrativa mecânizada, cansada...
Hoje, palavras foram escutadas,
E a dor de um elo partido, trouxe emoção.
A metamorfose acontecendo,
Não foi atoa que a palavra foi "alívio".
Hoje foi um dia de resgate de uma criança carente, de um adulto que sofre.
Hoje foi um dia, de resgate, de si, do outro, do afeto e da consciência de uma identidade!
05/04/2025
O Sorriso do Diabo
Nenhum melhor outro personagem que não o Coringa, mais especificamente no filme interpretado pelo brilhantíssimo Ator Joaquin Phoenix, para interpretar seu melancólico sorriso. Neste filme, Coringa ( o Arthur Fleck) sorri, não de forma espontânea. Não feliz, como que emitindo um gozo que transborda em seu ser. Mas ri, numa tentativa forçada de disfarçar a dor intensa de sua Alma, causada por longo sofrimento. Coringa não ri. Coringa simplesmente chora um choro amargo, seco e lúgubre, disfarçado de sorriso. É o gemido de seu interior, causado por um momento passageiro de distração, que o faz apenas fingir se alegrar. Mas na verdade, Coringa, sempre quer chorar; gemer; gritar!
É a tortura psicológica de saber que jamais conseguirá voltar ao seu estado ORIGINAL.
Às 12:25 in 16.04.2025
DESCONTROLE
Reconhecer o que é de minha responsabilidade e o que é do outro, tem sido a minha meta diária, para saber os meus limites e não ultrapassar o limite alheio. Reconhecer o quanto existem coisas que não estão ao meu alcance para resolver e, o quanto eu me frustro por esperar, um movimento do outro para ficar bem, o quanto coloco uma responsabilidade que não existe. É como se sempre eu tivesse que acertar as contas, mas devo me responsabilizar pela a minha parte. Bah! Que desgaste emocional e físico. Só quero parar de me cobrar, colocar metas inalcançáveis e parar de sempre querer estar no controle de tudo, principalmente do que ainda não aconteceu.
2024
pare esse mundo que eu quero descer,
já estamos em julho, já pulei o muro
e gostei mais do outro lado,
de borboleta não sei apenas o nado,
rindo chapado, coração blindado,
se Deus vier, que venha armado.
Quando o sistema não deporta para outro pântano um criminoso, e traz para o seu pântano uma condenada por lavagem de dinheiro, o pântano acabou ou virou um chiqueiro.
Pensamento do Livro “O Pântano” do autor (Editora UICLAP).
DESEJO EXPRESSO
Não costumo nem gosto de falar
de minha inevitável viagem
para outro plano de vida
e sempre espero
que ela seja tardia e adiável
o quanto possível.
Mas isso não impede
que eu expresse o desejo
de que meus restos
não sejam cremados:
quero meu corpo sepultado,
dar minhas carnes mortas
à terra de minha terra,
e que isso aconteça
num clima de festa,
em que os cantos de alegria
não cedam lugar
a lágrimas e soluços
de tristeza.
Os momentos do adeus serão apenas
os do começo da travessia
da essência de mim para o desconhecido,
enquanto aqui começará a colheita
do que plantei e não colhi,
mas que não se esgotará
para as gerações futuras,
em cuja memória eu não pretendo
ser, do que fui e fiz neste plano,
simplesmente cinzas,
embora guardadas no mais rico
e belo dos cinzários...
se a cada batida meu coração escrever um verso
vou te alcançar mesmo do outro lado do universo
Riz de Ferelas
maturidade verdadeira
O que mais admiramos no outro é a maturidade.
Mas não é qualquer maturidade: é aquela que nasce da vivência, do processo vivido e sentido na pele.
Ouvir histórias e aprender com exemplos é valioso, sim. A sabedoria muitas vezes começa pelo ouvir.
Mas a verdadeira maturidade — aquela que traz profundidade e propriedade — só se conquista passando pelo processo.
Quem viveu sabe. Quem enfrentou sabe. Quem superou sabe.
E quando essa pessoa fala, não é apenas um eco de palavras que aprendeu, é a verdade daquilo que ela foi capaz de atravessar.
É por isso que a maturidade genuína é tão admirada: ela carrega a força de quem não apenas ouviu sobre a vida, mas a viveu de fato.
Linguagem da alma
Tenho um lado fé, outro, sonho.
Um sol, outro, girassol.
Um indisposto, outro, disponho.
Um casulo, outro, borboleta.
Um silêncio, outro, cultivo.
Um se fecha, outro, proponho.
Um incerto, outro, ativo.
Um é canção, outro, vento.
Um resiste, outro, provoca.
Um entorta, outro, se quebra.
Uma dúvida, outra, devora.
Um recolhe, outro, chuta o balde.
Um confunde, outro, amanhece.
Um se esconde, outro, domina.
Um desaba, outro, esquece.
Um medo, outro, voos.
Um pensa, outro age.
Um outono, outro inverno.
Um recua, outro invade.
Um teima, outro, se reinventa.
"Um sonho, outro, ainda estou escrevendo."
Autoria: #Andrea_Domingues
Todos os direstou autorais reservados 27/04/2025 às 15:00h
"Meio de Caminho"
Um calça o saber,
o outro, o pão.
Um pisa o chão frio da ciência,
o outro, o chão duro da vida.
Branco de esperança,
preto de persistência.
Ambos não brilham por si,
mas pelo fim que sustentam.
Dois sapatos, um destino:
ser ponte onde não havia caminho.
Pois também sei que um será salvo, e talvez outro não;
abençoa-me a mim e aos meus, Deus Pai. Misericórdia!*
* [Mateus 24 :40] "Dois homens estarão no campo: um será tomado, o
outro será deixado."
ECOS DO SILÊNCIO
amanhecerá
entre a penumbra de um dia e outro
o ruído do silêncio fazendo eco na madeira dos móveis
o criado-mudo tão mudo quanto antes
estático na sua velha roupagem de verniz vencido
— o tempo deixa marcas me disse, mudamente
— e eu que achava que não... sorri sardônicamente
silêncio lá fora. barulho lá dentro
o vento soprando as horas como se o tempo fosse vela
entre um silêncio e outro [o ruído do tempo]
esse barulho que não passa... virá de fora ou virá de dentro?
O Homem Que Em Mim Habita
Às vezes acordo outro,
com ideias que não plantei,
sentimentos que não convidei,
e angústias herdadas de ninguém.
Há em mim um estranho morador
que pensa demais e sente de menos,
mas que chora em silêncio
pela flor que não regou.
" O TENS "
Estás nos braços de outro, novo amor,
por certo enamorada, enternecida,
qual fosse-te a maior paixão da vida
a te abraçar envolta em seu calor!
Mas inda pensas no outro, o da partida,
aquele que se foi em pranto e dor
levando n'alma a mágoa, o dissabor
do teu desprezo dado, ressentida.
Se o vês, já não ocultas teu pensar
e é fácil perceber que, a lamentar,
tua alma chora o fim de linda história…
Nos braços de outro estás, se pode ver,
fingindo o tempo todo não saber
que ainda o tens, no peito e na memória!
Mãe
Um ser forte que ama incondicionalmente.
Um ser que gera outro ser.
Um ser que protege.
Um ser que vive para o dá amor.
Feliz dia das Mães.
O jardineiro
Em outro coração eu não vou achar o que encontrei no teu,
em outro coração eu não vou colher o que plantei no teu,
cultivei por anos nesse jardim, nele cresceram várias flores bonitas e frutos saudáveis,
no teu solo fértil deixei meus equipamentos e meu suor,
no teu coração a colheita é farta, pois, sólidos são os meus sentimentos e ricos são os meus pensamentos.
Ser fiel a si mesmo é o primeiro passo para não se perder no outro. Quando quem amamos não está, percebemos o quanto a vida é dura — e curta. Esperar finais felizes parece ingênuo diante da realidade que insiste em nos quebrar.
Mas há força na dor. As partes que se quebram revelam quem realmente somos. A ausência do outro escancara a necessidade de presença de si. E quando dizemos “nunca mais”, talvez estejamos, enfim, dizendo “agora, sim” — para nós mesmos.
"Você bem que podia vir comigo
Para além do final dessa rua
Do outro lado da cidade
Ou algo parecido"
Beijar é encostar o coração na boca do outro, sem prometer nada, mas revelando tudo. É a alma dizendo o que a voz já não alcança, quando o silêncio fala mais do que as palavras.
É o gesto mais terno da coragem:
permitir ser tocado por dentro, sem que nenhuma roupa precise cair.
Porque o beijo sincero não acontece com todos... Só com quem a alma reconhece como verdade.
O resto é ensaio, é desejo, é pele, é banal, é impulso, é imitação do que não se entende, é paixão sem raízes, toque sem fundo, é uma busca por algo que ainda não se encontrou.
Mas o beijo inteiro... ah, esse só vive onde há encontro.
Abençoado é aquele que tem a graça de vivê-lo.
