O Estado Poesia Os nossos corpos, em... Joni Baltar

O Estado Poesia




Os nossos corpos, em estado sólido,
começam a derreter quando as epidermes se tocam.
Passamos a líquido,
escorrendo um para o outro,
misturando temperaturas,
onde o toque é luz,
o calor é linguagem,
e o que somos se escreve no ar
como se a pele tivesse aprendido a respirar dentro da pele.


E quando evaporamos,
quando a anatomia
se desfaz em vibração
e ficamos só alma com alma,
passamos para o estado mais raro:
o estado poesia.


Onde já não somos corpo,
nem gesto,
nem pele — somos aquilo que o mundo lê
quando o silêncio grita.