Poemas para Mariana
Mariana Ana,caldo de cana,
A beleza vem de quem ama,
É como olhar que bate e encanta...
Amor ate o fim.
Mariana
Ela se sentou no banco com mais alguém
Era cedo, era dia, tudo bonito e colorido
As palavras que dizia soavam tão simples
Nem parecia a menina que havia partido
Voltou espiritualmente ao meu convívio
Sua presença sempre fez-se tão marcante
Fui enviado a um portal com algum amigo
Para reaproximar o que hoje está distante
A menina de antes agora já é uma mulher
Aparentando saber com clareza o que quer
Os olhos que lhe veem também são outros
Entre tantas partidas, permanecem poucos
Vagamente dorme-se em uma vida insana
Outrora pintura, viraste miragem Mariana
Em um absurdo de informações chegando
Sendo nenhuma sua, continuo imaginando.
CHORAMOS POR TI MARIANA
A cidade que virou lama chorou
Lágrimas escorreram da cor da terra
E pelo leito afora tudo devastou
Pelas mãos do homem e pela ganância
Cidades foram devastadas, casas soterradas,
Vidas desencontradas e futuro apagado.
Outra barragem se romperá e varrerá cidades e lugarejos
Serão apagados do mapa. A situação é caótica
O tsunami lamacento encobrirá parte do planeta
Vidas não serão poupadas e moradias serão devastadas
Um deserto se apodera de toda a situação
E nada restará para lembrar.
E o medo de enfrentar uma nova avalanche de lama
Voltou a fazer soar o alerta em povoados de Mariana.
Sonhos foram arrancados e o pavor assolou
Nos olhos apenas lembranças de uma cidade que já fora ideal
Hoje só a cor da dor e de um tempo que passou e nada restará.
Mariana X Paris
Miserável como a fome e vazio como o mal
As lamas e o fogo dimanam alertar-nos;
E no decorrer de dias e noites avarentas
Você me aparece como morte incessante.
O capital é o que mais lhe atrai, infame!
A crença que te sustenta mata seu irmão;
Pensei em John Lennon tocando Imagine
Mas desta vez, nada ocorreu.
Peito grande de mais para poucas palavras
Ou seriam palavras grandes de mais para pouco peito;
A cama esta pequena de mais para nós dois
e o numero dois é muito, para eu e você.
Os sinais de compaixão tem sido criticados
Justamente pelas figueiras que não dão fruto algum;
Entre Mariana e Paris eu escolho o amor
A este sentimento não me cabe censurar.
Quando enfim a mulher chora e derrama sua dor
Por que iria eu lhe tirar o lenço?
Senti o familiar se tornar desconhecido
e a Ternura perturbar-se com sua irmã, Afeição.
No verão, a compreensão e a bondade chegam mais tarde
Como o cavalo que atrasa para o dia da batalha;
Testemunhando o apocalipse que jaz neste colmeia
Temo não me satisfazer novamente com gosto do mel.
Versejar feito
de lama,
água, fogo
e luto,
tentando
entender
porque
nessa vida
ninguém
se previne.
Centenas
de almas
sacrificadas,
para lágrimas
ainda não
inventaram
barragens
de contenção.
Só sei que
dez estrelas
escapuliram
de várias
mãos;
dobraram
os sinos,
caiu a noite
e já não sei
mais o quê
escrever,
só sei que
o meu peito
não para de doer.
O mundo não
aprende com
os seus erros,
e mesmo
conhecendo
a história
do Holocausto
que começou
com discursos
de ódio persiste
neles sem receio.
Gerando todos os
dias um holocausto
novo um atrás
do outro e sem pudor,
ensinando a apatia
como nobre andor.
Podem permanecer
a conta de mais
de duas centenas
de desaparecidos,
muito reagem alheios,
as dezenas de mortos
não os comovem,
porque eles não
foram os atingidos.
Flexibilizando erros
e deixando barragens
à revelia assim vamos
nos matando todo dia
sempre mais um pouco,
e até mesmo com ironia.
Cantam que o Carnaval
está proibido enquanto
choro pelos meus filhos,
e escrevo poemas sobre
e entre os escombros.
O quê é tarde
demais é
de verdade,
mesmo que
você nele
não acredite,
e o peito
não se dobre;
a conta com
Mariana não
foi saldada,
mas também
não foi olvidada.
A conta não
é pequena
tal qual a
mediocridade
do evento que
a tragédia
provocou,
nós não
sabemos
a proporção
do desastre
humano:
só se tem
notícias que
somos 200
brasileiros que
desaparecemos,
e no esquecimento
nós caíremos.
É sem sentido
seguir desse
jeito para ocultar
o quê não é mais
segredo para
o mundo inteiro
há muito tempo:
que o Brasil
não preserva
a Natureza,
todo mundo sabe;
e sempre seguiu
atirando da janela
a sua riqueza
não se importando
que se acabe,
e nem prevendo
quanto mais gente
se mate ou se
no futuro desmate.
Não existe
cultura
de prevenção,
passaram
três anos
sem nenhum
tipo de indenização
ou reconstrução;
e assim Mariana
escorreu entre
os dedos
e o lucro
falou mais alto
do que tudo,
e em Brumadinho
eles repetiram
os mesmos erros
soterrando o povo
de rejeitos e fazendo
o Governo correr
sem parar para
tentar nos salvar.
Os estragos foram
feitos e já era
tempo dessa cultura
de desleixo mudar.
Porque quem mexe
com mineração
tem a obrigação
de fazer um plano
de contingência
para não mergulhar
a população na
lama por causa
da incompetência.
QUARTO BRANCO
(Rayme Soares)
O frio, o fel, a falsa verdade
Justo aqui neste branco quarto
É quando a mim vem a realidade
E eu que me julgava tão especial
Era meu olhar, minha filha
Creia, nunca me vi de perto
Eu queria ser o gigante que pensava
Mas não me sinto nem isso, nem nada
Os anos que cria ser imenso se foram...
(Queria o seu abraço carente de mim)
(Cadente não, cadente não, só estrela)
Traças no papel do meu livro.
Vivi tanta ilusão, tanta, tanta!
Não posso me abater, eu sei
Meu Deus, quantas vezes mais
Eu vou chorar neste quarto branco?
Culposo é ter negligência,
imprudência, imperícia,
quando se faz sem malícia.
Quem estupra tem ciência,
o ato é sem inocência.
Juiz, não vacile não,
se for julgar essa ação,
condene o crime doloso,
e coloque o criminoso
para mofar na prisão!
Eu te amo...
Amo a profundeza da escuridão do teu olhar que me leva ao teu íntimo onde me perco em te conhecer...
Amo a sua singela face que resplandece a beleza mais triunfante dentre todas as rainhas...
Amo tua voz que é incomparável e logo subestima o canto da sereia ....
Mar e Ana
O amor as vezes nôs encontra em lugares inesperados , As oportunidades mais raras da vida são aquelas que podemos dar continuidade. O meu amor por você é um tiro no escuro ; sem clarão e mudo.
O mundo está chorando pelos cantos.
A sede está barrenta e o Rio Doce ficou amargo.
O som da bomba parou corações e partiu vários em todo o mundo.
As ondas do mar fizeram uma criança dormir eternamente, mas a guerra ainda continua viva.
Guerra por tudo, guerra por nada, guerreando pela paz, matando pela vida, cada um por um ideal sem lógica.
Vejo seres pensantes agindo como irracionais.
Qual a cura para dor do mundo?
- Lais Rosa e Sinail Junior
'ACABOU O QUE ERA DOCE"
As veias vertiginosas que serpenteavam descendo a serra rumo ao mar marcando nas terras mineiras por onde passavam foram subitamente acometidas de um "derrame" que as fizeram explodir trazendo consigo ao invés de Água cristalina que distribuia vida por onde passava ,a vermelhidão do descaso a lama da irresponsabilidade os rejeitos dos abastados para sufocar e matar os menos afortunados e desavisados que sossegadamente estavam em seu caminho.
Morte no Rio Doce!
Acabou o que era doce!E o moribundo rio se arrasta em seu leito de morte,morte que se estende em todo seu percurso dentro e fora de seu leito!
E agora?
Espero viver o suficiente pra te ver de novo cristalino como dantes e as pessoas sorrindo de novo entorno de ti!
Acho que as lágrimas desse povo sofrido é que vão te salvar,te limpar,porque das autoridades nada ou pouco se pode esperar!
"Lamento de quem só te conheceu vermelho e moribundo,mas que quer te ver quando voltares a se DOCE.
Por que tudo tem de ser dividido?
Por que agora é só oito ou oitenta?
Por que ninguém se reinventa?
Agora só existe direita e esquerda.
Nesse país, é anjo ou demônio
Pesadelo ou sonho.
Só existe um partido bom
Só existe uma tragédia boa
Só existe um candidato bom
Só existe um motivo pra orar
Só existe um motivo pra ajudar.
Vai lá!
Divide esse país
Ele é grande demais...
"Ah!se eu pudesse
Me separava de nordeste!"
Quem sustenta esse país covarde?
A média da classe média?
A metade que gasta o bolsa família?
Quem tem mais direitos?
A metade homem ou a metade mulher?
O pai do filho ou o pai da filha?
Ele grita vitimismo. Ela sussurra machismo.
Ah! Senhor dito cujo.
Tu que é metade branco,
Não xinga a Taís Araújo.
Tu que é metade preto
não expõe teu pranto.
Fica quieto, metade preto.
Pra meia metade,
neste país não tem preconceito.
Por que tem cores pra uns
E para outros temos cores rivais?
Não somos todos iguais?
Por que quando estamos
Sem eira nem beira
Inventam logo umas bandeiras?
Qual fé te conduz?
A da cidade luz?
Qual você mais ama?
A cidade da lama?
Sabe por quê tudo nos divide?
Porque a gente divide tudo.
Final da Sul-Americana
Um time do estado Catarinense
Um avião que caiu e matou
Os jogadores da Chapecoense.
Entre os minérios de ferro
Entre a Vale e a sua imagem
Já não sabem o valor da vida
Será que vale uma barragem?
Mar de lama em Mariana
Um desastre industrial
Destruição,mortes,contaminação
Causou o maior Impacto Ambiental.
Sem falar em Brumadinho
As sirenes não tocaram
Onde estão os responsáveis,
Pelas vidas que ali se acabaram?
Lixos jogados no chão e nos rios
Causando a poluição
A natureza manda sua resposta
Com a chuva vem a destruição.
Rio de Janeiro e São Paulo
Dois grandes Temporais
Enchentes,deslizamentos,perdas
Deixaram vitimas fatais.
Tão jovens sairam de casa
Pelos sonhos foram guiados
Mas la no Ninho do Urubu
Pelo fogo foram Ceifados.
Uma perda no Jornalismo
Um Helicoptero e um caminhão
Entre morte e heroismo
Entre emoção e comoção.
Um homem,um presidente
Um governo ou uma sentinela?
Falta alimentos e medicamentos
Na Crise da Venezuela.
Um surto ou a maldade?
Um ato deshumano
Mais vidas foram levadas
No massacre em Suzano.
Na rádio,Internet,Televisão
As tragédias são anunciadas
Terra,Água,Fogo,Ar
E também pessoas assassinadas.
Desce lama morre gente,mídia bota pano quente
fala que foi acidente ,o perigo era eminente
negligente, a tragédia anunciada
quanto vale cada vida,pra vale não vale nada
Mais um desastre ambiental
Nossas autoridades e a classe empresarial nunca são atingidas diretamente, pois estão sempre no topo da pirâmide. Descem apenas após o acidente, discursam, lamentam e voltam para o topo. E de lá reinam.
Última parada - Estação Brumadinho -
A serra ruída e os destroços deixados pelo caos...
O cobertor de lama arregalado sobre todos
e a montanha descendo voraz morro abaixo,
lá embaixo os gritos emudecidos dos sujeitos silenciados
dentro da tumba de rejeitos do concreto duro e frio
que pelo caminho foi se perfazendo o barro.
A dor de quem viu tudo ruir,
o terror de quem estava lá pela segunda vez
chorando o Rio doce, o Paraopeba, possivelmente até o São Francisco.
Os animais soterrados, sufocando sob toneladas de lama
e a cama dura, agora leito das vítimas dessa realidade cruel.
Personagens de histórias brutalmente interrompidas.
A crueldade da trama de quem despejou a sua lama no quintal do vizinho:
- Nos inúmeros terreiros e quintais inundados e que deixaram de existir.
- Nas hortas, lavouras e roças inteiras que não serão mais cultivadas.
E no leito sujo dos rios, os passos encravados no barro, das pessoas enrijecidas na fuga, congeladas de tanto pavor.
Rompeu-se em Mariana a Barragem do Fundão.
Em Brumadinho arrepiaram-se todos ao ver se esvair a sua maior promessa de riqueza, no Complexo do Feijão,
a sua maior empresa transbordou-se num mar de lama
e em inundação jamais vista pelo volume e devastação,
acabou com o conto de fadas da inocência da extração mineral sustentável.
A lama
Mar de lama que trouxe a destruição e nos arrebatou a todos fortemente
A barragem que implodiu a paz e inaugurou um novo tempo
Reapresentando a dor e todos os antigos lamentos “já esquecidos”
Insidiosa indústria de extração mineral
Algures estrada caminho onde se equilibra o bem e o mal
N’algum sítio de minério onde operam maquinário bruto antes nunca visto
Assolando o solo fazendo-o tremer em explosões múltiplas e desgaste desmedido.
Brumadinho... Paraíso encravando logo ali, ladeado a Mario Campos.
Minas Gerais... Das inúmeras minas que lhe facultaram o nome e que agora lhe envergonham e causam a todos largo espanto.
Paraopeba, Rio Doce, São Francisco, Córrego do Feijão... Ambos agonizam.
Romperam com a nossa paciência, reinaugurando a nossa indignação
Óbitos múltiplos
Xisto pedra em verdes folhas, dólares
Indústria torpe em vil revide
Minas matam e matam por dinheiro
As vítimas nem se dão conta que a conta mais cara será paga por eles.
Assoreamento dos córregos, canais e cursos d’água
Depósito de sedimentos e esterilização da vida local
Memórias de uma vida inteira enterradas na lama
Morte no leito do rio transmitida ao vivo pela televisão
Perplexidade estampada no rosto incrédulo dos sujeitos perdidos
Dispersos em seus sentidos
e assolados pelo banzo coletivo que aflige a multidão.
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