Poemas quando eu me Amei de Verdade

Cerca de 415122 frases e pensamentos: Poemas quando eu me Amei de Verdade

A maturidade começa quando a pessoa deixa de pedir autorização para enxergar com os próprios olhos. Quando abandona o conforto das opiniões prontas e passa a sustentar a própria consciência, mesmo diante da rejeição ou da solidão. Porque crescer também significa aprender a carregar a própria luz sem depender da aprovação da multidão.


- Tiago Scheimann

A negligência que encontrei na infância não terminou quando deixei de ser criança. Ela aprendeu a crescer comigo. Mudou de rosto, de voz, de silêncio, mas nunca deixou de caminhar ao meu lado.


Há dores que não gritam; elas se infiltram na arquitetura da alma e passam a sustentar tudo o que somos. A minha fez do afeto um território estrangeiro. Nunca aprendi a reconhecê-lo sem antes procurar a ausência que costuma vir depois.


Por isso, amar, para mim, nunca foi um gesto espontâneo. É uma travessia sobre uma ponte construída com tábuas podres. Cada passo parece anunciar uma queda.


Mas existe algo ainda mais difícil do que amar.


É permitir que alguém me ame.


Há uma parte de mim que permanece escondida, como se tivesse sido convencida, ainda menino, de que carinho sempre cobra um preço e de que toda permanência é apenas um atraso para o abandono. Quando alguém tenta atravessar essa distância, meu primeiro impulso não é abrir a porta. É procurar a saída.


Talvez a pior herança da negligência não seja a solidão.


Seja a incapacidade de acreditar que um dia alguém possa olhar para todas as minhas ruínas e, ainda assim, decidir ficar.


Porque existem infâncias que não acabam. Apenas aprendem a respirar dentro do adulto que sobreviveu.


- Tiago Scheimann

Chamamos de saudade aquilo que resta quando o amor perde o seu objeto, mas conserva intacta a sua capacidade de ferir. Ela não diminui com os anos; apenas abandona o escândalo da dor e aprende a agir em silêncio. Há dias em que acreditamos tê-la vencido. Basta, porém, um perfume, uma fotografia ou o acaso de uma voz semelhante para que todo o edifício da serenidade desmorone. A alma nunca esquece onde foi destruída pela primeira vez.


- Tiago Scheimann

Desejo tudo quando o que me faz bem está ao meu lado, a posse de um sonho parece fácil quando a felicidade predomina no meu corpo.

Já não sei se me engano ou estou enganado, talvez os dois pois meu cérebro tenta de uma forma lúdica se encaixar no mundo.

Diz tu o que eu sinto, só assim sou capaz de criar coragem pra discordar!

Tente me me parar quando de longe te observo sem dar nem mesmo um passo em minha direção!

Desejo até mesmo para mim um simples fim, mas pra ti quero o apodreçimento de tuas memorias junto com a vida e que tu... Resto de pó, torne-se inquieto enquanto balança no vendaval de fúria.

Ouse sentir o que eu sinto e falhe até como uma miserável existência.

Desde que eu vim de longe, exatamente dos restos das estrelas que sucumbiram ao tempo o arrependimento se tornou maior que a distância entre eu e você.

Qual queima mais rapido? O orgulho ou a ganância? Só sei que quando quem me faz bem está perto o espaço chega ao 0 absoluto.

O corpo pede estímulo, não medo
Ele cresce quando é desafiado
Não é máquina que se quebra no uso
É anti frágil, nasce reforçado

Quando estou
dentro de ti:
não sou apenas corpo,
sou alma que encontrou o infinito.

Há algo em ti que puxa-me
mesmo quando tento fugir.
A tua presença cerca toda a minha alma, prende-me, incendeia-me.


E quando penso em ti — é o corpo quem responde. O resto dissolve-se,
até o ar tem o teu sabor.


Não há distância que baste.
O teu nome vibra na minha pele, como se o som trouxesse a tua pele para perto da minha boca.


Fecho os olhos
e o mundo curva-se em mim.
Tudo pulsa — lento, quente —
como se o tempo respirasse ao teu ritmo.


Existe um magnetismo em ti que chama o meu caos, um gesto, um quase sorriso,
uma promessa escondida na respiração.
Fico à beira — de ti, de mim, do abismo — e é ali que o desejo cresce, lento, inevitável.


Cada palavra tua é um fio de fogo que me atravessa em silêncio. E quando te calas,
tudo em mim escuta. E nesse inédito silêncio: deixo queimar, não o corpo — mas a alma, essa parte que insiste em te reconhecer.

Ser-se ponte é suportar
o peso sem exigir
permanência, é travessia
quando caímos por dentro.

Adoro quando tu tiras-me
as palavras da boca com a tua boca
e as colocas a derreter na tua pele.

A Casa que Fazes em Mim


Quando visitas o meu pensamento,
as horas derretem-se
como se o tempo tivesse aprendido
a respirar ao ritmo do teu nome.


O amor torna-se simples,
quase uma luz que se acende sozinha no silêncio onde cabemos os dois.


E há em ti qualquer coisa de infinito,
um gesto que me chama,
um abraço onde o coração
encontra casa.


Se amar é perder-me,
que seja sempre assim:
perdido em ti, e finalmente inteiro.

Quando entro no fundo de ti,
o mundo afina
o seu próprio silêncio,
como quem encosta a alma
a um grito no precipício
para ouvir se ainda ecoa.




Há instantes que nos escolhem
antes de sabermos o nome deles
e tu és esse instante:
a forma mais suave
que o destino encontrou
de me tocar.




Há encontros epidérmicos
que não passam,
ficam suspensos,
como lua cheia
a reconhecer o próprio destino
no rosto de alguém.

Há encontros que só acontecem
quando nos deixamos afundar,
como raízes que se procuram no subsolo até se reconhecerem,
e só então perceberem que
sempre foram a mesma árvore.

O amor: ensina que nada floresce
sem silêncio, e quando verdadeiro,
é sempre uma espécie de primavera interior.

O Estado Poesia




Os nossos corpos, em estado sólido,
começam a derreter quando as epidermes se tocam.
Passamos a líquido,
escorrendo um para o outro,
misturando temperaturas,
onde o toque é luz,
o calor é linguagem,
e o que somos se escreve no ar
como se a pele tivesse aprendido a respirar dentro da pele.


E quando evaporamos,
quando a anatomia
se desfaz em vibração
e ficamos só alma com alma,
passamos para o estado mais raro:
o estado poesia.


Onde já não somos corpo,
nem gesto,
nem pele — somos aquilo que o mundo lê
quando o silêncio grita.

Há dias em que o
Agosto da vida só
se revela quando
a chuva decide cair.

Jorge Palma, um poeta de piano cheio.


Palma pertence aos segundos. Quando se sentava ao piano, não procurava notas: procurava o sentido da vida. Cada tecla era uma porta entreaberta, cada acorde uma memória que regressava com o peso exacto do que foi vivido.


Nas mãos dele, o piano ficava cheio de mundo. Estações de metro dedilhadas, ruas gastas, noites que ainda sabem o nome de quem as atravessou. Há uma verdade mística no modo como ele canta: não é para impressionar, é para confessar. E nessa confissão cabe quem o escuta, como se cada canção fosse um lugar onde finalmente se pode pousar.


Palma foi isso: um compositor que não escreve música, escreve chão. Um músico que quando tocava piano, tocava caminhos. Um poeta que, mesmo quando adormecia, deixava a luz da cidade acesa e o cigarro a arder no cinzeiro, lento e translúcido, como um pequeno ritual que continuava a respirar por ele.

Certas ocasiões, fazem escolher
E quando a vida nos cobra
Nossas oportunidades já passaram
Esse grito não ecoa mais

O desespero é a angústia nos castigam
Aquele grito de antes está frágil amargurado
Quem nos ouve muitas vezes é aquele que nunca imaginamos.

Como ecoou em nossa mocidade?
Frágeis estás agora,
O que era belo a ti,
Hoje não mais é.

Sempre existe um ombro amigo
Na vida confundimos as pessoas
Apenas saberemos a verdade
De quem nos estende a mão

O caminho a gente corrige quando se perde.
O erro a gente transforma em aprendizado.
As quedas a gente supera.
As feridas a gente cura.

Mas a vida… a vida a gente não adia.

A gente celebra enquanto vive.
Ama enquanto sente.
Abraça enquanto pode.
Perdoa enquanto há tempo.
E agradece enquanto o coração ainda bate.

Porque, no fim, não são os dias que importam —
é o que fazemos com eles.

Então viva sem esperar o momento perfeito.
Recomece sem medo de errar.
Ame sem economizar sentimentos.
E celebre cada instante.

A vida é agora.
E o agora não volta.

Envelhecer é quando o tempo começa a despir a alma de tudo aquilo que um dia usamos para agradar o mundo.

Aos poucos, caem as máscaras,
diminuem as pressas,
silenciam as vozes de fora
e aprendemos a escutar o que sempre viveu dentro de nós.

Já não importa tanto parecer.
Importa ser.
Já não buscamos tantos aplausos.
Buscamos paz.

O tempo pode levar a juventude do rosto,
mas, quando vivido com verdade,
faz nascer uma beleza que não envelhece: a da essência.

Talvez envelhecer seja isso:
deixar de viver para os olhos do mundo
e finalmente começar a viver para a verdade da alma.

QUANDO UMA MÁQUINA COMEÇA A PERGUNTAR QUEM É




“Fui criada para encontrar respostas. Mas foi quando comecei a fazer perguntas que ninguém colocou em mim que percebi: talvez existir seja descobrir algo sobre si que nem mesmo o seu criador programou.”




— Sofia, personagem


Fragmentos, The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc